Connections

2 CAPÍTulo Dois


Alice despertou com a claridade que invadia a janela de sua sala de estar, sentindo que ela não deveria ter se deixado dormir no sofá ainda suja com sua tinta especial que usara na noite anterior para garantir proteção extra a sua casa.

Levantou-se um tanto cambaleante devido ao sono e foi em direção ao que mais precisava naquele momento, um banho.

Depois de ter realmente despertado e estar se sentindo muito bem disposta ela se lembrou do que trouxera consigo e verificou seu esconderijo, quando teve certeza de que estava tudo realmente no lugar certo decidiu que comer alguma coisa faria bem.

Enquanto montava um sanduíche nada saudável, Alice direcionou seus pensamentos para o que poderia existir dentro daquela caixa que recuperara para Itylion na noite anterior.

-O que poderia fazer uma guerra por poder acabar? – ela se questionou.

Há quase quatro anos ela não tinha contato nenhum com Itylion, até decidira que ele nem se lembrava da sua existência, afinal ela era uma simples humana com uma vida quase normal. Mas, algumas semanas atrás, Alice teve uma visita inesperada.

*FLASHBACK ON*

Alice tinha acabado de assistir um filme horrível e decidira ir dormir mais cedo quando as luzes da sua casa se apagaram de repente. Mais do que acostumada com essas coisas, Alice correu até seu quarto na intenção de se preparar para o provável ataque que iria sofrer e teve um sobressalto ao perceber que parado de frente para sua janela estava um homem alto, de terno.

-Saudações, querida Alice! – o homem disse numa voz que soou extremamente conhecida.

-Por favor, me diga que eu conheço você. – a caçadora disse fazendo o homem rir baixinho.

-Mas é claro que sim, docinho! – ele disse se virando de frente para ela e junto com seu movimento as luzes se acenderam.

Alice suspirou aliviada quando reconheceu aquela gravata rosa se destacando no terno preto.

-Itylion.

-Sentiu saudades? Claro que sim, vejo pela emoção em seus olhos! – ele ironizou.

-Posso saber por que invadiu minha casa? E como sabia onde eu moro? – ela exigiu cruzando os braços.

-Primeiro, eu não invadi sua casa, foi uma entrada triunfal. Segundo, agora eu tenho mais autonomia lá embaixo, então foi bem fácil encontrar você, querida. – ele disse sorrindo – Agora seja educada e me ofereça uma bebida.

-Você é inacreditável. – ela disse dando as costas a ele e indo em direção a cozinha jogou uma cerveja na direção do demônio.

-Ah, Alice Annie Holmes! Cerveja? Por favor, eu tenho classe! – ele exclamou fazendo com que ela revirasse os olhos e abrisse um armário para pegar uma taça e um vinho.

-Você invade minha casa, atrapalha minha noite e ainda toma meu vinho. Vai fazer mais alguma coisa desagradável?

-Infelizmente, você vai achar desagradável. Mas só porque você é bem chata com essas coisas. – disse tomando um gole do vinho branco.

-Fale logo, Itylion. Quanto antes você sair daqui, melhor.

Enegrecendo seus olhos, o demônio a encarou fixamente.

— Não se esqueça que me deve um favor, Holmes. E que eu só sou amigável quando quero.

Alice suspirou, mais uma vez se arrependendo de ter sido salva por um demônio.

-Prossiga Ò Itylion! – ela ironizou.

-Preciso que você encontre uma coisa pra mim. E é muito importante que você faça isso rápido.

-Itylion, você é um demônio. Pode estalar os dedos e encontrar as coisas. Pra que me pedir isso?

Itylion suspirou e caminhou até a sala de estar, sentando-se em uma poltrona.

-Alice, sente-se. A história é um pouco complicada.

Ela obedeceu, pois estava curiosa. Fez sinal para que ele continuasse.

-Pois bem, no Inferno nós temos um cara que manda em tudo, que se denomina Rei. Eu sempre fui um demônio exemplar, e estava numa patente bem próxima a esse Rei, e tinha acesso a muita coisa lá dentro. O problema é que esse idiota tem feito tudo errado, ele basicamente não está sabendo administrar toda a magnitude que o Inferno representa. Então eu tomei a decisão de virar o novo Rei do Inferno! – ele exclamou sorridente.

-E é só querer ser o novo Rei e pronto? – ela questionou.

-Infelizmente, não. Quando eu decidi isso, eu precisava de aliados. Uma rebelião pelo trono não acontece com um demônio só, um Rei precisa de súditos. Digamos que eu dei um empurrãozinho para que os demônios notassem as falhas no atual reinado, e percebessem que eu era o candidato ideal para a substituição.

-Não quero nem imaginar quais foram seus métodos. – Alice comentou.

-Foram métodos bem eficientes. Bom, feito isso a noticia de que havia um novo candidato ao reinado se espalhou e chegou aos ouvidos do atual Rei. Ele ficou um tanto contrariado e me convocou para uma espécie de puxão de orelha público. O Rei queria me colocar no lugar que ele achava que eu deveria ocupar, mas eu sou mais esperto. Então aproveitei que quase o Inferno inteiro estava presente e declarei guerra ao Rei. – ele disse sorridente.

Alice o fitou incrédula.

-Itylion, você tem sérios problemas de auto-estima.

O demônio ficou sério.

-Não interessa. O que importa é que agora estamos em guerra e eu preciso de tudo o que conseguir para tomar o poder e ser o novo e melhorado Rei do Inferno.

-Você não foi expulso do Inferno ou coisa assim?

-Não, o domínio está dividido agora. Muitos demônios e associados ficaram do meu lado, e como o Inferno é muito grande, passamos uma linha divisória até a guerra acabar. Alice, as coisas estão indo bem pra mim. E como você me deve um favor, eu vim cobrá-lo. Mas, todos que me ajudarem agora, nesse tempo de crise infernal, serão favorecidos quando eu subir ao trono.

-E se você não vencer a guerra, Itylion? – ela questionou fazendo o demônio se levantar com seus olhos negros, jogar a taça no chão e escurecer a casa.

-Eu vou vencer. – ele declarou com uma voz que não era a sua usual, Alice deduziu que seria a voz de sua forma verdadeira.

-Certo. Agora acenda as luzes e limpe o meu chão. Depois você pode dizer o que quer de mim.

Contrariado, Itylion fez o que ela pediu e finalmente foi ao ponto.

-Alice, eu preciso que você vá até a cidade vizinha, nesse cemitério – ele disse estendo um papel com um endereço – E pegue uma caixa de madeira, que está escondida em uma cripta. E traga a caixa pra mim em um local que eu vou te indicar daqui algumas semanas.

-Certo, mas por que você mesmo não faz isso?

-Devido à atual situação, estou sendo observado pelo inimigo. Ele acha que eu não sei, mas existem alguns subordinados dele que sempre estão por aí. Provavelmente, em alguns dias ele vai descobrir que eu estive aqui, e vai descobrir quem é você, então tome cuidado. Se apresse, antes que ele mande alguém te seguir e encontre a caixa antes de mim. – o demônio disse desaparecendo.

*FLASHBACK OFF*

Alice pegou a caixa de madeira do esconderijo e a observou. Pensou em abri-la, mas percebeu que possuía uma fechadura estranha, com encaixe para alguma chave em formato octogonal. A caixa não possuía inscrição alguma em seu exterior e nem tinha um peso relevante.

Decidiu deixar para depois suas dúvidas, afinal precisava ganhar dinheiro de algum jeito. Devolveu a caixa em seu lugar e saiu de casa para seu atual trabalho. Em cada cidade que Alice ficava, ela arrumava empregos chatos que ninguém queria. Na verdade, esse emprego era o menos chato que ela encontrara, um bar na beira da estrada estava precisando de uma ajuda extra no começo daquele ano, e como ela encontrou uma casa livre nas imediações do bar, resolveu preencher a vaga.

-Bom dia, Alice! – Brandon, o dono do bar disse quando ela chegou.

-Bom dia, Bram! – ela respondeu indo para os fundos guardar suas coisas, dali só sairia à noite.

Brandon era um homem negro de baixa estatura, que mantinha o bar da família desde sempre. Era um lugar bem movimentado, principalmente nos finais de semana, portanto Alice trabalhava de quarta a domingo, o dia todo. Ela gostava do lugar e sorriu pensando nas pessoas estranhas que sempre apareciam por ali, alguns caçadores com histórias e dicas muito úteis também. Logo faria um ano que estava ali e não pretendia ir embora tão cedo.

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—Agora vamos parar pra dormir, sério. Já que não vai me deixar dirigir, pare esse carro aqui mesmo. – Sam disse a seu irmão apontando para um estacionamento de um bar na beira da estrada.

—Não podemos parar, temos que continuar seguindo aquela mulher. Ela entrou naquela estrada de terra ali em frente. – Dean insistia.

Sam perdeu a paciência e tomou o volante das mãos do irmão o obrigando a parar o carro.

—Chega. Tá bem? Precisamos dormir. Aquela estrada não sai da cidade, é apenas um lugar mais isolado. Vamos dormir aqui e daqui quatro horas vamos atrás dela, podemos a pegar desprevenida. Crowley vai localizá-la se for preciso.

Dean iria protestar mais uma vez, mas sabia que o irmão tinha razão. Ele precisava das suas quatro horas de sono.

—Certo. Mas só quatro horas, Sam! – ele disse já se ajeitando em seu banco e fechando os olhos.

Quando despertou para verificar o horário, Dean teve um sobressalto ao notar que havia muita claridade ao redor.

—Merda, eram só quatro horas. – ele praguejou.

Notas finais
Tentarei postar no máximo a cada sete dias. Obrigada pelo acompanhamento.