Connected Spirits
1 Prólogo
Notas iniciais
— Então, qual é o seu nome? – A psiquiatra pergunta para mim, de uma maneira estranhamente gentil. Estranha e falsa.
— Vanessa. – Suspiro. Não era a primeira vez em que médicos e psicóogos faziam a entrevista. – Vanessa Miller.
A mulher anota em seu bloquinho, e eu suspiro mais enfaticamente. Deus, eu preciso mesmo disso?
— Seus pais me falaram que você escuta "vozes"... Pode me falar um pouco sobre isso?
Olho para o lado. Eu sei que de nada adianta eu falar disso com adultos. Eles jamais acreditaram em mim, por que acreditariam agora?
— Vamos, Vanessa... – Ela insiste um pouco mais.
— Tudo bem! — Exclamo. — Eu não escuto "vozes", só uma. O nome dele é Jaden.
Ela arqueia uma sobrancelha enquanto anota algo em seu bloco de notas. O barulho que a caneta faz ao se arrastar no papel faz minha vontade de estrangular meus pais por me obrigarem a vir nessa sessão idiota.
— Jaden? Então é um homem?
— Sim. Quer dizer, eu acho que é. — Suspiro — Ora, Jaden é nome de homem!
— Eu sei. — Ela continua a anotar, e eu reviro os olhos. — Quando isso começou a acontecer?
— Desde sempre fui assim. — Encolho os ombros. — Sempre. Eu ainda me lembro das vezes que eu escutava ele falando comigo, mas eu era pequena demais para entender que não era as pessoas que estavam ao meu redor. Era ele, sempre foi ele.
A psiquiatra continuou olhando para mim, mas agora havia parado de escrever.
— Você costumava ter amigos imaginários quando pequena? — Ela indaga.
— Eu não costumo ter amigos reais nem hoje em dia, quanto mais imaginários... Mas isso não é problema. O único amigo que eu tenho é ele.
— Esse Jaden não existe, Vanessa. — Ela diz, largando a caneta no móvel de madeira e me parecendo frustrada. — É fruto de sua imaginação. Já tive pacientes mais graves que você, querida. Sei exatamente o que passa com você.
— Como você pode ter tanta certeza?
— Veja bem, você acabou de me dizer que não tem amigos. Desde pequena você criou esse "Jaden" para ser seu amigo. Mas agora você já tem quantos anos mesmo?
A mulher ainda esperava a resposta enquanto eu olhava para minhas mãos.
— Doze. – Respondo finalmente. – Mas...
— Doze. Não devia mais ter amigos imaginários. Vamos construir autoconfiança em você, e...
— JADEN NÃO É IMAGINÁRIO! — Grito, levantando-me da poltrona e apontando meu dedo indicador bem no meio da cara daquela cadela.
— Ele é! – A mulher não parecia assustada com minha explosão de fúria. – Aceite os fatos!
Ela me segura pelos pulsos levemente e me faz sentar novamente na poltrona. Ela, dessa vez, suspira e olha diretamente para mim.
— Eu posso te ajudar, Vanessa. Te ajudar a se livrar dele.
Olho para ela. Eu... não quero Jaden perto de mim. Ele insiste que eu vá atrás de uma carta, mas eu não faço a mínima ideia do que ele está falando. Seria melhor se ele fosse embora... Ele está me empatando de viver a minha vida. Eu sempre quis ser independente, livre. E não quero nada amarrado à mim.
— Você quer que eu te ajude? – Ela segura minhas mãos. – Eu só posso ajudar quem quer ser ajudado.
Penso por mais alguns minutos, mas depois respondo.
— Sim. Quero me livrar dele, o mais rápido possível.
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