Já se passaram três anos.

Uma das melhores decisões da minha vida foi ter ido morar com Elliot. Ele sempre foi muito cuidadoso comigo, principalmente quando a saudade apertava em meu peito. Saudades de minha mãe, de Jaden... Até mesmo de Anna e Suzanne, que em pouco tempo já haviam conquistado um pedacinho do meu coração (Sim, até mesmo Suzanne conseguiu isso).

Depois de um ano e meio vivendo com Elliot, soube que ele era o homem da minha vida e que jamais conseguiria deixar de amá-lo. Não foi uma surpresa muito grande quando ele me pediu em casamento. No começo achei um pouco precipitado, mas assim que olhei a minha volta, já morando com ele e feliz, percebi que já estava mais do que na hora. Mas não quis que fosse um grande casamento, e ele concordou.

Nós contratamos um juiz de paz e nos casamos em uma pequena capela numa cidadezinha vizinha. Papai quase que surtou quando soube que iria me casar lá, e não numa festa pomposa como ele e minha mãe tiveram.

Aliás, duas semanas depois que voltei de Londres, fui até a minha antiga casa — a do meu pai — e tive uma longa conversa com ele. Ele pediu perdão para mim e me explicou que era muito jovem para entender que eu precisava de atenção, mas assim que percebeu, quando mamãe havia falecido, tentou de tudo para se reaproximar de mim. Infelizmente eu era uma adolescente rebelde e revoltada que jamais perdoaria os pais. Felizmente eu percebi que não devia ser assim. Eu o perdoei e não me arrependo de ter feito isso.

Tudo bem, não é bem isso que eu queria contar para você. A notícia que eu mais queria dizer é que eu estou grávida.

Sabe, quando eu recebi o resultado do exame de sangue, meu coração gelou. Eu nunca quis ser mãe, principalmente por causa do exemplo que "tive" em casa, então isso podia ser esperado de mim. Eu me deitei na cama e esperei Elliot chegar do estágio, e assim que ele chegou entreguei o exame para ele. Realmente eu nunca havia o visto tão alegre daquela maneira, me abraçando e beijando como se eu tivesse entregado vinte milhões de dólares para ele; e isso me fez sentir reconfortada. Elliot estava tão feliz que eu não consegui ficar receosa. Houve um dia, porém, que eu finalmente confessei a ele meus temores.

— Não fique assim. — Ele beijou minha testa. — Eu tenho certeza de que você será uma ótima mãe.

— Será? Eu tenho tanto medo de repetir os mesmos erros da minha mãe...

— Se você fizer isso, eu te aviso. E se você fizer duas vezes, eu te dou um cascudo, tudo bem? — Ele sorriu e me abraçou.

E foi nesse dia que eu parei de ter medo da maternidade. Eu confesso, cheguei ao ponto de pensar em tirar o bebê, mas isso só faria com que eu fosse pior que minha mãe. Por que a maioria das modelos tira os bebês com medo de a carreira acabar, e ela foi diferente de muitas dessas amigas delas. Ela me teve, e eu não posso deixar de ter o meu bebê.

— Está pensando em quê, Vanessa? — Elliot chega mais perto de mim.

— Em nada não. — Respondo.

Pego o porta-retratos do criado mudo. Eu ainda tenho a foto de Jaden e Alice. Você não faz ideia do quanto eu sinto falta dele. Toda noite eu o vejo em meus sonhos, dizendo que está bem e que está muito feliz por eu ter decidido ficar com Elliot. Muitas vezes ele me disse que meu lugar era esse mesmo, ao lado de quem eu realmente amo. E antes mesmo de eu perguntar, ele sempre respondia que logo eu o veria novamente.

— Ai, Elliot! — Grito.

— O que foi? — Ele olha para mim.

— Eu acho que... Eu acho que o bebê vai nascer!

Ele então arregala os olhos. Oh, Deus, as contrações são tão fortes... Ele me ajuda a levantar do sofá e me conduz até o elevador. Assim que chegamos na garagem, ele me ajuda a sentar e nos leva direto para o hospital.

Finalmente o meu médico me atende. Não que ele não estivesse lá, mas é que eu decidi ter parto normal, e ele disse que eu precisava de uma dilatação maior. Minha nossa, esperar dilatar é uma das piores coisas que existe. Imagine ficar olhando o médico parado enquanto as dores só aumentam? Eu quase xingava a mãe dele, apesar de a culpa não ser dele.

— Pronto, senhora White. Podemos ir para a sala de parto.

— Muito obrigada! — É a única coisa que consigo falar entre os gritos.

Elliot entra comigo. Ele, meses atrás, insistiu em filmar o parto, apesar de eu ficar falando para ele que ele ia acabar desmaiando lá. Ele não riu da minha piada e agora eu o vejo com uma filmadora. Meu Deus, proteja esse homem...

Mas ele não desmaiou. Nem eu, pelo visto, por que já escuto o choro do meu bebê. Além desse choro, posso ver o choro de Elliot, e também sentir o meu. Eu nunca achei que minha vida podia ganhar esse sentido. Nunca pensei que eu pudesse sentir tanta alegria ao chorar. Os médicos trazem meu bebê até mim e de repente ele para de chorar quando eu o seguro. Beijo de leve sua testa e enxugo minhas lágrimas para vê-lo melhor.

É a cara do pai. A pele branquinha, os cabelos escuros e o mesmo nariz, até. Só o queixo e a boca que são iguais aos meus, mas de resto...

— E qual vai ser o nome desse meninão, mamãe? — O médico pergunta.

Olho para Elliot.

— Pode escolher. — Ele sorri, também enxugando as lágrimas. — Quando a gente tiver nosso segundo filho, eu escolho. Tudo bem?

Sorrio.

— Tudo bem. — Volto-me para o meu filho.

É um menino tão grande... Oh, ele está abrindo os olhinhos... Não. Meu Deus, eu não acredito nisso! Os olhos dele não são escuros, muito menos verdes. Em nenhum momento da minha gravidez eu pude imaginar que isso poderia acontecer.

Os olhos dele são de um azul familiar.

E quando o médico pergunta mais uma vez, respondo, aos prantos.

— Jaden. O nome dele vai ser Jaden.

Notas finais
Acabou mais uma história... Bem, eu ainda não sei o que vou escrever agora, mas logo logo estarei com uma ideia nova por aqui. Se vocês gostaram da fic, por favor comentem e divulguem para seus leitores. Ah, e se quiserem, podem recomendar. Eu adoraria! ^.^ Até a próxima, pessoal!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!