Connected Spirits
13 Bem vindos a Leeds
Leeds é uma espécie de Londres do centro da Inglaterra, mas com menos construções modernas. É uma cidade pequena, mas cheia de indústrias. Desembarcamos no aeroporto de Leeds Bradfort, e o clima de fim de outono faz com que eu bata os queixos. Visto meu suéter de lã e Elliot seu casaco de couro.
— Nossa. — Ele exclama, uma fumacinha branca sai de sua boca. — Muito mais frio que o Nebraska.
— Com certeza. — Sussurro, enquanto a gente espera nossas malas aparecerem na esteira. Quando finalmente pegamos elas, vamos ao saguão principal para pegarmos um táxi.
Quando finalmente achamos um, pedimos para ele nos levar ao Ibis Leeds Centre. Cerca de meia hora depois, chegamos ao hotel. Oh, meu Deus...
— Elliot White, não me diga que esse é mesmo o hotel em que a gente vai ficar!
— Por quê? Não gostou? — Ele olha para mim, preocupado.
— Na verdade, é bem melhor do que eu pensava... — Sorrio. — Não é muito caro, é? Por que se for eu faço questão em ajudar a pagar...
— Na verdade, até que não! — Ele paga o taxista e com a ajuda do mesmo retira as bagagens do porta malas. — E nós só vamos passar dois dias. Tem uma viagem de ônibus pra depois de amanhã que eu já comprei pela internet, só falta eu pegá-las numa agência.
— Você pensa em tudo, hein? — Beijo sua bochecha. — Anda, vamos fazer o check-in.
Ele vem comigo e registramos nossa entrada no hotel. Quarto 621, sexto andar. Depois que entramos na suíte, jogo-me com tudo na cama e suspiro.
— Deus, como eu estou cansada.
Elliot sorri e também se joga na cama de molas, fazendo-me quicar um pouco.
— São muitas horas de viagem. — Ele me segura pela cintura e me beija. — Eu sou muito louco, pra viajar assim...
Louco, medroso... vamos acrescentar mais coisas em sua lista?
— Ah, por um momento eu havia esquecido de Jaden. — Levanto-me. — Vou tomar banho.
— Vai logo, também quero ir. — Elliot me puxa uma última vez e me tira o fôlego novamente.
— Bem que você podia vir comigo.
— Não me tente, Nessinha. — Ele sorriu, espreguiçando-se na cama.
Pego uma calcinha e um sutiã e entro no banheiro. Oh, como um bom banho de banheira pode renovar vidas... Acabo ficando por uns trinta minutos me ensaboando com aqueles sais de banho do próprio hotel. Assim que desisto de ficar totalmente enrugada, saio da banheira, me seco e visto minhas roupas de baixo.
Quando saio do banheiro, vejo a cena mais patética do mundo: Elliot segurando um travesseiro e outro travesseiro flutuante — leia-se Jaden — batendo nele. Meu namorado até que revidava, mas é difícil acertar um alvo que não dá pra se ver.
— Elliot, Jaden! — Exclamo, tentando fazê-los parar. — Mas o que é isso? Por acaso vocês são duas crianças?
Ele que começou.
— Elliot! — Pego outro travesseiro e o acerto de leve. — Minha nossa...
— O quê? Seja lá o que ele falou, é mentira! — Ele se defende, tentando acertar o fantasma mais uma vez. — Deus, ele é muito chato!
— Conte-me uma novidade. — Sussurro, e Jaden me acerta. — Ai, seu filho de uma...
Olha a boca!
— Ok, desculpa. Larga esse travesseiro antes que eu desista de te ajudar. — Ameaço e ele coloca o travesseiro em seu devido lugar. — Obrigada.
— Você teria mesmo coragem de desistir? — Elliot pergunta.
— Não. Mas nada me impede de mudar de ideia. — Eu coloco os travesseiros nos lugares. — Quer conhecer a cidade mais tarde?
— Podemos deixar para amanhã? — Ele faz manha, tirando sua blusa (ai meu Deus que corpo sarado) — Estou cansado e, além disso, tenho que confirmar com a senhorita Hills.
— Confirmar o quê? — Indago.
— Gayle pelo visto não tem hotéis muito bons, e eu consegui falar com uma mulher para ficarmos na casa dela. Tem café, almoço e jantar de graça e o preço da estadia é quase minimo. — Ele explica.
— E como você sabe se essa mulher não é uma maluca?
— Ela tem uns quarenta anos e ainda é solteira. Qualquer pessoa com esses adjetivos é do bem. — Ele sorri e anda para o banheiro. — Além do mais, você provou não ter medo de nada. Ou pelo menos ter menos medo que eu em várias coisas.
— Certo, chatinho. — Visto meu pijama, me deito na cama e ouço ele encher a banheira com água.
De repente, Jaden aparece ao meu lado na cama. Seus olhos azuis estavam escuros, um semblante de tristeza instalado em seu belo rosto.
— Vany... Pergunta pro Elliot qual é o primeiro nome dessa mulher, por favor.
— Elliot, qual é o primeiro nome dessa senhorita Hills?
— Anna. — Ele exclama do banheiro.
— Anna! — Jaden arregala os olhos. — Oh, merda.
Apoio-me nos cotovelos e olho para o loiro.
— O que você quer dizer com "oh, merda"? — Pergunto, e ele esfrega seus olhos.
— Eu conheço essa mulher. — Ele se levanta da cama. — Ela era extremamente apaixonada por mim.
— Apaixonada, é? — Sorrio.
— Sim. Eu a detestava, por que ela vivia querendo me agarrar, mesmo sabendo que eu era louco pela Alice.
Olho para ele. Seus olhos continuam negros.
— Jaden... Ela por acaso tem alguma coisa a ver com seu pedido de desculpas não realizado?
Ele suspira, passa as mãos de leve por seus cabelos loiros e cobre os lábios com as mesmas. Eu nunca tinha visto ele tão nervoso assim.
— Eu posso pedir para Elliot buscar outro lugar pra gente ficar, se você quiser. — Afirmo, sabendo que ele não responderia minha última pergunta.
— Não. Vocês podem ir para qualquer lugar que vocês quiserem. — Ele me força um sorriso. — É sério, não me importo. É que eu não pensava na possibilidade de encontrá-la de novo, sabe... Mas pelo menos ela não vai me ver.
— Se você diz... Mas não se preocupe, não falaremos nada sobre você a ela, certo?
— Eu confio em vocês. — Ele sussurra, seu corpo já se transformando em fumaça. — Eu confio em você.
Então ele some completamente.
— Estava conversando com ele? — Elliot pergunta, saindo do banheiro.
— Sim. — Decido não comentar nada com ele.
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