Connected | BTS Fanfic
6 O Sabre de Luz de Jung Hoseok
Notas iniciais
HOSEOK POV
Mesmo com meu copo vazio, ainda conseguia sentir o álcool em meu organismo.
Eu não gostava de beber. Normalmente, como ficava bêbado muito fácil, acabava jogado no chão de algum lugar e acordava com minha mãe gritando enquanto jogava a capa de alguma revista de fofoca na minha cara.
Mesmo assim, eu gostava menos ainda de me sentir inferior, por isso estava com um copo vazio de uísque na mão.
O fato é que, quanto mais o Grupo Shinhwa crescia, maior era o peso que eu carregava nas costas. Como o único herdeiro, fui criado já ciente de todas as minhas responsabilidades e deveres como o filho de Jung Shinhwa.
A pequena empresa criada pelo meu avô se tornara uma multinacional nas mãos do meu pai, então a pressão sobre mim era ainda maior. Se eu não suprisse aquelas expectativas, sabe Deus o que aconteceria comigo.
Entendo que algumas pessoas possam não entender o motivo de tanta preocupação — e até medo — de ser inferiorizado, mas essas pessoas provavelmente nunca sentiram a pressão de ser um bilionário com apenas 21 anos e ter uma multinacional em suas mãos, empregando milhares de famílias que dependiam daquela renda. No dia que elas sentirem isso — o que eu não desejava para ninguém —, talvez elas entendam.
Aquela noite estava entediante no início, mas era melhor do que ficar em casa com uma bruxa (minha mãe) me fazendo perguntas. Por conta da bebida, não conseguia raciocinar corretamente, e, embora soubesse dos motivos para me preocupar, estar perto de Taehyung me deixava mais confiante. No entanto, naquele momento ele estava totalmente focado em alguém — que parecia estar no andar debaixo, para onde ele não parava de olhar.
Nosso andar era iluminado por luzes roxas que deixavam o ambiente ainda mais fascinante e sofisticado do que o andar debaixo. Em todas as mesas, havia uma vela vermelha e poltronas pretas; era possível ver rostos famosos em todos os lugares — alguns me olhando com segundas intenções. Afinal, estamos falando de mim.
Taehyung fez um sinal com a cabeça para que eu o seguisse. Caminhou até a escadaria e esperou que eu descesse na sua frente, provavelmente já sabendo que iria dar merda.
E deu.
Ainda no primeiro degrau, tropecei o necessário para torcer o tornozelo — isso se ele não tivesse me segurado. Apoiou meu braço envolta de seu pescoço e desceu lentamente os degraus.
Eu bufei.
— Por acaso não tem nenhum elevador nessa merda?
— Hyung, você poderia parar de reclamar? — ele parecia irritado. — Se você não estivesse tão bêbado nós já estaríamos no primeiro andar. Você acha que é fácil carregar alguém como você?
— Alguém cujo bolso pesa mais que o corpo? — retruquei. — É, deve ser difícil mesmo.
— Estou falando do seu ego — ironizou —, que pesa bem mais do que seu corpo e seu bolso juntos.
Eu balancei a cabeça.
— Você tem certeza que tá me levando para o primeiro piso? Acho que tem degraus o suficiente para chegarmos no inferno.
— Nem brinque com isso; nós já temos o Suga.
Quando chegamos ao primeiro piso, Taehyung me jogou em um sofá vermelho e olhou em volta, atentamente. Ali embaixo era mais tumultuoso; a pista de dança, lotada, era de LED com um mix de sequências coloridas que me deixava atordoado. Fotos do Rap Monster estavam espalhadas por todas as paredes, tanto em banners como cartazes, divulgando seu novo álbum.
Não era à toa que Suga estava de tão mau humor — o YG deveria ter gasto uma boa grana com essa festa.
Enquanto encarava meu copo vazio, duas garotas passaram na minha frente. Usavam vestidos colados e sorriram com um certo quê de malícia. Pretendia me levantar para cumprimentá-las de um jeito melhor, mas Taehyung bloqueou minha visão, parando na minha frente.
— Hyung, tenho um favor para te pedir.
— Manda — desviei o olhar das garotas.
— Tem alguém aqui que chamou a minha atenção — ele passou a mão em seu cabelo, bagunçando-o —, mas ela veio acompanhada.
Eu soltei uma risada, percebendo seu incômodo.
— Cara, eu já te falei para não brincar com mulher comprometida.
Ele revirou os olhos.
— Ela está com outra garota.
— Nesse caso — me levantei, ajeitando meu blazer —, acho que ela não vai se interessar.
— Ela não é lésbica — respondeu, irritado. — Ela veio com uma amiga e eu quero que você a distraia.
Eu fiz um bico, pensativo.
— Onde elas estão?
— Logo ali — ele apontou com a cabeça para um lugar na frente do palco. — A amiga dela é aquela perto do bar, a garota de vestido preto e rabo de cavalo. A minha... — bufou — acaba de fugir. Droga, vou ter que procurá-la.
Eu olhei na direção, mordendo o lábio inferior.
— Hm... Eu nunca vi ela antes.
— Está com medo de ser rejeitado? — riu.
Eu dei um sorriso de lado.
— O que estamos esperando? — o surpreendi. — Vamos. Vou mostrar quem é o verdadeiro Casanova do F4.
Ele soltou uma risada discreta.
— Aposta sua Ferrari nisso?
— Minha Ferrari é a única garota que amo. Não aposto ela jamais.
Taehyung deu um sorriso de lado, cúmplice, abrindo caminho até sua vítima. Olhei em volta, cuidadosamente — teria que tomar cuidado com paparazzi — não pretendia acordar com meu rosto estampando todas as revistas de Seul.
Senti meu bolso vibrar antes de dar o primeiro passo.
Jung Seolhyun: Você tem aula de economia mundial às 8h. Seu professor veio em um voo privado para essa aula, seu pai que insistiu. Mostre-se um bom filho e chegue na hora.
Revirei os olhos.
O que seria uma noite agradável sem ameaças da Sra. Jung?
Minha mãe sempre foi alguém que colocaria medo em qualquer ser que respirasse. Jung Seolhyun, apesar de ser uma mulher ocupada, sempre arranjava tempo para se envolver em meus assuntos pessoais; sendo capaz de qualquer coisa para manter a imagem de família perfeita para todos.
Até mesmo esconder o aborto do seu segundo filho.
Bufei.
Guardei o celular novamente em meu bolso, distraindo-me com a música que tocava. Abri caminho em meio a multidão, seguindo até a menina de vestido preto — que estava sozinha.
Ela estava perto do palco, virada de costas para a área dos jornalistas e paparazzi; mas como as pessoas importantes estavam no segundo andar, pareciam desinteressados. Passei facilmente por eles, abaixando a cabeça.
Agora mais próximo, analisei a garota. O vestido dela realçava suas curvas, que não eram muitas, mas delicadas; era possível ver seu rosto por conta de seu cabelo preso, o que a tornava ainda mais sedutora e diferente de todas as outras garotas daquele lugar. Sua expressão era tímida, percebendo os olhares de um grupo de garotos que estavam perto dela.
Seu semblante asiático, com traços finos e suaves, seria facilmente reconhecido por mim. Tive ainda mais certeza que nunca tinha a visto antes.
As festas da YG eram cheias de estrangeiros, de todos os lugares do mundo; porém os rostos coreanos eram sempre os mesmos: celebridades, atletas, jornalistas e pessoas importantes. Claro, não devemos esquecer as groupies.
Ela estava em pé, apoiada no balcão do bar e com nenhum copo em sua frente. Caminhei em sua direção, afastando o grupo que a rodeava; suas expressões mostravam que já sabiam que no topo da cadeia alimentar coreana está o grande Jung Hoseok. Algumas garotas cochichavam entre si, percebendo quem eu era — visivelmente irritadas ao me ver passar reto por elas.
Como explicar que existe Hoseok o suficiente para todas elas?
Parei em sua frente e ela me olhou curiosa.
Tentei afastar a névoa do álcool antes de falar.
— Vejo que tem muitos olhares sob você — comentei, minha voz soava mais embargada do que momentos antes —, mas agora só terá um.
Ela franziu as sobrancelhas.
— Não lembro de ter visto você por aqui antes — fiz um bico, pensativo. — Como posso chamar você?
— Ãh — ela olhou ao redor, indecisa se responderia ou não —, eu me chamo Lee Yuri.
Sorri de sua falta de jeito.
— Eu me chamo Hoseok — apoiei meu braço no balcão, apoiando minha cabeça —, mas você pode me chamar de Oppa quando estivermos ocupados.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Nos beijando — expliquei.
— Nós não vamos nos beijar — disse.
Tudo bem, cogitei a possibilidade de ter dito algo inconveniente, mas meu raciocínio curto não lembrava exatamente do que tínhamos conversado.
Talvez Taehyung tivesse pago ela?
— Deixa eu tentar novamente — pedi.
— Acho melhor nã—
— Só mais uma chance, sei que ele está por trás disso.
— Perdão?
Ela deve ser uma atriz desconhecida.
Boa, Taehyung.
— Mais ou menos da minha altura, cabelo marrom escuro? — revirei os olhos, rindo. — Não sei quanto ele te pagou, mas eu sou melhor que isso.
— Você é doente?
—Que tal — dei uma pausa, pensativo —: me chama de Jedi e me mostra seu sabre de luz.
Quando ela me olhou, visivelmente confusa, percebi o que tinha acabado de falar.
Bosta. Por que eu ainda bebo?
— Espera, eu acho que me confundi — cocei a nuca, sem jeito. — Não é que você tenha um pinto, quer dizer, nada contra se você tiver, mas se você tiver, você poderia me avisar ou algo do tipo?
Ela me olhou como se eu fosse um retardado.
— Eu estou falando muita merda?
Concordou.
— Tudo bem, eu sempre tenho um plano C.
Coloquei a mão em seu ombro, puxando-a para perto de mim.
Seu rosto estava bem próximo do meu quando ela soltou um suspiro indignado.
Ela tentou me empurrar.
— Se você não ficar longe de mim, eu vou gritar – ameaçou.
Taehyung deveria ter pago bem.
— Eu prefiro mulheres que gritam na cama — sussurrei em seu ouvido.
Eu ainda não consigo explicar o que aconteceu exatamente.
No primeiro momento; vi seu braço se estender e ir em direção ao meu rosto. No segundo momento; senti flashes me cegando.
No terceiro momento; pensei: —“O que diabos está acontecendo?”.
Meus olhos e boca estavam abertos, em surpresa, enquanto minha cabeça continuava virada.
Toquei levemente minha face latejante, não acreditando no que acontecera.
— Você está louca? — gritei.
Ela bufou.
— Você é um babaca. Nem todos são obrigados a conviver com os hormônios de um adolescente virgem que gosta de sabres de luz.
Virgem?
— O que voc–
Antes que terminasse minha frase, ela fez menção de sair.
Eu segurei seu pulso, virando-a para mim.
— Yah! — esbravejei. — Quem você pensa que é?
— Alguém que não pretende perder o seu precioso tempo com retardados como você.
Ela soltou seu pulso de minha mão, com uma expressão de nojo.
— Estranho — murmurou.
Quem diabos essa garota pensa que é?
TAEHYUNG POV
Enquanto me distanciava de Hoseok, questionava-me mentalmente se tinha sido uma boa ideia tê-lo deixado bêbado naquela situação; por outro lado, uma garota faria bem para deixa-lo sóbrio. Olhei para trás e ele estava encarando seu celular, provavelmente procurando dicas de conquista com seus amigos Google e Wikihow.
A quantidade de espaço diminuía à medida que me aproximava do palco, indo na direção do bar. Estava caminhando na mesma direção que a amiga de Jinhee encarava, pois achava que tinha visto um relance do vestido dourado Jinhee seguindo por ali. Perto do fim da segunda música, a encontrei no meio da pista, caminhando na direção oposta que eu seguia. Suspirei, derrotado, ao perceber que teria que percorrer uma distância ainda maior — apesar de quanto mais longe do palco, menos pessoas estavam ao redor.
Como Jinhee era pequena, foi difícil segui-la. Passar por tantas pessoas era um processo lento e desconfortável; um momento a tinha em vista, outro ela seguia mais rápido e eu a perdia. Estava apenas seguindo em frente, passando por espaços nos quais eu não cabia.
Mas eu já tinha em mente uma ideia de para onde ela estava indo.
Quando consegui chegar perto do bar da entrada, ela estava agradecendo ao barman, segurando sua bolsa no peito e fazendo uma pequena reverência. Ajeitei meu blazer, parando perto dela.
Ela se virou na minha direção, e seu sorriso congelou no rosto.
— Boa noite, raposa.
— Taetae.
Controlei minhas feições. Não esperava que ouvir aquele apelido fosse fazer meu peito doer de saudade — bem, não era o apelido em si, mas sim quem o pronunciou.
Memórias inundaram minha mente, me pegando desprevenido; flashes dos quais eu nunca conseguira me livrar. Um cartão de amor na mochila do meu melhor amigo, Jung Hoseok, escrito pela garota que eu amava, Choi Jinhee.
Tirei as lembranças da minha cabeça, disfarçando-as com um sorriso.
— Então — sentei em um banco que estava do lado dela —, o que você está fazendo por aqui? Não acho que sua mãe conheça alguém da YG.
Ela hesitou antes de responder.
— Uma amiga me convidou.
Sua resposta me desagradou, de certo modo. Saber dessa parte da sua vida, da qual eu não conhecia, me intrigava. Disfarcei, pedindo dois drinques para o barman.
— Você veio com o F4? — perguntou.
Prestei atenção em sua expressão ao falar dos meus amigos.
Ela engoliu seco, incomodada.
— Sim — o barman me entregou duas taças com líquido rosa. — Um brinde?
Ofereci uma para ela, que suspirou, sentando ao meu lado.
— Não acho que seja uma boa ideia.
— Não se preocupe — pisquei —, você não vai ficar bêbada como da última vez.
— Não, Taehyungssi — ela respirou fundo. — Eu não acho que nós dois juntos sejamos uma boa ideia.
Eu mordi o lábio inferior. Não esperava que aquelas palavras me incomodassem tanto.
— Estamos só conversando.
— Você sabe o que quero dizer.
— Disse que sentia minha falta — eu beberiquei o drinque que estava em minhas mãos. — Então achei que pudéssemos–
— Eu não me lembro daquela noite — ela me interrompeu, pousando sua taça na mesa.
— O que?
— Lembro-me de tudo até sair da festa — continuou, enquanto encarava seus dedos. — Lembro que saí caminhando pela calçada, e lembro que ainda estava bebendo.
Ela fez uma pausa, antes de olhar para mim.
— Você ao menos se lembra de mim naquela noite? – perguntei.
— Eu sei que você foi me encontrar porque vi a mensagem que te mandei no meu celular. E se eu pensar sobre aquilo, acabo me lembrando de flashes; você me carregou até o carro, eu acho. Eu lembro de ter chorado, e por isso eu quero me desculpar. Não deveria tê-lo incluído no meu drama familiar.
— Não se desculpe por isso — falei, minha voz desmascarava minha tristeza. — Sabe que não precisa ser formal comigo.
— Sei? — ela levantou a sobrancelha.
— Depois daquilo, imaginei que pudéssemos ser–
— O quê? Sermos amigos novamente? — ela fechou seus dedos ao redor da taça. — Nós nem nos falamos mais.
— Mas poderíamos mudar isso — eu virei minha cadeira sentido à dela, fazendo com que olhasse para mim. — Eu poderia mudar isso. Você não quer?
Ela respirou fundo, tão ciente da nossa atual proximidade quanto eu. Engoliu em seco.
— Você disse que sentia minha falta – insisti.
— Eu não estava em condições de pensar coerentemente naquela noite — ela olhou para baixo, para onde nossas pernas se tocavam. — Desculpe por aquela mensagem.
— Não — inclinei a cabeça e sorri, apesar do quão nervoso me sentia (céus, aquela era a única mulher que tinha aquele efeito em mim). – Você bagunçou completamente minha cabeça depois daquilo, e eu já tinha te superado. Vai ter que arcar com as consequências agora.
Ela fez uma pausa — seus olhos percorriam todo o meu rosto sem pudor, e eu senti minhas barreiras ruindo.
— Taetae, não continue algo que já deveria ter terminado. Independentemente da minha vontade, não podemos voltar a ser o que éramos antes.
Eu bufei.
— Você age como se fosse você quem tivesse que me perdoar.
Eu mordi os lábios, me reprendendo mentalmente.
— Então por quê estamos conversando aqui, Tae? — olhou nos meus olhos, entristecida. — Escondidos de todos.
— Você ainda insiste nessa história? — revirei os olhos. — Já superamos aquilo.
— Você só está aqui porque o Hoseok não sabe que você está comigo — continuou.
— Nós já superamos o passado, Jinheeah — umidifiquei meus lábios.
Repreendi-me novamente; Jinhee me conhecia o suficiente para saber que eu tinha um tique nos lábios quando estava inseguro. Ela percebeu isso, dando um sorriso fraco.
— Tudo que passamos, Taehyungssi, foi no passado — ela se levantou, erguendo sua cabeça e respirando fundo. — Mas parece que quem não superou isso foi você.
Sem deixar que a respondesse, se retirou.
Massageei minhas têmporas, esgotado. Ansiei por aquele momento por tantos dias, e agora parecia que meu coração iria explodir, sentado ali, banhando em memórias. Tomei um longo gole do drinque, sentindo o líquido descer pela minha garganta.
Respirei fundo.
Kim Taehyung, você é um idiota.
Enquanto olhava para as diversas bebidas no mostruário do bar, a única coisa que eu conseguia pensar era naquela noite — quando a confiança em mim mesmo se foi, dando lugar para os meus antigos sentimentos.
Peguei o celular que estava no meu bolso, abrindo a mensagem que tinha recebido três meses atrás, em uma festa da empresa Choi.
Choi Jinhee: “Eu sinto sua falta”
Levantei a cabeça da tela do celular para procurar por ela. Estivera a acompanhando com os olhos – como normalmente fazia em uma ocasião como aquela. Ela havia bebido muitas taças de vinho, eu havia percebido, mas como ela era forte não me preocupei. E, de qualquer forma, não era como se pudesse fazer algo.
Algo me incomodou, porém; fazia 4 anos (4 anos!) desde que nossa amizade ruíra. Claro, havíamos nos falado brevemente — no início, quando eu ia até ela para chateá-la ou algo do tipo —, mas estávamos brigados. Ela passava pela minha cabeça de tempos em tempos, mas eu procurava sempre me ocupar com outra coisa.
Fora alguns jantares dos quais éramos obrigados a comparecer, eu era totalmente um estranho para Choi Jinhee.
— Kim Taehyung — Sunhee, sua irmã, cutucou minhas costas.
Ela estava ofegante, preocupada.
— Você viu a Jinhee? – perguntou.
— Talvez — guardei o celular. — Por quê?
— Não estou brincando — ela fez uma carranca emburrada. — Onde foi a última vez que você a viu?
Fiz uma pausa, pensando.
— Ela entrou naquela sala com a Sra. Choi — respondi, apontando. — O que aconteceu?
— O que você acha? — ela fechou os olhos, respirando fundo. — Conhece nossa mãe. Sabe como Jinhee se sente em relação a ela, e agora que está bêbada... enfim, o importante agora é que ela sumiu.
— Você já falou para os seguranças?
— Já. Ninguém chamou nenhum motorista ou pegou um dos carros, então ou ela saiu andando desse condomínio enorme, o que eu acho difícil, ou ela ainda está aqui. Olha, eu preciso ir. Me dê seu celular — ela salvou seu número. — Me ligue se souber de alguma coisa.
Concordei antes de me virar e caminhar com passadas rápidas para o estacionamento.
Inventei alguma desculpa para ir embora mais cedo, e liguei para Jinhee somente quando já estava dentro do carro. Eu sabia que não deveria me importar tanto, mas meu coração acelerou vários passos — como acontecia sempre que o assunto era ela.
Ela atendeu na segunda chamada.
— Taehyungssi? — sua voz estava embargada.
— Jinheeah, onde você está? — esperei, com uma paciência que não me pertencia. — Você... Está chorando?
— Taehyungssi. Eu... eu não sei onde estou.
Meu coração apertou.
— Tudo bem, eu vou te encontrar — liguei o carro. — O que você está vendo?
— Escadas. Os degraus são brancos — ela soluçou. — Está frio.
— Aguente só mais um pouco, estou chegando — manobrei o carro para fora do estacionamento. — Você está sentada? O que tem no final das escadas?
— Uma casa, bem grande. Também é branca.
— Jinhee, tem algum chafariz perto de você?
—Tem — ela fungou.
— Tudo bem — meu Deus, ela tinha andado muito pra ter chegado até ali. — Jinheeah, você está no museu nacional. Estou a algumas quadras daí, me espere, okay?
— Não desligue o telefone!
— Não vou, não vou — a assegurei. — Tem alguém aí com você?
— Não. Está tudo escuro e silencioso — ela respondeu. — Tinha uma lâmpada aqui em cima, então eu subi as escadas. Mas eu caí.
— Você caiu das escadas?
— Foi.
— Você se machucou?
— Acho que não.
— Estou chegando. Não tente se levantar, tudo bem?
— Tudo bem — ela fez uma pausa. — Taetae?
— Sim?
— Você tá aí?
— Estou.
— Tudo bem. Você está bem?
— Estou preocupado com você.
— Hm. Você também está com frio?
— No carro tem aquecedor.
— Hm — ela ficou calada por alguns segundos. — Estou com muito frio. E com sono.
— Okay, Jinhee, aguente mais um pouco, tudo bem? Não durma. Já cheguei, estou indo até você.
Entrei na rua do museu, completamente deserto. Eram 03 da manhã e a noite estava glacial de tão fria. Corri, apertando o celular no ouvido.
Suspirei aliviado, avistando-a. Uma luz pálida a iluminava fracamente, sentada no início da escada e abraçada com seu celular. Havia uma garrafa de champanhe caída ao seu lado, molhando seu vestido e escorrendo pelos degraus. Corri, tirando o paletó e colocando ao seu redor no momento que cheguei até ela.
— Jinheeah, consegue se levantar?
— Taetae — murmurou.
A ajudei a se levantar, e arquejei de surpresa quando ela me abraçou, fazendo o paletó cair de seus ombros
— Você veio — falou baixinho. — Obrigada por vir. Pensei que ninguém viria, mas você veio.
— Eu vim — sussurrei de volta, incerto do que dizer.
— Todos... todos foram embora — ela afrouxou o abraço, e pude ver a trilha de lágrimas secas em suas bochechas. — Antes era você, a Sunhee-unnie e a Seokli, mas todos foram embora.
Eu a abracei, impedindo que visse meu rosto. Eu não era uma pessoa emocional, e mesmo assim meus olhos se encheram de lágrimas. Mesmo quando éramos amigos, Jinhee nunca reclamara de sua vida — e eu sabia das dificuldades pelas quais ela passava. E também nunca a tinha visto chorar.
— Eu estou aqui, Jinheeah.
— A Sra. Choi me proibiu de falar com a Sunhee-unnie e a Seokli morreu três dias atrás. — a senti soluçar no meu peito.
— Vai ficar tudo bem — a reconfortei. — Isso vai passar.
— Eu moro sozinha, Taetae! Você sabe que eu odeio ficar sozinha, mas a Sra. Choi não se importa. Ninguém se importa.
— Isso não é verdade.
— É sim — ela tentou afastar o abraço. — Você não pode falar comigo. Você não acredita em mim. Por que está aqui?
— Porque eu me preocupo com você — soltei.
— Não — ela negou com a cabeça. — Não, você não pode. Se aproximar de mim... vai afastar os seus amigos, e eu sei que você também odeia ficar só.
— Eu também senti sua falta, Jinheeah.
— Não. Não. Não faça isso.
Ela colocou as mãos nos dois lados do meu rosto, me forçando a olhar para ela. Seus olhos estavam determinados e muito, muito tristes.
— Você tem amigos — falou. — Você tem uma vida, agora. Não bagunce sua vida porque tem pena de mim.
Respirei fundo, botando minhas mãos sobre as suas, geladas.
— Eu sinto sua falta. Tem dias que eu sinto menos, tem outros que a saudade é como um buraco no meu peito. Eu não quero mais lutar contra isso.
— Você só precisa de mais tempo para me esquecer — ela assentiu com a cabeça, certa de suas palavras.
— Eu não quero mais tempo.
Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Ela me abraçou novamente.
E ficamos assim por algum tempo.
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