Conhecendo minha sogra!
1 Capítulo Único
Nova Iorque. 30 de outubro.
Frio na barriga. Borboletas no estômago. Suor frio. Quantas coisas Percy Jackson poderia sentir naquele momento? Quais mais sensações ruins que ele poderia sentir? Afinal, a principal indagação é sobre como Atena gostaria de matá-lo. “Relaxa, Percy”, eles dizem. “Minha mãe gosta sim de ti”, Annabeth diz. “Vai ficar tudo bem, Percy Jackson, você é um grande herói, o meu herói favorito!”, a mãe do rapaz sempre comenta. Entre várias frases que apenas preocupam mais o adolescente.
O rapaz completara 16 anos a poucas semanas. É visto como um herói. E o rapaz prefere refazer todas as aventuras de sua adolescência, ou entrar em novas missões perigosas, ou viver eternamente isolado nos oceanos, trabalhando com seu irmão, tudo isto a enfrentar a sua sogra no Olimpo.
Afinal, é lendária a rivalidade entre Atena e Poseidon. E por que, em nome de todo o submundo, um filho de Poseidon escolhera se apaixonar por uma filha de Atena? Por que Eros deixou Psiqué de lado naquele momento, para divertir-se com aquela provável guerra? Aliás, bagunça desejada por Eros ou por Afrodite?
— Annabeth. Por que temos que ir justo hoje visitar sua mãe?
A garota de olhos cinzas suspira, triste e olha diretamente para os olhos do rapaz.
— Novamente esta mesma pergunta, Percy Jackson? Você me prometeu... se você não me quer, por que me enrola... – ela vê o rapaz ficar com o rosto todo vermelho, completamente sem graça e o abraça apertadamente. O rapaz retribui o abraço, envolvendo os braços pela cintura da menor, respondendo-a calmamente.
— E novamente esta discussão, Annabeth. Sabe muito bem que quero você e que amo você. Mas me dê motivos para eu não ter medo de sua mãe. E por favor, não repita mais a frase que sua mãe gosta de mim...
— Mas ela respeita você, e sei que ela vai te trucidar se você não for lá ter essa conversa oficial sobre mim! Ou me assume pra ela ou não vai me ter mais!
— Essas mulheres... – resmunga Percy, logo aceitando aquela imposição da namorada. Por mais que o rapaz sempre tentasse discutir com a garota, nunca iria dar conta de fato disto; ela sempre tinha razão e era um grande motivo do rapaz amá-la tanto. E também sabia que era o momento de partirem para o Olimpo, mas o desejo de Percy é de nunca mais soltar a garota daquele abraço e de nunca precisar enfrentar Atena.
Abraços. Percy sempre se perguntou porque sempre se acalma com aqueles abraços apertados. E pela primeira vez, sentiu-se um pouco mais confiante em falar com a sogra. Mas apenas um pouco.
~
Olimpo. 30 de Outubro.
Poucas divindades percorrem o local; a maioria está ocupada com seus afazeres e com seus próprios problemas familiares. Mesmo os que estão ali, mal notam a presença dos dois semideuses ali, que estão em busca de Atena.
— Eu acho que ela não está aqui, já podemos ir embora e marcar outro dia. — diz Percy agradecendo por não encontrarem Atena.
— Percy, nós acabamos de entrar. Não seja covarde. — Annabeth o cutuca e sorri com o olhar fixo no horizonte, Percy acompanha o olhar e gela ao ver a figura gigante de Atena parada ao longe. — Mãe? — a garota grita indo em sua direção.
— Não chama ela. — ele sussurra a acompanhando a contragosto.
— Percy. — a voz vinha de trás de si e ao virar-se lá estava seu pai, Poseidon, trajando uma bermuda de surfista e uma regata, parecendo que havia acabado de chegar da praia. — Algum problema? Não é comum te ver por aqui.
— Annabeth quer que eu conheça minha sogra.
— É por isso que você está nervoso? — o garoto assentiu. — Olha, se o seu nervoso é por causa da minha história com Atena, fique tranquilo, Percy. Nem você e nem Annabeth tem nada a ver com isso. Vá em paz. — apertou o ombro do filho.
Percy virou-se novamente e Atena e Annabeth o fitaram ao longe. A deusa tinha um sorriso no rosto e definitivamente Percy não sabia se isso era um bom ou um mau sinal, mas sem escolha caminhou até elas. Agora a deusa estava em um tamanho humano, basicamente da mesma altura da filha e, em seu olhar, ainda está o mesmo tom de seriedade e de superioridade que o rapaz conhecera anteriormente. Um tanto nervoso, logo o rapaz quebra aquele breve silêncio.
— Bom dia, Atena... eu...
— Ajoelhe-se! – Interrompe a deusa – mostre que você tem de fato algum respeito por mim e pelo Olimpo. E relaxe que seu pai já não está mais aqui para proteger você de mim! Ele tem um pequeno encontro com Zeus.
Percy suspirou e obedeceu a Atena, colocando seus dois joelhos no chão, sem tirar o seu próprio olhar da deusa e pensando que não poderia piorar... mas poderia? A divindade então sorriu, olhando para a filha.
— O que exatamente este rapaz não deixa de fazer por ti, Annabeth?
— Deixar de ter medo de você.
— É muito bom saber que um filho de Poseidon tem medo de mim. — a deusa sorriu vendo Percy ajoelhado a sua frente e de cabeça baixa. Talvez por medo de encará-la, talvez por raiva do que ela dizia de seu pai. — Percy, levante-se. — Ele se levantou e endireitou o tronco como um soldado faria perante seu general.
— Vamos lá, Percy. — Annabeth sussurrou, arregalando os olhos.
— Então, pode falar o motivo de sua visita, rapaz.
— Senhora Atena, eu gostaria de pedir permissão para namorar sua filha Annabeth. — a voz quase inaudível preencheu os ouvidos da deusa que sorriu o olhando fixamente.
— Vocês já estão namorando? — droga, pensou Percy, é agora que eu morro.
— Sim, mas Annabeth não acha correto que isso continue acontecendo sem a sua permissão e por isso estou aqui.
— Então quer dizer que ela te obrigou?
— Não. — Percy começava a sentir que precisava de água. — Eu concordo com ela, por isso vim até aqui. Amo sua filha e faço o quê for por ela.
Atena caminhou a passos lentos ficando frente a frente com o semideus que fechou os olhos, pronto para qualquer coisa ruim que pudesse acontecer, mas tudo que sentiu foi a mão carinhosa da deusa repousando sobre seu ombro esquerdo e o apertando. Ele abriu os olhos para encontrar o rosto sereno o observando.
— É claro que tem permissão para namorar minha filha, Percy Jackson. Se você a faz feliz, eu não irei contra. Apenas cuide muito bem dela.
Percy sorriu grandemente e olhou por cima do ombro da deusa Annabeth que também sorria. Os olhos cinzas brilhando mais do que nunca.
— Obrigado! — falou pensando se deveria ou não estender a mão para a deusa. Optou por não fazê-lo.
Annabeth juntou-se a ele e se despediu da mãe para poderem sair do Olimpo, mas quando já estavam se distanciando, a voz de Atena os fez parar e virarem-se novamente para ela.
— Percy, apenas me responda uma coisa, por que você acha que uma fonte de água salgada seria mais útil para Atenas do que uma oliveira? Por favor, me diga que você concederia a eles uma oliveira.
Percy sentiu o grande Olimpo começar a girar sobre sua cabeça ao ouvir a história do porque Atena e Poseidon se odiavam e desejou uma fonte de água salgada toda para si enquanto seu corpo pendia sobre Annabeth e tudo de repente ficava preto.
~
— Annabeth! – exclama o rapaz, vendo-se novamente em sua casa, com sua mãe e sua namorada em sua frente – Toda uma briga por causa de uma árvore? Está brincando? Uma árvore em Atenas?
— Percy, não é só uma árvore, ela foi concedida por minha mãe. — Annabeth que estava sentada ao seu lado na cama levanta-se e se dirige à porta. — Quando você entender os motivos, me procure.
Percy voltou a deitar a cabeça no travesseiro. O encontro com Atena não havia sido tão tenebroso quando imaginara, mas o pós-encontro, esse sim seria e estava apenas começando.
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