Confusions In The Enchanted World

17 Almoços, piadinhas e mensagens


Notas iniciais
Heyyy! Eu não sei como pedir desculpa pela demora. No entanto posso justificá-la: as minhas férias acabaram, e com isso voltou uma imensidão de trabalho escolar. Claro que eu adoro a história, mas não posso colocá-la como prioridade acima dos estudos. Prometo que vou fazer o meu melhor para postar com mais frequência e conto com o vosso apoio para isso (se ainda tiver leitores depois desta demora incrível). Relembrando apenas algumas coisas dos caps anteriores: Katherine e o Killian forma obrigados a entrar num armário para jogar ao ''Sete minutos no paraíso'' durante a festa do Caleb. Lena e a Erin são a mais recente dupla de amigas e foram ao Bowling. Os resultados da peça foram divulgados. Acho que para já é só isso. Boa leitura :)

Letícia Dunbroch

– Nem acredito que chegou ao fim! – exclama Helena, depois de sairmos da sala de História do Mundo Encantado – Posso jurar que o ponteiro estava há meia hora sem se mexer.

– Devia ser proibido existirem aulas de cento e trinta e cinco minutos – desabafo, assim que chegamos ao pátio, sentando-me numa das mesas de picnic dispostas pelo relvado.

– Concordo – diz Eric, aparecendo sem eu dar conta e sentando-se ao meu lado.

– Tirem essas bundas daí! – reclama Helena ofendida, enxotando-me a mim e a Eric para fora da mesa.

Desloco-me para o banco sentando-me ao lado dela, e Eric por sua vez coloca-se do meu lado.

Retiro o meu almoço da mochila, ansiosa por mergulhar nos restos do assado de domingo.

– Já foste ver o resultado das audições? – pergunto a Eric , dando uma trinca na perna de peru em seguida. O olhar de reprovação que Helena me lança deixa-me envergonhada, por isso decido voltar a colocar a carne dentro do tupperware e servir-me dos talheres que a minha mãe mandou junto.

– Ainda não pude. Fiquei preso no outro intervalo por causa do professor Phill. Aquele homem nunca se cala – responde ele, pegando na perna que eu tinha abandonado e dando-lhe uma trinca.

– Hey! Isso é meu! – reclamo, arrancando-lha da mão.

– Deixaste-a a meio! – rebate.

– Vocês são nojentos – diz Helena, pegando nos pauzinhos chineses e levando um pedaço do seu sashimi à boca, com toda a pompa e circunstância do mundo.

Eric revira os olhos, e enquanto eu estou distraída, volta a tirar a carne do meu prato e a dar-lhe uma mordida.

– Idiota – resmungo.

– Boa tarde – saúda Killian Smith, que se senta ao lado de Helena, com um tabuleiro de comida da cantina nas mãos.

– Hey – respondemos os três em uníssono.

– Trouxeste o que te pedi? – pergunta Eric ao loiro. Killian estende-lhe a barra de Twix que tinha no tabuleiro em resposta – obrigado.

– Killian – começa Helena – hum… é muito estranho falar sobre isto, mas só queria que soubesses que a Katherine lamenta muito o que aconteceu na festa.

– Eu sei, não te preocupes – diz ele docemente – ela veio falar comigo hoje de manhã a pedir desculpas. Nem havia motivo para tanto alarde. Não foi nada de especial – termina com um sorriso modesto.

Desde quando é que os dentes dele são tão brancos?

Helena dá também um sorriso, mas um pouco mais tímido e encabulado.

De repente, mais alguém se junta ao mosso círculo social:

– Não aguento mais aquela miúda – desabafa Connor Reindeer, sentando-se connosco – Está a dar comigo em doido.

– A Rapunzel Júnior ainda não te largou? – pergunta Eric, e Connor responde negativamente com a cabeça, enquanto tira uma batata frita do prato de Killian.

– A culpa é tua – acuso, e quase tremo com o olhar flamejante que Connor me lança. Mesmo assim justifico o meu ponto – Deste-lhe demasiada confiança e ela aproveitou-se.

– A cena é que eu não lhe dei confiança nenhuma. Eu nunca dei o mínimo indício de gostar de estar com ela.

– Não sei do que é que te estás a queixar – diz Eric – Eu certamente não me importava de ter uma loira como ela caidinha por mim.

– Ela não está caidinha por mim – resmunga Connor.

– Por amor de Deus, até eu sou menos óbvia quando gosto de alguém – rio-me depois de ouvir Helena dizer isto, lembrando-me do episódio da sua declaração de amor ao James Notre Dame.

– Se não gostas dela…– começa Killian – porque é que a deixaste dormir em tua casa na noite da festa?

Connor cora violentamente e apressa-se a explicar:

– Não foi nada do que vocês estão a pensar! Os pais dela estavam fora da cidade, e ela ia ficar sozinha em casa com a irmã. Mas ela estava tão nervosa depois do incêndio que quando a minha mãe me foi buscar insistiu em deixá-las ficar connosco naquela noite. Foi a minha mãe que insistiu, eu não tive nada a ver. Elas ficaram a dormir no meu quarto, e eu dormi no do Charles. No dia seguinte tomaram o pequeno almoço e levei-as a casa. Fim.

Foi impossível não rir da expressão desesperada do Reindeer ao contar a história, como se quisesse a todo o custo provar o seu desagrado pela Erin Fitzherbert. E parece que os restantes na mesa se sentiram da mesma forma, pois riram-se tanto ou mais que eu.

– Um conselho, Connor – diz Helena, de bochechas coradas pelo ataque de riso – quando não gostas de uma rapariga, não a deixes dormir na tua cama.

Escusado será dizer que isto nos rendeu mais uma sessão de risos e um Connor de cara fechada.

Segundas-feiras até podem ser divertidas de vez em quando.

Lena Montgomery

– Vá lá Lena!!! – insiste Erin pela terceira ou quarta vez nos últimos cinco minutos – É só uma aula para experimentar, se não gostares não tens de continuar!

– Ah…não sei Erin. Não acho que contemporâneo seja muito a minha praia.

– Mas por isso é que tens de experimentar! Se não nunca vais saber e vais arrepender-te para o resto da tua vida!

Reviro os olhos, divertida com o exagero da loira e dou mais uma mordida na minha sanduíche.

Enquanto isso, vejo Iamani (filho de Alladin e Jasmine que conheci ontem no bowling) aproximar-se com o seu tabuleiro de comida da cantina, ocupando o lugar ao lado de Erin.

– Vais mesmo comer isso?! – pergunta a loira olhando com cara de nojo para o prato de lasanha vegetariana que ele trazia.

Iamani ignora a amiga e dá uma garfada na comida.

– Não percebo como é que consegues – insiste, levando um pedaço da torta de morango que tinha trazido para almoço à boca – Vexetaix xão tão noxentox…

– Erin! Nojenta é essa tua boca cheia de comida – ralho.

– Vegetais não são nada nojentos – começa Iamani – ora prova…

Iamani aponta uma garfada cheia de recheio de lasanha para a boca de Erin e simula um aviãozinho como se ela fosse uma criancinha.

– Vá lá…tu sabes que queres…

– Para com isso seu idiota!

Enquanto me ria da discussão estúpida dos dois, ouço o meu telemóvel (=celular em Portugal) vibrar anunciando uma nova mensagem:

13:35

‘‘Vi que também conseguiste um papel na peça :p Que me dizes a irmos para minha casa depois das aulas e treinarmos um pouco as falas?’’ – Tom

Respondo quase instantaneamente não contendo muito bem o entusiasmo pela hipótese de passar algum tempo a sós com o Pontus. –

13:36

‘‘Porque não? Estou curiosa para ver como é que um híbrido de sangue misto como tu vai conseguir interpretar um rei XD’’ – Lenny

Iamani e Erin continuam a discutir na minha frente, desta vez por causa da recente mancha verde na saia da loira, enquanto eu espero ansiosamente pela resposta do meu melhor amigo.

Eu sei que ele me colocou sem dó nem piedade numa dolorosa friend zone (apesar de ele não fazer ideia disso), mas continua a ser meu amigo para o melhor ou para o pior. E eu tenho de admitir, que sinto a falta de passar tempo com ele. Desesperadamente.

Um segundo depois chega a minha esperada resposta:

13:37

‘‘Ah-ah, falou a princesinha adormecida. Respondeste depressa para quem tem andado tão distante’’ – Tom

Fico um pouco desconcertada com a resposta, mas não tardo a rebater:

13:38

‘‘Olha só quem fala! Parece que foste engolido pelo furacão Daina’’ – Lenny

13:38

‘‘Ciúmes amiguinha? Há Thomas que chegue para todas u.u’’ – Tom

Quando é que ele se tornou tão presunçoso?!

13:39

‘‘Isso era o que tu querias. A minha vida não gira à tua volta Pontus’’ – Lenny

13:40

‘‘É claro que não. Mas se girasse, terias sabido mais cedo que eu e a Daina somos oficialmente um casal ;)’’ – Tom

Levo alguns minutos para me acalmar depois de ler a última mensagem.

13:42

‘‘Então? O gato comeu-te a língua?’’ – Tom

13:43

‘‘Nada disso. Só achei estranho não me teres dito nada antes. Vocês ainda há dois dias mal se tinham falado’’ – Lenny

13:44

‘‘Pelos vistos ela também estava interessada em mim. Que se pode fazer? Eu sou irresistível’’ – Tom

13:45

‘‘Ui, ui , olhem só para o mais recente Casanova. Arranja uma miúda parva o suficiente para gostar dele e já se acha alguém de valor :P’’ – Lenny

13:45

‘‘Vamos voltar à conversa dos ciúmes Len?’’ – Tom

13:46

‘‘Deves estar a sonhar se achas que tenho ciúmes. Tenho mais em que pensar para além de ti sabias?’’ – Lenny

13:47

‘‘Vou fingir que acredito ;)’’ — Tom

13:47

‘‘Vai mas é beijar um sapo, Pontus.’’ – Lenny

13:48

‘‘Acho que vou beijar a Daina em vez disso’’ – Tom

Esta última frase deu-me uma volta tão grande ao estômago, que quase me deu vontade de deitar o almoço todo para fora.

– Lena? – ouço Iamani chamar – está tudo bem?

– Ah…– começo, ao desviar os olhos do telemóvel para cima– sim. Porquê?

– Talvez porque há dez minutos que estás com cara de cu a escrever nessa porcaria – acusa Erin sem rodeios.

– Ah…pois… Desculpem.

– Com quem estavas a falar? – pergunta curiosa.

– Não sejas mal educada – repreende Samuel Beasty, enquanto se senta do meu lado, ficando de frente para Iamani – a coscuvilhice é um grande defeito, loirinha.

– Coscuvilhice é um grande defeito, loirinha…– imita Erin infantilmente – Defeito é ter um nome desses, ó Rouge Samuel.

Isto arranca imensos risos de mim e Iamani, enquanto que Sam se limita a revirar os olhos.

Ouço o meu telefone vibrar, relembrando-me que deixei Thomas sem resposta.

13:50

‘‘E não é que ficaste mesmo com ciúmes? XD XD XD’’ – Tom

Ao ler isto um onda de raiva e frustração reacende-se em mim, fazendo-me responder:

13:52

‘‘Não vou poder ir ter contigo. Tenho outras cenas combinadas. Diverte-te a beijar esse sapo a que chamas namorada’’ – Lenny

– A que horas é a aula de dança contemporânea afinal? – pergunto a Erin, no entanto é Iamani que responde:

– Às cinco e meia.

– Não me digas que estás a pensar em ir? – Erin faz uma cara esperançosa.

Aceno afirmativamente, e ela dá um murro de vitória no ar.

– Mas como é que vais fazer quanto ao teu pai? – lembra.

– Hum…– penso. Ainda não me tinha lembrado disso – digo que tenho aula de balé. Ele não vai desconfiar.

Espero eu. A última coisa de que preciso é de mais um castigo.

– Tenho a certeza que vais gostar da aula Lena – diz Iamani – a professora Esmeralda é espetacular.

– E tu que não dissesses isso. És o queridinho da professora – acusa Erin, que hoje está decididamente no humor de retaliação.

– És uma invejosa.

– Eu?! Tu é que tens inveja da…

Erin é interrompida pelo toque da campainha, anunciando o fim da hora de almoço.

– É a minha deixa – diz Sam levantando-se primeiro que nós – tenho aula de francês agora mesmo.

– Não percebo que francês é que tu ainda tens para aprender. – observa Erin, referindo-se às descendência materna do Beasty. No entanto ele já não chega a ouvir, pois já está a caminho da zona das salas de aula.

– Vou andando também. – começo, enquanto me levanto – Vejo-vos logo?

– Podes crer! Esperamos por ti no portão para irmos juntos para o salão. Que te parece? – pergunta Erin.

– Ah…desde que não se importem se formos de carruagem – digo com uma careta.

Ambos se riem pensando que era uma piada.

– Estou a falar a sério.

Param de rir imediatamente.

– Temos de ir de carruagem a um sítio que fica a cinco minutos daqui? – pergunta Iamani incrédulo.

– Não sou eu que faço as regras. – suspiro. Instala-se um silêncio muito estranho, e aproveito para olhar para o relógio. – Ah, já vou chegar atrasada!

Não lhes dou tempo de dizerem mais nada pois começo a andar num ritmo acelerado até à minha sala. Detesto chegar atrasada.

Quando já estou prestes a bater à porta para entrar, ouço do lado de dentro a professora Regina perguntar pelos trabalhos de casa fazendo-me bater com a mão na testa: deixei o meu no cacifo, que fica quase do outro lado da escola.

Corro até lá, na esperança de chegar a tempo da chamada, mas algo embate em mim quando viro na esquina do corredor dos cacifos.

– Então, a minha namorada é um sapo? – pergunta uma voz que reconheço perfeitamente. Thomas está à minha frente e foi aparentemente a pessoa em que bati – não devias estar em Poções agora?

– Podia perguntar-te o mesmo – respondo, e continuo o meu caminho até ao meu cacifo, que estava apenas a uns metros de nós.

– Atrasei-me. Fui levar a Daina a casa. – justifica.

Thomas fica parado do meu lado enquanto tiro o que preciso do cacifo o mais rapidamente possível.

– Não vais dizer nada? – pergunta, seguindo-me de volta até à sala.

– O que queres que diga?

– Sei lá, um simples ‘‘estou muito feliz por ti, espero que tudo entre vocês dê certo’’ já seria o suficiente.

Paro no meio do corredor, e consequentemente Thomas para também.

– Estou muito feliz por ti e espero que tudo entre vocês dê certo – digo inexpressivamente e sem conseguir olhá-lo nos olhos.

Volto a andar, com passos decididos até à porta da sala, desta vez não ouvindo os passos de Thomas atrás de mim.

– Estás diferente – ouço-o dizer quando toco com a minha mão na maçaneta.

– Sim, pois estou Tom. Pena estares demasiado ocupado contigo próprio para teres percebido antes. – rebato, abrindo a porta em seguida e pedindo permissão para entrar.

Ter amigos é tão mais fácil quando não estamos secretamente apaixonados por eles.

Notas finais
Espero que tenham gostado, se ainda houver alguém a acompanhar a história :s Até ao próximo capítulo (prometo que virá o mais depressa possível). Beijinhos ^^