Confused Love
5 Capítulo 5 - Tortura
Notas iniciais
Acordo em um quarto escuro, não enxergo nada, mas consigo sentir que meus braços e pernas estão presos, estou semi-nua, deitada e esticada em uma espécie de maca. Estou com uma mordaça na minha boca que impede que eu grite. Estou desesperada com o que percebo, o lugar em que estou deitada não é apenas uma maca, é uma maca de tortura.
As luzes se acedem, e avisto uma mesa com vários objetos de tortura ao meu lado. Alguém se aproxima, é Crowley com um avental branco. Ele olha para mim e diz:
– Então querida... Por onde vamos começar ?
Meu desespero é incessável, mas não consigo gritar, nem me mexer. Crowley então pega uma faca e começa. Primeiro ele corta minha barriga lentamente, depois faz vários cortes nas minhas pernas, braços, no meu rosto... Em seguida ele pega uma corda, e me chicoteia sem parar. Estou gemendo de dor, as lagrimas nos meus olhos caem como o sangue que não para de escorrer, nesse momento a única coisa que eu desejo é morrer logo. Então ele para,tira a mordaça e diz:
– Está gostando da festa ?
Eu poderia pedir para ele parar, eu poderia implorar, mas pelo visto sou orgulhosa demais até no meu leito de morte, e afinal eu não tenho nada a perder mesmo... Já estou quase morta.. Então simplesmente, cuspo na cara dele, e mando ele ir para o inferno.
– É eu tenho mesmo que dar uma passada lá, por isso vou deixar você com um amigo meu, ele vai cuidar muito bem de você, fique tranquila. — Ele fala cinicamente. Quando ele sai do quarto, deito minha cabeça na maca, e solto um suspiro de alívio, mas quem dera isso ter acabado. Alguém entra na sala, e eu entro em pânico novamente.
É Tresh o demônio que está na mesma sala que eu, pronto para me torturar... Pronto para me matar. Então eu digo:
– Tresh, veio aproveitar a festa ?
– Ah não, eu vi ajudar meu amigo Crowley a terminar a festa. — Ele diz.
– Poxa, estávamos tão bem sem você.
– Bem você estava mesmo, antes de eu chegar. — ele diz. O que eu entendi é que ele está insinuando que o que eu sofri nas mãos de Crowley nem se compara ao que vou sofrer nas dele. E ele tinha razão.
Eu não tenho palavras pra descrever o quanto eu sofri naquela sala, Tresh usou desde facas até fogo em mim, ele pegava o esqueiro e... Em seguida ele começou a me espancar, e graças a deus eu apaguei. Acordei e as luzes estavam apagadas novamente, eu estava dolorida, ensanguentada, desesperada... E estava na esperança de que alguém viesse me salvar, mas ninguém veio. Eu fui torturada durante 10 dias, era sempre a mesma coisa, eles quase me matavam, e davam um jeito de me curar pra começar tudo de novo. Eu estava desistindo, até que um dia eu estava em mais uma sessão de tortura diária com Tresh, e eu ouvi gritos do lado de fora da sala onde eu estava confinada, ele pareceu preocupado com o que estava acontecendo, e confesso que eu também, afinal eu não fazia ideia do que estava acontecendo, ouço chutes na porta da sala, e quando finalmente conseguem arrombar, vejo Sam, Dean e Castiel.
Castiel parece forte, ele vai em direção a Tresh mas o desgraçado se manda antes que se possa dizer "A", Sam e Dean vão em minha direção e começam a me desacorrentar, eles finalmente conseguem então Sam me carrega no colo, e Castiel nos teletransporta para onde carro esta estacionado, estou quase desmaiando, mas ouço a conversa deles.
– Dean dirija rápido, ela precisa de cuidados urgentemente, eu vou ver se alguém tem noticias de Crowley e encontro vocês no motel, pra cuidar dela. — Castiel fala. Sam me deita no banco de trás do carro, e Dean sai em alta velocidade. Chegamos no motel, estou muito ferida, e semi-nua então Dean me enrola em uma toalha, e me deita na cama. Sam faz uma compressa e limpa o sangue do meu corpo, então ele para faz um cafuné em minha cabeça, e me observa. Então crio forças para dizer:
– Não sabe o quanto estou feliz em ver você. Ele coloca a mão em minha boca e diz que eu preciso descaçar, e é o que eu faço. Acordo e vejo Castiel me observando, ele diz que vai levar algum tempo para me curar, mas que vai começar já.
– Vai doer um pouco. — ele diz colocando a mão sobre minha cabeça. E como dói é como se eu tivesse em uma sessão de acupuntura, porém mais violenta. Mas assim que ele tira as mãos da minha cabeça, eu me sinto melhor, meus ferimentos começam a cicatrizar, e começo a me sentir bem novamente. Então ele pergunta:
– Se sente melhor ?
– Sim, obrigada Castiel, agora tudo o que eu preciso é de um longo banho. — digo. Assim que acabo o banho visto um roupão e penteio meus cabelos, vejo Sam sentado na mesa e me sento ao seu lado.
– Me desculpe... — Ele diz.
– Pelo o que exatamente ? — pergunto.
– Por ter te colocado nessa, por ter feito você sofrer nas mãos daqueles demônios, por Jo e Ellen... Por tudo.
– Você não tem culpa de nada, eu me meti nisso sozinha, porque eu quis. Aliás minha vida toda gira em torno de consequências das escolhas erradas que faço... — Ele acaricia meu rosto e diz:
– Você é a mulher mais incrível que já conheci na minha vida. — Fico paralisada com o que acabei de ouvir, meu coração dispara, eu não sei o que dizer, então sai:
– Você não conheceu muitas mulheres então. — eu falo rindo. Bom vou ver o que o Dean e o Castiel estão vendo na tv. — Me levanto e saio. Qual é o meu problema ? Eu deveria ter dito "Você também é o cara mais incrível que conheci Sam." Até porque ele é, no fundo eu sei que sinto algo diferente por ele, é uma coisa especial. Mas eu prefiro assim, esconder meus sentimentos é a melhor coisa que eu faço, é melhor para mim... e é melhor para o Sam. No dia seguinte, a busca por Crowley e Tresh continua, porém não se tem noticia deles, Castiel está no céu procurando por alguém que saiba de algo e enquanto isso Sam e Dean decidem caçar, parece que tem um trabalho na cidade, a policia procura um serial killer então eles vão dar uma olhada. Eles estão conversando e eu ouço tudo:
– Com quem vamos deixar ela ? Bobby está caçando, Castiel ocupado... Não podemos deixa-la sozinha. — Dean fala. Então eu apareço de surpresa para eles e digo:
– Eu vou caçar com vocês.
– Sem chances. Não mesmo, da última vez que isso aconteceu você quase morreu, e isso não vai se repetir. — Sam fala.
– Ele tem razão. — Dean diz.
– Eu ouvi a conversa de vocês, e eu não quero ser um fardo pra ninguém, sempre me virei sozinha, e não estou tão ruim assim a ponto de não conseguir matar seja lá o que vocês vão caçar. Eu vou junto...
Chegamos a policia e nos apresentamos como agentes do FBI. Fazemos as perguntas de rotina, depois disso vamos ao necrotério e é ai que descobrimos que os corpos foram encontrados sem o coração, é noite de lua cheia então só juntamos dois mais dois e vamos a procura do lobisomem. Partimos para interrogar as famílias, e desconfiamos do vizinho de uma das vítimas. É o último dia de lua cheia então temos uma única chance para mata-lo, carregamos nossas armas com balas de prata, e depois precisamos de uma isca para atrair o lobisomem e decido ser eu essa isca, com a contradição dos rapazes,claro. Vou para o bar que o lobisomem frequenta, estou com um vestido preto bem colado ao corpo com as costas abertas, salto preto bem alto, batom vermelho, brincos enormes, e parecendo uma prostituta... mas tenho que chamar a atenção do cara, e consigo. Saímos do bar, e vamos para um lugar afastado, sem perceber ele começa a transformação, e eu me afasto. Sam e Dean chegam por trás e isso faz com que eu me distraísse, então o lobisomem parte pra cima de mim e minha arma cai em algum lugar, consigo jogar o lobisomem pro outro lado e ele acaba caindo na frente de Dean que fica ferido, Sam está ajudando-o ao seu lado e o lobisomem parte pra cima dele que fica por um triz de ser morto, eu corro pra pegar minha arma. Faço posição para atirar, tomando cuidado pra não acertar em Sam, e grito:
– DEVIAM TER TE ENSINADO A SER UM BOM CÃOZINHO. e atiro nele. Sam e Dean fazem cara de alívio e voltamos para o hotel.
Faço um curativo no ferimento de Dean, ele me agradece e vai dormir. Eu não consigo dormir, então fico na janela observando a rua, Sam também estava dormindo... ou pelo menos eu achei que estivesse.
– Você salvou o dia hoje. — Ele diz.
– Sam, que susto. Mas sim, eu não estou tão ruim a ponto de não conseguir salvar a vida de dois marmanjos que precisam de babá. — eu falo rindo, e ele ri.
– Não conseguiu dormir ? — ele pergunta.
– Não... eu não durmo muito bem.
– Pesadelos ?
– Sim...
– Posso te mostrar uma coisa ? — ele pergunta.
– Claro, o que ? — pergunto curiosa.
– Você vai ver. Saímos do hotel, e Sam dirige até um lugar no meio do nada, ele venda meus olhos, e sentamos no capô do carro. Abro meus olhos, e vejo a cena mais linda em toda a minha ridícula vida. O céu. Mais estrelado do que nunca.
– É como se quase pudéssemos tocar nas estrelas. — eu digo encantada. Quando começa a tocar na rádio Come Away To The Water e Sam aumenta o volume.
– Está com frio ? — ele pergunta. E eu digo sim, então ele coloca sua jaqueta em volta dos meus ombros. — Então, eu acho que você quer me dizer algo sobre os pesadelos...
– Ah, não é nada. É só que toda vez que eu vou dormir eles vem. Sabe, quando eu estava na sala de tortura eles não me torturavam só fisicamente... Eles colocavam imagens em minha cabeça, dos meus pais, Ellen e Jo, e até... de você Sam. — eu digo.
– De mim ? — ele pergunta surpreso.
– É parece que eles achavam que você era especial pra mim de alguma forma...
– E eu sou ?
– Ah Sam, para. — Eu digo não querendo render assunto, mas ele se aproxima de mim, e acaricia meu rosto, e diz da forma mais sedutora possível:
– É ? Porque você é especial pra mim... é muito especial.
Ele foi chegando mais perto até nossos narizes se encostarem, e nesse momento eu não respondia mais por mim. Nos beijamos intensamente. Ele me deitou no capô do carro, e nesse momento só parecia que era eu, Sam e as estrelas. Mas eu tinha que voltar a realidade, me esquivei dele, minha respiração estava ofegante.
– Sam não. Eu não posso.
– Por que não ? Vai dizer que não sente nada por mim ? Fala olhando nos meus olhos que não gosta de mim Julie.
– Sam, eu gosto de você. Mas o problema não é você, sou eu. Eu não sou a garota certa pra você. — eu falo com lágrimas nos olhos. — É melhor agente ir, já vai amanhecer... Dean vai dar falta do carro.
Na verdade, tudo o que eu mais queria na vida era Sam. Mas não podia me dar ao luxo de ficar com ele... nossas vidas, tanto a minha quanto a dele são perigosas, à noventa e nove por cento de chance de morrermos a cada dia, e eu não suportaria perder mais ninguém que eu amo. Eu não suportaria perder o Sam.
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