Confusões da Vida

3 Casada? Filhos?


Notas iniciais
Eu ainda estou viva!!! Agradeço aos comentários!

—Então sou especial! Mas sério, enfim. –Ela me olhou. –Você vai ir rever o pessoal, tipo a Cami, ou o Maxi, o Federico, ou quem sabe, o Leon..

—Claro. –Falei. –Por que, não? Afinal, foi por isso que vim passar minhas férias.

—Podemos marcar de nos encontrar, o pessoal não sabe que você está aqui, podemos fazer uma surpresa. –Ela falou ainda com a Lindy no colo.

—É, podemos faze... –Fui interrompida.

—Mommy? –A Mindy puxava a ponta da minha camisa.

—Estou conversando, amor. –Olhei-a. –O que você quer?

—Onde tá os brinquedos? –Ela perguntou.

—Estão lá em baixo com a vovó e o vovô. –Respondi.

—Posso ir brincar? –Ela pediu.

—Claro.

Ela foi correndo para a porta.

—Hey, Mindy, não corra na escada e nada de fazer bagunça.

Ela assentiu e saiu do quarto.

—Desculpe. –Me desculpei por ter parado a conversa.

—Não, tudo bem. Sempre passo por isso com os meninos. –Ela falou. –Ter dois meninos é difícil.

—Imagino, as meninas já me dão um trabalho imenso. –Ri. –Bom, mas continuando a conversa, podemos fazer um encontro com todo o pessoal do Studio.

—Vai ser legal, você fez falta, todos sempre comentam sobre você, principalmente, o Leon. –Ela falou.

—Eu imagino.

—Ele ficou muito mal quando você foi. –Ela comentou.

—Eu também, a única coisa que consolou lá, foi quando conheci o Christopher. –Deu um rápido sorrisinho de lado ao lembrar do meu marido.

—Eu sinto muito, Vilu. Mas ele vai voltar, ele deve estar em algum lugar torcendo para te reencontrar novamente.

—Eu penso nisso todos os dias. –Falei. –O Leon se casou? Está namorando?

Tentei mudar de assunto para eu não ficar lembrando do Chris.

—Não, ele nunca ficou com alguém.

—Ele está sozinho já faz oito anos? –Fiquei chocada.

—Uhum, ele dizia que estava te esperando.

—Ele não sabe que me casei, não sabe que tenho família?

—Não, nunca falei, nem pra ele, nem pra ninguém.

—Acho que ele ficaria triste em saber que tenho filhas e marido.

—Com certeza, mas você fez sua vida, Vilu, você está certa. E afinal, a Mindy é a cara do pai, e a Lindsay sua cara.

—É. –Sorri orgulhosa.

—Bom, deixa eu ir, -Ela me deu a Lindsay. –Eu te ligo mais tarde para marcarmos tudo.

—Tá. –Concordei.

—Tchau, Vilu. –Ela me abraçou forte. –Foi bom matar a saudade. –Rimos baixo.

Ela se distanciou um pouco.

—Tchau, Lindy. –Ela beijou a bochecha da Lindsay.

—Tchau, Fran. –Me despedi.

Ela saiu do quarto e foi em bora.

Fiquei lá pensando. Fiquei lá, parada, quieta por uns 10 minutos, até a Lindsay dar um berro só por atenção.

—Para com isso, sem gritar. –Chamei a atenção dela. –Eu estou aqui. –Beijei sua bochecha.

Coloquei-a no chão e sentei na cama.

—E agora...

Sou casada, tenho duas filhas, mas não sei se estou pronta para rever o Leon. Não sei como ele pode reagir ao saber que sou casada, tenho filhas... Não sei o que fazer.

Saí de meus pensamentos com um barulho.

Levantei e fui olhar o que era.

—Lindsay! –Corri até ela.

Pequei-a no colo.

—Coisa feia Lindsay. –Briguei com ela.

Ela tinha derrubado um monte de coisas minhas, inclusive uma foto, uma foto minha e do Christopher, a sorte é que não estava em um porta retrato, se não poderia corta-la.

Ajoelhei e peguei a foto na mão.

—Da... –Ela disse apontando para o pai.

—Do you miss him, right? (Sente saudades dele, né?)—Olhei-a. –Me too. (Eu também.)

Olhei a foto por mais alguns instantes.

—Let’s go. (Vamos.) —Levantei com ela no colo.

Fui com ela até o berço e coloquei-a lá dentro.

—You, stay here and mom will clean up the mess. (Você, fica aqui e a mamãe vai arrumar a bagunça.) —Falei olhando-a enquanto ela me encarava.

Arrumei toda a bagunça e quando voltei para olhar a Lindsay, ela tinha dormido profundamente.

Resolvi descer um pouco, já fazia um tempo que a Mindy não vinha falar comigo, e se conheço minha filha, ela pode arranjar confusão.

Desci as escadas e encontrei a sala cheia de brinquedos espalhados, mas não vi a Mindy. Resolvi ir procura-la.

—Angie, você viu a Mindy? –Esbarrei na Angie.

—Acho que está na cozinha com a Olga. –Ela me disse.

—Obrigada. –Agradeci.
Fui até a cozinha, lá encontrei a Olga e a Mindy, a Olga estava falando com a Mindy enquanto ela comia outro pedaço de bolo, e estava lambuzada de Brigadeiro, por toda a parte.

—Mindy Collins! O que eu te falei sobre fazer bagunça. –Coloquei as mãos na cintura.

—Eu tava lá, mas eu vim come bolo. –Ela se explicou envergonhada.

—Você se sujou inteira!

Ela se olhou,

—Sorry. (Desculpa.)—Ela continuou no mesmo tom de voz baixinho.

—Come, bath, now! (Vem, banho, agora!) —Pequei-a no colo.

...

A Fran tinha marcado com o pessoal de fazer um piquenique no jardim da casa dela. É para eu me atrasar, para que eu chegue depois do pessoal e fazer uma surpresa.

Já está de noite, as meninas estavam dormindo, e o resto da casa também, só eu que não. Acordei de madrugada um pouco enjoada então fui até a cozinha pegar um copo d’ água. Pequei a jarra de água e coloquei até a metade do meu copo.

Bebi toda a água lentamente. Quando terminei, deixei meu copo na pia.

—Vilu... –Ouvi uma voz suave.

—Oi pai. –Olhei-o.

—O que está fazendo acordada? –Ele se aproximou.

—Estava um pouco enjoada. –Falei me sentando em uma cadeira. –Mas já estou melhor.

Ele me encarou com feição triste.

—Ele vai voltar, querida.

Sorri levemente com lágrimas nos olhos.

—Eu sinto tanta falta dele. –Abracei-o. –Estou muito preocupada.

—Ele vai voltar, vai voltar pelas filhas e pelo garotão. –Ele falou com uma risada.

—Nem sabemos se é menino ou menina ainda. –Olhei-o separando o abraço.

—Sei que vou ter um neto homem.

—Nem vem, sei que você se derrete pelas meninas. –Ri.

—Com certeza, e eu só vou deixa-las namorar na faculdade.

—Tenta pra ver. Minhas filhas não vão esperar até a faculdade.

—Vamos ver depois, mas agora, vamos dormir.

Acordei no dia seguinte bem, sem enjoos nem nada, só com o choro bem alto da Lindsay. Levantei da cama e fui até o berço, ela estava de pé no berço me olhando, toda vermelha e com o rosto molhado pelas lágrimas.

—O que foi amor? –Pequei-a. –Pronto... Sh, sh...

Coloquei a mão em seu rostinho para limpar as lágrimas, aí reparei colo ela estava quente. Ela estava com febre, por isso estava tão vermelha.

—Pronto... Vai ficar tudo bem. –Comecei a nina-la.

Fui com ela até a cozinha onde preparei sua mamadeira.

—Calminha, pronto, já passou. –Dei a mamadeira a ela.

Ela foi se acalmando um pouco, com a mamadeira.

—Por que ela está chorando? –A Angie entrou na cozinha.

—Ela está com febre, vou ligar para a Fran, vou pedir para ela desmarcar o almoço. –Falei ninando a Lindsay.

—Pode ir lá, eu cuido dela. –A Angie falou.

—Tem certeza? –Perguntei.

—Claro, vá se divertir. –Ela pegou a Lindsay de meus braços. –Vai lá acordar a Mindy.

—Obrigada Angie.

Deixei a Lindsay lá com a Angie e fui até o quarto da Mindy apronta-la.

Cheguei em seu quarto, abri as cortinas e desliguei o abajur.

—Mindy, querida. Vamos acordar. –Sentei na ponta da cama.

Tirei seu cobertor, mas por baixo tinha outro, tirei também. Achei estranho, não era época de frio.

—Mindy, amor...

Coloquei a mão em seu rosto, estava quente, porém suando frio.

—Só pode estar brincando. –Minhas duas filhas estavam doentes.

Cobri-a novamente e saí do quarto. Voltei a sala onde encontrei a Angie ninando a Lindy.

—Não adianta Angie, as duas estão doentes, eu vou ligar para a Fran e explicar.

—Vilu, pode ir, eu cuido das meninas, tudo bem.

—Angie, não precisa.

—Não tem problema, vai rever seus amigos, eu cuido delas.

—Tem certeza? –Perguntei.

—Tenho, agora vá se trocar.

Suspirei e fui ao meu quarto. Coloquei uma roupa simples, uma sapatilha, arrumei o cabelo e passei uma maquiagem básica só para passar o dia. Logo já estava pronta, e como acordei tarde por ter ido dormir tarde, quando olhei no relógio já era para eu sair. Pequei minha bolsa e meu celular. Passei pela sala novamente onde a Angie ainda estava com a Lindy.

—Angie, qualquer coisinha, mínima que for, me ligue. –Pedi.

—Eu te ligo se precisar.

—Estou falando sério, eu te conheço, qualquer coisa me ligue. –Mandei.

—Pode ir, eu vou cuidar bem delas.

—Tá. –Concordei.

Peguei a chave do carro.

—As coisas da Lindsay estão na...

—Vai logo. –Ela me interrompeu.

Fui até a garagem, peguei o carro dirigi até a casa da Fran. É um pouco longe, demorei quase uma hora para chegar. Mas o bairro onde ela mora é perfeito não passa quase nenhum carro, tem uma praça enorme no meio e só tem casa boas, Só tem casa e é um dos bairros mais tranquilos de Buenos Aires.

Estacionei meu carro e fui até a casa dela. Cheguei na porta, toquei a campainha e esperei.

Logo a Fran atendeu a porta.

—Todos já chegaram. –Ela falou.

—Que bom. –Falei.

—Onde estão as meninas?

—Estão doentes, não puderam vir.

—Quem está aí Fran? –Ouvi uma voz familiar, a Camila.

—É, está todo mundo aqui. –Ouvi o Maxi.

Eles gritaram de dentro da casa.

—Só um minuto. –A Fran resolveu.

—Acho melhor entrarmos. –Falei.

—É.

Eu dei um passo para dentro da casa e a Fran fechou a porta.

—Não está todo mundo aqui, esqueceram de mim. –Falei chamando a atenção de todos.

—Vilu!!! –Todos vieram na minha direção.

—Estávamos com saudades. –A Camila falou.

—Eu também. –Sorri.

—Quando você voltou? –O Maxi perguntou.

—Ontem. –Respondi.

—Devia ter nos avisado. –O Federico falou.

—Estava me organizando. –Falei.

—TIA VILU!!! –Os gêmeos da Fran vieram correndo e cada um me abraçou de um lado.

—Oi meninos, como vocês cresceram. –Pequei-os no colo.

—Eu tô gande. –O Mike falou.

—Eu tô bem mais gande! –O Luke falou.

—Eu tô bem, bem mais gande!

—Chega. –A Fran pegou-os. –Vão brincar e sem briga.

Ela os deixou e eles correram.

—Vem, senta aqui com a gente. –A Cami me levou até uma cadeira.

Sentei e ela sentou ao meu lado.

—Por que não nos ligou nesses anos? Você simplesmente sumiu. –A Cami falou.

—Era um pouco complicado lá. –Respondi. –Não foi tão fácil lá. Mas não quero falar sobre isso. –O Chris veio a minha cabeça. –Quero me atualizar, como vocês estão?

—Estamos bem, nada mudou. –O Federico disse. –Só faltava você.

—Fico feliz em saber que sou importante e que fiz tanta falta assim.

—Só por curiosidade. –Disse o Maxi. –Como os filhos da Fran te conheciam e você conhecia eles?

—Eu nunca perdi o contato com a Fran, só isso. –Falei.

—É, a gente sempre se falou, desde que ela foi em bora.

—Assim você nos deixa chateados, só falava com a Fran. –A Cami resmungou.

Nós ficamos lá em uma conversa paralela, conversamos um tempão. Fiquei com a boca seca então fui pegar água na cozinha porque a da mesa tinha acabado.

Quando cheguei na cozinha vi o Leon lá. Eu tinha conversado com todo mundo, menos com ele, ele não veio falar comigo. Olhei-o e dei um rápido sorriso.

—Oi. –Falei.

—Oi.

—Acho que não tivemos tempo para cumprimentar o outro. –Falei soltando uma risadinha fraca e curta.

—Podemos dizer que você estava ocupada. –Ela falou.

—Agora não estou. –Olhei-o nos olhos.

Me aproximei dele o abraçando e ele como imaginei correspondeu.

—Como você está? –Perguntei saindo do abraço.

—Bem, você?

—Ótima. –Respondi. –Estava com saudades de você.

—E eu de você. –Ele sorriu. –Você fez muita falta por aqui.

—E vocês de lá. Fiquei muito sozinha.

—Você se casou? Tem filhos?

Notas finais
O que ela vai fazer? OMG!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.