Conforto

1 Capítulo Único – Confortável.


Notas iniciais
Para minha Bob Lee ♥

Apesar de tudo dar errado, eu estou confortável.

Dia 24 de dezembro, 01h30m AM.

A morena agarrou seu casaco o abraçando, na esperança daquele sentimento de confinamento passasse. O casaco era fofo, era da cor lilás com várias figuras de cavalos marrons, brancos, pretos e ruivos. — Um de seus animais favoritos. Ela se recostou na parede de ferro brilhante e gelada, ao contrário de seu corpo. As sacolas ao seu lado, cheias de enfeite de árvores, eram para enfeitar a árvore do prédio. Junto com os bolinhos que fizera para os funcionários.

Mas como sempre, haviam sobrado vários. Seu peito subiu de desceu numa bufada outra vez, virando a cara para fitar novamente o nada. Sim, estava presa no elevador de seu próprio prédio numa perfeita véspera de natal. A exposição onde trabalhava e vendia seu trabalho estava fechada para o feriado e a grande massa de neve que se aproximava.

Havia planejado um jantar em família, com seus amigos, depois que desse meia noite iria abrir os presentes e ficar até tarde vendo especiais de natal antigos num cobertor quentinho, com seu camaleão, tomando uma xícara de achocolatado até pegar no sono. Depois no dia 25 de dezembro, iria cantar no coral e aproveitar a festa da vizinhança de seus pais. Como sempre. — Porém, o tiro saiu pela culatra. Seus pais resolveram passar as férias num lugar quente. Ou especificamente, o Havaí. Avisaram sua filha de última hora, querendo que ela os acompanhasse. Mas Rapunzel odiava ficar de vela, principalmente se fosse ficar para seus pais.

Merida e Hiccup estavam comemorando com suas famílias. (Nos quais eram grandes). Mas, mais uma vez não queria incomodar ou ficar deslocada. Preferiu passar o natal com Jackson Overland Frost. Exatamente, o famoso jogador de Hóquei, era um de seus íntimos amigos. Contudo, ele também tinha planos e resolveu jogar perto do Natal. Então estava longe!

Não se esqueça que estamos falando de Rapunzel Corona. Filha de Frederic Corona, o dono de uma empresa de viagens mundialmente conhecida. Por favor, ela tinha um plano.

Sua segunda opção era, arrumar enfeites de natal para enfeitar sua árvore e a árvore do prédio. Fazer bolinhos de chocolate para entregar aos funcionários. Mais tarde, ligaria para o Frost para fazer vídeo conferência e conversaram sobre vários assuntos.

Este plano começou bem, porém este, decididamente não envolvia ela presa no elevador no meio de uma tempestade de neve.

A garota amaldiçoou novamente gemendo baixinho, resmungando para si mesma. “Isso não poderia piorar”. — Sim, poderia.

Um barulho de plástico sendo aberto preencheu o elevador. A loira se assustou quando virou a cara para o outro lado. O ruivo que até então estava quieto começou a vasculhar suas sacolas, onde já se encontrava com um bolinho na boca. Suas bochechas coradas por causa da neve, as costeletas bem feitas junto com um bolo de cabelo quase arrumado para os lados. Se não fosse pelo seu gorro.

Hans estava de pernas cruzadas com a sacolas em seu colo. Ela não sabe quanto tempo ele estava comendo, mas dava para ver que era muito. Usava calças de pijama azuis com o morcego do Batman por toda ela, como se faziam décadas que não saia da cama, uma blusa de alça usando um casaco de frio de couro enorme.

— Eu deixei você comer? – ela levantou uma sobrancelha. O ruivo deu de ombros.

— Ninguém desperdiça esse tipo de comida, se você não me deixar comer. Vai esfriar! – ele continuou o que estava fazendo. Enchendo a boca com o máximo de comida que pode, ganhando uma careta da menina. Ela sabia o bastante sobre ele, mas não tudo.

Sabia que era bem sucedido, era décimo terceiro numa família de 12 irmãos. E sabia também sabia que seu pai e poucos de seus irmãos ligavam para ele.

Ela poderia descrever ele como alguém revoltado. O ruivo se tornou o principal presidente das empresas de sua família. Não por querer, mas por que ralou muito para isso. Rapunzel lembra na primeira vez que o viu a 3 anos atrás. Estava na casa de suas primas. Elsa e ele pareciam está falando de negócios quando ela chegou com Anna e Kristoff.

Só para depois de tempos, descobrir que ele era seu vizinho. Naquela reunião na residência de suas primas. Ele pareceu ser calado, frio, egocêntrico e com cara de aproveitador. A garota acertou, ele era aproveitador o quanto podia. Poderia também ter problemas de personalidade e não querer falar com ninguém. Mas com ela foi diferente.

O ruivo parecia ser outra pessoa. Gostava de sua companhia e de suas conversas que não levavam a lugar nenhum. Era sempre tão agradável e confortável. Ele parecia um irmão para ela. Com todas aquelas brigas e surras. Ela poderia até admitir que tinha por ele.

Hans era lindo, agora ela estava pensando o quão observadora era. Com olhos verdes e sardas. Tudo bem, ela poderia admitir que estava apaixonada só um pouco. E estava confortável com isso.

— Você ainda não me disse por que estava fora vestido desse jeito. – ela perguntou. O outro apenas passou a língua entre seus lábios sentido o gosto do chocolate, ele deu de ombros e sorriu.

— Você não acreditaria se eu dissesse. – ele sorriu de canto. Ganhando uma bufada.

— Vamos Hansel. – ela se aproximou deve até fazer bico. Um apelido fofo que ele ganhou por chorar vendo “A culpa é das estrelas” quando eles estavam fazendo maratona. — Eu não aguento ficar em lugares fechados.

— Pare de me chamar assim, e eu posso até te contar.

— Não vou prometer nada – ela faz um “X” em cima do peito onde fica o coração. Se aproximando, ele tirou as sacolas de suas pernas para Rapunzel fica entre elas. Durante esse tempo, eles começaram a se considerar uma família. Ela como filha única, e ele como filho mais novo. Lá no fundo eles precisavam de apoio e de um ao outro. Ela se acomodou antes de sentir dois braços fortes a rodearem pegando os bolinhos da sacola.

Hans sorriu mentalmente, Rapunzel era considerada como sua melhor amiga, e ele não abria mão de um tempo com ela. O ruivo rapidamente beijou o topo de sua cabeça enquanto pensava num modo de explicar.— Você se lembra da noite que eu te liguei? As 3 da manhã?

Rapunzel revirou os olhos. Óbvio que ela lembrava como se fosse ontem. Que na verdade, já tinha se passado dois anos. Aquela memória a fez corar.— Puff, impossível esquecer sabe. Você gravo várias mensagens depois que desligou. Aquela luzinha vermelha ficou piscando depois de uma semana por que eu não quis ouvir.

Ele jogou a cabeça para trás levando a mão para sua cara. O sorriso irônico nos lábios se recusando a olhar para a pequena. — Não gravou as mensagens no celular para me fazer passar vergonha, não foi?...

— Nunca vai descobrir. Quem sabe no dia que se casar, eu te conte. – ela sabia que isso nunca aconteceria. Hans suspirou.

— Já que estamos falando disso, quer que eu te lembre que eu não me lembro de nada? – a gargalhada de Rapunzel tomou o pequeno espaço. Ela se aconchegou mais em seu peito, agarrando seu braço para um abraço. Não podia acreditar que havia se esquecido dele para o natal.

— Vou relembra-lo para você.

(...)

Ano novo há dois anos atrás,

1 de Janeiro, 02h54m.

Um baralho de telefone tocou, vindo da sala de estar. Rapunzel piscou na levantando a cabeça pesada da cama, depois de um logo bocejo. Ela tirou o cabelo castanho de sua vista e olhou para o relógio onde os números enorme de seu despertador marcavam em vermelho 02 horas e 54 minutos contando. Já faziam 5 horas que estava dormindo. Ela não era uma pessoa noturna, se ela não dormisse antes das 00h, não conseguia dormir mais. Era como seu pai sempre falava, ela era uma filha do sol.

Incrivelmente esperava a própria estrela nascer.

Passou seu olhar por todo o quarto procurando de onde vinha um som. O Branco de seu quarto não ajudava, ele fazia parecer tudo igual. Passou o closet, depois viu seu camaleão, Pascal, dormir de completamente enrolado num travesseiro, em cima dos lençóis estava o labrador de sua família, Máximus totalmente camuflado por ser branco, da cor da roupa de cama. Se sentando e colocando os pés no chão, se afastou até fora do corredor com cuidado para não acordar seus pobres animalzinhos. Chegando na sala de estar, forçou sua vista para enxergar seu telefone fixo piscando sem parar.

Xingando-se mentalmente, por se dar o direito de ir atender. Em vez de deixar tocar, mas e se fossem seus pais? Ou se fossem seus amigos?

Antes mesmo de chegar até ele, o mesmo tocou novamente. Ela pegou sonolenta e colocou próximo ao ouvido. — Alô?. – ela tentou se manter acordada. Se desse sorte, ainda conseguiria chegar a cama e ir dormir até às 5 da manhã.

Olha cara, você é um idiota tão grande. Eu não posso resolver tudo sozinho, se não resolver rápido não vejo motivos para você está na empresa.— sua voz estava grossa. Parecia com raiva e cansado. E levemente bêbado.

— O que... – murmurou baixo para o cara no telefone não ouvir. Sua voz era tão familiar, mas pelo sono e o modo no qual ele estava usando não ajudava. Ele suspirou no outro lado da linha.

“— Não me interessa como vai arrumar, eu quero isso para ontem!” – disso outra vez. Foi aí que Rapunzel percebeu, que na linha tinha outra voz que falava gaguejando. De alguma forma misteriosa a ligação do homem tinha chega ao seu telefone. Mas como era possível?

“—COMO ASSIM VOCÊ PERDEU? METADE DAS AÇÕES DO ANO PASSADO? ESTAVAM NESSE PROGRAMA!”Ele gritou assustando a morena. Ela colocou a mão sobre o coração respirando fundo. — Eu não posso fazer nada por isso, confiamos em você! E acabou em merda.”

A garota pensou em algo mais lógico. Talvez ele tenha ligado para seu número junto com essa ligação estranha que estavam acontecendo. Mas para alguém ter o número dela, teria que ser alguém conhecido que tinha seu telefone!

“—Puta que pariu, se a empresa não falir agora. Podemos mandar chamar o Hulk, por que ela é indestrutível.” – Rapunzel se engasgou com uma risada. Pondo a mão na boca para não rir, sentiu seus olhos lacrimejarem. Essa pessoa era fã de super-heróis.

— Você deve me achar com cara de trouxa, isso é inacreditável. Mal começou o ano e ele já fodeu comigo.”- Ela não aguentou e soltou uma risada. Depois que ouviu tudo ficar em silêncio. —Espere, tem mais alguém nessa linha?

— Não, na outra. – ela sorriu, o que não durou muito tempo.

— Rapunzel?” – a garota ficou em silêncio, definitivamente era alguém conhecido. Algo estalou na sua mente. Sua voz agora parecia mais suave e calma que antes. E ela sabia quem era.

— Hans?! – ouve um momento de calma, antes dele desligar a outra ligação para falar com a menina.

“— A quanto tempo está aí?

— Esquisito você perguntar, err.... – parou de falar pensando no que dizer para ele. Ouviu ele tenso no telefone, sua respiração era forte, devia está em pânico. — Você deve ter ligado para meu número quando ligou para a outra pessoa, eu estava dormindo.

“— Eu sinto muito te acordar...” – com o ar arrependido, Rapunzel quase sentiu pena dele.

— Foi, acordou. – ela repensou no que disse. Mas não conseguiu perdoe desculpas de forma exagerada.— Sinto muitíssimo por ouvir a conversar.

Ela escutou alguém tossir forte, da forma que escutou algo cair do outro lado da linha. Rapunzel esperou paciente até que ele com uma voz alterada resolveu se pronunciar outra vez. — "Ouviu? Q-quanto? "

— Bem, eu só sei que é algo ligado a sua empresa. – ela sorriu forçado para o nada enquanto procurava o relógio, eram finalmente 3 da manhã, e quando percebeu, já havia perdido o sono. — Hans não se preocupe, você sabe que eu não sei de nada mais que isso. Eu estou perdida.

— "Muito obrigado Rapunzel."— a garota mordeu a boca, o som de sua voz não estava nem um pouco boa. E ela sentiu lá no fundo, que fez seu coração pesar. Como se estivesse deixando algo escapar. Hans não parecia está bem, estava longe disso.

— Ei.– disse suavemente. — Por que não vem aqui mais tarde para conversa? Você não parece nada bem.

(...)

Agora

— Foi nesse mesmo dia que você acabou bêbado na minha cama. – disse rindo alto apoiando sua cabeça em suas costas e escondendo o resto. Hans estava corado atrás dela sem querer responder a menor, inquieto. Rapunzel virou o rosto e observou sorrindo. Foi naquele mesmo dia que ela se apaixonou pelo cara chato, ruivo e de personalidade intrigante.

— Eu falei para não ser lembrado. – reclamou. Ele revirou os olhos e beijou seu nariz. Como ele adorava esse menina, era a única em sua vida.

— Deveria agradecer ao universo, foi nesse momento que eu me apaixonei pelo seu jeito. – ela pegou seu queixo e deu vários selinhos em seu lábios. — Ainda me deve uma explicação, você me falou que tinha que trabalhar já que passou o Halloween comigo, eu já estava planejando viajar!

— Eu fui pro trabalho com essa roupa! O idiota do Flynn não conseguiu resolver por que adivinha.

Riu novamente.— A Elsa estava lá?

—A Elsa estava lá! – gritou como se dissesse “bingo”.— Digamos que ele roubou a cena um momento, até pensei que ele iria resolver.

— Mas aí, você chegou lá? Vestido do seu pijama de Batman? – ele balançou a cabeça rindo.

— Claro. É até confortável– ela sorriu sem mostrar os dentes. Confortável, Apesar de nada está conforme seu plano. Este foi a melhor coisa que aconteceu naquele ano, ele estava lá para ele fazendo se sentir confortável. E não poderia ser melhor.

— Já devem ser 3 da manhã... – sussurrou.

— Feliz natal. – sussurrou ela de volta, se aconchegando mais em seu peito para cochilar um pouco.

— Feliz Natal? Estamos na Véspera, mas eu acho que o papai Noel chegou mais cedo. – disse ironicamente para receber um tapa em seu peito.

— Sim, feliz Natal.

— Então, Feliz Ano Novo. – reclamou em seus cabelos.

Rapunzel franziu a testa. — Ano novo?

— Foi um época muito especial para mim.

— Talvez “Feliz ano novo” Seja o nome “Okay”.

— Não começa.

Notas finais
ESPERO QUE GOSTE BOB ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!