Conflitos Silenciosos

7 Um sábado tranquilo


O final de semana havia chegado. Tinha dormido muito bem, um sono tranquilo, com bons sonhos. Adoro fim de semana, nāo precisava acordar cedo, dava tempo pra tudo, podia fazer o que eu quisesse. Nossa, é muito bom.

Acordei dez horas da manha, o sol estava intenso no meu quarto, uma visão muito bonita pra se ver ao acordar. Levantei, fui lavar o rosto e pentear os cabelos. Desci para tomar café da manha.

Chegando na cozinha, mamãe já estava acordada arrumando a sala.

-Bom dia mamãe! — disse indo lá e dando um beijo nela.

-Bom dia querida! — disse ela. — A toalha ainda está na mesa.

-Ah, obrigada.

Papai estava lavando os carros, o dele e o da mamãe. Cheguei na varanda e falei com ele.

-Bom dia papai! — gritei a ele acenando.

-Bom dia Gabi! — disse ele se virando pra mim e acenando sorrindo.

Voltei pra dentro, fui pra cozinha. A toalha ainda estava na mesa. Peguei minha xícara, peguei o leite, o nescau, o adoçante e colheres.

Preparei a mesa. Esquentei o leite, preparei meu nescau.

-Querida, tem bolo ainda. — disse mamãe da sala.

-Ok, vou pegar! — respondi.

Fui até a geladeira e peguei um pedaço de bolo.

Voltei pra mesa. Tomei meu café da manha, bem. O bolo tava uma delícia, geladinho.

Terminei de tomar o café. Tirei as coisas da mesa, lavei a louça, arrumei a cozinha. Enquanto eu terminava de arrumar a cozinha, mamãe passou por mim me abraçando e me dando um beijo na cabeça.

-Dormiu bem filha? — perguntou ela.

-Muito bem. — respondi sorrindo. — E você?

-Bem também. — disse ela sorrindo.

Ela saiu da cozinha.

Fui pro meu quarto, arrumei minha cama, troquei de roupa, guardei meu pijama. Guardei minha mochila. Abri mais minha janela.

Peguei uma flanela e limpei meus móveis e acessórios do criado-mudo, cabeceira, escrivaninha. Depois varri meu quarto e passei pano molhado. E lavei minha varandinha. Reguei as plantas e flores da jardineira da minha varanda. Minha jardineira ficada no canto esquerdo da minha varandinha. Era da altura da minha cintura. Tinha cactos, algumas flores que me foge o nome. Era uma jardineira linda.

Depois de limpar meu quarto e regar minhas plantas, peguei a roupa suja que ficava no cesto do meu banheiro e levei pra área de serviço. Depois lavei meu tenis e deixei pra secar pendurados no varal.

Quando reparei na hora já era 11:30. Papai passou por mim...

-Gabi, quer preparar o almoço comigo hoje? — perguntou.

-Quero!! É o que hoje? — perguntei animada.

-Risoto de camarão. — respondeu ele.

-Eba!

-Só vou lavar as mãos.

-Ok, vou lavar também. — fui ao meu banheiro lavar as mãos.

Papai foi lavar as mãos e logo voltou.

-Vamos começas?

-Vamos! -respondi.

Papai já tinha comprado o camarão e já tinha deixado ele pegando tempero. Ele tirou a vasilha com camarões e tempero da geladeira.

-Filha pode começar a fazer o arroz.

-Ta!

Peguei uma panela grande, coloquei um pouco de óleo. Lavei o arroz, o coloquei pra secar um pouco. Enquanto isso eu pegava o tempero na geladeira e acendia o fogo. Coloquei o tempero e o arroz na panela, coloquei água e deixei ferver.

Enquanto isso papai já tinha preparado a figideira pra dar uma fritada no camarão.

-Posso mexer um pouquinho? — pedi

-Pode... vem cá. -disse ele me estendendo a colher de madeira.

Peguei a colher e comecei a mexer no camarão. Papai ia separando os próximos ingredientes. Colocamos mais água no arroz, para ficar no ponto de risoto. Depois de alguns minutos o arroz já estava pronto. Coloquei um pouco de vinho branco na frigideira do camarão pra dar um gosto especial. Acrescentamos o camarão, um pouco de creme de leite, molho de tomate temperado, queijo, azeitona, entre outras coisas que gostamos.

Misturamos um pouco, depois colocamos num pirex de vidro, cobrimos com queijo ralado e o deixamos por cinco minutos no forno para dar uma dourada no queijo.

Eu e papai íamos guardando o que já não estávamos usando e começando a lavar a louça, enquanto mamãe preparava a mesa.

Papai colocou as luvas de cozinha pra não queimar as mãos quando fosse tirar o pirex de vidro do forno. A cozinha estava com um cheiro delicioso. Estava com água na boca.

Tudo já estava pronto, papai colocou o pirex na mesa.

-Hunm, está com uma cara ótima!! — disse mamãe.

-Espero que o gosto tambem esteja. — comentou papai.

Nos servimos do risoto e batata palha de acompanhamento. Papai serviu refrigerante para nós. Começamos a almoçar.

Estava realmente uma delícia. O gosto do camarão se destacava com um toque discreto de vinho branco, o queijo derretido no meio do arroz, a crosta crocante de queijo ralado que cobria o risoto estava muito boa, o arroz estava no ponto certo, textura divina, o molho estava muito gostoso também. Estava tudo muito bom.

-Nossa papai, ta uma delícia! — comentei.

-Ta mesmo... — comentou ele.

-Parabéns pra voces queridos. — disse mamãe virando pro papai e dando um selinho nele e depois se virando pra mim e me mandando um beijinho pelo ar.

Retribui o beijinho pelo ar.

-Viu, Gabi ja pode ser chefe de cozinha. — brincou papai.

-E, viu, temos uma chefe em casa. — mamae entrou na brincadeira.

-Ah gente, para. — disse rindo. — So fiz isso com o papai ajudando e fazendo algumas coisas.

-Que mentira!!! Você fez tudo sozinha, não seja modesta. — brincou papai, rindo.

-Ah claro, claro que eu conseguiria fazer tudo isso sozinha papai. — respondi rindo.

-Claro que você conseguiria ue! — disse mamãe sorrindo. — Ou você acha que não?! Eu sei que você conseguiria.

-Mamãe... Eu ia ficar perdidinha na cozinha sem alguém pra me ajudar. — disse.

-Você gosta de cozinha, você vai saber se virar sozinha um dia. — disse ela sorrindo.

-E um dia, pode ser. — disse sorrindo.

Papai ficou rindo de nossas brincadeiras.

-E quando você for morar sozinha filha? — disse papai.

-Ahh... Vocês podem mandar comida pra mim ou eu venho sempre comer com vocês. — disse rindo

-Ah claro... — respondeu mamãe rindo.

-Voce vai encontrar a chefe de cozinha que esta escondida em você filha. — disse papai sorrindo.

-Aiai gente. — disse rindo.

Continuamos a almoçar, conversando sobre os acontecimentos da semana, sobre política, sobre colégio, trabalho, família...

Eu e meus pais temos muita comunicação, conversamos muito sobre tudo, somos muito amigos, há por vezes, algumas divergências, mas nada demais.

Quando terminamos de almoçar, peguei as louças e coloquei na pia.

-Alguém quer pudim?? — perguntou mamãe ansiosa trazendo um pudim de chocolate muito bonito.

-Ai meu deus mamãe! Que lindo. — disse olhando para o pudim.

-Os olhos da Gabi ate brilharam, amor. -disse papai.

-Ham... Como se o seu não estivesse igual papai. — respondi ele.

Mamae riu da gente. Papai pegou as mini taças e colheres de sobremesa e trouxe pra mesa.

-Ta tudo aqui — disse ele.

Peguei um pouco de pudim de chocolate. Comemos com um sorriso no rosto, adoramos chocolate. E tudo que a mamãe faz e delicioso. Tudo, tudo. Aquele pudim estava maravilhoso, o pudim de chocolate da mamãe não era doce demais, ele não era enjoativo, ela tem um tom meio amargo que deixa ainda mais gostoso.

-Mamãe, onde você aprendeu tudo isso? — perguntei a ela.

-Aprendendo, sua vó fazia muitas coisas na cozinha, acabei aprendendo. — respondeu ela.

-Eu tenho que aprender a fazer tudo isso também.

-Ta no sangue, você vai aprender filha! — disse papai.

Rimos.

-Mamãe, esta uma delícia... — disse dando uma última colherada.

Depois que todos terminaram de comer, recolhi as tacinhas e talheres e levei pra pia. Lavei a louça toda do almoço, arrumei a cozinha, deixei tudo limpo e arrumado.

Fui para meu quarto, deitei um pouco e acabei dormindo.

Foi uma soneca rapidinha, mas suficiente pra sonhar...

...Sonhei que estava conversando com Camille, sem lembrar o assunto da conversa, mas lembro bem que estávamos felizes e animadas, Camille estava sorridente e elétrica, o que não e normal dela. Estavamos sorrindo muito conversando, brincando, rindo. Ela estava muito feliz e eu também...

Quando acordei ainda era 16h30min, espreguicei, levantei da cama, esfreguei meu rosto, fui até minha janela, fiquei vendo alguns pássaros por alguns instante, depois voltei a ler um pouco de Jardim do Éden.

Não li muito, mas foi bom. Peguei uma muda de roupa e fui tomar banho. Tomei banho e lavei meus cabelos. O sol entrava pela janelinha do meu banheiro, estava tão bom, tomar banho cedo, com sol ainda. Muito bom, adoro.

Depois que saí do banho, peguei umas folhas e lápis e fiquei desenhando. Desenhar é algo que muito me agrada, mas normalmente não tenho tempo pra criar coisas, então no final de semana eu aproveito para desenhar. Desenho coisas diversas.

O tempo foi passando, fui desenhando, desenhando...

Parei quando meu quarto escureceu um pouco. O sol já tinha se escondido. Guardei minhas folhas na pasta de desenhos. Dei uma lida no jornal do dia, só para me manter infomada com os ocorridos no país e no mundo, o que já é meu costume.

Mamãe bateu na minha porta e apareceu.

-Quer ver algum filme? — perguntou.

-Quero!! — respondi deixando minha escrivaninha e saindo do quarto.

Fomos para sala de TV, abrimos o armário de DVDs.

-Qual vamos assistir? — perguntei.

-Qual você quer? — perguntou ela.

-Não sei. — respondi rindo.

-Vamos ver alguma comédia? — disse ela.

-Vamos! Cade o papai mae?

-Ele ta tomando banho, já vem.

-Ok, vamos escolher então.

Começamos a pegar alguns de comédia para selecionarmos.

-Vamos assistir Casamento Grego? — perguntei.

-Vamos! Esse é muito bom.

-Vou fazer pipoca mamãe! — disse a ela.

-Vou pegar os refrigerantes.

Peguei um pacote de pipoca de micro ondas, coloquei no aparelho e deixei aquecendo. Fui no armário, peguei a vasilha de pipoca. O micro ondas apitou, a pipoca estava muito quente. Abri com cuidado e joguei as pipocas na vasilha. Era pipoca com manteiga, o cheiro era ótimo.

Levei pra sala, mamãe já tinha colocado uma mesinha pra colocar os copos e já estava com os copos e a garrafa do refrigerante. Papai já tinha saido do banho e estava indo pra sala.

-Pronto. -disse quando entrei na sala com a pipoca.

-Vamos assistir então.

Começamos a assistir. O filme é muito engraçado, já tinhamos assistido algumas vezes mas ainda não tinha perdido a graça. A pipoca também estava muito boa. Ríamos muito. Estava um momento bem descontraído.

Esses momentos em família são sempre muito divertidos, adoro ver filmes com meus pais.

...

O filme foi passando...

... Depois que o filme terminou, papai limpou as coisas, eu e mamãe gardamos o DVD, a mesinha.

-Gabi está tão sorridente agora ne! — comentou mamãe com o papai, olhando pra mim.

-Quê? -perguntei.

-Você, ta toda alegre... Aquela soneca te fez bem hein? — disse mamãe.

-Verdade hein... Acho que vou começar a ter essas sonecas renovadoras. — brincou papai.

-Nada a ver gente, eu to normal. — disse.

-Não, normal você não está, filha! — disse mamãe. -Você está toda alegre.

-Eu sou assim mamãe.

-É, mas agora você está diferente. — comentou ela.

-É, você está feliz diferente do normal. -concordou papai rindo.

-Deve ser por causa do filme, sei lá. — disse.

-Não, eu to pra te falar isso antes do filme. -disse mamãe.

-Eu aposto que foi o soninho da tarde heim. — disse papai.

-Concordo. — falou mamãe.

-Gente, chega! — disse rindo. — Eu to normal, disso eu sei.

Comemos um pouquinho de pudim, depois escovei os dentes e fui deitar, gostava de ler antes de dormir.

-Boa noite gente... — disse.

-Boa noite querida.

-Boa noite filha.

Disseram papai e mamãe juntos.

Fui para o meu quarto, peguei meu livro, o deixei em cima da cama e depois coloquei meu pijama. Arrumei minha cama pra me deitar.

Comecei a ler novamente. Jardim do Éden me faz me sentir tão bem, é uma história bem atípica, um romance forte, diferente dos normais, como se fosse uma lua de mel sem fim. Aconselho, caro leitor, que para entender melhor o que digo sobre essa obra, a leia. Estando em contato com isso você entenderá o estilo de romance diferente do comum.

E eu seguia a noite lendo, lendo e lendo...

Quando já passava de meia noite, fechei o livro e o deixei em minha cabeceira. Fiquei pensando no que meus pais haviam dito sobre eu estar alegre, diferente do habitual. E que isso tinha sido por causa da soneca... Claro que quando eles disseram isso, eles consideraram o fato de que eu descansei das semanas cheias de estudos e correria para aulas... Realmente uma soneca a tarde, depois de tanto estudo, me relaxaria bastante... Mas eu sei o que aconteceu, e perante a tudo isso não posso fechar meus olhos para essa hipótese estranha, eu sei que eu sonhei com Camille, eu sei que estávamos felizes no sonho...

Teria sido o sonho com Camille que teria me deixado tão diferentemente alegre, feliz?!

Eu, não gostaria que fosse esse o motivo da minha mudança de humor, mas não posso deixar de considerar essa coincidência.

Minha mente se misturou tanto com outros pensamentos, que chego a mudar de opinião e acreditar que foi isso. Foi o sonho com Camille. Chega a ser óbvio. Eu apareço muito feliz, logo após sonhar com ela. O sonho tem que ter alguma culpa nisso.

Não me agrada ficar feliz por causa de um sonho com Camille, nem compreendo o motivo para isso. Não há justificativa para minha alegria depois de um sonho com ela. Não que eu enxergue.

Minha cabeça já estava explodindo... Ultimamente estava pensando muito mais em Camille que o normal. Tudo que penso, essa menina está no meio. Em tudo. E ela nem é importante pra mim.

-Arhg, chega. — falei baixinho pra mim mesma.

Levantei e fiz um nescau quentinho, coloquei alguns biscoitos recheados numa tigela e fui pra sala, em silêncio pois meus pais já dormiam.

Coloquei num canal de desenhos, sentei no sofá e lanchei assistindo desenhos infantis pra dar uma relaxada. Gosto muito de ver desenhos infantis de vez em quando, me tira dessa maluquice do mundo, me faz rir muito.

Os desenhos me deixaram mais tranquila, minha mente se aquietou. O leite quentinho me fez relaxar e me deixou sonolenta. Esperei um episodio terminar. Desliguei a televisão, coloquei lavei a xícara e a tigela, escovei os dentes e fui me deitar. Já era mais de duas horas da manha.

Notas finais
Espero que gostem queridos!
Comentem
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.