Conflicted - um recomeço
25 Tudo o que eu (não) queria saber
Notas iniciais

A equipe da UAC veio nos buscar e nos levaram diretamente para o hospital, eu estava muito debilitada.
Mental e fisicamente.
Descobrimos que Susan estava há, pelo menos, três anos planejando aquela vingança, pois estávamos presos no porão dela que foi alterado para ter as celas e o cômodo vazio. Em sua casa, foram encontradas diversas fotos, documentos e recortes de jornais de casos da UAC, tudo relacionado à Reid. Tinham fotos de Lila, Maeve... e minhas. Ela o perseguia há muito tempo e de forma astuta, nunca foi reparada por nenhum de nós. Ela também guardava as coisas de seu mestrado que fez com Spencer, tinha até uma cópia do trabalho que ele apresentou para se formar... Enfim, sem dúvidas, ela era maluca por ele e, Lila e eu, fomos danos colaterais desse amor doentio.
Falando em Lila, ela também foi para o hospital e Hotch avisou ao seu empresário tudo o que tinha ocorrido e ele imediatamente veio à Virginia para cuidar dela.
Depois de fazer tantos exames que eu nem consegui contar, eu estava sentada na cama do hospital, recebendo os últimos cuidados na queimadura de urtiga que sofri no antebraço. A enfermeira colocou uma pomada específica e colocou um curativo especial para queimaduras ali.
Spencer estava comigo no quarto o tempo todo, ele somente precisou tomar um remédio para expelir totalmente o dopante que ainda estava em seu sistema sanguíneo e cuidou da queimadura que fez no pulso encostando nas barras tóxicas.
Nós estamos irritantemente quietos, nenhum dos dois sabia ao certo o que dizer depois de tudo o que passamos.
Hotch entrou no quarto e a enfermeira saiu logo em seguida:
— Alexis, como está?
— Bem... Eu acho. Meus exames ainda não chegaram... Mas me sinto dolorida, apenas.
— Não sei como deixamos isso acontecer... — Aaron colocou a mão no quadril, olhando para baixo como se tentasse entender o que estava havendo.
— Talvez se vocês tivessem me escutado quando eu falei repetidas vezes que não podia ser o Sean, a equipe poderia ter ido pelo caminho certo e descoberto que o perseguidor estava atrás de Reid. — respondi com rispidez.
Hotch se assustou com minha resposta e disse:
— Tem razão... Peço desculpas, nós dev...
— Não, tudo bem, me desculpe... — eu chacoalhei a cabeça rapidamente e abaixei o olhar — Me desculpe, não posso culpa-los, é só que... eu passei por muita coisa nos últimos dias... Nós passamos. — apontei para Spencer e depois para mim.
— Entendo perfeitamente, Alexis. — Hotch respondeu com ternura — Descanse um pouco e se precisar de qualquer coisa, a equipe inteira está à sua disposição.
— Obrigada. — sorri sem mostrar os dentes.
Ele, então, deixou o cômodo.
O médico entrou no quarto com uma prancheta — pressupus serem os resultados dos meus exames.
— Srta. Parker, seus resultados chegaram.
— Sim? — falei, esperando que ele me desse o relatório completo da minha saúde.
Ele folheava para cima uma folha e outra, observando e, então, respondeu:
— As lesões foram tratadas, não tem sinal de infecção, seus sinais vitais estão bons, sem hemorragia interna grave... — sua entonação era tranquila, mas, subitamente, mudou para triste: — Mas, lamento informar que, devido às fortes pancadas na região do abdômen, o bebê não sobreviveu. Sinto muito.
— Bebê?! — falei com espanto.
— Ela estava grávida? — Reid parecia tão espantado quanto eu.
— Sim, o exame de HCG deu positivo, a concepção foi há dois ou três dias, aproximadamente, porém não mais do que isso.
Spencer e eu nos entreolhamos e eu coloquei a mão na boca em pânico, com os olhos arregalados.
— Eu... vou deixar vocês terem um pouco de privacidade. — anunciou o médico — Sinto muito, mais uma vez. Com licença.
Ele saiu do quarto, fechando a porta e nos deixando sozinhos.
Reid, tão apavorado quanto eu, sentou ao meu lado na cama. Nós dois encarávamos o nada a nossa frente, estarrecidos com a informação e sem saber o que falar. Eu estava grávida.
Suspirei, ainda de boca aberta com a notícia e, quando falei, as palavras saíram desconexas:
— Como que... Eu e você... Mas não tem como... Foi só uma vez e... Isso é possível?!
— Estatisticamente falando, mulheres entre 20 e 29 anos tem chances de 22% de engravidar em um único ato sexual isolado, mas esse número pode aumentar se você estivesse no período fértil. Então, sim, é possível.
Depois desse breve diálogo — se é que podemos chamar assim — ficamos emudecidos, ainda encarando o nada.
Olhei para baixo e meus olhos começaram a ficar umedecidos.
— Eu ia ter um filho. Nós íamos ter um filho.
— Sim. — foi monossilábico, porque eu sabia que não tinha muito o quê falar.
— Adam ou Diana. — relembrei que a mãe de Reid pediu que seus netos tivessem esses nomes.
Apoiei os cotovelos na perna e escondi meu rosto em minhas mãos, deixando as lágrimas caírem. Reid me abraçou de lado, me reconfortando, mas eu sabia que ele estava devastado também.
Aquela sensação de ter tido por breves segundos um filho nosso e perdido era inenarrável. Uma dor muito pior do que todo espancamento que sofri nas últimas horas.
— É terrível, Reid... Eu achei que aquela vadia tinha tirado tudo de nós, mas... não... ela conseguiu tirar talvez a coisa mais importante que nem sabíamos que tínhamos!
— Não fale assim... — ele me apertava mais contra seu corpo — Nós ainda temos um ao outro. E...bem, temos nosso amor. Ou não me ama mais? — ele me fitou, muito preocupado.
Eu olhei para ele com a visão um pouco embaçada pelas lágrimas e respondi:
— É claro que amo... E é porque te amo que estou tão devastada por ter perdido o filho seu.
— Não fique. — ele murmurou — Nós temos muito o que viver ainda...
Eu apenas sorri e me aproximei mais dele.
— Hoje, é você quem vai dormir lá em casa. — aquilo era uma ordem.
O apartamento de Reid era exatamente como eu imaginava: cheio de livros, confortável e rústico. Ele jogou sua pasta em cima do sofá e eu sentei ao lado dela, com as mãos entre as pernas me sentindo um pouco deslocada. Acho que a única coisa mais pessoal do que conhecer a casa de alguém, é conhecer seu quarto — que eu iria conhecer hoje, espero. Não sei se é porque faço psicologia e sei que a maneira como uma pessoa decora seu lar pode dizer muito sobre sua personalidade ou se é pelo simples fato que é o local onde alguém mora.
— Eu vou tomar banho primeiro, me sinto nojento por ter sido tocado por aquela maluca... — ele inclinou-se e beijou o topo dos meus cabelos — Depois você pode ir, se quiser. Fique à vontade, meu amor.
Eu apenas assenti com a cabeça e ele desapareceu no corredor, dirigindo-se à porta que pressupus ser o do banheiro.
Olhei em volta pensando no que eu poderia fazer para me distrair. Meus olhos pousaram num livro em cima da mesa de centro dele: A Narrativa de John Smith. Sobre o que será que se tratava esse livro?
Alcancei-o na mesa e, quando abri a primeira página, um envelope de cartas grosso caiu em meu colo. Franzi o cenho e no envelope não tinha remetente.
Escutei o chuveiro sendo ligado e analisei momentaneamente se eu deveria bisbilhotar assim...
É, eu teria tempo.
Deixei o livro de lado e abri o envelope. Havia diversas cartas nele e uma foto de rosto de Maeve, sorrindo. Ela tinha franja lisa e cabelos morenos que desciam em ondas contrastando com os olhos verdes-claros e a pele branca e um sorriso doce.
Peguei uma carta aleatória e decidi vê-la. Eu não consigo ler 200.000 palavras por minuto, então, fiz uma leitura dinâmica.
Li uma parte em que Maeve lamentava pela humilhação que ele passou quando uma paixão de infância vendou seus olhos e o humilhou na frente do colégio... E ela disse exatamente essas palavras: não se preocupe, eu farei a venda nos olhos ser divertida de novo.
Meu deus. Fiquei um pouco incomodada com o nível de intimidade que eles tinham, mas o que eu esperava? Quem procura, acha. E foram seis meses de correspondência! Nem quero imaginar o que poderiam ter nas outras...
Satisfeita com o que havia lido, peguei o envelope novamente e guardei a carta escolhida.
No momento em que fui devolver o envelope onde o encontrei, vi que tinha uma dedicatória na primeira página: Amor é nosso verdadeiro destino. Nós não encontramos o sentido da vida por nós mesmos sozinhos — nós encontramos com outra pessoa. Thomas Merton. Aquela caligrafia não pertencia à Reid, logo, deduzi que era de Maeve.
Senti um nó na garganta lendo aquelas palavras e todas as ameaças de Susan retornaram na cabeça. Sobre eu ser a substituta de Maeve. Sobre Spencer não me notar se ela estivesse viva.
Mordi o lábio inferior e joguei o livro sobre a mesa de centro, num gesto impulsivo, afinal, Reid poderia ouvir que estava mexendo em alguma coisa.
Eu sei que bisbilhotar as coisas de outra pessoa é uma atitude horrível, mas não foi intencional! Achei que era um simples livro dentre milhares no apartamento dele...
Nada a ver. Eu poderia ter parado de fuxicar quando vi o envelope, mas decidi continuar, a culpa é minha...
Errado ou não, eu tinha que parar de divagar sobre isso, porque, no fim das contas, o que eu havia lido jamais se apagaria da minha memória. E não é uma coisa terrível? O fato de que, depois que você descobre uma coisa e sabe, não tem como des-descobrir essa coisa, entende? Você descobre algo e isso vai acompanha-la para sempre.
Passados dez minutos do meu tenebroso descobrimento, Reid desligou o chuveiro e era apenas questão de segundos para que saísse do chuveiro.
Em seguida, o banheiro do chuveiro se abriu e ele saiu com uma toalha enrolada na cintura, os cabelos molhados que ele esfregava com outra toalha para seca-los. Meu deus do céu. Ele estava muito gostoso.
— Você está com fome? — falou enquanto se aproximava de mim na sala, ainda secando os cabelos.
Quando ele parou atrás da mesa de centro, eu secava todo o seu corpo, me lembrando daquela noite... Meus olhos pararam na região na área do sutil “V” — tão sexy — e minha boca ficou levemente entreaberta.
Fiquei imaginando ele dentro de mim, daquele jeito todo tímido, mas apaixonado, me dando tanto prazer a ponto de atingirmos o clímax juntos. Eu me recordava de meus lábios nele, deixando-o completamente fora de si e tomado por uma excitação única...
Em meio aos meus pensamentos libidinosos, Spencer falava, porém eu não prestava atenção. Até que ele me chamou:
— Alexis? Está me ouvindo? — agora ele já tinha parado de secar o cabelo.
Sacudi a cabeça rapidamente, recobrando os sentidos.
— Ãnh... Na verdade, não. Eu estava... — pausei, procurando a palavra certa — distraída.
Reid estreitou os olhos, parecendo confuso por um segundo, mas entendendo logo em seguida. Ele olhou para baixo, olhando para si mesmo e compreendendo o motivo da minha distração.
— Oh... Desculpe.
Ele se desculpou como se tivesse feito algo de errado. Era muito fofa a timidez que ele tinha quando se tratava de sexo.
Eu levantei do sofá e dei passos lentos até ele.
— Não se desculpe. — respondi com um sorriso malicioso nos lábios.
Parei em sua frente e coloquei as mãos em cada ombro dele.
Depois, aproximei meu nariz do seu tronco despido de pós-banho, ainda um pouco úmido, e inalei o perfume da sua pele masculina.
— Você está muito cheiroso, Doutor. — fechei os olhos, sentindo um calor subir por todo meu corpo.
— E você está fedendo.
Tirei minhas mãos dele e bufei.
— Você realmente sabe estragar um clima. — eu ri.
Ele deu uma breve risadinha e disse:
— Vá tomar um banho e eu prometo que depois nos continuamos de onde paramos... Tudo bem? — ele me deu um beijo na testa — Sério, vá logo, está fedendo! — ele disse num tom de brincadeira.
— Seu idiota! — eu dei um tapa leve em seu ombro e ri junto com ele.
Aquele momento divertido me fez esquecer das torturantes horas que havia passado.
Fui ao banheiro e tomei um ótimo banho, lavando o máximo que eu conseguia das lesões sofridas, mas meu corpo está demasiado marcado pelas pancadas que recebi.
Eu estava muito dolorida e precisava tomar mais um analgésico.
Terminada a ducha, vesti uma camiseta de Reid que estava pendurada no banheiro e fui até o quarto.
Encontrei-o deitado na cama com o braço atrás da cabeça, vestindo apenas sua boxer preta.
— Não está mais fedida? — ele disse num tom brincalhão.
— Não sei... Sinta você mesmo.
Num pulo, me joguei na cama em cima dele que ficou surpreso comigo. Nossos corpos se chocaram e eu senti dor por todas as lesões que havia sofrido, mas acabamos rimos juntos.
— Ai meu deus... Estou toda dolorida! — falei, deitada por cima dele — Não foi uma ideia muito inteligente...
— De fato, não foi... Mas pelo menos você está cheirosa agora! — ele inalou o perfume dos meus cabelos.
Eu afastei meu rosto para olha-lo. Daquele ângulo, nem parecia que éramos um casal que acabara de sofrer tortura física e psicológica... Mas como eu bem sei por estudar psicologia, as consequências desse trauma viriam mais cedo ou mais tarde.
Reid colocou uma mecha de meu cabelo para trás da orelha e me olhou fixamente:
— Agora, vou cumprir o que prometi.
— Que seria...?
— Continuar de onde paramos.
Ele aproximou seu rosto do meu e me beijou, entrelaçando sua mão direita nos meus cabelos, me puxando para mais perto; sua outra mão descia pela lateral do meu corpo ainda coberto por sua camiseta até encontrar minha pele no quadril; eu me apoiava com as mãos em cada lado para que meu peso não recaísse totalmente sobre ele e apertasse meus machucados, mas Spencer, deslizando sua mão por dentro da camiseta até minhas costas, começou a me puxar contra seu corpo na medida em que o beijo foi evoluindo e eu gemi de dor.
Parei de beija-lo e falei:
— Spencer, acho que não conseguiremos hoje... Estou muito dolorida, não vou conseguir fazer nada... — anunciei com tristeza na voz.
— Então, deixe que hoje eu faça. Prometo que tomarei cuidado.
Analisei por um segundo a situação e decidi consentir. Lentamente, peguei a barra da camiseta que estava vestindo e tirei-a, jogando para o chão. Agora eu estava apenas de calcinha branca rendada.
Me deitei ao lado de Reid esperando que ele tomasse a iniciativa e logo em seguida, ele veio para cima de mim calmamente, apoiando-se em suas mãos para não deixar seu peso cair em mim; ele alcançou meu pescoço com seus lábios quentes e ficou beijando-o, intercalando com sua língua. Ainda, ele apertava minha coxa e eu suspirava com cada toque dele, tentando não me concentrar na dor muscular que eu sentia.
Descendo fazendo um caminho de deliciosos beijos, ele chegou até meus seios despidos e, tirando a mão da minha coxa, ele acariciou meus mamilos com a ponta dos dedos, deixando-me arrepiada. Timidamente, resolveu colocar seus lábios neles, sugando a parte que estava enrijecida pelo seu toque e eu gemi de prazer. Aquilo era tão bom... Percebendo minha reação prazerosa, ele continuou sugando e passando sua língua em meus seios enquanto meus gemidos aumentavam e eu começava a me sentir úmida ao mesmo tempo em que me sentia dolorida. Depois, ele se direcionou ao outro seio, fazendo a mesma coisa e me mantendo no calor do momento, beijando-o com vontade enquanto sua mão massageava delicadamente o outro.
Reid começou a descer sua boca pelo meu corpo, trilhando uma passagem de beijos até meu umbigo e encolhi minha barriga com seu toque, aproveitando cada minuto daquilo embora eu ainda sentisse muita dor no abdômen pelas pancadas que sofri; então, chegando à minha calcinha, ele segurou na sua barra e tirou-a com afobação — o que eu achei bem estranho, normalmente ele demoraria mais ou se atrapalharia. Notei que já havia uma saliência em sua boxer... Talvez esse fosse o motivo da afobação.
Mas eu estava enganada. Quando fiquei totalmente nua, ele ficou observando minha intimidade carente de pelos e abaixou sua cabeça para aproximar-se dela. Agora eu entendi o que ele iria fazer...
Primeiro, começou a percorrer minha virilha com sua língua quente e molhada, me deixando cada vez mais tomada pela excitação; após, ele se aventurou e começou a aproximar sua boca de onde realmente interessava e a antecipação estava me matando!
Quando ele estava prestes a iniciar a melhor parte, parou subitamente e me olhou, mas sem sair dali:
— Alexis, eu... não sei fazer isso direito... pode ser que...
Não sabe fazer isso direito? Eu estava enlouquecendo ali! Respondi um pouco grossa, pois ele cortou o momento quando eu estava totalmente acesa:
— Reid, relaxe! Apenas faça! — meu tom era imperativo.
— Talvez meu conhecimento de anatomia ajude, se eu souber aond...
— Só faça! — ordenei mais uma vez, alucinada.
Muito obediente, ele aproximou seus lábios da minha intimidade de modo que eu podia sentir sua respiração nela e aquilo me deixava mais alucinada. Perguntei-me quanto tempo iria levar para ele finalmente começar...
Lentamente, começou a lamber meu sexo e eu arqueei o tronco, surpreendida pelo primeiro toque naquela região; segurei o lençol com força e gemi. Ele, então, iniciou movimentos de cima para baixo em meu clitóris, tudo muito lentamente, pois estava inseguro, dava para notar, mas mal ele sabia que, quanto mais lentamente fizesse, mais louca eu ficaria. Agora, Spencer alternava entre movimentos de sucção e de cima para baixo num ritmo perfeito, que me fazia gemer mais e mais, afundando os dedos no lençol e me contorcendo.
Nessa altura, eu já estava encharcada, não só pela excitação, mas também pela saliva quente de Reid e por mais gostoso que aquilo estivesse, eu precisava senti-lo dentro de mim novamente.
— Spencer... — murmurei entre os gemidos — Eu não aguento mais... Preciso de você aqui...
Submetendo-se ao meu pedido, ele parou o que estava fazendo e abaixou um pouco sua boxer, apenas o suficiente para expor seu membro pulsando. Ah como eu queria não estar dolorida para poder agarra-lo como eu queria! Mas minha limitação física não permitiu, então, aguardei sua atitude.
Ele se debruçou, apoiando as mãos de ambos os lados da minha cabeça, me olhando fixamente e, depois, encosta seu membro rígido próximo da minha intimidade, me provocando cada vez mais.
Esperei que entrasse em mim, mas o fez. Então, murmurei:
— Por que está parado?
— Porque gosto de vê-la louca por mim.
— Spencer... por favor. — implorei.
Ele acabou cedendo, provavelmente estava enlouquecido também — percebi pela elevação encostando em mim.
Reid colocou seu membro na entrada da minha intimidade e, bem devagar, introduziu-o e nós dois gememos, numa harmonia indescritível.
Dizem que o sexo é a menor distância entre dois apaixonados e agora eu entendia o que queriam dizer.
Vagarosamente, ele começou a mexer seu quadril para cima e para baixo e eu levei minhas duas mãos para suas costas, cravando minhas unhas nelas de tanta excitação.
Ele continuou os movimentos, aumentando a intensidade na medida em que nossos gemidos ampliavam-se até que manteve um ritmo.
Sem parar a movimentação, Reid desceu seus lábios até meu corpo, me dando um delicado beijo no ombro em sinal de carinho; ele tomava todo o cuidado para não pesar sobre mim e apertar minhas lesões, por isso, teve que manter seu tronco longe do meu — o que me deixava muito chateada, pois eu adorava a sensação do corpo dele colado ao meu.
Os movimentos mais intensos e rápidos, eu falei gemendo:
— Spencer, eu não vou mais...
— Eu também não vou. — ele complementou a frase, gemendo junto comigo.
Apertei meus olhos sentindo que atingiria meu limite e, em seguida, senti que Reid chegou ao clímax antes, fechando os olhos fortemente e urrando de prazer. Eu estava quase lá quando me lembrei da imagem de Susan fazendo sexo oral nele e perdi totalmente a excitação.
Ele abriu os olhos, ainda dentro de mim, e me olhou, ofegante:
— Você não...?
— Não consegui... Senti uma dor muito forte no abdômen e... não deu. — menti.
Retirando-se de dentro de mim, ele desfaleceu ao meu lado, cansando por todo o exercício.
— Não fico contente com isso. — disse ele, ainda ofegando.
— Não se preocupe. — eu me apoiei no cotovelo, ficando de lado e o observando jogado na cama — Foi bom do mesmo jeito.
Reid deu um tapinha em seu ombro, pedindo para que eu me aninhasse ali. Prontamente obedeci e pousei minha cabeça sobre seu peito enquanto ele me segurava com seu braço, trazendo-me o mais perto possível de seu corpo; descansei minha mão em seu abdômen um pouco suado e fiquei quieta.
Ele notou meu silêncio e questionou:
— No que está pensando?
— Em minha tese... Bem, pelo o que aconteceu com meu irmão, vou ter que reformular minha teoria e a apresentação é semana que vem.
— Já tem alguma ideia?
— Nada sólido, mas acredito que vou mencionar a UAC. Vai ser bom demonstrar que apliquei algo do estágio obrigatório na tese.
— Se precisar de ajuda...
— Eu sei. — eu o interrompi — Posso usar minha enciclopédia falante. — beijei a parte do seu peito que estava perto da minha boca.
Agora, ficamos na quietude da noite. Ele se vestiu com a boxer novamente e me devolveu sua camiseta e minha calcinha.
Vestidos, nos aninhamos mais uma vez na cama e adormecemos, cansados por tudo que havia acontecido.
Naquela noite, eu sonhei.
Sonhei que eu e Reid estávamos num apartamento chique com paredes de vidro revelando a paisagem da cidade, dos enormes prédios; nós estávamos tomando café da manhã juntos e cada um tinha uma aliança na mão esquerda — nós éramos casados. Ele estava lendo o jornal do dia enquanto bebia uma xícara de café e saboreava um delicioso omelete e eu tomava um suco de laranja com torradas.
De repente, comecei a ouvir voz de uma criança pequena e passos fracos.
— Mamãe!
Uma menina linda de aproximadamente cinco anos de idade surgiu do corredor e saiu correndo em minha direção. Ela tinha cabelos curtos castanhos como de Reid e vestia um vestido de bolinhas pretas muito fofo.
Meus olhos se encheram de alegria e eu peguei a menina no colo, olhando para Spencer e perguntei:
— Mamãe?
— Sim, meu amor. Essa é nossa filha, Diana. — ele explicou, bebendo o café e concentrado no jornal.
Eu sorria para Diana, fascinada com aquela imagem: eu casada segurando minha filha e de Reid.
A menina que eu tinha em meus braços, me abraçou fortemente e com sua voz inocente, disse:
— Eu te amo, mamãe! Preciso ir para escolinha!
Ela me largou e saiu correndo para a porta com uma moça que, pelo cenário, presumi ser a babá.
— Já terminou seu café da manhã, Maeve?
Franzi o cenho e eu o corrigi, delicadamente:
— Meu nome é Alexis, Spencer. Lembra?
Ele parou de olhar o jornal e me fitou:
— Alexis? Não conheço nenhuma Alexis.
— Conhece sim. Sou eu. Você está casado comigo. — reforcei, um pouco mais séria dessa vez.
— Amor, você está bem? Está sentindo alguma coisa? — ele soou preocupado — Seu nome é Maeve Donovan...
Abaixei o olhar e uni as sobrancelhas, confusa. Então, vi um enorme espelho que tinha na sala ao lado da escrivaninha.
Em passos temerosos, fui até ele. Quando parei à sua frente, fiquei emudecida: aquela era eu, mas não era eu! Era realmente Maeve Donovan, a mulher que eu havia visto a foto no envelope! Comecei a tatear meu rosto e meu corpo, assustada com o fato que era eu no corpo de outra mulher! Aquilo não era um sonho... Era um pesadelo.
Gritei muito alto e o espelho se rachou ao meio.
Ofegando, levantei metade do meu tronco na cama e gritei: “Não!”, despertando do meu sono e acordando Reid que, antes, dormia ao meu lado.
Coloquei a mão no coração e respirava descompassada, tentando recuperar o fôlego.
Spencer acordou e com a voz rouca, sentou-se na cama também e colocou a mão nas minhas costas:
— Alexis, o que aconteceu? Você teve um sonho ruim?
— Ruim... muito ruim... — eu falava desnorteada.
— Sonhou com o quê? — ele continuava com a mão nas minhas costas, tentando me acalmar.
Resolvi olhar para ele e fiquei quieta, decidindo se deveria contar ou não o verdadeiro teor do meu sonho.
— Sonhei com Susan. — menti — E toda a tortura que ela fez... E... Ai meu deus!
Apoiei o rosto em minhas mãos e senti um aperto enorme no coração. Ele me abraçava enquanto eu ofegava, lutando contra as lágrimas que viriam. Queria muito contar o que estava me assombrando, porém, não teria como fazê-lo sem confessar que mexi em suas coisas... Infelizmente, era uma mentira que eu teria que sustentar. E, afinal, que mal poderia fazer mentir sobre um sonho, certo?
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