Conflicted - um recomeço

7 Mudança de comportamento


Alexis Parker POV

Sete horas da noite e eu era a única na UAC. Estava na metade do perfil sobre o caso que Strauss havia me pedido e era um beco sem saída. Simplesmente não conseguia encontrar elementos novos ou informações que dessem base para montar um perfil consistente.

Levantei da cadeira e fui até os arquivos que ficavam na sala ao lado. Peguei umas três pastas de casos antigos semelhantes e voltei para minha mesa.

Mas alguém estava parado ao lado dela segurando uma pasta marrom atravessada em seu ombro.

— Você ainda está aqui? — perguntou Reid.

— Sim, estou.

— Quer ajuda? — ofereceu, timidamente.

— Não, obrigada. — falei, grossa, enquanto me sentava na minha mesa e colocava as três pastas ao meu lado. — Já estou terminando. — menti.

— Você escreveu um parágrafo. Definitivamente não está terminando.

— Você mexeu no meu computador? — eu o fitei, muito séria.

— Na verdade, o computador é patrimônio do FBI. E sim, eu olhei.

Respirei fundo e me dei por vencida:

— Tudo bem, Doutor. O que você sabe?

Ele prontamente pegou uma cadeira que estava na mesa desocupada ali perto e a colocou ao meu lado de frente para o computador.

— Entre no VICAP e coloque essas informações: sequestro, fogo e adolescentes.

Eu não falei nada, apenas segui as instruções e apertei enter. Apareceram vários criminosos que foram presos por crimes que continham os três elementos, comecei a procurá-los.

— Olhe esse aqui. — falei — Provável que nosso suspeito seja um incendiário. Talvez seja melhor procurar por homens que tiveram incidentes com fogo na infância.

— É uma boa ideia. — concordou.

Spencer e eu ficamos entretidos nas pesquisas e tivemos um bom resultado.

Eu notei que ele evitava qualquer tipo de contato físico por menor que fosse como um toque de mão. Eu nunca estive tão perto dele quanto naquele momento e eu não sabia ao certo como agir. Tinha medo que qualquer movimento brusco o afastasse novamente... E era tão bom tê-lo perto.

Bom, para finalizar, fizemos o profile de um homem branco entre 30 a 40 anos com obsessão por fogo que, provavelmente, foi demitido por falta de disciplina e quer causas desastres visíveis, deixando cidades em pânico.

Colocamos todas as informações no trabalho que eu teria que entregar a Strauss e deu uma página completa.

Quando acabamos tudo, já eram nove horas da noite.

— Finalmente terminamos! — comemorei, arrumando a bagunça na mesa.

— Sim, ficou bom.

Reid se levantou e eu me levantei em seguida, ficamos um de frente para outro.

Permanecemos em silêncio por uns segundos, não sabendo ao certo como agir. Estávamos sozinhos na UAC, na quietude da noite e nos olhando... Eu queria desesperadamente tocar nele, mas meu receio de que ele me rejeitasse me impedia.

— Muito obrigada pela sua ajuda, eu não teria terminado hoje se não fosse por você.

— De nada. Então... — ele demorou para continuar a frase, pensando — Você quer uma carona?

Fiquei surpresa. Era a primeira vez que Spencer era gentil comigo, porém eu estava com medo de ficar mais confusa se entrasse naquele carro com ele.

Percebendo meu silêncio, ele completou:

— Está tarde, seria melhor se você fosse embora comigo ao invés de ir sozinha. É só por precaução.

— Claro... precaução. Pode ser.

E tinha que vir o balde de água fria...

Eu não tinha certeza se meu nervosismo era nítido, porque eu estava quase tendo um ataque.

Fomos em silêncio até o carro dele e eu entrei. Nós apenas nos olhávamos, parecia que um queria decifrar o outro.

Um estava esperando pela atitude do outro, mas ninguém fazia nada.

Enquanto ele dirigia, estava tudo quieto, nem ao menos ligou o rádio.

No meio do caminho, ele quebrou o silêncio:

— Está tudo bem?

— Sim, é claro... por que não estaria? — minha voz era trêmula e eu o encarava.

Eu estava sozinha num carro com Spencer Reid. Só conseguia me focar nisso.

— Você está quieta demais e sua personalidade sugere que deveria estar falando bastante. — ele não tirava os olhos da estrada.

— Vai me analisar de novo, Doutor? — eu o provoquei.

— Bem que eu queria. — ele me olhou por breve segundos e voltou a se concentrar no caminho — Você não é tão fácil de ler como pensa, Alexis.

Olhei-o fixamente e minha boca ficou entreaberta. Não sabia o que responder.

Graças a deus, chegamos ao meu prédio.

— É aqui que eu moro. — apontei.

Spencer parou o carro, mas não desligou o motor. É claro que ele não queria ficar parado no carro comigo...

— Obrigada pela carona. A gente se vê amanhã, Doutor. — falei, me afastando.

— Pode me chamar de Spencer.

— Eu prefiro não. As coisas já estão complicadas o suficiente.

Ele olhou para baixo e assentiu. Reid entendeu o que eu estava falando.

Saí do carro calmamente e entrei no prédio, ele somente saiu da frente quando teve a absoluta certeza de eu estava dentro do prédio sã e salva. Deve ser mania de policial... Na situação que eu me encontrava não poderia sequer sonhar com a possibilidade de Spencer Reid se importar comigo.

Não mesmo.