Conflicted - um recomeço
18 Curiosidade fatal

Era o horário do almoço e eu tinha tomado um tipo de antídoto para a toxina da hera venenosa que Reid me receitou.
Por mais que eu tivesse pedido para ele deixar para lá, tive que ceder e concordar que ele mandasse as flores para serem analisadas em laboratório...
Qualquer pessoa normal estaria apavorada com aquilo, especialmente pela parte da planta tóxica, mas o fato de ter a equipe da UAC pronta para me ajudar, me tranquilizava um pouco.
Eles me fizeram sentir como se fosse parte da grande família que são e fiquei muito feliz com isso!
Depois da reunião, cada um seguiu para sua mesa.
Reid estava sentado em sua mesa, totalmente envolvido em arquivos, fotos e textos, os quais ele analisava com a ajuda de um copo de café do Starbucks no lado.
Sorrateiramente, me aproximei por trás dele que nem percebeu minha presença por estar tão concentrado no que quer que estivesse fazendo. Depois, me abaixei um pouco para que meu rosto ficasse na altura do seu ouvido e falei:
— Olá, Doutor!
Reid assustou-se e virou o rosto para mim.
— Alexis...
— Então, o que você está fazendo? — continuei com meu corpo inclinado e meu rosto próximo ao dele, deixando que minha respiração roçasse em sua pele.
— Eu... Eu estou examinando o próximo caso que... — ele engolia em seco frequentemente — vamos investigar...
— Ah é? Qual a história? — indaguei.
— É um homem que... — ele parecia nervoso — Alexis, você poderia se afastar um pouco? Nós estamos perto demais um do outro...
Eu olhei para ele sem me mexer um centímetro e sorri maliciosamente:
— Por quê? Estou te desconcentrando?
— Estou falando sério...
Eu fiquei mais alguns segundos ali e percebi que ele não iria me contar sobre o caso enquanto eu continuasse imóvel.
Acabei cedendo.
— Tudo bem, seu chato. — eu me afastei, sentando de lado na beirada de sua mesa — Me explique sobre esse novo caso.
Reid parecia mais relaxado agora e me olhava.
— É um homem que está matando mulheres entre vinte e vinte e cinco anos em Richmond com diversas facadas sem sinal de violência sexual, mas ele definitivamente tem um tipo. — me contou — Ou pode ser uma substituta para alguém pela semelhança na aparência.
— Hm... — eu examinei as fotos em cima da mesa — Essas são as vítimas? Todas morenas?
— Morenas e de alto risco. — complementou — Todas as vítimas eram filhas exemplares, boas notas, boas amizades, boa família, nenhum histórico de abuso ou experiência traumática e seria facilmente percebida sua ausência. Ele é ousado.
— E tem zero chances de eu ajudar nesse caso, né? — torci os lábios.
— Zero. — respondeu firme.
— Tudo bem, eu aceito. — eu peguei o retrato de uma das vítimas na mão e o fitei — Isso é tão triste...
— Como assim? — Reid franziu o cenho.
— Essas garotas... Bem, poderia ser eu, sabe? Isso é horrível.
— Mas não é. — ele segurou minha mão que estava pousada sobre minha perna — E nunca vai ser. Eu não vou deixar.
Eu peguei em sua mão em cima da minha e simplesmente sorri. Eu sabia que ele sempre me protegeria.
Hotch passou pela UAC e apontou para a sala de reunião, indicando que estava na hora da equipe se reunir para procurar suspeitos. Spencer foi até lá, mas eu permaneci em sua mesa.
Quando ele entrou na sala, devolvi a foto da vítima que havia pegado, e uma coisa me chamou a atenção. Reid havia feito um perfil preliminar. Por curiosidade, decidi pega-lo e ler.
Oh meu deus! Só poderia estar errado... Não, não, não... Mil vezes não!
Sem dar explicações, peguei minha bolsa e saí da UAC.
Chamei um táxi e indiquei a localização. Talvez eu estivesse certa. Eu esperava que estivesse totalmente errada.
O taxi parou em frente uma casa branca de apenas um piso com um enorme quintal e a placa de “vende-se” em frente. Respirei fundo e dei longos passos até chegar à porta que, como esperado, estava aberta.
Todas as janelas estavam fechadas, os móveis cobertos com lençóis e o cheiro de mofo incomodava. Só dava para enxergar o que tinha ali dentro pelos finos feixes de luz que passavam pelas frestas das janelas.
Dei mais alguns passos dentro daquela casa vazia e silenciosa onde eu só conseguia ouvir meus passos temerosos. Eu observava tudo calmamente: o teto, o chão, os móveis... De forma inevitável, algumas memórias retornaram, afinal, aquela era a casa que eu havia crescido e nos mudamos após a morte do meu pai. Ali eu vivi os melhores anos da minha vida!
Eu estava quase convencida de que não havia ninguém ali. Mas de repente, alguém me acertou na cabeça por trás com um objeto pesado e eu caí no chão, fechando os olhos e perdendo a consciência mais uma vez.
Porém, dessa vez, minha última imagem não foi de JJ me salvando: vi pares de sapatos masculinos surrados parados em minha frente.
Spencer Reid POV
A equipe estava toda reunida na sala, ainda discutindo sobre o caso do esfaqueador de mulheres em Richmond.
Tínhamos liberado o perfil para Garcia pesquisar se havia alguém com todas aquelas características que havíamos passado.
Depois de dez minutos, ela veio até a sala de reunião segurando um papel na mão e parecia aflita, os olhos se enchendo de lágrimas.
Todos a olharam esperando que ela dissesse alguma coisa.
— Pessoal... — ela começou, com a voz trêmula — Eu achei alguém que se encaixa no perfil.
— Quem é? — Hotch perguntou franzindo o cenho.
— É Brandon Parker. — Penelope engoliu em seco — O irmão da Alexis.
Quando ouvi isso, um flashback invadiu minha cabeça: Essas garotas... Poderia ser eu, sabe?
As garotas esfaqueadas eram substitutas para Alexis! Eu precisava avisa-la o mais rápido possível.
Todos na sala ficaram chocados com a revelação de Garcia, mas eu não tinha tempo para isso. Saí em passos rápidos da sala, à procura de Alexis, porém, sem êxito.
Perguntei ao Agente Carter se sabia onde Alexis estava e ele disse que ela pegou a bolsa e saiu como se estivesse com pressa.
Olhei para minha mesa e notei que o perfil preliminar estava por cima das outras pistas.
— Ela leu meu perfil e descobriu que o assassino é o irmão. — concluí para mim mesmo.
— Você tem ideia de onde ela poderia estar? — JJ perguntou, preocupada — Afinal, de todos aqui, você quem saberia melhor traçar o perfil dela.
— Ela descobriu sobre o irmão, mas o irmão não sabe disso. Quer dizer que temos que pensar onde Brandon estaria, pois é para lá que ela foi.
Eu tentava manter a sanidade, mas era muito difícil considerando a possibilidade de que Alexis estava nas mãos de seu irmão psicopata.
Tive um sentimento terrível e todas as memórias ruins com Maeve retornaram.
Eu não aguentaria perder mais alguém importante para mim. Precisava encontrar Alexis de qualquer jeito.
A equipe toda se mobilizou para fazer buscas e descobrir possíveis endereços onde eles poderiam estar, começamos a traçar o perfil do irmão dela baseado no pouco que eu sabia e nas demais informações de sua vida.
Claro que nós iríamos encontrar a localização deles, porém, a grande questão é: será que chegaríamos a tempo?
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