Conflicted - um recomeço

5 O passado e o presente


Naquela manhã, liguei para Strauss pedi dispensa do meu turno matutino na UAC, decidi ir para a faculdade e trabalhar na minha tese.

A faculdade estava movimentada e eu decidi me concentrar na biblioteca que estava habitada pela bibliotecária e mais dois alunos.

Sentei numa mesa isolada, coloquei meus livros e refleti se deveria ou não usar o resumo de Spencer. Eu realmente estava irritada com a atitude dele e aquele resumo apenas me lembrava da confusão que esse homem está me causando.

Comecei a fazer pesquisa sem utilizar o resumo, apenas com as obras que eu tinha escolhido na biblioteca. Passei meia hora escrevendo minha tese com a ajuda dos livros, mas chegou um momento que os argumentos se tornavam repetitivos e eu precisava de um novo ponto vista.

Retirei o resumo de Spencer da minha bolsa e coloquei em cima da mesa. Nessa hora, apareceu Sean Collins.

Ou como eu posso chamá-lo: meu ex namorado que ainda não tinha aceitado a palavra “ex”.

— Ei, Alexis! — disse ele num tom alto e foi prontamente repreendido pela bibliotecária com um “shhh”.

— Oi, Sean. — sussurrei.

— Trabalhando na sua tese?

— É, ela estava abandonada há algum tempo...

Ainda estávamos sussurrando até que o resumo de Reid chamou a atenção e ele o pegou.

— Então você finalmente conseguiu ler A Bioliga do Mal? Que ótimo!

— Ãn... Não. Na verdade, esse resumo foi um colega do estágio que me entregou. Ele já leu o livro e fez para eu não ter que ler o livro todo. — expliquei, tirando o resumo da mão dele.

— Nossa... O seu colega de estágio fez isso para você? Com certeza ele deve estar interessado... — Sean tentou especular alguma coisa. Ele sempre fazia isso, sempre tentava descobrir se eu já estava com outra pessoa embora já fizesse seis meses que havíamos terminado.

— Acredite, ele não está... — ri baixinho, pois sabia que aquela ideia era absurda. Definitivamente Spencer Reid não estava interessado em mim.

Comecei a grifar partes importantes do texto que estava lendo, pouco me importando com as especulações do meu ex.

Percebendo que eu não falaria mais nada sobre meu colega do estágio, Sean mudou de assunto:

— Você vai ficar aqui muito tempo? Se quiser, posso te dar uma carona para seu estágio. É no FBI, não é?

— É sim...

Eu parei de falar e observei a mesa e minha tese. Eu não iria conseguir fazer mais do que eu tinha feito até agora e decidi aceitar a carona.

Guardei minhas coisas e segui Sean até seu carro. Ele tentou colocar seu braço em volta do meu ombro enquanto andávamos, mas, sutilmente, me afastei, impedindo que ele o fizesse. Sean realmente precisava entender que nós terminamos e que eu não queria mais do que uma amizade com ele.

Todos pensam que quando terminamos um relacionamento devemos nos afastar da pessoa, como se ela não existisse, e eu concordo que em certas situações isso é o melhor a se fazer, mas não com Sean. Nós nos conhecemos desde a infância e ele sempre fora um ótimo amigo. Ninguém me conhece tão bem quanto ele...

Embora eu não sentisse paixão por ele, meu carinho e amizade eram infinitos e eu não conseguia imaginar minha vida sem ele.

No caminho até meu estágio nós falamos de coisas triviais como estágio, faculdade, minha tese e o que ele estava aprontando na faculdade de Direito. Perguntei sobre as garotas da faculdade, claro, mas apenas por curiosidade e ele sempre responde que não tem ninguém em sua vida.

Sean é muito atraente com seus olhos azuis e cabelos loiros bagunçados, eu cresci vendo as garotas da escola babando por ele enquanto ele só tinha olhos para mim, sua melhor amiga pateta. Depois que cresceu, ficou mais lindo e encantador.

Eu realmente queria que Sean encontrasse uma nova pessoa, mas devo admitir que gosto de tê-lo para mim, sempre disponível quando eu preciso de um ombro amigo para conversar sobre meus problemas e, principalmente, quando as coisas ficam difíceis com meu irmão...

— Bom, chegamos! — anunciou ele, parando o carro exatamente na frente do FBI.

E como se eu já não fosse azarada o suficiente, quem estava parado em frente ao prédio tomando um café? O único e inigualável Doutor Spencer Reid!

— Obrigada pela carona, Sean. Foi bom te ver.

Quando eu fui abrir a trava da porta para sair, ele me puxou pelo braço e eu virei meu rosto instantaneamente.

Rapidamente, Sean aproximou seu rosto do meu e deu um suave beijo na minha bochecha.

— Fique bem, Ale. — era assim que ele me chamava desde criança.

Não respondi, apenas sorri com os lábios e saí do carro, e Sean arrancou, indo embora logo em seguida.

Surpreendentemente — ou não — Spencer estava com os olhos fixos naquela cena. Fui obrigada a passar por ele para entrar no prédio.

— Olá, Doutor. — cumprimentei, já entrando no prédio.

— Por que você não veio hoje de manhã?

Franzi o cenho e respondi seca:

— Eu estava fazendo minha tese na faculdade.

— Com seu namorado? — perguntou, ríspido.

— Sean não é meu namorado, ele é meu ex e ele estava apenas me dan... — parei de falar — Aliás, eu não te devo nenhuma explicação, eu não preciso me explicar nem mesmo ao Agente Hotchner, apenas devo satisfações à Strauss e ela sabia que eu não iria vir de manhã. Tenha um ótimo dia, Doutor.

Sorri falsamente e continuei meu caminho, entrando no prédio.

— Você usou meu resumo hoje? — perguntou Reid num tom alto, pois eu já estava a alguns metros dele.

Bufei e dei meia volta para ficar de frente para ele que estava perto da porta do lado de dentro, mas ainda sim longe de mim.

— Por que quer tanto saber?

— Porque ele ficou bom e realmente poderia te ajudar. — ele deu um gole no café.

Eu estreitei os olhos e respondi:

— Talvez.

Spencer não falou mais nada, apenas deu um leve sorriso, quase imperceptível se eu não tivesse prestando toda minha atenção nele.

Percebi que essa era minha chance de entrar no elevador e me livrar de continuar aquela conversa.

Enquanto o elevador fechava e subia em direção ao terceiro andar, refleti: o que foi aquilo? Um ataque de ciúmes? Curiosidade? Ou será que ele só era um daqueles controladores que querem saber tudo da vida de uma pessoa? Porque de todos que trabalhavam na UAC eu era novata e provavelmente ele conhecia todos os outros muito bem.

Mas como da outra vez, não era assim que eu iria decifrar o Doutor Spencer Reid que, somente agora eu notei, sempre estava com a expressão triste, desanimada, e as poucas vezes que o vi sorrindo foram comigo. Ele é uma pessoa difícil, porém, por algum motivo, eu sabia que tinha algo por trás de toda essa complicação e ar melancólico.

Ah Dr. Reid... Se você soubesse o quanto me deixa intrigada...