Notas iniciais
BOA NOITE, MEUS AMORES! Agradeço de coração por cada comentário, cada favorito e, principalmente, pelas recomendações e pelo carinho de vcs que nunca me abandonam ❤ Esse capítulo tem a música All We Are do One Republic e o link nas notas finais. Aproveitem, vcs não têm noção do quanto vcs me deixam feliz com todo esse carinho ❤ ❤ sempre tento retribuir da melhor maneira!

Saindo do prédio do FBI pela enorme porta de vidro, Morgan me acompanhava e nós descíamos a pequena escada que tinha em frente, chegando à calçada e... parei subitamente quando vi Spencer vindo em nossa direção, os cabelos mais bagunçados do que eu me lembrava, os tênis estilo all star que ele sempre usava, a pasta atravessada e a roupa sempre arrumada.

Derek e eu paramos à frente dele e eu engoli em seco, quieta, totalmente paralisada pela situação. Então, Morgan disse:

— Ei, garotão! Como foi em Las Vegas? Tudo bem com a sua mãe?

— Sim, ãnh... Ela está bem. — ele estava nitidamente desconfortável — E o caso? Resolveram?

— Aham. Graças à Alexis! — Morgan bateu levemente seu braço no meu e sorriu, e eu olhei para baixo retorcendo os lábios, inquieta com o momento — Bem, vou deixar vocês a sós. Eu vou te esperar no carro, Alexis.

Eu apenas assenti com a cabeça e fiquei parada olhanado para Reid como se ele fosse o fantasma do Natal passado.

— Oi. — começou ele, escondendo as mãos no bolso da frente da calça.

— Oi, Doutor.

Nós não sorríamos. Estávamos surpresos demais com aquele encontro para conseguir exprimir qualquer emoção que não fosse estranheza.

— Então... Por que está aqui? — ele perguntou com timidez.

— Meu irmão tinha meio que um imitador e se recusou a falar com à UAC, por isso eu vim para entrevista-lo. Morgan foi até Nova Iorque pedir a minha ajuda.

Um minuto de silêncio pairou e a tensão ficou quase palpável.

— E como está Nova Iorque? O novo estágio...?

Nós não conseguíamos nos olhar por mais de cinco segundos, os olhares se desviavam com medo do que poderíamos sentir se nos encarássemos por mais tempo.

— Bem, está bem. Agora já me acostumei. O estágio é bom... — eu não conseguia dar uma resposta melhor, só conseguia ser vaga nas explicações.

— Anda trabalhando demais? Você está com olheiras profundas... — ele observou estreitando os olhos como se me analisasse por completo.

Eu apontei levemente com o dedo indicador para as olheiras e falei:

— Ah isso? Minha insônia não tem nada a ver com o estágio. São outras coisas. — fui vaga novamente, porque eu não iria dizer que o motivo era ele — E também ando tendo muitas dores de estômago, enjoos... Atrapalha bastante. — teve um silêncio constrangedor e eu perguntei: — E sua mãe? Como está? Estava visitando ela, pelo o que eu entendi...

— Ela está ótima. Pergunta bastante de você. Ainda te chama de anjo. — agora ele finalmente sorriu, encarando meus pés, deslocado.

— Se ela me chama de anjo, como sabe que está falando de mim? Pode ser outra pessoa... — brinquei, mas com um pouco de interesse em saber se tinha outra garota na vida dele.

— Não tem outra pessoa, Alexis. — Spencer, por fim, me olhou diretamente nos olhos — Você é o anjo dela. Sempre foi.

Eu ri brevemente, encabulada e olhei para baixo, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— Vai ficar na cidade por quanto tempo? — ele perguntou, ansioso.

Peguei meu celular e olhei o horário:

— Uma hora. Morgan está me levando para o aeroporto agora.

Ele arqueou as duas sobrancelhas, desapontado:

— Achei que planejava ficar mais tempo.

— Não, eu vim só ajudar no caso. Nunca planejei ficar. Nem agora nem nunca. — o “nunca” se referiu a quando comecei o estágio ali o qual eu nunca pretendi ficar.

— Entendo. — ele ficou inexpressivo — Faça uma boa viagem de volta, então.

— Fique bem, Doutor. A gente se vê... Em outra esquina, quem sabe. — me despedi assim, contornando-o para ir em direção ao carro onde Derek me esperava.

Era sempre eu quem partia sem olhar para trás. Entrei no carro e percebi que Reid, dessa vez, não olhou para trás também e simplesmente seguiu seu caminho para dentro do prédio do FBI. Morgan ficou em silêncio, esperando que eu começasse uma conversa, mas não falei nada. Segui quieta até o aeroporto, encarando a paisagem pela janela.

Próximo ao aeroporto, Derek começou:

— Reid está um caco. Não tem noção de como ele está nesses últimos dois meses.

Parei de encarar a janela para olhar para ele.

— Eu também não estou na melhor versão de mim. — o que era óbvio pela minha aparência abatida.

— Cara, eu não o via assim desde Maeve. Ele está se afundando...

— Derek, escute — eu o interrompi — Você é um cara muito legal, me ajudou quando eu estava na UAC e sempre me tratou bem, mas... não quero saber sobre a depressão de Spencer, ok? Eu também estou sofrendo, mas sei que no futuro vai ser melhor assim. Ele vai superar, assim como superou Maeve. — eu pausei — Ou acho que superou...

— Fico muito triste ver vocês dois separados. Sempre achei que você melhor para ele do que Maeve. — ele confessou, procurando um local para estacionar no aeroporto.

— Por que acha isso? — uni as sobrancelhas, curiosa.

— Maeve era parecida demais com Reid. E ele sempre soube que eu achava isso e que você seria melhor para ele justamente pelas diferenças que vocês têm. Falei com Spencer sobre essa questão quando fui incentiva-lo a te ajudar nos seus primeiros dias na UAC, ao invés de se fechar totalmente com medo. — agora ele estava parando o carro numa vaga, puxando o freio de mão em seguida e me olhou — Mas voltando à minha teoria, Maeve era tipo a versão feminina dele e... você é totalmente o oposto. É espontânea, atrevida, nenhum pouco nerd. Acredito que por esse motivo vocês combinam tanto.

Fiquei fascinada com a análise de Morgan, no fim das contas, era um bom ângulo para se olhar. Eu dei um breve sorriso, mas fechei-o em seguida para não me entregar a um profiler.

— Bem, mas se você está decidida a seguir em frente, não irei mais insistir no assunto. Boa viagem, Alexis! Sabe que pode contar com a UAC sempre e comigo também.

— Obrigada, Morgan. Por tudo.

Nós dois nos abraçamos amigavelmente e eu saí do carro, rumo ao meu voo para Nova Iorque. E dessa vez, eu não iria chorar. Aquela viagem trouxe de volta sentimentos e lembranças que tentei enterrar nos últimos dois meses. Teria sido melhor não encontrar Reid, muito menos escutar o que Morgan tinha a dizer sobre. Ouvir que Spencer estava um caco por minha causa não era fácil. Por outro lado, parte de mim sentia-se feliz por ele não ter me superado. Porque eu também não havi o superado ainda. De qualquer maneira, eu não voltaria atrás. Continuaria em Nova Iorque em meu estágio sem Reid.

Eu estava completamente cansada pelo dia agitado que tive e eu só queria tomar um banho para tirar aquela cheiro de prisão que eu sentia impregnado em mim. Minha mãe fez algumas perguntas sobre a viagem, mas como minhas respostas foram vagas, ela resolveu não insistir e me dar espaço. Obrigada, mãe.

Agora já era uma hora da madrugada e eu não conseguia dormir. Eu rolava de um lado para o outro na cama, tentando desligar meus pensamentos que gritavam na minha cabeça. Queria não ter encontrado Spencer hoje. Esse encontro foi a pior coisa que poderia ter me acontecido. Claro que, quando aceitei ajudar a UAC, eu sabia que iria o encontrar de um jeito ou de outro, mas quando o encontro realmente se concretizou, percebi que foi uma péssima ideia. Ah eu quase consegui vir embora sem vê-lo... Que destino traiçoeiro!

Não paro de pensar no que Reid me contou sobre sua mãe, que continua perguntando de mim e me chama de “anjo”. Eu precisava fazer algo a respeito. Gostei muito de Diana e ela também gostou de mim. Não poderia simplesmente abandona-la sem dar explicações, meu problema era com o filho dela. Talvez eu passasse em Las Vegas para visita-la, porém, não sei se seria ir longe demais. Spencer poderia se sentir contrariado e teria razão, afinal, eu estaria visitando a mãe dele sem permissão. Tinha que pensar em outra maneira de entrar em contato com ela sem ir até lá.

Pensando sobre tudo, não percebi quando finalmente adormeci em meio ao turbilhão em minha mente.

Duas e meia da madrugada. Escuto o meu celular vibrando no criado-mudo ao lado da cama com os olhos fechados, despertando aos poucos. Ou será um sonho? Continuei com os olhos fechados, mas a vibração era insistente. Vagarosamente, abri meus olhos, a visão embaçada por estar acordando e estiquei o braço para pegar o celular ao meu lado.

Ainda um pouco desnorteada pelo sono, olhei para a tela que mostrava “número desconhecido” e fiquei preocupada. Um número desconhecido ligando na madrugada não poderia ser boa coisa. Deixei-o tocar mais alguns segundos, analisando se deveria ou não atender. Apertei o “aceitar” e rezei para que fosse engano.

— Alô? — falei com a voz rouca de sono.

— Alexis, abra a porta! — disse a voz masculina no outro lado, muito agitada e familiar.

Demorei um segundo para recordar de quem era:

— Reid, é você? Por que está me ligando de um número desconhecido?

— Sim, sou eu e bloqueei meu número, porque sei que não atenderia se soubesse que era eu. Por favor, abra a porta!

Agora eu já tinha levantado o tronco na cama, sentada e encostada na cabeceira, tentando organizar as ideias: eu tinha acabado de acordar às duas e meia da madrugada e Reid estava me ligando de um número desconhecido pedindo para eu abrir a porta. Abrir a porta? Mas que diabos...

— Abrir que porta, Spencer? Do que você está falando?

— Do seu apartamento! — ela estava impaciente — Ande logo, estou aqui.

Dei um pulo para fora da cama, totalmente incrédula.

— Aqui? Aqui em Nova Iorque? Tipo, aqui a alguns metros de mim?

— Alexis, pare de fazer perguntas e abra logo a porta!

Desliguei o celular e saí em passos rápidos até a porta, porém, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho e acordar minha mãe que dormia no quarto ao lado. Meu deus do céu, que roubada! Acho que Reid realmente perdeu a cabeça... Morgan não estava exagerando!

Girei a chave calmamente para não fazer barulho e abri a porta devagar, saindo do apartamento, e fechando-a atrás de mim com a mesma delicadeza. Spencer deu dois passos para atrás no corredor quando eu saí do apartamento, os cabelos muito bagunçados, a roupa abarrotada e o rosto abatido como se não dormisse há bastante tempo.

— O que está fazendo aqui?! — perguntei num tom baixo, temerosa que minha mãe pudesse acordar mesmo assim — São duas e meia da madrugada, Spencer!

— Eu precisava falar com você. Hoje, quando nos encontramos, não consegui parar de pensar em nós e...

— E daí você veio bater na minha porta em Nova Iorque às duas e meia da madrugada?! — eu o interrompi.

— Sim, exato. — respondeu como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

Apertei o topo do meu nariz entre os olhos com o indicador e o polegar, respirando fundo, meditando e mantendo o controle, até que finalmente falei:

— Reid, você está completamente maluco. Quer começar uma terapia? Posso arranjar um horário para você na minha clínica, lá é muito bom...

— Pare de gracinha! — ele girou os olhos — Nós precisamos conversar.

— Ok, tudo bem. — me dei por vencida — Quer conversar? Então vamos para o elevador de serviço. Minha mãe tem o sono leve como pluma e se escutar qualquer coisa, ela pode acabar indo para meu quarto e eu não estarei lá. Vamos. — falei indicando o caminho para o elevador de serviço.

Entramos nele em silêncio e eu apertei o décimo andar. Quando o elevador ficou entre os dois andares, apertei o botão de travamento que mantém o elevador parado.

Cruzei os braços e me encostei na parede do elevador para manter a maior distância possível dele naquele cubículo.

— Estou ouvindo, pode começar. — fui ríspida.

Ele olhou para baixo, como se procurasse as palavras e, depois voltou a me olhar:

— Não sei o que dizer, eu... eu tinha esse discurso todo preparado, mas agora que estou aqui com você, tudo se perdeu.

— Ok, vamos embora, então. — falei enquanto dirigia minha mão para o botão que destravava o elevador.

Num gesto rápido, Spencer segurou meu braço, impedindo que eu apertasse o botão e permanceu segurando, me olhando para dizer em seguida:

— Por que está na defensiva?!

Sem me desvencilhar de sua mão, me aproximei com a expressão ameaçadora.

— Porque eu estou presa num elevador com meu ex namorado na madrugada. Aliás, como conseguiu passar pelo porteiro?

— Sou um agente do FBI. — ele sorriu maliciosamente — Eu entro em qualquer lugar.

— Claro. — girei os olhos e me soltei de sua mão — Então, agente do FBI, o que quer comigo?

— Não é óbvio? Quero que você volte para a UAC. Para Virginia. E, bem... — ele pausou, colocando a mão na nuca — Para mim.

— E não é óbvio que eu não quero voltar? Para nenhum deles, devo enfatizar. — eu parecia uma criança teimosa respondendo daquela maneira, mas eu estava inquieta com a situação — Eu estou bem aqui em Nova Iorque.

Reid gargalhou, dizendo com sarcasmo:

— Ah eu posso perceber, você só está parecendo uma louca que acabou de ser lobotomizada, totalmente sem vida, mas está bem! — ironizou.

De fato, eu parecia uma morta viva, mas eu não iria deixar barato.

— Eu acabei de acordar, como esperava que eu estivesse?

— Mas hoje à tarde em Quantico você não tinha acabado de acordar e estava péssima igual. — ele encostou-se na parede oposta que eu estava e cruzou os braços com o tipo de arrogância de quem estava certo.

Fechei minhas mãos em um punho ao lado do corpo e soquei para baixo, rebatendo:

— Você também não está dos melhores. Parece que não dorme direito há dias!

— Exatamente, Alexis! — ele se desencostou, aproximando-se de mim que fiquei prensada na parede por não ter para onde correr — E é esse meu ponto: nós estamos miseráveis separados. Por que ficar assim? Me diga olhando nos meus olhos que não pensou em nós nesses dois meses.

Fixei meus olhos nos dele e tentei puxar toda a convicção que podia.

— Eu... não pensei em nós. — minha voz saiu trêmula e insegura, é claro que ele reparou.

Reid abaixou a cabeça, rindo baixinho.

— Você continua uma péssima mentirosa...

Sem perceber, me aproximei dele que ainda me prensava contra a parede, as mãos apoiadas ao lado do meu corpo e falei:

— E você continua irritante!

— Viu? Não mudamos nada... — sorriu, esperançoso.

Ele, então, aproximou seu rosto de mim, deixando que nossas testas se encostassem e, sussurrou:

— E tenho certeza que existe muito mais entre nós que não mudou...

Eu estava ofegante, encarando sua boca que eu não beijava há dois meses e ele ficou ali parado, esperando alguma reação minha. Fiquei inerte.

Spencer diminuiu a distância entre nossos lábios e, antes de me beijar, ele hesitou por um minuto. Eu permanecia imobilizada, afinal, estava num elevador prensada na parede, não havia para onde desviar. E eu não queria.

Por fim, quando nossos lábios se chocaram, o beijo já começou intenso. Uma mistura de saudade, desejo, amor e excitação em um único beijo.

Um beijo voraz acompanhado de carícias fervorosas: ele entrelaçou os dedos em meus cabelos, forçando minha cabeça para mais perto dele enquanto sua outra mão explorava minha cintura por debaixo da camisa de pijama que eu usava; eu, por outro lado, apertava seu braço e, simultaneamente, misturava meus dedos aos seus cabelos bagunçados e embaraçados, puxando-os levemente.

Eu senti a mesma emoção que três meses atrás quando nos beijamos a primeira vez em circunstâncias parecidas: Reid me visitando de madrugada de surpresa.

Vivenciei uma liberação de adrenalina tão forte que percebi um frio em minha barriga pelo nosso beijo. Eu estava completamente entregue à situação.

Estava cada vez mais prensada na parede, sentindo cada centímetro do corpo de Reid encostado no meu, sua mão descendo pela minha coxa e apertando-a, me dando arrepios e eu cravava minha unha em seu braço, respirando de forma intermitente.

Como eu não tenho memória de peixe e, por mais que eu amasse Reid, era impossível desligar meus pensamentos. Logo, me recordei do porquê estávamos nos beijando num elevador em Nova Iorque e parei de beija-lo, empurrando-o delicadamente para o mais longe que o pequeno espaço do elevador permitia.

Eu me encostei na parede que ficava de frente para a porta do elevador e Spencer ficou parado no lado oposto, confuso com minha atitude.

Eu fitava o chão e sentia meus lábios vermelhos pelo beijo interrompido.

— Eu não posso... nós não podemos... — falei, completamente desconexa.

— Como assim? — ele se aproximou e tentou encostar em meu rosto, porém, eu o impedi virando meu rosto para o lado.

Olhei para ele e expliquei:

— Nós não mudamos, mas... também não somos mais os mesmos.

— O que quer dizer, Alexis? — ele parecia confuso e tentava entender verdadeiramente minhas palavras.

— Não posso fingir que nada aconteceu. Nós... — eu pausei, molhando os lábios e procurando as palavras certas — Nós nos machucamos muito. Eu e você...

— Vai negar que ainda existe algo entre nós? — ele me interrompeu — Duvido que não tenha sentido nada com esse beijo.

— Eu senti, claro que senti, Reid. — eu o olhava fixamente, quase perdida em seus olhos castanhos tímidos — E é exatamente esse o problema. Não quero sentir mais. Nós somos destrutivos de uma maneira ou de outra. Nós já desconfiávamos do outro vivendo na mesma cidade, trabalhando no mesmo lugar... Como seria agora que estamos em estados diferentes? Não vai dar certo... Nós vamos nos magoar cada vez mais. — ao terminar, eu já estava com lágrimas acumuladas nos olhos e a voz trêmula. Como era difícil dizer aquelas para meu amor que tinha ido me procurar de madrugada em Nova Iorque!

Incrédulo, Spencer deu dois passos para trás, encostando-se na parede de metal que era a porta do elevador.

— Não pode fazer isso... Não pode simplesmente desistir da gente. — mais uma vez, ele me olhou fixamente — Alexis, eu nunca me senti assim por alguém antes.

— Nem mesmo por Maeve? — perguntei com o olhar suplicante.

— Por que você sempre fala dela?! — seu tom era um pouco irritado.

— Está vendo? Olha como é fácil para a gente começar a discutir... Chega a ser ridículo... — eu dei uma risada triste.

— É isso, então? Vai continuar em Nova Iorque e nunca mais nos veremos?

— É melhor dessa maneira. — respondi com tão pouca convicção que não me surpreenderia se Reid não acreditasse em mim.

Ele deu dois passos para frente, se aproximando, porém, mantendo-se longe o suficiente para que não nos encostássemos.

— Eu sei muitas coisas sobre vários assuntos. Estatísticas, relatos históricos, literatura, ciência... — ele deu de ombros — Mas a única coisa que eu não sei é viver sem você. — dito isso, acreditei que ele pediria mais uma vez para que a gente voltasse — Então, terá que me ensinar, porque, quando eu sair desse elevador, farei como você fez em Quantico: não vou olhar para trás.

Se eu realmente quisesse pôr um fim na gente, eu precisava ignorar sumariamente as pequenas declarações que ele fazia entre suas frases:

— Spence, você ficou dois meses sem mim. Será a mesma coisa de agora em diante... Você vai viver dia após dia, até que vai acordar pela manhã e eu serei apenas uma recordação distante...

— Eu tenho memória fotográfica. E mesmo que eu não tivesse, seria impossível esquecê-la. — ele pausou, desviando o olhar em seguida — Mas se é assim que quer, eu aceito. Afinal, fiz tudo o que pude.

— Eu também fiz, acredite. — apenas respondi isso, no fim das contas, não tinha muito mais o que se dizer.

O silêncio pairou. Ambos tinham medo de encerrar aquela conversa, porque sabíamos que seria a nossa última. Aquilo era um término definitivo.

Então, Reid apertou o botão que liberava o elevador que desceu para o nono andar e abriu-se. Nós não conseguíamos mais nos olhar, era como se fossemos dois estranhos.

Ele deu passagem para que eu passasse e saísse para meu apartamento. Antes que a porta do elevador se fechasse, eu andei em passos lentos até meu andar e virei-me para dar a última olhada para Spencer.

Ele estava com as mãos nos bolsos da calça, pensativo e enigmático, encarando o chão vazio. Apertou algum botão que presumi ser o “térreo” e olhou para mim com o olhar indecifrável.

Enquanto a porta metálica do elevador se fechava, ele disse:

— Adeus, Alexis.

Não me despedi, pois o elevador se fechou e desceu até o térreo.

We won't say our goodbyes you know it's better that way

We won't break, we won't die

It's just a moment of change

All we are, all we are, is everything that's right

All we need, all we need

A lover's alibi

Fiquei tentada a descer pelas escadas, correndo, impedindo que ele fosse e acabasse me esquecendo. Sei que ele jamais me esqueceria em sua mente, pela memória fotográfica, mas com certeza iria se esquecer dos seus sentimentos por mim. Será que eu suportaria isso? Tenho dúvidas se eu mesma posso esquecê-lo, e, se eu não conseguir, terei cometido o maior erro da minha vida. Porém, como minha mãe disse, talvez eu tivesse que desistir de nós para dar uma chance para mim. Eu não sabia do futuro. Não sei o que ele me aguarda. Mas, no momento, Reid não estava nele. Preciso repetir em silêncio para mim mesma que ele foi apenas um caso enquanto eu fiz estágio na UAC, nada mais. E o fato de ele ter me procurado em Nova Iorque foi só uma recaída por ter me visto depois de dois meses. Talvez eu tenha fantasiado em minha mente toda essa história. Talvez eu não o amasse tanto assim e nem ele. Talvez as coisas fossem mais simples do que eu pensava e eu somente coloquei uma mágica em tudo. Eu poderia simplesmente ter sido uma substituta para Maeve. Reid pode nem saber ao certo o que sentia por mim. Bem, pode ser que tudo o que ocorreu entre nós foi um enorme erro, ou muito menos importante do que imaginamos.

Sei que meus pensamentos estão sendo frios e calculistas, mas era a única maneira de facilitar minha aceitação pelo nosso rompimento. Não posso manter a ideia de que fomos feitos um para outro, de que ele sempre teria uma parte de mim, de que nossa história foi única... Eu precisava ser realista, analisar tudo de um novo ângulo e seguir em frente.

Notas finais
Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=intQivxMMcE Vamos todos parabenizar a burrice da Alexis. Obrigada! Hahahaha brincadeiras à parte, espero que tenham gostado desse capítulo sad & dramatic, não me abandonem e deixem suas opiniões sinceras sobre o desenrolar da história, vcs não têm noção do quanto eu me preocupo com minhas leitoras lindas & fiéis ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.