Conflict Love
20 Intervensão....
Notas iniciais
Depois do que aconteceu com Kyouya, fiquei alguns dias sem ir a escola e por causa disso também não tive coragem de encarar o Souji, eu o amo mas menti para ele, o traí e isso é algo que eu mesma não consigo me perdoar quanto mais contar a ele.
Hoje acordei decidida a ir à escola, tomei um banho coloquei o uniforme e tomei café com meus pais que me observavam atentos. Peguei meus pertences, um atestado médico (redigido pela mãe do Souji) e calcei os sapatos quando seguia para a porta ouvi minha mãe pigarreando.
– hum. Filha quando voltar da escola seu pai e eu queremos ter uma conversa seria com você.
– certo mãe. Respondi meio desatenta tinha tanta coisa pra pensar que uma conversa com meus pais já nem me impunha medo.
Fui para a escola e ao chegar notei que todos cochichavam a meu respeito, Souji ainda não havia chegado e a sala estava quase vazia, coloquei meu material em minha carteira e cruzei os braços imaginando por onde começar a contar o que houve a ele quando tive minha visão obstruída.
Aquele perfume, aquelas mãos enormes porém reconfortantes, não havia dúvida, Souji tentava me surpreender, mas estava me sentindo tão culpada que nem percebi quando as lágrimas começaram a escorrer e ele sentindo-as retirou as mão da minha face e se sentou de frente para mim.
– oi, o que aconteceu? Você parece transtornada...
– eu.....Preciso falar com você... Preciso te contar uma...
– você precisa se acalmar, venha vamos sair da escola vou te levar a algum lugar pra se distrair.
Pegamos nossos pertences e saímos da escola, eu tremia dos pés a cabeça e não conseguia conter as lágrimas ele passou o braço em volta da minha cintura e foi me guiando para uma lanchonete próxima da escola, ao chegarmos lá ele pediu um suco para nós esperou que me acalmasse e, por fim, perguntou:
– o que houve pra você estar assim?
Eu decidi contar sem rodeios…
–Você se lembra do Kyouya Ootori? O homem que me perseguia a um tempo atrás?
– é claro fiquei furioso, tentando entender o que ele queria com você, mas o que tem ele?
– você se lembra do fim de semana que combinamos passar juntos?
As lágrimas começaram a se romper novamente.
– sim você me mandou uma mensagem pedindo pra esperar e depois… mandou outra dizendo que não poderia ir por que estava se sentindo mal. e....
– aquele homem me surpreendeu quando estava a caminho da estação para encontrar você, ele foi quem mandou as mensagens para você, ele.... ele abusou de mim me sequestrou e....
– e por que você não me disse nada disso? Por que você se deixou calar? Eu não …. Entendo.
– por que tinha medo da sua reação, por que tinha medo do que ele poderia fazer a mim a você ou a minha mãe que era quem ele queria realmente atingir. Mas agora graças a meu pai ele está pagando pelo que fez.
Souji me olhava descrente.
– e por que você demorou tanto a me contar? Foi por isso que você precisou ficar no hospital todos esses dias ou isso também é mentira?
– eu recebi alta dois dias depois e me pediram para ficar em casa em repouso.
Souji andava de um lado para o outro.
–E o que custava você me avisar? Eu poderia ter feito uma visita ou talvez me enviasse uma mensagem de texto sei lá por que escondeu isso de mim?
– eu não tive coragem de te ver depois disso tudo, eu não.... imaginava se você ainda iria me...
Souji me olhou sério e depois suspirou profundamente.
– está bem eu estou chateado por você não ter me contado, mas eu não deixei de te amar por isso, eu estava preocupado pensei em você todos esses dias e eu queria apenas estar ao seu lado, te abraçar cuidar de você.... enfim, é isso.
Eu fiquei espantada ao ver essa reação por parte do Souji, eu achei que ele me odiaria e se sentiria traído, mas foi ao contrário pareceu aceitar o que houve com uma certa facilidade, ele me abraçou e nos beijamos passamos o resto da tarde juntos.
Ao chegar em casa notei meus pais sentados no sofá de braços cruzados me fitando muito sérios. Fui até meu quarto, guardei meus pertences, troquei de roupa e desci as escadas em direção a sala para ouvir o que eles tinham a dizer. Sentei-me de frente para eles e esperei até que se pronunciassem.
Depois de alguns minutos e muitos olhares trocados minha mãe falou:
– filha, seu pai e eu estivemos conversando e chegamos a conclusão de que desde que você se envolveu com aquele rapaz você tem passado por muitas coisas, então decidimos interferir na sua vida amorosa e escolar.
– como assim mãe?
– bom deixe-me te explicar. Disse meu pai pigarreando. — nós vamos mandá-la para uma escola no Brasil, você vai morar com seus avós maternos que vão te receber de braços abertos e lá você vai frequentar um dos melhores colégios do país.
Eu demorei um pouco a assimilar o que eles disseram mas quando caiu a ficha senti uma revolta se apoderar do meu íntimo.
– não eu não vou. A minha vida tem sido difícil graças aos problemas do passado de vocês, o Souji não tem nada a ver com isso....com vocês, eu o amo eu quero ficar com ele vocês não entendem.
Minha mãe veio em minha direção e me esbofeteou, eu fiquei desnorteada mas quando voltei a realidade tudo o que eu fiz foi correr em direção a porta e sair, meus pais gritavam meu nome e tudo o que eu fazia era correr, estava de shorts e uma camiseta fina entrei no primeiro ônibus que passou e disse ao motorista que estava sem dinheiro e estava sendo perseguida e que precisava chegar até a estação, o motorista acreditou e não questionou. Quando chegamos até a estação expliquei ao segurança que fui perseguida e precisava telefonar, ele me levou até a administração e eu disquei para o celular de Souji, depois de um tempo ele atendeu e eu comecei a falar desesperada.
– socorro, eles querem me mandar para o Brasil eles querem me tirar de você venha me buscar estou na estação…
mas a chamada foi interrompida por minha mãe, que tirou o fone das minhas mãos e o desligou e olhando-me aborrecida me esbofeteou novamente, puxou-me pelo braço e me levou até o carro, chegando lá ela esbravejou:
– você é de menor e quem decide o que fazer da sua vida somos nós.
Ela me empurrou no banco de traz, fechou a porta e voltamos para casa. Ao chegarmos lá Souji nos esperava no portão e eu comecei a gritar por ele dentro do carro, meu pai desceu falou alguma coisa para ele e ele começou a gritar tentando se aproximar do carro, meu pai o segurava enquanto minha mãe me levava pra dentro de casa. Depois meu pai o soltou e fechou o portão impedindo-o de entrar e ele ficou na calçada gritando meu nome até tarde da noite.
Eu o olhava da janela do quarto enquanto minha mãe e meu pai faziam telefonemas, estavam acertando os detalhes para a viagem enquanto Souji e eu sofríamos a separação repentina. Minha m~e veio me avisar que eu partiria na manhã do dia seguinte e que a escola do Brasil já havia recebido minha transferência, escutei aquilo com pesar, não conseguia me conter até que ela deixou o quarto e eu fiquei na janela observando Souji encostado na grade tremendo de frio tentando me ver falar comigo até que....
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