...

-Tch.

A voz grave e irritada passou rente aos seus ouvidos. Como dizer “Mais uma vez!” repetidamente sem um tom de voz agradável, ao contrário, alto e estridente, não cansava o moreno?

Hinata estreitou os olhos com um pouco de curiosidade, também para visualizar a bola de 3 cores vindo diretamente ao ponto mais alto no momento em que saltou. Mais uma vez... Ele errou de novo. Hinata fechou os olhos, ouvindo os passos do levantador com uma aura ameaçadora vindo em sua direção.

O que sentiu primeiro foi a gola de sua camisa sendo puxada. Naquele horário não havia mais ninguém, Tanaka-san arranjou a chave da quadra novamente para eles. Deviam treinar muito, pois o desejo de jogar novamente contra Nekoma era muito grande.

Kageyama estava muito insatisfeito com os resultados dos treinos, por isso eles decidiram treinar até a noite. Hinata estava sempre abrindo os olhos.

-Seu merda, pare de gritar! Eu não sou surdo!

-G-Gomen...-

-PARE DE ABRIR OS OLHOS! VOCÊ NÃO PERCEBEU QUE NÃO FUNCIONA?!

A cada sentença dita Hinata ficava mais murcho e indeciso. Seus olhos embranqueceram, a tremedeira tomou conta das pernas e as mãos de Kageyama o balançando sem dó o faziam ter enjoo.

Kageyama era muito irritante. Seu jeito de fazer as coisas irritava muitas pessoas. O tom de voz, a superioridade no olhar.

Não era à toa que... “Rei do Alto da Quadra”... Era chamado assim.

O moreno soltou a camisa finalmente, notando que o garoto de 1 metro e 62 estava quase mijando. Certo, foi como no primeiro jogo. Kageyama se encontrou massageando a testa.

-Hinata... Pode me dizer por que está tão nervoso? Não confia em mim o suficiente para saltar? -ele ainda mantinha seu olhar agressivo esperando uma resposta razoável.

O alaranjado sentou-se no chão onde deslizavam tênis, despejavam suor e batiam bolas de cortadas e bloqueios poderosos. Passou a mão pelos cabelos revoltos, os olhos castanhos grandes mostrando-se um pouco cansados, o que era novidade.

-Kageyama. Eu preciso acertar essa bola, mas vendo. Eu não sei se posso me considerar um bom jogador se não tiver capacidade de acertar um passe seu dessa forma. -suas mãos apertaram-se sobre os joelhos.

Kageyama foi até a lateral, seus cabelos curtos estavam úmidos por causa do esforço de quase 1 hora ali. Hinata o observou pegar as duas garrafas de água e as toalhas.

O moreno se aproximou com uma expressão nada boa. Devia estar na verdade muito furioso com ele, por dizer tão claramente que não queria depender de Kageyama.

O levantador se sentou, estendendo a toalha e a garrafa.

-Vamos pausar.

O silêncio permaneceu dez segundos antes de Hinata tomar um gole e passar o tecido fofo branco pela nuca e mantê-lo no pescoço, o suor passando devagar. Suas respirações estavam descompassadas e seus músculos rígidos. O choque térmico era um pouco doloroso, mas nada tão problemático.

Kageyama olhou pelas janelas do topo da quadra. Lá fora havia uma ventania iniciando e o som de trovões começou a tomar conta da cidade.

Hinata imediatamente levantou a cabeça, olhando para fora no primeiro estrondo. Ótimo.

-D-DROGA!! -ele se levantou em um salto.

-Idiota, você não vai conseguir voltar pra casa agora. -Kageyama interveio, segurando o pulso do menor.

O meio de rede fechou a cara e retrucou sem pensar duas vezes.

-É mesmo? E onde eu vou dormir então, retardado?!

Kageyama apertou os olhos tanto que Hinata novamente ficou branco. Como ele podia ser tão medroso? O levantador se perguntava constantemente qual seria o problema do baixinho. Ele sempre falando que ia derrota-lo, que ia superá-lo. Nada de bom viria disso.

-Você está mantendo os olhos abertos porque não consegue confiar em mim. É isso, não é?

-N-Não... Como posso dizer... -seu rosto avermelhou, desviando os olhos.

-Seu baixinho de merda, você precisa fazer isso. Não tem maneiras de isso dar certo de outro jeito.

Hinata soltou seu pulso do alcance do outro e virou o rosto, encabulado.

-Não é isso... Exatamente...

Kageyama ergueu uma sobrancelha. “Não?”

-T-Talvez seja porque eu não confio muito mais em mim como antes...

Os olhos castanhos estavam baixos. O tom de voz de Hinata era algo misturado de timidez com sofrimento, algo assim.

-Tá de brincadeira, né?

-É CLARO QUE NÃO, ESTÚPIDO!

O baixinho se levantou repentinamente, a bola de vôlei entre os dedos, apertada com força. Enquanto isso a chuva começou a cair do lado de fora com força. Kageyama resmungou e se levantou, puxando novamente Hinata pelos ombros.

-Diga então claramente. Porque não confia mais em si mesmo.

Ah, os lábios de Hinata se apertaram num milésimo de segundo, mas Kageyama não deixou de ver. Ele tinha a impressão de que o meio de rede poderia chorar agora, pois seus olhos estavam tão brilhantes e seus dentes mordiam os lábios.

Com o olhar desviado para baixo e a sensação das mãos de Kageyama apertando seu uniforme daquele jeito, Hinata escondeu o rosto com a franja, suas bochechas estavam vermelhas e quentes.

-S-Sabe é que eu...

Sua garganta travou um segundo e o menor engoliu em seco. A bola em suas mãos começou a girar lentamente com o movimento automático de seus dedos.

Kageyama apertou seu corpo com um pouco mais de força, seu rosto só parecia estar mais curioso e alheio aos pensamentos de Hinata.

-Você o que? Me ajude a te ajudar, idiota. Eu não vou ficar perdendo meu tempo passando sermão. Isso não funciona com você. -o mais alto sentenciou soltando Hinata e coçando a testa juntando toda a pouca paciência que guardava.

Hinata sorriu de leve, achando engraçada a forma com que Kageyama lidava consigo. Só porque ele era digno de seu passe Kageyama o suportava?

-Anda, anda... Tá vendo esse temporal? Você quer ir pra minha casa? Mas só te levo se prometer que quando chegarmos já vai estar com uma resposta na ponta da língua. -Kageyama ameaçou com um olhar sádico.

Hinata levantou a mão tentando argumentar, mas foi inútil, Kageyama agarrou seu pulso e o arrastou até o canto sem delicadeza nenhuma apenas para agarrar a bolsa e ir para os vestiários.

-Nee... Kageyama, você devia pedir a opinião dos outros antes de dar ordens. Não sou seu capacho ou coisa assim.

-Eu sei disso melhor do que ninguém, laranjinha. Mas você é diferente.

Hinata fez um “Hm?” e resmungou “L-Laranjinha?!” e fitou o moreno de olhos castanhos escuros quase negros um tanto surpreso.

-No que?

-Por mais que eu... Por mais que eu faça o passe perfeitamente, ou por mais que eu erre também, você pede a bola novamente com tanta vontade...

Hinata ficou imerso em interrogações. Como assim?

-Hã??...

Kageyama apertou a camisa do uniforme que trocou nas mãos e manteve o olhar desviado. Sentiu que estava muito perto daquele baixinho também. Perto era pouco para se dizer. Não perto fisicamente apenas. Parecia que tudo estava perto entre eles, próximo.

“Próximo.”

Talvez próximo de uma amizade? Não, não. Companheirismo era suficiente.

“Como assim suficiente?! Não é como se devesse passar disso.” Kageyama coçou a nuca enquanto Hinata ainda o olhava sem entender o que se passava com aquele cara estranho.

Para Hinata, Kageyama deveria apenas ser quem ele queria superar. Mas por que então manter os olhos fechados era tão difícil agora? Não é como se não confiasse no levantador, apenas... Ele não confiava em si mesmo tanto assim agora depois que seu coração começou a... Acelerar tanto quanto recepcionava o passe.

Hinata mentiria dizendo que não gostava de ver a expressão que Kageyama esboçava ao vê-lo cortar perfeitamente seu passe. Ele ficava tão empolgado quanto o próprio Hinata. Só os dois conheciam a ótima sensação de fazer a dupla perfeita! Era ótimo ter um companheiro. Mas ter um amigo por quem seu coração tão idiotamente batia forte... Hinata precisava abrir realmente os olhos.

-Vai ficar aí até quando? -a voz rude de Kageyama chegou a Hinata como um despertador. O ruivo sorriu levemente, tentando mascarar seus pensamentos cada vez mais. Caminhou ao lado do moreno em direção à saída.

O som da chave trancando o ginásio de esportes aconteceu ao mesmo tempo em que Hinata destrancava a bicicleta. A chuva abaixando seus cabelos até que ele olhasse pra trás e visse o levantador abrindo um guarda-chuva xadrez e cobrindo-os, pondo-se ao lado de Hinata.

-Vai ser um pouco difícil não molhar. Então preste atenção. -falou autoritariamente começando a andar de forma lenta.

Hinata abaixou a cabeça. Nada melhor do que uma chuva pra aproximar as pessoas assim. “Que maravilha... Como se já não tivesse muitos problemas agora vou dormir na casa dele. Ah... Mas não é como se alguma coisa estranha fosse acontecer.” Hinata sorriu consigo mesmo concentrando-se no caminho, desviando das poças.

Passado alguns minutos, algumas pequenas colinas sendo atravessadas.

-Ah, Nishinoya-san disse que mora por aqui... Não seria melhor eu perguntar se posso dormir na casa dele? -Hinata perguntou ao maior, lembrando-se do que o senpai falou.

Hinata ficou calado um segundo, vendo a expressão séria de Kageyama. Não era como se ele se importasse.

-Acho que estou te fazendo um favor te levando até minha casa. Você poderia considerar a minha bondade de te OFERECER um lugar pra ficar. -seus olhos afilados apertaram-se bastante, a mão no cabo do guarda-chuva apertou-se também, mostrando-se irritado.

-A-Ah... Gomen. -ele sorriu sem graça, percebendo que deveria passar reto sem pensar duas vezes.

Passaram-se alguns minutos após saírem daquela rua e Hinata sentiu uma irritação no nariz. Abriu os lábios e deu um espirro fraco, coçando com a mão depois.

-Você molhou muito a cabeça... Vai pegar um resfriado se demorarmos mais um pouco.

Hinata resmungou enquanto arrumava a touca da blusa.

-A gente tá chegando?

Kageyama parou de andar, quase fazendo o menor tropeçar e cair numa poça.

-O-OE! Kageyama!!

-Chegamos. -ele estendeu a mão para um portão e abriu-o, destravando. Deu espaço para que Hinata conseguisse entrar e logo após fechar, Kageyama o guiou até uma pequena garagem onde ele pode deixar a bicicleta. Havia uma porta de entrada ao lado.

-Tadaima.

Kageyama tirou os tênis brancos e azuis, deixando-os na porta e avançando sobre as meias pretas. Hinata fez o mesmo com seu allstar amarelo, seguindo-o pela casa.

Como imaginava, a casa do moreno era bem a cara dele. Confortável e arrumada. Mesmo que Kageyama tivesse um quê de desorganizado ele era muito correto se prestasse bastante atenção. Hinata o acompanhou até o meio do corredor de entrada, onde o moreno se virou.

-Espera um pouco aí. -ele voltou-se para frente e deu uma pequena corrida até outro corredor que Hinata conseguia ver do lado esquerdo da sala. Era uma casa do tipo “aberta”, de onde você entrava dava pra ver a cozinha, que era separada apenas por um balcão do lado esquerdo, a sala do lado direito e do lado esquerdo da cozinha a entrada de outro corredor. Lá deviam ficar o banheiro e os quartos.

Quando ele voltou, estava com duas toalhas e umas roupas em mãos. Estendeu-a para o mais baixo olhando para o outro lado, a coloração do rosto um pouco rosada.

-A-Aqui. Eu tenho uma troca de roupa. Acho que deve servir. -falou com um bico. Hinata sorriu largamente, era impossível não achar Kageyama legal depois de seus favores. Era até um pouco estranho olhar pra ele tímido desse jeito, mas até que ele não estava agressivo, isso era bom (ou preocupante).

-Ossu.

O ruivo se concentrou em enxugar a cabeça e o pescoço o melhor possível. Tinha até sentido uns zumbidos no ouvido depois de tomar chuva e sua pele começou a gelar muito. Hinata sabia que aguentava chuvas, era muito resistente. Contudo, aquela chuva estava realmente pesada e os pegaram de surpresa.

-Meus pais estão orando no Templo agora. Acho que dá tempo de preparar o jantar. -ele comentou, entregando as roupas. -O banheiro fica na primeira porta do corredor.

Kageyama tocou-lhe o ombro, impulsionando-o a ir naquela direção e se direcionou pra cozinha, começando a abrir o fogão e os armários.

Hinata deu de ombros. Não haveria nada que ele pudesse argumentar em relação á comida, então resolveu apenas se trocar. Ficou pensando no que Kageyama iria fazer. Eles tinham quase os mesmo gostos para comida, então não tinha problema em deixar nas mãos do moreno, especialmente porque estavam na casa dele.

O banheiro dava uma impressão de limpeza muito incomum. Hinata olhou-se num espelho de corpo inteiro e riu leve, estava parecendo um selvagem. Estava todo suado e molhado, além de parecer muito cansado. Era pra ele tomar banho? Não ouviu Kageyama falar que podia ou não.

Sem pensar muito, apenas tirou as vestes e depositou as roupas em cima de um suporte e colocou as toalhas nos ganchos. Adentrou o box e fitou uma banheira longa e ao lado um chuveiro.

-Chuveiro... Senão vai demorar muito. -resmungou quase tentado a abusar de sua presença na casa e entrar na banheira.

Os esguichos saíram fortes e tão deliciosamente quentes que Hinata não conseguiu não suspirar no mesmo segundo. Tomar um banho depois de um treino daqueles era quase como o Céu. Suas mãos levantaram-se, esfregando-se para ajudar o corpo a se acostumar com a temperatura e seu cabelo abaixou-se todo. A quantidade de água o fazia quase não querer sair dali.

Abriu os olhos, avistando um sabonete e alcançando-o. Iria ser bem rápido o banho e ele iria jantar.

“Só espero que o Kageyama cozinhe bem.” Hinata corrigiu sua índole pensando que estava abusando demais e querendo demais. Além de tudo... Estar sozinho com o levantador, na casa dele... Hinata sentiu suas bochechas corarem. Era muita loucura não é?

-Ele disse pra eu ter uma resposta. Ele vai me cobrar, merda! -Hinata *gota*.

“Que tipo de resposta justifica isso?” Sua mente formulava as mais variadas respostas, mas com certeza ele ficou uns 20 minutos ali sem saber o que dizer depois.

Quando ouviu os toques na porta, Hinata congelou, fechando o chuveiro rapidamente e começando a se enxugar como um louco.

-O que está fazendo, aí? Desmaiou?

-D-Desculpa! Eu já tô saindo. -falou para o moreno, sentindo-se muito estranho enquanto punha a roupa sem pensar.

-Ei, olhe direito, não sei se vai servir a roupa.

Hinata piscou, parando e se olhando no espelho. Sua cara ficou estranha. Aquela blusa era tão enorme... Era um branco meio bege, e a bermuda parava no meio de suas panturrilhas (a batata da perna).

-Acho que a blusa serve de vestido, Kageyama... Ahahaha...

-Espera aí então que eu já volto com alguma coisa menor.

Hinata resmungou, falando que ele era menor o caramba e começou a tirar a bermuda que quase caía.

Não demorou dois segundos, o toque na porta o levou a abri-la inteiramente. Kageyama o olhou de cima a baixo, estendendo uma vestimenta.

-O-Obrigado. -Hinata falou envergonhado com o olhar esquisito do moreno, abrindo o que ele trouxe.

Era um short com duas listras brancas dos lados. Short?

-Short?

-Achei que serviria. Coloca logo, deixa as toalhas aí no cesto e venha comer. -Kageyama deu meia volta, a comida o esperava.

“FOMINHA, FOMINHA, ISSO É O QUE VOCÊ É!” Hinata colocou a peça dando uma última olhada no espelho. Ah, que mau costume. Ainda por cima, aquele negócio estava tão curto que Hinata quase gritou. Suas coxas estavam aparecendo totalmente, isso não era legal.

-Só me parece que ele quer me fazer ficar ainda mais estranho... -Hinata resmungou, deixando as toalhas como Kageyama instruiu e saiu do local cheio de vapor.

O cheiro impregnado na casa com aquele ótimo cheiro o fez salivar. A fome estava o matando. Depois do treino eles precisam tomar banho e comer muito. As energias gastas eram muitas e eles ficavam tão exaustos que poderiam comer um boi.

Hinata avançou silenciosamente, onde Kageyama mexia no fogo de costas.

-E aí? O que tem pra comer?

Kageyama se levantou, olhando para o meio de rede. Em seguida, depois de piscar, virou a cara e apontou o armário.

-Pegue os pratos, pirralho. É tamagoyaki e arroz branco ao molho misso com vegetais cozidos e carne em cubos.

Hinata vibrou olhando os preparos na mesa no meio da sala. Seu estômago roncou.

-AHH! Kageyama você é quase um deus pra mim agora! -se virou na maior felicidade pegando os pratos onde o maior apontou e arrumando-os na mesa baixa.

Kageyama ainda na cozinha pegou os hashis descartáveis numa gaveta e fitou o ruivo na sala, de costas e inclinado. Seu rosto avermelhou muito, o short marcando as nádegas gordinhas do ruivo, Kageyama sentiu uma sensação esquisita e desviou os olhos. Mas não conseguiu se conter e continuou olhando até que o menor se colocasse de pé e olhasse pra ele.

-O que foi, Kageyama?

-Nada, estava pegando os hashis. -ele adiantou-se até a sala e sentou-se, servindo o menor que se sentou à sua frente.

-Uhn, tá com um cheiro delicioso. Não sabia que você sabia cozinhar. -Hinata comentou beliscando um pedaço de carne. -UAHH! Espero que eu possa repetir!

-Pare de ser tão fominha, idiota! -mas um sorriso cruzou seus lábios finos e pálidos. Era bom ouvir elogios assim.

Hinata agradeceu junto com Kageyama e devoraram tudo quanto conseguiram. Aquela refeição se passou sem nenhum estranhamento, apenas satisfazendo seus estômagos vazios. Hinata bebericou de um suco de uva e agradeceu novamente.

-Ah, estava tão bom. Me chame pra vir mais vezes, Kageyama... -falou sem mas, acariciando sua barriga. Kageyama também pousou os hashis e limpou a boca, completamente cheio.

-Não vá se convidando assim, Hinata. Mas então... Não vai me dizer o porquê daquilo hein?

Hinata abriu a boca, percebendo que vacilou totalmente em pensar em algo produtivo. Kageyama não iria gostar nada do que ouviria, mas sem nenhum jeito de escapar, Hinata apenas conseguiu encarar o maior.

-Sinceramente, desde o caminho de lá até aqui... Não consegui entender. Eu não sei.

-Não... Sabe? -a sobrancelha do moreno se irritou.

-AH, mas sabe... Eu acho que só estava com medo de levar uma bolada na cara. Hahaha... -coçou a nuca sem conseguir olhar o maior.

Tudo o que o meio de rede ouviu foi um suspiro.

-Se amanhã no treino você errar de novo eu vou te dar uma surra. -avisou bebendo de seu copo.

-T-TÁ!

Kageyama entreabriu os olhos vendo a expressão de alívio de Hinata. Kageyama resmungou em sua mente, ele dava tanto medo assim?

-Eu tô cansado. Você quer ir dormir agora ou quer assistir tv, alguma coisa assim?

Hinata respirou, levantando-se com a louça suja, levando-a até a cozinha.

-Eu não me importo de ir dormir agora... Já são 9 da noite. -Hinata sorriu meio sem jeito.

Kageyama foi até seu lado, colocando o restante dos pratos na pia. E bufando na direção dela.

-Vou te mostrar o quarto. Venha.

Hinata o seguiu, notando como o ar e o chão da casa estava aquecido. As costas de Kageyama se mexiam levemente, costas largas.

A franja de seu cabelo negro muito curto moveu-se ao virar a maçaneta e entrar, dando espaço.

-Fica à vontade. Tenho um futon sobrando. -entrou após o corpo do menor passar. Seus olhos desceram até encontrar aquela bunda de novo. “Droga! Tem alguma coisa errada comigo!”

-Oh! Que quarto legal! -o baixinho entrou rodando os braços, como uma criança.

-Não bagunce. -Kageyama foi até um armário, erguendo-se na ponta dos pés e pegando um futon enrolado. Depois jogou-o para o menor e abriu o guarda-roupa e pegou uma coberta branca.

-Posso colocar do lado do seu? -Hinata riu travesso.

-Tanto faz.

Os dois arrumaram o melhor possível, Hinata sempre comentando os itens no quarto. Kageyama reclamou inúmeras vezes, mas estava meio feliz por ter levado aquele baixinho pra sua casa.

-Eu vou dar um jeito naquela louça e já volto. -falou arrumando a blusa.

Hinata manteve-se sentado assistindo. Kageyama trocou o uniforme preto do time Karasuno por uma blusa parecida com a que estava usando e uma bermuda curta cinza. Os olhos castanhos pararam em sua figura.

-O que?

-Ah, quer ajuda?

Kageyama balançou a mão em negativa. E saiu do quarto, prestes a voltar bem rápido. Dois pratos e dois copos, nada demais. Hinata ficou de pé nesse tempo só olhando com curiosidade algumas coisas que Kageyama tinha como bolas autografadas e uniformes de times estaduais e do nacional.

Quando voltou, Hinata estava de costas. Kageyama apertou os olhos, mordendo os lábios. Não era possível de nenhuma forma que ele pudesse estar tão interessado no idiota!

-AH, você voltou. Gostei da sua coleção. -Hinata sorriu, sentando-se novamente abraçado ao travesseiro.

-Não é bem isso. -Kageyama sentou-se em seu futon.

-Uhm. Tudo bem... Você tá com sono né? Vamos dormir então. Além disso eu já liguei pra casa dizendo que vou dormir na casa de um amigo.

Kageyama manteve-se impassível, mas em sua mente o que não ocorria? Aquele pirralho já o considerava assim. Isso irritava. Seus olhos se fecharam e ele se levantou.

-Ainda bem que me entende. Deite aí que vou apagar a luz. -avisou já com o dedo no interruptor.

Logo os dois estavam bem ajeitados em suas camas, um tanto quanto perto. Não foi uma boa ideia colocar os futons um do lado do outro.

Kageyama conseguia ouvir a respiração do outro. E Hinata sentia o calor e o cheiro do levantador.

O maior foi deixando que o sono o embalasse pouco a pouco, até que sentiu uma movimentação do menor e quase de forma cômica, Hinata quase deitou em cima de seu corpo.

-AH!! -Kageyama arregalou os olhos, a cabeça do ruivo em seu peito e os braços ao lado de seu corpo. -H-Hinata?

O menor roncou um pouco parecendo estar dormindo pesado. Kageyama sentiu uma veia saltar de sua testa ao mesmo tempo que sentiu o quadril de Hinata rente ao seu, roçando.

O moreno mesmo naquela luz fraca que entrava pela janela e separado pelas camadas de roupas pode sentir o corpo do ruivo tocar o seu. Kageyama apertou os lábios, sentindo uma sensação flutuante em ter um corpo tão macio encostado ao seu.

Os braços do maior pousaram nas costas de Hinata, mas é claro que ele não conseguiria dormir.

“Isso é péssimo. Péssimo!” Pensou ao sentir as coxas de Hinata esfregarem pra cima, dobrando-se em seu corpo. As mãos começando a abraçá-lo.

Kageyama tentou não fazer nada, mas logo um suspiro escapou sua boca, completamente nervoso e se excitando com o membro do menor junto ao seu.

-H-Hinata... Hinata. -chamou, balançando seus ombros.

O menor resmungou e abriu um olho.

-Hinata, seu merda!

O ruivo abriu o outro, sentindo com a consciência mais acordada o cheiro do maior envolvendo sua cabeça. “Que cheiro bom...” sua mãos pousaram no peito do maior, que quase deu um chiado e jogou o menor do outro lado do quarto, mas não fez.

-Hm... -Kageyama dobrou as pernas, Hinata por cima de sua barriga.

-K-Kageya-... -Hinata abriu a boca, vendo-se naquela posição constrangedora, seu rosto esquentou, vendo Kageyama daquele jeito, parecendo assustado e com a cara mais vermelha que tomate.

Hinata tentou se afastar, pedindo inúmeras desculpas, mas o moreno o puxou.

-Já deu. -resmungou, tocando a nuca do meio de rede e aproximando sua cabeça meio violento.

-Hn-Kage-!...

Hinata fechou os olhos no mesmo instante que os lábios tocaram-se com força.

Kageyama abriu-os, beijando-o com vontade. Seu interior pegando fogo, sua língua tocou a pele macia dos lábios de Hinata, chupando-os. O músculo endureceu-se, avançando ao interior da boca indefesa do ruivo, suas bocas inexperientes trocando as massagens das línguas e chupando-se desajeitados.

As mãos de Hinata pararam em seu pescoço e enlouqueceram, acariciando os fios negros sem nenhum controle, apertando-os e o forçando contra si cada toque. A mente estava longe, tudo o que sabia era que seu corpo tão desejo necessitava daquilo mais que outra coisa. Seu coração dolorido começou a doer tanto que chegava a ser ótimo e delirante. Seus dedos da mão direita apertaram-se nas costas de Kageyama, a esquerda segurando a face do moreno descontrolado, beijando-o sem parar.

Kageyama, puxava o corpo de Hinata para mais perto, sua língua buscando a dele e entrelaçando-as dentro e fora da boca, devorando-o. Sua mão esquerda encheu-se com uma nádega do menor.

-H-Hn!! -Hinata gemeu entre seus lábios, mordendo-lhe o lábio inferior sem querer.

O moreno mal teve tempo pra reagir ao som, descendo dos lábios e pondo seu rosto na curva do pescoço, inspirando o cheiro de banho tomado. Seus lábios provocaram, seus dentes mordiscando a pele arrepiada, subindo até a orelha e beijando-a, lambendo-a.

O garoto apertou os olhos, totalmente incerto sobre as novas sensações, Hinata apertou os dedos fortemente na camisa do maior. Seu coração pulava, estava tímido em suas ações.

“É tudo tão repentino...” Apertou as pálpebras soltando um gemido baixo ao sentir a boca de Kageyama morder o lóbulo de sua orelha.

O moreno parou o que fazia uns instantes, acreditando que talvez Hinata estivesse confuso sobre aquilo e, ele mais do que ninguém, não queria obrigar a nada. Kageyama suspirou discretamente ao ter em seu campo de visão a face mais fofa de sua vida... De olhos meio abertos, as bochechas vermelhas e a boca avermelhada pelos beijos fortes, o nó do dedo indicador sobre o lábio de forma inocente, tentando conter os sons. Kageyama desceu as mãos pelo ombro de Hinata e segurou o ar antes de falar tão baixo que seu tom assustou a si próprio.

-Desculpa. -Kageyama se virou para o lado devagar, tocando os próprios braços como quem parecia com frio.

Hinata olhou para baixo, pensando as loucuras mais doidas que ele teria se agarrado se Kageyama não tivesse parado. Em suas orbes castanhas apareceu uma pequena realização. De primeiro seu rosto esquentou muito e suas cordas vocais perderam a habilidade de produzir sons, tudo em um pequeno instante, mas o menino engoliu em seco, tomando coragem.

-Mas você ficou assim... Foi bom.

O moreno sentiu-se eriçar dos pés a cabeça. O timbre tão agudo da voz de Hinata passou para uma melodia calma e suave que tocou os ouvidos de Kageyama com uma doçura incomparável. Ele ouviu os sons. Ele ouviu os suspiros. Desejava sentir mais do que já estava sentindo, a excitação castigando todo seu corpo, marcado pelas sensações, seus pelos eriçados e sua mente latejando, seu membro rígido, suas coxas tremendo, sua temperatura alcançando as orelhas e as queimando. Chegar ao ápice. Era seu desejo. Com Hinata.

O moreno apertou os olhos, rangendo os dentes, irritado por não ter coragem de seguir em frente. Hinata não ia dar continuação. E o levantador estava tão travado que nem falar direito ele estava conseguindo. Formular uma frase para se justificar não estava em sua mente agora. Em suas recentes memórias só tinha os sons de Hinata e a sensação de sua pele.

Kageyama colocou a mão no rosto, mostrando estar envergonhado.

Hinata se aproximou um pouquinho até tocar o ombro de Kageyama. Era loucura, mas ele sentia que se não fizesse, ele ia se arrepender e o maior dificilmente entraria em sincronia com ele. Se alguma mudasse, ele esperava que fosse apenas a relação entre eles fora da quadra. Tirando isso, ele aceitaria ser o que Kageyama quisesse.

O mais alto sentiu as mãos pequenas e quentes tocarem suas duas faces e puxá-las para seu lado, seus olhos meio abertos e brilhantes hipnotizadores. Os lábios de Hinata tocaram os do moreno com lentidão, a saliva, devagar, tomando a superfície da carne macia. As bocas iam se entreabrindo com um ritmo confortável até poderem tomar ar e suas línguas encontrarem-se. Os lábios novamente se fecharam, continuando o beijo silencioso e envolvente com suspiros baixos e braços sobre nucas. Hinata impulsionou seu quadril, ficando de joelhos, para beijar Kageyama de cima, sua mente explodindo com o doce sentimento que invadia sua boca e percorria todo seu corpo causando tremor.

As mãos do maior tocaram sua cintura, descendo e subindo os dedos. Os olhos tão fechados que parecia-lhe um pecado fazer aquilo. Mas suas mãos apenas continuaram, acariciando o quadril coberto pelo short, descendo até as coxas. Firmes e grossas, mas macias... Apertou-as, apreciando cada pedaço de carne do jogador. Na pele ardente das coxas formaram-se leves marcas de mão, que apertavam cada centímetro com vontade enquanto aquele beijo se tornava algo erótico e tão indecente que lhes escorria a saliva pelo queixo.

-Kageyama. -Hinata chamou-o ao separar as bocas com um movimento repentino, a saliva em uma fina linha grudando suas bocas, se separando no ar.

O ruivo sentou-se, completamente envergonhado. Era homem, mas era tão despreocupado com essas coisas românticas. Ele sempre esteve tão preocupado com seu desempenho em quadra que sua vida amorosa foi esquecida completamente. Nos olhos de Kageyama ele via um desejo que ele mesmo não poderia negar.

Hinata respirou fundo, tocando o peito de Kageyama com a mão esquerda e a direita tocou o quadril, deslizando para a virilha com destreza.

-H-Hi-... -Kageyama ainda tentou pará-lo, mas o ruivinho, mesmo sentindo-se incapaz de alguma coisa ainda continuou.

Hinata tocou-o, com cuidado, e o pressionou, fazendo Kageyama dar um som estranho pelos lábios, como um ofego inesperado. O mais alto segurou o pulso de Hinata.

-N-Não. É melhor não.

Hinata apertou os lábios. Ele não gostaria de se expor mais que isso, mas ele mesmo estava tão excitado quanto o companheiro. Sua mão ainda se moveu, sua outra mão empurrou Kageyama apenas para entender que devia ceder.

-Tudo bem.

A bermuda que Kageyama usava rapidamente foi abaixada, junto com a peça íntima, e Hinata o tocou sem pensar duas vezes, segurando o membro na mão com seus nervos saltando de tensão. O falo grosso e rígido latejava em seus dedos. A glande inchada para o alto. Nada fugiu aos olhos castanhos de Hinata e o deslizou nos dedos.

-Ahn! -Kageyama colocou a mão na boca, seu rosto queimando.

Hinata apertou-o levemente, começando um movimento rítmico de vai e vem. Eram muito inexperientes... Mas para tudo se tem uma primeira vez e nela Hinata não queria ser um fracasso. Seu polegar apertou a glande, massageando-o, os dedos aumentando a velocidade e o fazendo endurecer até estar completamente ereto.

-Hun...

Hinata olhou finalmente ganhando coragem pra encarar Kageyama. O mais alto apertava as mãos contra o futon de forma assustadora, os dentes mordendo os lábios e sua expressão completamente enevoada.

-P-Para... Senão eu...

Hinata agachou-se, assustando o levantador. Se não fizesse, ia se martirizar. Hinata queria muito e já fazia tempo que vinha sendo torturado por sua mente insana que pregava peças enquanto o levantador tomava banho no vestiário ao seu lado, ou durante a noite com sonhos maldosos. Hinata poderia chamar até de estupro. Mas Kageyama não se opunha o suficiente.

Hinata passou a língua pelos lábios, molhando-a bem, seu rosto não visível ao rapaz corado. Sua mão trouxe o membro na direção e seus lábios envolveram a glande. Os ouvidos de Hinata captaram um doce som.

-Ah!... Hinata...

O gosto e o cheiro da parte íntima rente às suas narinas. O cheiro sexual e intenso... Era masculino apesar de tudo e Hinata não se importou. Ele se atraiu pelo cheiro e pelo gosto. Por tudo.

Seus lábios foram se abrindo e a saliva inevitavelmente começou a escorrer, tomando toda a pele. Fechou os olhos e tomou um tempo, sugando tudo de volta. No mesmo instante as mãos de Kageyama seguraram seus cabelos revoltos.

-AHN!-

Kageyama revirou os olhos, fechando-os. A boca tão pequena e calma, forçou seu prazer para fora com tanta violência que foi impossível segurar o gemido.

Hinata sentiu o pré-gozo contra sua língua, passando o músculo devagar pelo buraquinho e chupando-o brevemente. Com os hormônios acesos, Kageyama deixou-se levar, deitando-se.

Hinata com a mão livre acariciava as coxas do maior, apertando-as como o moreno fez consigo, mas direcionando cada agarrão para mais perto da virilha, até seus dedos tocarem o saco e o acariciar na mão, puxando-o nos dedos ao tempo que sua boca fazia um lento vai e vem e chupava-o dentro da boca para mais perto de sua garganta.

-H-Hm! Hi-nata... Ahn...

Kageyama mal se reconhecia. Aquele toque tão íntimo e enlouquecedor o fez sair da linha, sua mente tão abastecida de pensamentos impuros que mal se reconhecia naquele ser que se entregava tão facilmente. Somente Hinata para fazer com que tal coisa acontecesse dessa forma... Ele com aqueles lábios espertos e olhos grandes, aquela bunda redonda e macia... Ele não tinha como resistir a tais estímulos.

Hinata parou, tossindo um pouco. Os lábios secos.

-Não é tão fácil como achei que seria... -falou baixo, molhando os lábios novamente.

Kageyama sentiu seu corpo reagir com aquilo. Suas mãos levantaram, agarrando os pulsos do menor e o empurrando no futon de cabeça pra baixo.

-Você só pode estar muito louco...

Hinata piscou os olhos, as pernas abertas. O volume que via em Kageyama e em si mesmo dali o convencia. Não estava suportando aquele ardor entre as pernas. Estava quase gemendo ao ar livre sem nenhum toque. Apenas a visão já o deixava excitado.

-Não... Eu só quero continuar. Então... -ele o fitou com olhos sensuais e gordos. Kageyama apertou os lábios e tocou a barra do short. Tinha ficado realmente uma gracinha nele, mas aquela peça já não tinha nenhuma necessidade.

Kageyama arrancou a blusa do corpo do mais baixo e retirou a sua própria, permanecendo de bermuda. Sua mão tocou o membro bem desperto de Hinata, instigando-o até o garoto gemer e fechar os olhos, remexendo-se contra ele para receber mais das carícias. Menor, macio e livre de pelos, Kageyama apertou-o com vontade nos movimentos, sentindo entre os dedos a maciez do membro durinho, como em sua imaginação.

-Kageyamaaa... -falou em um tom meloso, colocando as mãos em seu peito como tentasse se conter.

A sensação quente, surreal, chegou ao baixo ventre de Hinata como um rápido soco, em forma de uma mão o apertando e fazendo a masturbação com maestria e um ritmo incansável.

-H-HMM! -Hinata apertou as coxas tanto que Kageyama teve que segurar uma delas.

O menor não pode suportar tanto tempo e liberou o orgasmo. O tamanho do ápice alcançou das mãos ao rosto de Kageyama, com os olhos apertados. Uma gota desceu ao lado de sua boca, estendendo o lábio e tomando-o com uma lambida lenta e sensual.

Hinata respirava arfante, ainda mais teso com a visão do maior lambendo seu gozo do próprio rosto. Quanto mais para poder estar completamente satisfeito? Quanto mais para Kageyama demonstrar tudo o que sentia com ele?

O maior tocou abaixo dos testículos esbranquiçados com os dedos, gentilmente para não assustar Hinata. Na entrada enrugada apertou um dos dedos, forçando-o mais do que gostaria.

As pernas do ruivo dobraram, ele mordia os lábios, incomodado com a dor que começou a traspassar tudo o que tinha sentido até agora. Cada leve movimento trazia uma ardência incomoda que criava uma linha de dor agonizante passando todos seus nervos.

Hinata afastou as pernas, colocando as mãos no pescoço de Kageyama e puxando-o até estar com a boca grudada a orelha do maior.

-No fundo... Rápido... -a voz falha fez a pele do maior se arrepiar, injetando o dedo até o fundo, tocando em um ponto desconhecido. -A-Ahhn...

Kageyama beijou o rosto de Hinata, acariciando os cabelos alaranjados e penetrando-o com o dedo, buscando sempre o ponto. A textura em volta do canal na parte interna acariciava seu dedo com brutalidade, esfregando-o. Hinata começou a expressar sua dor, o que era uma coisa muito ruim.

-Hinata. -Kageyama parou, acariciando o rosto do menor. Estava insuportável, não dava para esperar muito mais.

Kageyama tomou o membro de Hinata e iniciou mais uma vez os movimentos, o menor se contorceu, sentindo o corpo de Kageyama se afastar e a respiração ir se aproximando do meio de suas pernas.

-K-Kageyama? A-AW! -Hinata entrepôs os dedos na frente dos lábios, arqueando todo o corpo quando seu rosto avermelhou até o ponto máximo, os lábios tocando sua maior intimidade.

Hinata arregalou os olhos, mal acreditando que o levantador estava mesmo levando tudo tão à sério. Kageyama poderia muito bem ficar só os dedos... Mas ele quis diminuir a intensidade da dor.

Hinata virou o rosto, sua respiração quente tomando forma de vapor com o choque na temperatura fria que começava a se formar no quarto. A boca de Kageyama se abriu na área, lambendo-o toda a fenda de cima a baixo, os dedos da mão livre abrindo as nádegas levemente arqueadas. A língua endurecida tocou e pressionou o ânus cada vez mais enrugado, de forma involuntária da parte de Hinata, até adentrá-lo onde pudesse, deixando a saliva escorrer e tomar cada parte possível.

Hinata tocou os cabelos negros. “Macios...” e acariciava-os apreciando os toques íntimos e maravilhosos que o faziam despertar outra vez mais forte. Hinata pode ver a forma como Kageyama se empenhava em terminar tudo rápido, estando em seu limite.

Hinata segurou o rosto do moreno e o puxou, fazendo-o parar. Naquela hora seu rosto ficou expressivo e um tanto choroso. Pelo menos foi o que pareceu pra Kageyama.

-A-Agora... Agora... -seus dedos tocando tão deliciosamente as bochechas quentes fizeram Kageyama fechar os olhos apenas para senti-los. Estava adorando aqueles toques gentis do menor... Como alguém com uma mão tão certeira pra um corte conseguia ter uma mão tão macia e suave como o baixinho?... Tão maravilhoso...

“Eu posso me perder...” Kageyama agindo sem consciência segurou as mãos e as beijou. Beijou inúmeras vezes, subindo pelos braços, tocando fortes os dentes nos ombros e chupando o pescoço incansavelmente. Sua boca travou nos lábios já cansados de Hinata e os lamberam, excitado e descontrolado mais do que nunca.

-Estou apaixonado... Por você, Shoyou... -sua voz tocou a boca de Hinata e os lábios grudaram-se quando o maior colocou os braços no quadril de Hinata e o puseram em seu colo, direcionando a ereção e o forçando o melhor que podia.

O ruivo apertou ainda mais os beijos. As lágrimas saíram na hora, seu rosto ficou ainda mais enrugado e seus dedos agarraram os fios negros curtos e o pescoço, puxando-o e movendo o quadril para descer mais fácil.

-T-Tá apertado... -Hinata reclamou ainda na boca do maior, sem parar os beijos.

-Eu sei... Hn... -Kageyama o respondeu, o suor já cobrindo seu corpo e seus dedos deslizando da pele também escorregadia do menor. Seu autocontrole nos ares e sua excitação no auge com aquele músculo esmagador cobrindo toda sua extensão até o fundo em uma parede deliciosa e extasiante.

-H-Hinata...

-H-Hm?

-Eu realmente sou uma pessoa confiável...? Q-Quer dizer... Você realmente confia em mim?

O ruivo sorriu sem graça. “Ele ainda está pensando isso?”

-Claro. Eu não menti em hora nenhuma... Hn! -respondeu ao sentir uma onda de dor nos órgãos internos.

Kageyama sorriu com os lábios, mais confiante agora. Ele sempre se martirizava, mesmo quando Hinata dizia que não era esse o problema. Seus medos do passado no fundamental não haviam ido embora completamente. Mas com Hinata ele sentia que poderia esperar sempre o melhor e a verdade. Aquele baixinho era incapaz de mentir.

-Obrigado.

O corpo pequeno de Hinata praticamente deu um pinote quando Kageyama o impulsionou pra baixo, penetrando-o todo.

-AHH!!!

Kageyama pode ver as lágrimas de completa agonia do menor caindo do queixo e sentiu na pele o afundar agressivo das unhas, marcando-o em vermelho. O maior não desistiu ainda, deitando-o no futon novamente e movendo o quadril levemente.

-UGH! N-Não... Kageya-...

O mais alto segurou-lhe a mão, puxando-o até que o braço envolvesse seu pescoço. E abraçou o corpo de Hinata com um braço, usando o outro como apoio. Afastando as pernas e movendo-se mais pra trás e adentrando Hinata com força, o fez abrir a boca e usar a mão livre para segurar as costas do maior.

-T-Tob... Ahn... HAA!

Kageyama continuou seguidamente. Suas investidas longas e fortes tocando o ponto máximo e a ardente relação dando força em suas pernas, seu membro enrijecido esmagado e movimentado, o canal seco o matava de tesão.

-Hn-nn... S-Shoyou... -Kageyama não resistiu muito mais, gozando em poucos segundos.

O menor respirou forte, parecendo sentir claramente o líquido preenchendo seu interior sem cuidado e quente. O suor castigava os sentidos dos dois. Kageyama ainda beijou Hinata alguns segundos, tocando-lhe o membro.

-H-aa... C-Continua... -sua voz saiu fina contra o ar gelado. Kageyama mal tinha se recuperado, seu membro foi apertado com uma contração do ruivo, fazendo-o gemer alto novamente. Seu pênis endureceu quase no mesmo momento e seu quadril automaticamente se movimentou.

Sentindo facilidade, o gozo que tinha liberado formava uma consistência grudenta e deslizante que fez finalmente a expressão de Hinata se transformar num anjo.

-To... Tobio... Ahh...

Cada estocada uma sílaba pairava e o nome de Kageyama soava tão gentil e doce... O moreno não teve tempo para se importar com cansaço ou prazer próprio. Ouvir Hinata uma vez após a outra o fazia ficar cada vez mais sedento e depois de poucos minutos eles ficaram sincronizados perfeitamente. Não teve problema ou dor. Havia o grande incômodo, mas o prazer alcançado sempre valia mais a pena.

-A-Ahh!!

Quando Hinata soltou os ombros de Kageyama, completamente exausto, caiu no futon arfando alto e fora de ritmo, seus lábios claramente maltratados após tantas chupadas e mordidas, o peito arqueando e o suor fazendo todo seu corpo brilhar e seu cabelo cobrir sua face. Os braços jogados dos lados do corpo. Havia marcas por todo o lado. Vermelhas e roxas, pequenas mordidas ou fortes chupões... Kageyama não soube como tinha feito aquilo.

A visão inteira de Hinata era realmente algo que não imaginava. Lindo. De verdade. Kageyama passou os dedos nos fios de cabelo negros, por um momento passando toda a franja desarrumada pra trás. Estava tão cansado... Suas pernas doíam e as dobras de seu corpo tremiam e suavam.

Seu corpo deslizou devagar pra cima do menor novamente, deitando-se um pouco de lado. Suas mãos tocaram o rosto de Hinata um instante. Os olhos gordos e castanhos o fitaram com muito sono.

-Foi... Delicioso... -falou com os olhos fixos em algum ponto que não fosse o maior, suas mãos separando-os, pousadas no tórax do levantador.

Kageyama pousou a cabeça de Hinata no travesseiro e puxou uma das cobertas fora do lugar para cima de seus corpos arrepiados. Os futons tinham quase subido um em cima do outro, estava tudo uma bagunça. O maior riu em pensamento, voltando-se para o pequeno e apoiando-se pelo braço do outro lado de Hinata, inclinando por cima do corpo do ruivo. Seu rosto tocou-o, os narizes roçando e Kageyama segurou a face chorosa.

-Eu também achei. Desculpe se fui rude em alguma parte... -Kageyama fechou os olhos, beijando-o superficialmente e afastando-se para o lado.

Hinata piscou algumas vezes, virando-se para o maior e dando-se liberdade para abraçar sua cintura, pondo a cabeça no peito aconchegante do companheiro.

-Seus pais não chegaram ainda?... -perguntou com um sorriso e de olhos fechados, já sentindo o sono o levar.

Kageyama manteve os olhos fechados também. Apertou o corpo do menor contra o seu e resmungou.

-Não importa. Apenas durma.

A temperatura começou a baixar mais, deixando o quarto ainda mais envolvido e os dois corpos dos colegiais mais apertados. A hora estava passando rápido e logo outros problemas teriam que ser resolvidos.

O que realmente importava era que naquele momento aconteceu algo mais forte do que uma relação de companheirismo ou amizade.

Estando ligados dessa forma era mais uma garantia para que suas conexões se mantivessem mais fortes e mais unidas.

As mentes adormeceram com o fator de fidelidade abraçando-as em um sono longo num silêncio confortante.

Fim

Notas finais
Como essa categoria é nova nem deve ter muitos leitores... Mas eu caprichei mesmo assim porque adorei esse casal logo de cara.
Vai algum comentário aí? Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!