Confissões doloridas
7 Quando me encontrei em você
E toda aquela raiva que me consumia e se inflamava com a simples existência dele, parecia uma faísca prestes a gerar um incêndio.
Meu pulso já estava fechado ao lado do meu corpo, eu já não conseguia ouvir uma palavra.
Mas em um segundo eu me permiti me questionar o porquê.
E em algum dos próximos meus lábios estavam nos dele.
Minha mão fechada na gola da camisa azul dele.
E a faísca pareceu nunca ter existido, a raiva sem sentido se foi.
E tudo estava em névoa. Todos aqueles sentimentos que eu nunca me permiti sentir.
Eles existiam dentro de mim, queira eu ou não.
E eu corri. O mais rápido que eu pude.
Agora eu vejo: eu estava correndo deles, correndo de mim.
E eu nunca conseguiria ser capaz de escapar de mim. Isso ainda é difícil para mim.
Como pude confundir desejo e raiva?
Não sei como cheguei em casa, o caminho no automático, mas lá estava eu, na frente do espelho do banheiro.
Eu parecia o mesmo. Suado,o cabelo grudado na testa, mas o mesmo.
O que mudou? Quando mudou? O que era esse sentimento?
Lavei o rosto, esperando que com aquele ato a confusão em minha mente terminasse.
Mas não, a cena se repetia na minha mente.
Eu beijei ele? Não. Não foi um beijo, eu encostei os lábios nos dele, mas não foi um beijo.
Eu percebi que não conseguiria dormir ou comer. Eu estava cansado pelo caminho até em casa, mas minha mente não parava.
Ela corria e não encontrava respostas.
No outro dia, eu acordei e decidi não sair da cama, nem abrir as janelas.
Fiquei deitado, surtando por dentro, mas sem forças para encarar nada, nem ninguém.
Anoiteceu e eu enfim cedi a fome. Mas eu parecia anestesiado, amortecido, não havia nada, eu não conseguia sentir nada, a confusão se foi, pelo menos.
Uma hora eu teria que encarar, não poderia viver ali para sempre.
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