Confissões doloridas

4 Chuviscos que nunca transbordaram


No fundo a gente quer um amor que seja maior que todo ódio do mundo,

mas é difícil,

então só peço para esquecer de mim,

rogo para que não evoque meus fantasmas, meu passado.

Pois eu sei que falhamos,

mas tudo bem,

a gente não tem como dar o que nunca nos foi dado,

talvez nossas asas feridas não sejam suficientes para tirar nós dois do chão,

verdade seja dita, tem dias, que nem a mim mesmo eu consigo levantar.

Tá tudo bem mesmo, mas eu choro e vou chorar

pelo que a gente foi,

pelo que foi perdido,

pelo que nunca foi e poderia ser,

pelo que não poderia ser.

Eu nem sei se você queria,

mas eu queria tudo que não poderíamos ser,

e vai sempre restar esse amargo na minha boca,

pois querer não é poder, afinal de contas.

Eu odeio a guerra cotidiana,

as palavras não ditas e as mal ditas,

as ofensas trocadas,

pelo respeito não ter sido mantido,

e o amor não ter bastado.

Eu queria que tivesse transbordado,

mas ele mal gotejou.

E talvez a sede seja maior que a paciência.

No final nossas gotas não foram o bastante para saciar um ao outro.

Eu sinto muito pela culpa.

A minha e a sua.

Nossa culpa.

No fundo a gente quer um amor que seja maior que todo ódio do mundo.

E talvez a gente nunca encontre.