Meu nome é Alice Casanova e essa é minha história: depois de entrar no mundo das séries e perceber que meu romance com Oliver Queen jamais poderia se concretizar e derrotar Mr. Magu eu voltei para o mundo real, para a minha cidade, para ser exata. Master Hill é uma cidade pequena mas com muitas loucuras rolando por aqui. Muitas coisas aconteceram depois que eu sumi. Atualmente, trabalho no Brit’s Bar e Anna, minha melhor amiga, é minha chefe. Por conta do meu sumiço, minha mãe me obrigou a frequentar um psicólogo. Recentemente descobri que Oliver Queen ou alguém muito parecido com ele está no meu mundo. Para encontra-lo, pedi ajuda ao Kevin Barden, aquele menino arrogante que conheci no mundo das séries. E agora estamos nós dois tentando descobrir o que está acontecendo com o nosso mundo.

– Alice, você pode respirar mais alto? – falou Kevin num tom irônico.

– Sem graça. – respondi. – Você não acha que deveríamos voltar amanhã de manhã para pesquisarmos melhor? – perguntei. – Esse lugar à noite me dá calafrios.

– Calafrios?! – perguntou assustado. – Estamos numa biblioteca. – continuou. – E não estamos sozinhos, temos os livros, internet e a Sra. Mendonça para nos fazer companhia.

– E é exatamente da Sra. Mendonça que tenho medo. – falei.

Sra. Eleonor Mendonça era a bibliotecária da cidade. Uma Senhora de 50 e poucos anos, mas com cara de 90. Com cabelo grisalho, olhos castanhos, uma pinta enorme na maçã do rosto ao lado direito, Sra. Mendonça sofreu um acidente bem no dia de seu casamento. Uma terrível má sorte, vez que desde então ela perdeu o futuro marido e tem que usar uma perna robótica. O apelido da Sra. Mendonça é Robocop, por conta do filme.

– Crianças, têm certeza de que não querem nenhuma ajuda? – perguntou a Sra. Mendonça trazendo uns biscoitinhos de chocolate para nós.

– Obrigada Sra. Mendonça mas não precisamos não. – respondi tentando ser a mais educada possível.

– Como você pode ter medo de uma Sra. adorável que traz biscoitos de chocolate para nós? – disse Kevin num tom irônico.

Kevin pode até ter razão: tirando a aparência de bruxa, Sra. Mendonça poderia ser simpática. Lembro muito bem do verão de 1995. Na época, eu estudava na escola e a Sra. Mendonça não era bibliotecária. Ela dava aulas de história. Naquele verão, Sra. Mendonça foi nossa supervisora do Acampamento de Verão do Master Hill High School e foi nesse acampamento que eu e a Anna começamos a sermos amigas. Numa bela tarde, Sra. Mendonça decidiu fazer uma gincana com a gente: deveríamos encontrar um tesouro perdido. Claro que meu lado competitivo e o lado sedutor de Anna ajudou nossa equipe a saímos na frente. Anna e eu decidimos pular umas etapas e foi quando eu vi uma jovem garota morena, com olhos verdes e com sardas no rosto chorando perto da cachoeira.

– O que houve? Por que está chorando? – perguntei.

– Nada, querida. – respondeu. – Problemas de adultos.

– Você não precisa chorar. – falei tentando confortá-la. – Minha mãe sempre me diz que mulheres bonitas não devem chorar porque se não tornam-se feias.

– Sua mãe parece sábia. – falou dando uma risadinha.

– Eu sei. – falei. – Você por acaso não sabe onde está o tesouro da Sra. Mendonça, ou sabe?

– Não, eu não sei.

– Sabia. – falei. – Meu nome é Alice Casanova. Se souber ou escutar algo pode me procurar ou minha amiga Anna Martins.

– Desculpa. Seu sobrenome é Casanova? – perguntou meia assustada.

– Sim. Sou filha de Marta e Alexander Casanova. – completei.

– Daisy, pare de dar dicas ou atrapalhar a minha gincana. – interrompeu Sra. Mendonça. – Alice, você quer ser desclassificada?

– Não senhora. – respondi e sai correndo.

– Desculpa, Eleonor, mas ela só veio me acalmar. – falou Daisy.

– Por que? Não me diga que aquele rapaz com que você está saindo te deu um fora?

– Longa história. – e eu não ouvi mais nada. Só depois fui entender que aquele rapaz era meu pai e que Daisy tinha sido amante dele.

– Alice? Alice? Alice?! – meus pensamentos foram interrompidos por um Kevin totalmente apreensivo.

– O que foi? – perguntei.

– Você está bem? – perguntou. – De repente ficou pálida demais.

– Estou. Não é nada demais. – disse. – Só são meus pensamentos. E quando eu percebi, meus ouvidos me levaram diretamente a voz de uma pessoa. – Eu conheço essa voz!

– Atum na batata. Isso é viver. É aprender. Atum na batata! O mais saboroso lanche do Mc Barretos! – a voz era de alguém que eu conhecia e que estava aparecendo num comercial musical.

– OMG! – disse!

– O que foi? – perguntou Kevin.

– Olhe! – disse apontando para o comercial. – É a Miss...

– Santinha?! – completou tão confuso como eu.

– Parece que sim. – falei. – Mas como? O que ela está fazendo num comercial de TV Mc Barretos?

– Boa pergunta. – disse. – Talvez tenha algo relacionado a isso! – continuou e me mostrou uns artigos de jornais.

– “Garota se diz apaixonada e afirma que vampiros existem”! – li a manchete.

– E tem mais. – completou Kevin. – “Pessoas afirmam terem vistos uma luz vermelha”; “Mulher afirma não ter matado parente do ex-marido”; “ ‘Não mexam com a minha cidade’ declara policial corrupto”.

– “Ex-trombadinha dá palestras de como sobreviver à miséria de Chino”. – li a última manchete. – Sabe o que isso significa? – perguntei ao Kevin.

– Que devemos salvar esses personagens antes que eles desapareçam para sempre. – falou.

– Por onde começamos? – perguntei.

[CONTINUA]