Eu vivia ali, sozinha
Apertando um urso de pelúcia
Abandonada em uma casinha
Sentada em um sofá de camurça.

Cresci lá, chorando
Vendo o mundo desabar ao meu redor
Sem poder errar apenas tentando
Tendo que acertar mais que um nó.

Vivo aqui, ainda sozinha
Mas sem meu ursinho de pelúcia
E sem o meu sofá de camurça
Rodeada e gente e ainda só.

Não entendia a ordem natural
Ou, pelo menos, esse lema anormal
Que ditava que existiam os bons momentos
E também os maus.

Mas por que eu tinha que arcar
Com coisas que nem minha culpa eram
Coisa mundanas e dispersas
Que me guiavam ao além de um suspiro de sofrimento.

Eu me embebedava
Com doses pesadas de amargura
Consumava à luxúria
E caía uma overdose de amor.

Debatendo-me no chão gélido
Coração palpitando bruscamente
Pressão caindo violentamente
Então fechei meus olhos.

A escuridão me envolveu
Com seu manto fino e cálido
Em sua penumbra eu andava
E seguia a vida entristecida.

Dispunha meu sentimento
Em um pulso cansado
Em dedos calejados
E em um coração quebrado.

Desafogava o oceano
E lhe retirava os peixes asfixiados
Provando da salina de sua água
E voltando a cair em pedaços.

Dizia que era forte
Que não podia ser quebrada
Engano e tolice minha
Agora caída em choros e lamúrias.

Maldito tu és, ó, amor!
Quebrou minhas pernas
Me matou sem pudor
E ao meu coração congelou.

Estava tudo perdido
Tudo acabado
À beira da morte eu me encontrava
Quando você chegou.

Desacreditava no amor
Devido à tanto sofrimento e dor
Mas ao meu coração
Você domou.

Perdida no encanto daqueles olhos verdes
Sorrindo timidamente
Quando tocadas meu rosto com ternura
Fazendo-me esquecer a amargura.

Brilhava no céu
Como pequenos diamantes
Na noite em que você se foi
E que eu tive um rompante.

Com o pescoço envolvido
Os meus pés se contorcia
Os lábios estavam roxos
Quando deixei escapar o meu último suspiro de angústia.

Não brilhava mais no céu
Nas chamas eu queimava
Devido ao egoísmo meu
No Inferno eu estava.