Confissões Entre Imortais
1 Decepções
Notas iniciais
– Por quê? – Ela já não conseguia manter as lágrimas no seus olhos. Ela apenas não queria acreditar que tinha acabado de ver o homem que tanto amava, tanto adorava nos braços de uma outra, a traição era como uma adaga que lhe cortava o coração. Então Atenas, aquela doce jovem de longos cabelos loiros e olhos com o cinzar mais encantador que alguém já viu, resolveu usar suas últimas forças e encarava Poseidon, o jovem alto e moreno, tão canalha quanto bonito.
– Por que eu não presto. – Eram as únicas palavras que ele ousou soltar, sua voz tinha um tom de desprezo e indiferença que atormentava ainda mais a situação. Poseidon agia como se nunca tivesse sentido algo pela mulher que estava na sua frente.
– Eu não significo nada para você? – As lágrimas já não rolavam mais, e a jovem mulher tinha parado de tremer, aos poucos estava voltando ao seu eu normal, apesar que seria difícil depois de toda essa cena.
– Nenhuma nunca significou, porque você significaria? – Nisso ele estava certo, Poseidon é o tipo de cara clichê, alto, com o rosto simétrico, cabelo e corpo impecáveis, tanta beleza chegava a incomodar. Mas infelizmente usava sua aparência de príncipe para se aproveitar das pessoas ao seu redor, principalmente mulheres. Ah como ele adora elas! Sempre amou deflora-las e se deleitar em seus voluptuosos corpos. Mas por que com Atena ele insistia em sentir algo a mais do que prazer?
E o olhar de ambos se encontraram pela ultimas vez, no dela se tinha nojo, tanto por ter aceitado beijar aqueles lábios e nojo por ele ser uma alma tão pobre. Não chorando mais e voltando a si, recolheu suas poucas coisas que tinha caído no chão no momento do flagrante e com o resto da sua decência resolveu partir.
– É, eu vejo que estou errada, eu vou me retirar. – Ela proferiu já na enorme porta do quarto, e voltando seu olhar para trás, percebeu que Poseidon estava agora só com um longo lençol branco enrolado na sua cintura. Atena escondeu um suspiro, como podia uma pessoa tão bela ter um coração tão rude?
– Então vá, eu preciso me trocar. – E assim ela saiu sem olhar para trás, deixando o homem sozinho.
Preso em seus pensamentos, Poseidon tratou logo de vestir a ceroula de uma maneira mecânica e se se sentar na cama. Queria chorar como se voltasse a ser uma criança, queria gritar, berrar, queria que Atena voltasse e lhe perdoasse. Não estava aguentando a intensidade de como o arrependimento lhe sugava a alma, olhou para as enormes paredes brancas do seu quarto e elas pareciam girar. Se levantou da cama e por um minuto pensou em correr atrás dela, pensou em se ajoelhar aos seus pés e pedir perdão, e que nunca mais iria perde-la. Mas seu grande ego impediu isso, seria humilhação demais para alguém como ele.
Logo terminou de vestir sua roupa, não tinha tempo a perder, amanhã seria um longo dia de trabalho e ele não podia se dar ao luxo de aparecer na empresa sem seus relatórios mensais, então se pois na sua mesa e começou a ler os papeis. Nem um minuto se passou, e a concubina seminua entrou no seu quarto novamente.
–Meu senhor, já posso me vestir? – A jovem empregada estava desnuda e cheia de marcas dos minutos passados.
–E ainda não fez? Ande logo, saia. – Ele já não tinha mais paciência ou mesmo vontade de ser gentil com alguém naquela noite.
–Desculpe meu senhor, espero que eu tenha satisfeito o senhor. – Ela falou esperando alguma resposta do homem na sua frente, ou pelo menos qualquer olhar, se contentava até com um suspiro. Mas quem ela queria enganar? Ele era Poseidon, tinha a seus pés todas as mulheres que desejava. Coitada dela Calipso, uma simples empregada. Sonhou alto de mais e cai que nem Ícaro. Como viu que ele realmente não iria lhe responder ou mesmo o trabalho de olha-la, catou suas vestes de serviçais no chão e foi embora.
O silêncio do quarto só foi quebrado quando o homem acendeu um cigarro.
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Ela caminhou sozinha no breu da noite até chegar em casa, já estava nas suas últimas, se sentia tão suja, imunda, que nem ousou abrir sua boca, temia que de lá dentro não saísse palavras, e sim podridão, apesar do seu doce hálito de hortelã.
Passou pela sala e avistou sua irmã Afrodite com Hímeros e Photos no seu colo, as crianças tinham entre 5 e 6 anos. Se perguntou onde poderia estar Eros e Anteros, então se lembrou que os dois mais velhos gostavam de acompanhar o pai, Hefesto, no trabalho em alguns dias da semana. Em silêncio seguiu para o seu quarto, tirou seu vestido amarrotado e se pois ao chuveiro. Queria tirar ele da sua mente, estava inata em seus pensamentos ouviu sua irmã batendo na porta"
–O que ele te fez? – Afrodite não esperou a irmã conceder, entrou no banheiro assim mesmo, sabia se algo de bom tivesse acontecido, sua irmã estaria radiante e pulando pela casa.
–Nada, nada. – Atena escondeu a tristeza na sua voz, realmente não queria falar sobre o incidente.
–Ele é homem, claro que te fez algo. – As duas deram um riso contido e a mais velha puxou um pequeno bando de madeira para perto da banheira onde a mais nova se encontrava, e esperou pacientemente por uma resposta.
–Porque irmã, por quê? – Atena mão conseguia mais guardar todas as angustias em seu interior e já tinha um tom de choro na sua voz.
Afrodite deu um leve suspiro, olhou para as paredes brancas ornamentadas por pequenos desenhos de flores e voltou a sua tenção para a conversa novamente–Sabe querida, você sempre foi a mais inteligente, já eu a mais bela, mas com o tempo, eu aprendi meus truques, não se apegue querida, nunca deixe que eles façam isso, os faça sofrerem, faça. – Queria ter sido mais delicada em suas palavras, mas a situação não permitia isso.
–Como se algum homem pudesse te deixar. – Atena falou enquanto penteava seus longos cabelos cacheados.
–Já deixou irmã, já deixou. – Afrodite falou baixinho e ajudou a outra com o penteado.
Afrodite era casada, mas seu corpo e alma pertenciam não pertenciam a seu marido Hefesto, mas sim a Ares, o soldado. O soldado que tantas vezes fez ela pecar nos lençóis da casa do seu consorte, era esse soldado que ela estimava.
Mas Hefesto não era besta, ele trabalhava o dia todo na única oficina da cidade, e sua mulher sempre parecia bem satisfeita, se é que vocês me entendem. Podia contar com os dedos, quantas vezes sua mão de pesadas tocaram em sua amada prometida. E não foram muitas, Afrodite sempre arrumava uma desculpa.
Até que um dia o ferreiro falou com o seu sogro, disse que não aguentava mais essa dúvida, e pediu que ele fala-se com sua filha, bem, ela não negou nada, falou que estava apaixonada por Ares, que não se importava com mais nada, que iria fugir com ele. O pai da jovem ficou totalmente boquiaberto, não queria acreditar de como sua filha estava prestes a arruinar sua reputação. Mais tarde quando Hefesto soube de tudo, foi ao encontro do soldado, que alias, lembrava muito seu primogênito, e disse, que ou ele assumia com ela, ou nunca mais a procurasse, se não a morte seria seu destino. E como ele não tinha como sustentar a mulher junto com quatro crianças, partiu. E isso já faz 5 anos.
–Ele não teve escolha. – Foi a única coisa que Atena falou, sabia que Afrodite era muito sensível se tratando desse assunto.
–Oh minha querida, ele teve, ele poderia ficar comigo, mas ele não quis, talvez não estivesse preparado para ser o prato principal. – Por fim a mais velha se levantou entregou a toalha a outra.
–Ora irmã, algumas pessoas nascem para ser sobremesa. — E as duas riram, riram até esquecer seus problemas com homens, riram como quando eram crianças e brincavam no jardim sem fim da sua tia.
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