Notas iniciais
Sim!! Finalmente esta fanfic chega ao fim! Confesso que me sinto estranha em terminar algo que fiquei tantos anos escrevendo, mas enfim, agradeço a cada um que se dedicou a ler e, principalmente, teve a paciência de aguardar as atualizações! Obrigada de coração! Espero que lhes agrade a leitura!

Duzentos anos. Uma eternidade para os nascidos humanos, mas um piscar de olhos para os deuses. Aqueles momentos com meu irmão não duraram muito mais que alguns segundos, mas tinha sido perfeito, em todo o seu esplendor.

Infelizmente era chegada a hora de voltarmos ao mundo humano. O chamado de Hades nos trazia novamente aos Campos Elíseos, com as coordenadas de nossa batalha. Mais uma vez tudo começaria a andar em seus conformes e uma nova guerra se iniciaria. Desta vez, o plano seria manter-nos longe do mundo humano, apenas como vigilantes, atuando apenas quando necessário.

Os cavaleiros de Athena antes mortos em batalhas retornariam para assassinar os próprios companheiros e trazer a cabeça da deusa. Infelizmente eu não podia interferir sem ter os olhos de Hades sobre mim. Eu tinha me arriscado demais na batalha anterior, e desta vez não poderia ser mais de um mero expectador ali, naqueles campos onde a dor, a doença, a tristeza e as outras falhas inerentes ao mundo terreno não existiam mais. Entretanto, algo nos olhos daqueles homens recém trazidos à vida me fez ter a esperança de que desta vez eu poderia confiar neles.

Sangue, morte, destruição. A dor de assistir meu irmão desfalecer ao meu lado, e a sensação de ter meu corpo quebrado e ferido por golpes provindos de armaduras divinas. Como eu sempre disse, os humanos eram incríveis, e, com sua determinação, faziam coisas que deixavam a nós, deuses, extremamente fascinados.

Não sei por quanto tempo fiquei desacordado, mas pude sentir quando a alma de Hades desapareceu. Demorariam mais de séculos até que ele retornasse do Tártaro....seu corpo original tinha se desfeito, e a alma estava quebrada em pedaços. Até mesmo para um deus, isto era algo extremamente difícil de se recuperar.

Respirei fundo, tentando ignorar aquela dor forte de ter costelas fraturadas. Eu não morreria apenas com aquilo, mas me preocupava com Thanatos. Ergui-me com dificuldade, observando os cabelos prateados espalhados sobre a grama, agora tingida de vermelho. Estendi minha mão a ele, murmurando um baixo pedido de perdão. Aquela dor....a sensação de derrota....eram necessárias para que sobrevivêssemos. Para que continuássemos existindo. E eu tinha a certeza de que faria tudo de novo. Por ele.

Com muita dificuldade, toquei os cabelos prateados, lembrando-me daqueles anos no exílio. Tudo fora tão perfeito....tão intenso. Sinto meus olhos pesarem, e meu corpo enfraquecer. Demoraria um pouco até meu corpo se recuperar de todos aqueles ferimentos, e eu não podia fazer mais nada a não ser esperar.

Tudo estava escuro, mas sinto um cosmo gentil tocar meu corpo. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo, e mal podia abrir os olhos para ver de quem se tratava. Eu lembrava dele vagamente, mas estava um tanto fraco para distingui-lo. Meus olhos mal se abriram, e logo a escuridão voltou a dominar.

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Aroma de flores, e o frescor da primavera tocaram meu rosto, enquanto alguns murmúrios se faziam presentes. Abri meus olhos, sentindo-os arderem por estarem desacostumados com a claridade. Um toque delicado no meu rosto, me trouxe à realidade, e àqueles olhos prateados que me encaravam um tanto preocupados. Murmurei o nome de meu gêmeo, mas ainda sem muitas forças.

— Pensei que não fosse mais acordar, bela adormecida.... — Thanatos sorriu de canto, enquanto os dedos dele se entrelaçavam nos meus cabelos. — Ou estava esperando um beijo?

— _Então agora anda se interessando pelas histórias humanas? — sorri levemente a ele, me esforçando para me sentar. Minhas costelas doíam um pouco, mas nada que eu não pudesse suportar. — O que houve por aqui? — observei as paredes de meu templo, todas perfeitamente erguidas, como se aquela batalha que maculou aquele lugar sagrado jamais tivesse acontecido.

— A senhora Perséfone despertou assim que a alma de nosso senhor desapareceu no Tártaro, e reergueu este lugar. Ela nos trouxe para cá, e ordenou que nos recuperássemos aqui até que Hades pudesse retornar. — Percebi um leve desapontamento na expressão de meu irmão, apesar dele se esforçar para não demonstrá-lo. — Como você sabe....ela não é a favor desta guerra, e assumiu como responsabilidade manter Hades bem distante de novos conflitos com Athena.

Ouvir aquelas palavras fez com que uma sensação de alívio enorme preenchesse meu peito. Era como se todas aquelas feridas que criei com minhas mentiras e dissimulações para nos proteger estivessem se curando magicamente. Levei meu olhar a Thanatos, mal conseguindo conter um sorriso de satisfação.

— Por um lado, isso é bom, meu irmão.... — arqueei a sobrancelha, aproximando meus lábios dos dele, levemente. — Assim poderemos gastar o nosso tempo de uma maneira bem mais interessante, não?

Thanatos bufou, com um sorrisinho enviesado.

— E porque eu tenho a leve impressão de que você sempre esteve torcendo para que o dia em que Athena vencesse Hades para sempre chegasse? Você sempre foi um idiota, e continuará sendo, Hypnos....

Senti os lábios de meu gêmeo roçarem nos meus, enquanto os dedos dele se enroscavam em meus cabelos. Finalmente estávamos livres. Livres de anos de tormentos e receio do que viria. Livres para sermos quem quiséssemos, e para amar quem bem entendêssemos.

Simplesmente livres.

As cores daqueles jardins sagrados nunca me pareceram tão belas como naquele dia e nos que se seguiram. Talvez aquela fosse a famosa sensação de felicidade que os humanos dizem, o que me fez entender, por um lado o porquê eles a buscam incessavelmente.

Por anos, ou talvez séculos, aqueles tempos se resumiram apenas a nós dois. A morte e o sono.

Notas finais
Até a próxima! E muito obrigada!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!