Confissões

16 Capítulo 16 - Deuses e Peões


Notas iniciais
Olá!!Mais uma vez estou demorando para postar, não é? Mil desculpas por isso!! Mas, olha....espero que não tenham desistido de mim, pois eu pretendo terminar essa fic, não se preocupem!! Espero que a leitura vos agrade!^^

A floresta, ao longe, aparentava estar bem mais sombria que o costume....Observei por alguns instantes o local, percebendo o quanto Thanatos parecia satisfeito com tudo aquilo. Infelizmente, eu não podia fazer nada a não ser aguardar e torcer para que os cavaleiros conseguissem, de algum modo, transpor a barreira que meu irmão havia feito. Se Pégaso perecesse, minha peça-chave para “vencer” o jogo estaria de uma vez por todas descartada e eu teria de arrumar uma substituta tão, ou melhor que esta....

Thanatos e eu caminhamos até a sacada de nosso templo, arrumando a mesa para travar o jogo. Meu irmão parecia extremamente confiante, e algo em seu olhar me fazia arrepiar.... Thanatos estava diferente.....e nem mesmo eu conseguia distinguir o que se passava em seus pensamentos. Sentei-me à mesa, observando-o com atenção.

— Tem certeza que nos podemos dar ao luxo de jogar, irmão? Sabe que baixar a guarda desta maneira pode nos trazer problemas.... — o encarei, em tom de advertência, apesar de que, para mim, quanto mais baixa nossa guarda estivesse, mais vantajoso seria para meu intento.

Thanatos me deu um sorriso esnobe, estendendo a mão para que eu iniciasse a minha partida.

— Você se preocupa demais, irmão....eles são apenas humanos.....portanto, não há necessidades de interferirmos....meu peão é o suficiente para derrubá-los....

Eu movimentei a peça branca na direção do jogo de Thanatos, observando o tabuleiro atentamente, apesar de, em minha mente estar tentando desvendar o que se passava por trás daquele sorriso de meu irmão, e ainda não conseguia entender como ele, um deus que jamais cedia seus poderes a “seres inferiores”, agora estava se gabando por dar parte de seus poderes a um simples espectro... Havia algo em jogo.....algo que eu não conseguia desvendar, nem com tanta experiência que tinha em torno das guerras....

— O que houve, irmão....? Algo lhe deixa preocupado...? — Thanatos sorriu a mim, com escárnio, o que me fez encará-lo de maneira séria, apesar de internamente surpreso. — Não vá me dizer que continua pensando em Verônica.....ou melhor...está preocupado com aquele humano....Hakurei o nome dele, não é mesmo? — eu o observei movimentar outra peça em direção ao meu peão, bloqueando-o.

A menção de Hakurei fez meu corpo gelar, apesar de eu me esforçar para não esboçar expressão alguma. Eu não podia colocar nada a perder, afinal, qualquer movimento em falso e Thanatos poderia descobrir meus intentos. Dei de ombros, colocando outro peão à frente, o encarando.

— Hum? Se refere àquele rapaz que afirmou que nos venceria na última guerra santa...? — sorri levemente a ele, o observando. — Me admiro muito que ele tenha sobrevivido tanto tempo....mas, felizmente, não passa de um velho....incapaz de conseguir lidar com nosso poder.....

— Oh.....realmente tem razão, querido irmão.... — ele sorriu a mim, friamente, derrubando uma de minhas peças no tabuleiro. — Estes meros peões não são páreo a nós.....a não ser que um de nós esteja conspirando a favor deles, não acha?

Thanatos me encarou fixamente neste momento, entrelaçando os dedos sobre a mesa. Algo em mim dizia que Thanatos estava tentando me induzir a confessar algo, mas eu me manteria firme...assim como sempre fiz por todos estes anos. Por sorte, quando abri a boca para responder algo, sentimos uma séria instabilidade no cosmo de Verônica e um cosmo mais forte se manifestando próximo ao Yomotsu Hirasaka. Era minha chance de inverter aquele jogo de palavras, assim como no xadrez. Derrubei uma peça de meu irmão, aproximando o cavalo perigosamente do rei de Thanatos.

— Thanatos.....você foi imprudente.... pelo que vejo, Verônica não está dando conta do novo cavaleiro que surgiu.... — o encarei de maneira séria. — Eu disse que não devíamos nos dar ao luxo de jogar em um momento como este.....

Observei meu gêmeo se encostar na cadeira de maneira convencida, movimentando seu cavalo contra o meu, com um sorriso frio.

— Isto é um sermão, Hypnos....? — ele riu, irônico – Está tudo sob controle, meu caro irmão....e....caso algo dê errado, nós, deuses, acabaremos com tudo, afinal....o que é um humano frente a nossos poderes?

Suspirei, em um misto de frustração e alívio, ainda encarando meu irmão por alguns instantes. Eu tinha conseguido mudar o jogo.....mas por quanto tempo....? Thanatos, com certeza, ainda insistiria em me forçar a conta alguma coisa, se é que ele realmente desconfiava de algo..... Foi quando uma forte luz e um cosmo forte impregnaram nosso recinto, não demorando muito para que um jovem cavaleiro de ouro caísse sobre nosso tabuleiro, destroçando-o e jogando as peças em volta.

Eu o ouvi fazendo uma piadinha a respeito de nossas aparências e perguntar a respeito de quem seria Thanatos. O analisei por alguns instantes enquanto a conversa dos dois se intensificava. Ele não seria páreo para Thanatos, não sem o uso dos instrumentos certos....Por sorte, eu poderia me afastar dali, afinal, sabia como meu irmão não gostava que eu me intrometesse nas lutas que ele travava, e podia perceber que, naquele olhar de presunção, se escondia uma pontada de preocupação por conta de meus ferimentos. Levantei-me, encarando meu irmão com a minha postura séria. Doía-me deixá-lo ali, mesmo sabendo que Thanatos era extremamente forte.....mas era como se fosse a última vez naquela era que eu veria meu irmão.

— Thanatos....a presença deste cavaleiro aqui é responsabilidade sua.....dê um jeito nele..... — caminhei para longe deles, tentando disfarçar uma pontada de dor ao me mover mais bruscamente. Senti a resposta de meu irmão por cosmo, agradecendo por eu me afastar, já que meus ferimentos não estavam curados, e abri o portal, de volta ao castelo de Hades.

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Mal tive tempo de dizer adeus a meu irmão aquele dia....mesmo que eu soubesse que ele estava apenas adormecido naquela caixa, algo dentro de mim se quebrava por saber que, naquela era, ele não mais estaria ao meu lado. Entretanto, para meus planos seria bom que ele se afastasse por um tempo, afinal...eu teria mais liberdade de mexer as minhas peças.

Suspirei, segurando o rei branco que meu irmão usara para jogar, colocando-o sobre a mesa.

— Thanatos.....espero que estes anos sirvam para que esfrie sua cabeça, querido irmão.... — movimentei a peça com os dedos – Nossos jogos começarão agora.....

Notas finais
Obrigada por acompanharem até aqui!^^