Confissão
1 Confissão
Notas iniciais
Iniciado e terminado em: 9 de Agosto de 2009.
Confissão
Estou escrevendo esse texto em porcas linhas por não saber mais como desabafar meus sentimentos. Leio diariamente obras-primas na internet e percebo que nunca chegarei aos pés das pessoas que escrevem aquelas belas palavras.
Sou um perdedor, um pessimista. Sou uma alma que vaga pelo mundo sabendo do meu destino de perdedor. Tento escrever na ânsia de imaginar que sirvo para algo. Mas nem escrever eu sei. Sou um lixo.
O tédio me consumia aos poucos, em grandes bocadas. Deitado na minha macia cama de solteiro, em meu quarto escuro e frio, encarava o teto com um olhar sem vida. As lembranças de hoje cedo ainda atromentavam minha mente. Maldita hora em que tive que fazer aquele ato no ímpeto de querer ser livre.
A liberdade que o ser humano idealiza, na verdade, é uma gaiola invisível. Somos presos por fitas que nos sufocam diariamente. Fato.
Ainda sinto o cheiro do chá de cereja. Vejo e sinto a fumaça do belo líquido avermelhado beijar minha face... E vejo eu surtar, virar a mesa de madeira escura e antiga em cima da minha própria mãe, e esbofeteá-la até me cansar, para depois eu me levantar e começar a chutar e pisar em cima dela. Era uma visão maravilhosa vê-la machucada, chorando ao ver que seu precioso filho dizia que sempre a odiava e que só não a matava por saber que seria preso.
Deus seja bondoso comigo na hora da morte. Sei que a desrespeitei, mas ela mereceu.
Minhas lembranças desapareceram como a fumaça do chá de cereja daquela tarde quando ouvi passos fortes se aproximarem da porta. Sabia quem era. E era mais sorte ainda que eu havia trancado a porta assim que cheguei correndo em casa.
Meu pai bateu com força na porta. Gritava para eu abrí-la naquele exato momento, senão ele mesmo iria arrombar. A voz ao fundo, da minha madrasta, dizia o mesmo. Sabia que estavam furiosos comigo. E agora eles sabiam de tudo. Não só o que eu fiz com minha mãe, mas o que nós conversamos de tarde. Meu pai me arrebentaria a cara por dois motivos. Mas o principal seria porque a destratei. Ele era outro que merecia uma bela porrada minha.
Nunca confiei nele. Sempre o odeiei. E o odeio mais ainda por ter feito duas mulheres maravilhosas sofrerem. Ele é um galinha que traiu sua ex-namorada com minha madrasta e traiu minha madrasta com outra qualquer. Sorte que ela o perdoou. Mas ele é o ser mais odiável que existe em meu mundo. Fato supremo.
Tomei um susto ao sentir a vibração que vinha da porta. Ele realmente estava cumprindo sua promessa e logo aquela porta estaria abaixo. Apanharia tanto que provavelmente estarei no hospital.Como eu odeio a minha vida.
Encurralado, naquele maldito quarto escuro e frio, não tinha opções. Somente uma: Estaria livre para sempre, mas cairia num abismo de trevas e sem nenhuma esperança de retorno.
Aquela era a minha chave para a liberdade.
Abri a janela, senti o vento frio entrar e arrepiar-me por completo. Fiquei de pé na janela e na hora que a porta foi abaixo, fechei minha mão esquerda num punha e mostrei meu dedo do meio para eles e deixei-me cair doze andares.
Me desculpe, Alam, talvez possamos nos encontrar nesse abismo de escuridão e sermos felizes juntos. Prometo que se Deus me der outra chance, farei tudo certo. Eu prometo.
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