Confissões de uma Seriadora Sempre em Crise
7 Capítulo 7 – A família de Kevin
Meu nome é Kevin Barden e ao contrário do que muitos pensam, eu não sou um garoto qualquer. Minha história começou quando eu era criança e um homem me ofereceu levar ao meu seriado favorito. Como qualquer criança, eu aceitei a ideia simplesmente porque não aguentava ser um menino comum. E foi aí que minha vida virou um inferno! Fiquei preso durante anos no mundo das séries até que uma garota que se acha a perfeição em pessoa, Alice Casanova, aparecer. Juntos derrotamos o homem que me trancou num mundo lindo mas que também pode ser torturante. Quando percebi que Alice e Oliver Queen iriam ficar juntos, decidi voltar para a minha casa e recomeçar do zero. O problema é que recomeços nem sempre são fácies.
“Querido Kevin; eu sei que você nasceu para brilhar e, logo em breve, você será o herdeiro de todo império das lojas de colchões King Queen Barto, mas até lá você deverá crescer e aprender a ser um garoto genial. Quando você crescer, irei desvendar os mistérios da nossa família. Se cuide e fique com os anjos. Mamãe te ama.
A vida é muito bela para não sorrir!”
Não sei ao certo quantas vezes reli esse bilhete que minha mãe deixara num livro velho que encontrei antes de desaparecer. O que será que ela quis dizer com “desvendar os mistérios de nossa família”? Mas aqui estou eu, esperando o próximo trem, com minha velha calça jeans, a mesma blusa azul de sempre, minha mochila nas costas e segurando esse bilhete. Não sei ao certo o que direi para meus pais. Acho que contar sobre Mr. Magu e Alice não seja uma boa opção. Talvez eu possa dizer que fui sequestrado, o que não deixa de ser verdade. Meu Deus, como posso sentir esse frio na barriga? Justo eu que lutei contra monstros e demônios e derrotei o Mr. Magu. Tomara que tenha sido o macarrão da vovó da Chapeuzinho Ruby.
– Kevin? Querido, você deveria parar de assistir esse desenho. – disse minha mãe.
– Mas eu tenho 4 anos e isso não é desenho. – respondi.
– Eu sei, mas essas coisas viciam. – falou e deu aquele sorriso que eu tanto amava. Minha mãe era linda: loira, com os olhos da cor de mel. A voz dela era suave e seu sorriso sempre me acalmava.
– Olha! – apontei para a TV. – Não é a loja do papai?
– É sim, Kevin. – respondeu. – E um dia ela será sua. – sua voz acalmava qualquer pessoa, inclusive a mim. Jamais imaginei que essa seria a última vez que veria minha mãe. Como vocês sabem, Mr. Magu me levou ao mundo das séries e eu fiquei trancado lá por muito bem. Talvez minha mãe não me reconheceria mais. Ou talvez ela tenha me esquecido.
E aqui estou eu: em frente à minha velha casa. Aquela casinha vermelha no fim da esquina, com a porta preta e que lembraria muito bem uma casa dos três porquinhos. Mas algo estava estranho: havia uma mulher na porta de casa segurando uns papeis. E tinha uma placa de “vende-se”. Será que mamãe e papai estariam vendendo a casa?
– Com licença. – interrompi a moça.
– Pois não? – respondeu.
– Essa casa está à venda? – perguntei.
– Sim. – falou. – Você quer conhecer a casa?
– Acho que posso entrar. – falei. Ao entrarmos na casa, bateu aquela velha sensação de saudades. Podia sentir o cheiro do bolo de chocolate que minha mãe fazia para mim. Podia escutar a batida da porta quando meu pai chegava depois de um dia cansativo. Podia relembrar da minha infância e de meus pais brigando porque eu passava muito tempo em frente à TV.
– Ele é uma criança. – dizia mamãe para meu pai. – Ele deveria brincar e não ficar assistindo a esses programas.
– Karen, por isso mesmo você não devia se importar. – falou meu pai. – Ele é a nossa criança e é melhor ele assistir TV do que desaparecer no parque como a maioria das crianças fazem.
– Eu sei, mas Antonio, ele é nosso filho. – falou.
– Eu posso levar o Kevin amanhã no parque, se isso te deixar melhor. – disse.
– Me deixaria muito melhor. – falou minha mãe e abraçou meu pai. Mal sabia ela que era melhor eu ter ficado em casa assistindo TV do que ter ido ao parquinho naquele dia. Ironia do destino ou não, foi no meu primeiro dia no parque que eu desapareci e só retornei muitos anos depois.
– E esse é o quarto principal. – falou a moça da mobiliária.
– Parece bacana. – disse. – Escuta, e o que aconteceu com o antigo morador da casa? – perguntei.
– Ah, foi uma tragédia. – falou.
– Tragédia? – perguntei preocupado.
– Sim, digo, só se você tiver filhos se é que eu deveria falar sobre isso. – continuou.
– Eu insisto. – insisti.
– O Sr. e a Sra. Barden tinham um filho. – meus pais, oba! – mas ele despareceu no dia de seu 5º aniversário. Isso destruiu os dois. – falou.
– Como assim? – perguntei.
– Ok, se te perguntarem eu não falei nada, tudo bem?
– Sim. – adoro uma vendedora fofoqueira.
– Depois que a criança desapareceu, os dois não conseguiam mais viver. A Sra. Barden culpava o Sr. Barden pelo sumiço e ele se sentia culpado por tudo aquilo, fazendo com que tentasse esquecer os problemas com a bebida. – meu pai nunca foi de beber, coitado! – Acontece que as bebidas não eram o melhor remédio para isso e aumentavam as feridas. Um dia, o Sr. Barden pegou o carro bêbado depois de uma discussão com sua esposa e acabou sofrendo um acidente. A culpa o torturou durante anos e isso acabou fazendo com que ele se matasse aos poucos.
– Como assim? – perguntei indignado.
– Dizem que ele jogou o carro de propósito contra o rio. – falou. – Viúva e sem seu filho, a Sra. Barden acabou entrando numa depressão profunda. Com o tempo acabou adoecendo, mas nunca desistiu de encontrar seu filho. – continuou falando a moça e me mostrou um quarto com um monte de pesquisas que minha mãe tinha feito sobre meu sumiço. Ela deveria estar atrás de mim. – Mas a doença acabou tomando conta dela e isso fez com que ela não lembrasse mais que dia era hoje ou qual era o nome dela. – continuou. – Ela faleceu há alguns meses e como não tinha herdeiros vivos, o Estado decidiu pegar as propriedades dela para ele. Por isso estamos vendendo a casa.
– Que história triste. – falei com meus olhos cheios de lágrimas.
– Pois é. – disse. – Então, o Sr. está interessado na casa?
– Sim. E muito. – falei.
– Como é o nome do Sr.? – perguntou. – É para a mobiliária.
– Queen. Oliver Queen. – sim, eu menti meu nome mas era melhor do que dizer que eu era o filho perdido. Ainda não acredito que meus pais morreram por minha causa. Por causa do Mr. Magu. E eu nunca tive a chance de dizer o quanto eu os amava. Se pudesse voltar no tempo, eu voltaria. Mas agora que tudo isso aconteceu, eu precisava recomeçar do zero. Primeiro, precisaria arranjar dinheiro para comprar a minha antiga casa. Mas como? Talvez trabalhando todos os dias numa loja de motos. Sim, meu sonho de trabalhar com motos poderia ser realizado.
– Você pode começar amanhã? – perguntou o dono da loja.
– Sim. – respondi. Eu sabia que seria difícil conseguir juntar toda essa grana antes que alguém pudesse comprar minha casa, por isso fui fazer o impossível para juntar dinheiro. Trabalhei durante dias, noite e horas. Fiz horas extras e até penhorei algumas coisas que eu tinha pegado no mundo da série. Seria mais fácil se Alice estivesse aqui comigo, me ajudando a recuperar o que era meu por direito. Mas ela estava com Oliver Queen e como um grande perdedor, tinha que tirar a meu time do campo.
– Nossa, que garota linda! – falou um dos meus colegas de emprego ao me ver olhando para a foto que tirei com Alice.
– Linda e mimada. – disse.
– Parece muito com a garota que trabalha no Brit’s Bar. – retrucou.
– Brit’s Bar? – perguntei.
– Sim, uma lanchonete que fica em Master Hill. – respondeu. – Quando eu saí com aquela garota ruiva da internet, nós paramos lá para comer e uma garota parecida como ela nos atendeu. – continuou.
Se Alice estivesse no meu mundo eu saberia, não? Afinal eu estava com ela e ela iria me procurar. Ou será que Rick está enganado.
– Kevin, a moça da imobiliária ligou e disse que a casa é sua. – falou meu chefe. – Basta você fazer uns consertos porque parece que a casa não passou na inspeção ou algo do tipo. – yes! Meu plano deu certo e a casa agora era minha. Mas eu precisava ter certeza se Rick estava falando a verdade ou não. Então eu fui atrás desse Brit’s Bar.
[Kevin Barden cantando ao mesmo tempo que vemos ele consertando a casa, pintando, trabalhando e chegando no Brit’s Bar] ***
– The snow blows white on the mountain tonight
Not a footprint to be seen
A kingdom of isolation, and it looks like I'm the King
The wind is howling
Like the swirling storm inside
Couldn't keep it in
Heaven knows I've tried
Don't let them in, don't let them see
Be the good boy you always had to be
Conceal, don't feel, don't let them know
Well, now they know
Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn my back and slam the door
And here I stand
And here I'll stay
Let it go, let it go
The cold never bothered me anyway
It's funny how some distance
Makes everything seem small
And the fears that once controlled me
Can't get to me at all
Up here in the cold thin air, I finally can breathe
I know I left a life behind
But I'm too relieved to grieve
Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn my back and slam the door
And here I stand
And here I'll stay
Let it go, let it go
The cold never bothered me anyway
Standing, frozen, in the life I've chosen
You won't find me, the past is so behind me
Buried in the snow
Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn my back and slam the door
And here I stand
And here I'll stay
Let it go, let it go
The cold never bothered me anyway
Standing, frozen, in the life I've chosen
You won't find me, the past is so behind me
Buried in the snow
Let it go
And here I'll stay
'Cause the cold never bothered me anyway
***Versão masculina de “Let It Go”, caso queiram escutar. https://www.youtube.com/watch?v=opmqB118KOs
Tradução: http://letras.mus.br/demi-lovato/let-it-go/traducao.html
– Não acredito! Alice Casanova está no meu mundo. – falei.
[CONTINUA]
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