Confissões Do Exílio

5 Esclarecimento (parte I)


Notas iniciais
como prometi, voltei tão rápido quanto pude com um capítulo fresquinho.

O amanhecer daquela noite foi a coisa mais linda que já vi, e olhe que já vi muitas coisas. Sentei-me no parapeito da sacada e deixei o vento balançar meus cabelos um pouco crescidos, devido ao tempo desperdiçado na prisão. O céu foi ficando roxo aos poucos, até que passou a laranja rosado e por fim, num azul maravilhoso, se tornou manhã ensolarada. Voltei para a cama, onde preguei os olhos por mais algumas horas.

Após a breve conversa com aquele a quem os empregados chamavam de Senhor, fui levado por uma senhora até meus aposentos. Um quarto amplo, preenchido por uma pequena cômoda e uma cama de casal. Uma porta dava para a sacada, de onde eu assistira o sol nascer. Além disso, havia um banheiro, onde eu pude me limpar. Deram-me vestes limpas, verde-oliva, muito bem arranjadas que serviram-me perfeitamente. Os lençóis cheirosos e macios aqueceram-me até que tivesse perdido o sono. Evitei os sonhos costumeiros com o julgamento, o crime e outros momentos infames. Dormi quase que tranquilamente, de forma que não dormia há meses.

Por volta do meio-dia, a senhora que me levara até o quarto me acordou, reclamando que eu nem tocara no café-da-manhã. Serviu-me uma bandeja com carne, ovos fritos, pão, batata e legumes. Comi como não comia desde que deixara minha casa. Estava faminto. Quando terminei, ela levou o prato, pediu-me que lavasse o rosto e fosse com ela até a sala do Senhor.

Assim fiz, e dentro de poucos minutos, estávamos novamente naquela saleta encantada da noite anterior. A senhora deixou-nos a sós, após breve reverencia.

- Enfim temos um tempo para conversar, sr. Pomfrey.

- Sim, Senhor…

- Tenho muito o que lhe explicar, espero que seja paciente. Chamo-me Abdir Kilian — nesse ponto, tive dificuldade em não esboçar minha surpresa. — Sim, sei que já ouviu o nome de minha família. Sou filho do Grande Lorde Killian, O Poderoso. Porém, meus estimado pai foi contra meu casamento com Dolores, então me exilou. A princípio, é claro, senti-me péssimo. Mas o amor de Dolores era infinito e, por meio dele, retomei minhas forças. Meu pai jamais deixou de enviar-me mantimentos ou dinheiro. Assim, comecei uma plantação. Descobri logo que aqui, os produtos que consumimos constantemente na Terra de Ignia são extremamente raros e valiosos. Aproveitei-me disso e fiz fortuna comerciando o que meu pai me enviava com outros comerciantes que passavam. Construí uma pequena casa, onde vivi com Dolores por anos. Porém, com a morte dela e a de meu pai, fui libertado do castigo. Assim, voltei a usar magia e com ela construí o castelo em que estamos. A partir de então, com minha herança, meu poder e prestígio, venho ajudando exilados a sobreviverem e terem uma vida digna.

“Os cavalheiros e damas que o senhor viu no baile cometeram crimes bobos que não mereciam o exílio, ou mesmo vivem fora de Ignia por opção. Os servos que têm servido o senhor e todos os outros que ainda não teve o prazer de conhecer, trabalham de forma a pagar por seus crimes. Um dia, quando eu julgar sábio, serão libertados de suas tarefas e passarão a viver no castelo como nobres. Compreende tudo o que digo ou é demais para o senhor?”

Fiquei calado. Que história mais sem cabimento era aquela? Então, de que adiantava a pena de exílio se os exilados viviam como nobres? Senti uma ponta de gratidão por aquele homem e outra de ódio.

- Veja bem, — ele retomou — a senhora que te trouxe até aqui chama-se Marrie. Marrie assassinou o próprio filho quando descobriu o que ele estava se tornando. Os pormenores do crime não vêm ao caso. O fato é que, há cinco anos ela vem me servindo de forma eficiente. Vejo que se arrepende do crime e quer ser alguém melhor. Além do mais, a idade já a afeta e em breve eu estarei presenteando-a com a liberdade. Se não fosse por mim, a própria Marrie confessou que teria cometido suicídio, fossem quais fossem as consequências para sua alma.

- E quanto a mim?

De todas as coisas que esperava poder dizer, essa era a menos digna. Existiam centenas de perguntas que me assombravam e, no entanto, aquela fora a única que eu esboçara.

- Bom, o senhor, sr. Pomfrey, — ele olhou-me fundo nos olhos, como se me perguntasse algo — o senhor sabe que seu crime ocorreu por motivos óbvios. Sei que não o teria cometido em qualquer outra circunstância. Mas o julgamento não foi justo o suficiente, se me permite dizer. Sei bem que já não pode usar seus poderes, eles lhe foram retirados. Mas acredito que há um meio de burlar tais regras. Quero dizer — e então ele baixou a voz e aproximou-se de mim — o senhor deve concordar comigo que seria um grande desperdício que um mago como o senhor jamais voltasse a usar magia novamente, não?

Notas finais
vou confessar que a cada dia que passa, me apaixono mais e mais por essa história e pelo Hugh. Espero agradar e etc, xoxo