Confissões, Confusões e Paixões
10 Capítulo X
Notas iniciais
Emma Brook P.O.V
Voltar para escola nunca foi minha vontade, porém meus pais insistiram para que eu voltasse. Depois do enterro da minha avó, recebi milhares de mensagens de solidariedade dos meus colegas de escola e de alguns parentes distantes. Mas o que mais me deixou intrigada foi que nenhuma delas era do Scott.
A quem eu quero enganar mesmo?? Fui eu quem pediu um tempo, é obvio que ele não ia falar nada. Assim que entrei pelas portas da escola, Molly veio em minha direção e me abraçou forte.
— Amiga, que bom que voltou. As coisas estavam tão sem graça. Sinto muito pela sua avó, todos aqui ficaram preocupados com você. Até o Scott, a Josie disse que ele mal ia para aula e quando ia ficava encarando a sua classe vazia.
— Tem certeza que estamos falando do mesmo Scott que mentiu pra mim??? — Pergunto com um tom de sarcasmo.
— Deixa de bobeira, você sabe que isso pertence ao passado dele e não tem nada haver com a história de vocês. Até porque a Allie está com o menino londrino.
— Allison e Josh????
— Segundo a garota do blog, sim.
— A opinião dessa maluca fofoqueira não me importa. Esse mês passou voando, tenho que colocar a matéria em dia. Mais tarde nos falamos, ok?
— Claro. Bem vinda de volta, meu amor. Juízo e vá falar com o grande amor da sua vida.
— Não tenho um amor na minha vida. — Digo isso quase gritando, já que Molly estava longe de mim.
Sinto minhas costas batendo contra os armários gelados da escola. Quem foi o idiota que fez isso????
— Scott, qual é a porra do seu problema???? Me solta, caralho.
— Alguém voltou afiada da casa da vovó. Falando palavras obscenas, se sentindo a rainha do gelo, espalhando para o mundo que não tem um amor na sua vida. Você se esqueceu de um pequeno detalhe, querida Emma. Você ainda é minha. — Ele disse e beijou minha bochecha e me soltou.
— Você só pode ser idiota ou bateu a cabeça na parede. Nós terminamos tudo aquele dia. E que eu sei, não está seu nome escrito em parte alguma do meu corpo, alegando posse. Então deixa de ser idiota. — Digo bufando e saio andando.
— Isso não acabou aqui, Emma. Sabe disso.
Idiota, isso que ele é, um grande e completo idiota. Quem ele acha que é???? Como eu odeio esse louco.
Corri para o banheiro feminino e dei de cara com a Chloe chorando um rio. Céus, eu queria chorar, mas duas é demais. O pior de tudo é que não sei o que falar, ela é amiga da Allison e irmã da Lucy. Duas garotas que eu não tenho vontade de falar.
"Ajude a pobre menina, Emma. Não seja ruim. Apenas respire fundo e ajude — a."
Obrigada consciência pesada.
— Olá, Chloe. Está tudo bem??
— Desculpa, não sabia que esse banheiro era muito usado. Vim nesse porque precisava chorar.
— Não se preocupe, vim fazer a mesma coisa. Então me diga, qual o motivo do choro. Talvez possa ajudar.
— O que ganha com isso?? Você é a quem tem mais direito de chorar aqui, eu nem sei ao certo porque estou chorando.
— Sim, eu deveria estar chorando um rio ou talvez um mar. Minha vó mais querida morreu, terminei com meu namorado mesmo o amando, briguei com meus pais pois não queria voltar e encarar o Scott todas as aulas. Sim, eu só quero desabar e chorar o dia inteiro. — Disse sentando ao seu lado no chão. — Mas me diga, porque está assim.
— Eu e o Luke brigamos.
Ela colocou a mão na boca como quem acaba de contar o segredo mais secreto que guardava.
— Tudo bem, eu não vou falar para ninguém. Não tem nem o porque, isso nem é assunto meu para sair espalhando.
— Promete??? Ninguém pode saber disso.
— Só se você prometer não contar pra ninguém que eu fiquei com o Adam e que ele me trocou pela sua irmã.
— Você e o Adam? Nossa, por essa eu não esperava. Mas sim, eu prometo. — Disse sorrindo e respirando fundo. — Eu e o Luke estamos juntos há um ano. Passamos por muitas dificuldades, pois esconder de todos o nosso caso, é horrível. Eu o amo tanto que chega a doer ficar sem ele.
— Como conseguiu esconder um relacionamento por um ano? Jesus amado, é muito tempo.
— Sempre demos um jeito. Temos ótimos esconderijos por todo o campus da escola.
— E eu achava que você era fútil como sua irmã. Subiu 50 pontos no meu conceito.
— Hã??
— Esquece, às vezes eu viajo na maionese. Só continue com a história.
— Tudo bem. Enfim, ontem tinha um jantar chique lá em casa. Todo ano eles fazem, mas eles anteciparam a data esse ano. Então eu não sabia de nada e marquei com o Luke no nosso esconderijo preferido.
— Aquele jantar que toda Virgínia comparece, incluindo meus pais???
— Esse mesmo. Seus pais foram convidados, mas não confirmaram.
— Não estávamos em casa, nem na cidade estávamos. Mas prossiga com o seu problema.
— Resumindo: eu não consegui sair da festa e dei chá de espera no pobre coitado. E justamente ontem que completamos 14 meses de namoro. Ele ficou muito chateado e gritou comigo pela ligação.
— Vamos por partes. Ele sabia que esse jantar estava acontecendo?? Se sim, não tem o porque dele fazer o show dele. Segundo, uma hora ele vai voltar atrás e saber que errou.
— Mas eu vacilei em não ir.
— Chloe, você ao menos tentou. Sei como é chato essas festas de família.
— Ele ficou muito chateado, eu pedi desculpas. Mas ele só sabia gritar e dizer que eu não ligava mais para ele.
— Me desculpa, mas isso foi bem gay. Mas deixa ele esfriar a cabeça, tenho certeza que ele virá pedir desculpas pra você.
— Tem certeza???
— Eu sempre tenho, querida Chloe.
— Agora me conta o seu problema. Tenho certeza que não veio a esse banheiro atoa.
— Longa história, mas vamos lá. Recentemente apareceu esse maldito blog da escola e nele, graças ao Scott e sua paixão pela Allison que recentemente, eu descobri que sou uma corna mansa.
— Eu li sobre isso, mas creio que não seja verídico. Sabe que ela pode muito bem mentir.
— Ele me confirmou o caso deles, foi antes de me conhecer. O término não foi lá amigável, mas eu não tenho certeza que ele a esqueceu totalmente. Brigamos feio e eu pedi um tempo e automaticamente terminei o nosso namoro.
— Você o ama, não é mesmo??? Então meu amor, você terá que correr atrás desse prejuízo. Você tem que mostrar a ele que vocês tem uma história juntos, e que passado nenhum pode assombrar.
— Eu tenho tanto medo de perdê — lo. Eu o amo tanto, — digo agarrando meus joelhos — mas se ele sente algo por ela, cedo ou tarde irá aparecer.
— Vou falar algo que nunca falei pra ninguém, mas sempre reparei. Emma, quando ele te encara de longe ou até mesmo de perto, os olhos dele brilham. Ele te ama tanto quanto você pensa. Eu sempre ouço a Lucy comentar, o quanto o Adam reclama que o Scott trocou o futebol pra passar as tardes com você ou quando o Scott cancelou o passeio com os meninos porque você estava mal.
— Devo me sentir com sorte?
— Muita sorte. Isso é só uma barreira que vocês tem que ultrapassar juntos. E no final vai dar certo, eu tenho certeza.
— Tem mesmo?? — Pergunto cabisbaixa.
— Eu sempre tenho, querida Emma. — Diz sorrindo e se levanta do chão. — Agora levanta essa bundona do chão e vamos para aula. Tem muita coisa pra colocar em dia e eu irei lhe ajudar.
— Obrigada, Chloe.
— Eu que agradeço, Emma.
Saímos daquele banheiro fedorento e seguimos em direção a sala. Nunca me senti tão bem ao lado de alguém próximo da Allison ou da Lucy, mas eu sei que a Chloe é bem diferente de todas.
— Com licença, senhor Potter. Eu e minha colega podemos entrar? Emma não estava se sentindo bem e eu a ajudei. Espero que não se importe. — Diz Chloe.
— Claro que podem. Senhorita Brook, seja bem vinda de volta. Se precisar de algo que esteja ao meu alcance, estarei ao seu dispor.
— Obrigada, senhor Potter.
— Bom classe continuando a nossa matéria. Acho que o senhor Levine quer vim explicar, já que não para de encarar a colega. Temo que problemas pessoais devam ser resolvidos do lado de fora de sala, correto??
— Claro, senhor Potter. Mas não sei aonde se localiza o problema. Não podemos mais admirar a beleza de nossas colegas de classe? — Diz Scott
— Não vejo problema algum, senhor Levine. Mas não é o momento de "admirar" e sim de prestar atenção na aula.
— Anotado, querido professor.
Depois de meter minha cara na mochila de vergonha, a aula finalmente seguiu tranquilamente. Quase não deu pra perceber os olhares piedosos dos alunos sobre mim ou sobre as duas bolas de fogo que o Scott possuía nos olhos, que estavam queimando minhas costas.
Chloe Steinfeld P.O.V
A aula estava tão chata que mal conseguia me concentrar no que o senhor Potter explicava. Luke estava sentado na primeira classe e eu como cheguei atrasada, na penúltima.
Os guris do fundo estavam cochichando piadinhas sem graça e eu não sabia pra quem era. Até que o Marcel gritou
"ALÉM DE SER CORNA MANSA, VAI SER TROUXA???"
E todos os guris caíram na gargalhada, exceto Adam, Scott, Luke, Josh e Alec. A pobre Emma estava vermelha de vergonha, Scott por sua vez, estava vermelho de raiva.
— Qual é o seu problema, Marcel??? — Dispara Adam.
— Eu não tenho problema nenhum. Seu braço direito chifra a namorada com a sua irmã e você não fala nada. Engraçado que quando eu comi a Allison, você veio atrás de mim. Acho que isso é medo de perder seu trono. — responde com desprezo.
Alec que estava segurando o Scott para não ter problemas, teve que pedir ajuda.
— Escuta o que eu vou te falar. — Diz Adam agarrado no pescoço de Marcel — Eu sei que posso ser expulso daqui, mas eu quebro toda sua cara se falar mais uma vez da minha irmã ou da Emma, até mesmo do Scott. Você já apanhou de mim uma vez, quer um remember???
— Engraçado que meu problema é com o Scott, mas o macho dele sempre vem defender ele. Cadê sua voz, Scott??? A Allison comeu enquanto transavam em cima do par de chifres da sua namorada???
— Agora já chega, Marcellus. Me solta agora, Alec.
— Scott, não faz isso. Ele quer te provocar, você pode de ferrar nessa história. Pelo amor de Deus, se acalma. Luke, tira o Adam daqui, por favor.
Os guris caminharam para fora da sala e depois de 5 minutos, o professor voltou para sala.
— Cadê os senhores Hale, Levine, Wolff e Stewart???
— Eles foram chamados na direção, senhor Potter. — Diz Lucy.
— Devem estar transando no banheiro, quatro viados. — Diz Marcel.
E a confusão não vai acabar tão cedo.
Allison Hale P.O.V
Depois que os meninos saíram, eu respirei fundo mil vezes para não dar na cara daquele babaca. Mas ele só abria a boca para insultar os outros e aquilo era demais.
— Não aguenta pede pra sair, não é mesmo??
Ele ria e seus amigos o acompanhava.
— Engraçado, Marcellus. Você diz que os quatro são gays e estão transando no banheiro neste instante, mas creio eu, que você queria estar lá. Ou você esqueceu daquele segredo que me contou na noite que supostamente, nós "transamos" ou melhor, na noite em que você dormiu na minha cama igual a uma criança e disse que era gay.
— Está maluca, Allison??? Eu nunca te falei nada disso. Estava tão chapada que nem lembra o que fez.
— Não, meu querido. Você estava bêbado e abriu a boca e contou seu segredo pra mim. Está na hora de sair do armário, não é mesmo???? Quem não aguenta, pede pra sair. E a porta é logo ali.
— Você não passa de uma vadiazinha que pega o melhor amigo do irmão.
Dei um tapa forte no seu rosto
— Você não passa de um viado dentro do armário louco pra sair e revelar o seu segredo. Cuidado, a garota do blog está entre nós.
Dito isso, saí e fui em direção ao refeitório, eu realmente precisava de um café.
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