Confissões Adolescentes
11 Uma partida de futebol
Notas iniciais
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— Você fica ainda mais bonita quando sorri... – Do Contra sussurrou chegando mais perto dela.
Mônica corou instantaneamente, suas bochechas queimaram e sentiu um frio estranho na barriga conforme ele aproximava-se do seu rosto. Ela fechou os olhos e esperou o contato, e foi ainda com um sorriso que recebeu aquele toque macio pressionando gentilmente seus lábios.
Agora...
Não iriam ficar apenas naquele toque, com uma felicidade sem igual, ela percebeu que ninguém chegou e interrompeu como nos filmes, tudo aconteceu como deveria. Eles aprofundaram o contato quando ela abriu a boca dando passagem para o garoto invadir, ele o fez como se pedisse licença, primeiro com calma, e depois gradativamente aumentando a intensidade do beijo.
Os dois jovens esqueceram-se do filme que acontecia na tela, preferiram curtir um ao outro enquanto podiam. Entre alguns sorrisos, pouca conversa e muitos beijos, só perceberam que era tarde ao verem as letrinhas dos créditos finais invadindo a televisão.
— Eu preciso ir mesmo? – Do Contra perguntou coçando a cabeça.
— Precisa sim! Meus pais me matariam se chegassem e você ainda estivesse aqui.
— Mas a gente não ia tá fazendo nada de errado... – O menino insistiu.
— Diz pra mim, Sherlock, como eles saberiam disso? – Perguntou já empurrando o garoto pela porta.
— Eles não confiam em você? – DC jogou a cartada final e viu que estava quase ganhando quando a garota ficou pensativa por uns instantes.
— Confiam. Por isso mesmo você precisa ir, eles detestam que eu receba visitas até tarde em casa. Não quer que eles pensem mal da gente logo agora, né?
— Certo, certo. – O menino respondeu dando-se por vencido. – Então só me dá um último beijo. – Pediu o que já seria o último beijo de número cem; estava pendurado na porta e na esperança de que poderiam prolongar o momento.
Mônica não queria despedir-se dele, só o fez porque precisava, então não foi nenhum sacrifício dar o que pedia.
— Pronto, agora vai. – Falou tentando fechar a porta para que ele saísse dali. – Ah, não esquece... Preciso de verdade de um professor particular, eu e a Carminha vamos pagar bem.
— Vou enviar mensagem pra ele assim que chegar em casa. Agora não feche a porta na minha... – O estrondo da batida o fez rir. – Cara! Ok, gata, valeu hein. – Falou alto para que ela ouvisse, então saiu caminhando feliz.
A noite estava quase caindo quando Do Contra chegou em casa, não conseguia tirar aqueles beijos da cabeça, e, para ser sincero, nem gostaria. Sofria um pouco com a própria personalidade naquele momento, era muito clichê ficar pensando por horas na garota com quem estava afim de ficar quando finalmente conseguia, mas ele simplesmente não conseguia evitar.
Decidiu tomar um banho e jogar um pouco de videogame para distrair a mente. Deu tão certo que quase esqueceu-se de enviar a mensagem ao amigo que poderia ajudar as meninas com a disciplina de informática, só conseguiu contato porque o mesmo enviou-lhe mensagem pedindo informações sobre a partida de futebol.
— Fala, mano. Conseguiu o horário do campinho pra amanhã? — Era a pergunta que aparecia na tela do aplicativo de mensagens.
— Claro! Amanhã 15 horas no campinho. Não atrasa, careca.— Respondeu de imediato.
— Tá tranquilo. Ah, tô levando torcida... Meio obrigado, mas tô.— O menino lembrou-se de avisar.
— Sem problemas. Também tô. — DC enviou com uma carinha sorridente ao lado.
— Quem é a vítima? Vai fazer com ela o mesmo que fez com as outras ou dessa vez vai ser diferente?— O amigo perguntou sendo irônico.
— Se apaixonar é algo muito previsível, cê sabe que esse não é meu lance.
— Pior que eu sei, e é só nisso que concordo contigo. Mas deixa a mina avisada pelo menos. — Recomendou. Não era muito de se preocupar, principalmente com quem nem sabia quem era, mas por alguma razão desconhecida se sentiu chateado por aquela menina.
— Fica sussa, ela parece ser bem o tipo mais tranquila, espero que esteja afim só de curtir. Ah, ia esquecendo, ela tá procurando um professor de informática particular, disse que paga bem.
— Fala sério! Tô precisando de uma grana! Passa meu contato.
— Amanhã apresento vocês. São duas amigas, na verdade. A loira é mó gata, mas tira o olho da morena, por favor. — Do Contra pediu.
— Não quero saber de gatas, meu! Quero grana. Além disso, cê sabe que saí dessa vida de infiel, tô curtindo só uma agora.
— Ahãm, senta lá! De qualquer jeito não é problema meu. Amanhã a gente se encontra. Abraço. — DC se despediu e pulou da cama para ir em busca de algo para comer, tinha que estar forte para fazer bons gols e impressionar Mônica no dia seguinte, só não sabia o porquê de querer tanto isso.
A manhã de domingo passou voando, ao contrário dos outros dias, Mônica não acordou cedo, preferiu passar uma preguiça a mais na cama e ficar bem descansada para assistir ao futebol dos meninos. Pegara no sono pensando nos beijos dos dois, definitivamente havia gostado muito da experiência e, se pudesse, iria repeti-la, porém, não ficaria no pé de ninguém. A menina era bem desconstruída quanto a isso, e não queria que as pessoas interpretassem aquele fica como algo sério, ela não estava atrás de um namoro.
Depois do almoço, abriu o guarda-roupa e ficou alguns minutos parada olhando ali dentro, sabia de cor e salteado tudo o que guardava no lugar, mas nunca conseguia escolher com antecedência, precisava fazer o ritual de abrir e pensar, igual quando queria comer algo da geladeira, repetia aquela ação por puro esporte. Acabou decidindo-se por um macaquinho jeans curto e um cropped azul, colocou suas havaianas brancas e sentiu que estaria perfeito para assistir a um jogo no campinho.
Não demorou muito e a campainha tocou, Magali e Denise tinham vindo buscá-la para irem juntas. A surpresa ficou por conta de Carminha que também apareceu e levou as três de carro, mesmo sob os protestos de Denise que não ia, de forma alguma, com a cara da menina.
Elas chegaram em cima da hora, o juiz havia acabado de apitar o início do jogo. Os meninos estavam jogando contra o time dos garotos do bairro vizinho, um amistoso sem importância em campeonatos, porém, um clássico das peladas, ninguém ali gostaria de perder. Talvez tenha sido por isso que lá pelos trinta minutos de jogo um menino do time rival tenha feito uma falta dura em Cascão, ele não tinha a menor chance de cobrar, pois o tornozelo inchou instantaneamente.
Mônica ouviu quando gritaram por alguém com o nome esquisito, ela tinha escutado mesmo corretamente? Riu pensando na criatividade que a turma tinha para dar apelidos uns aos outros. Mas pelo que notara haviam chamado o nome mais xingando porque o tal menino não estava presente, havia se atrasado.
Restou ao Do Contra cobrar a falta, ele se preparou e correu em direção à bola, mas bem perto apenas passou por cima da mesma, deixando Xaveco, que também estava por ali, incumbido de bater. Aquele passe ensaiado acabou confundindo os meninos do outro time que estavam na barreira e a bola acertou o ângulo. Gritos. Era gol.
A torcida do Limoeiro vibrou e não demorou muito o juiz apitou o fim do primeiro tempo. Os garotos vinham conversando felizes pelo gol no finalzinho, tagarelavam alto e decidiam novas táticas para o segundo período do jogo. Do Contra meio que os abandonou e veio em direção à Mônica que ficou sem ação ao notar que ele a beijaria bem ali, na frente de todo mundo.
— Tô suado e não posso te abraçar. – Deu-lhe um selinho rápido e logo justificou-se com um sorriso por não poder cumprimentá-la melhor.
O resto da turma nem se importou, mas Magali e Carminha olharam a cena de canto de olho, uma sorriu e balançou a cabeça, a outra não esboçou nenhuma reação, mas ficou perguntando-se do porquê da amiga não ter contado nada.
Os garotos se afastaram um pouco para conversarem melhor. Assim que notaram DC longe, Maga e Carmen correram para puxar Mônica, mas a ex-comilona foi mais rápida.
— Foi ontem, Mô? Conta tudo! – Magali pediu com um sorriso.
— Ah... Na verdade foi. Ele levou um filme super chato, eu me entediei, mas logo a gente esqueceu tudo isso e acabou rolando. – Mônica contou corando levemente.
— Nossa, que legal! – Magali exclamou com sinceridade. – Mas olha só, eu sei que é cedo pra dizer isso... Enfim, vai com calma, tá? O DC é meio...
— Diferente! – A morena completou. – Eu sei. Não fica preocupada, Maga. Tô sabendo que ele é do tipo que não se apega, mas saca só a surpresa: eu também não. – Respondeu sorrindo.
— Se é assim, ninguém vai ter problemas. Espero que se deem bem.
— Tenho que te confessar, já estamos nos dando muito bem!
As duas garotas riram em cumplicidade, Magali ficando mais calma ao perceber que Mônica não estava criando expectativas demais, isso era ótimo! Quando se distanciaram, Carminha percebeu que era hora de interrogar sua amiga.
— E então... Quando ia me contar? – Perguntou sem rodeios.
A dentucinha iria responder, mas o celular começou a tocar exatamente naquele momento, foi com um grande descontentamento que viu a foto do pai no visor, fez sinal com a mão para que a amiga esperasse ela acabar de atender.
— Oi, pai. Algum problema?
— Onde você tá? Quer dizer, não importa. Vem já pra casa que temos visita. – Ele anunciou com a voz autoritária.
— Sério? É que tô com meus amigos... Não posso ir mais tarde?
— Bem, sua avó só tá dando uma passadinha rápida, já já vai voltar pra casa, então...
— Chego aí em dez minutos! – A menina cortou o pai demonstrando a empolgação na voz. Estava com muitas saudades da sua avó, geralmente só a via nas férias, não fazia ideia do que a senhora de voz bondosa estava fazendo ali naquele dia.
— Carminha, pede pro seu motorista levar a gente pra ontem lá em casa. A vovó veio visitar e não quero perder um minuto disso. – Anunciou dando palminhas com a empolgação e já puxando a amiga que não teve outra escolha a não ser dizer que sim.
Do Contra veio correndo ao perceber a movimentação apressada, não entendera o motivo de ela ter saído sem se despedir. Coçou a cabeça vendo-as afastarem-se, mas logo espantou-se com uma mão em seu ombro.
— Fala, mano! Foi mal a demora, eu tive que esperar a mina se arrumar, aí já viu, né?
— Relaxa, a gente tá ganhando mesmo! – Falou meio irritado e ligando pouca coisa para o que o outro estava falando.
— Que tá rolando? Tá olhando o que? – O menino olhou na mesma direção que DC e percebeu duas garotas entrando em um carro.
— Nada importante. Só suas clientes indo embora sem se despedirem.
— Ah, fala sério! Eu não sabia que iam tão cedo, teria chegado antes, pô! – O garoto respondeu cabisbaixo, precisava fechar aquele negócio.
— Fica frio, vocês vão ter outras oportunidades de se encontrarem. Agora bora é jogar bola! Tá nessa, Cebolinha?
— Já é! Mas é Cebola, cabeção! – Respondeu dando um pedala de leve no amigo.
— Então tá, bora, cabeção. – Do Contra debochou e os dois saíram rindo em direção ao campinho para a partida que iria recomeçar.
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