Confissões Adolescentes
10 O Palhaço e a Panqueca
Notas iniciais
Anteriormente em Confissões Adolescentes...
(...) Magali percebeu que aquilo realmente não era uma coisa fácil de superar, nem para ele e nem para os que o viam sofrer com a culpa, como o Cascão. Acabou fazendo o que queria, puxou o sujinho e deu-lhe um abraço.
Agora...
— Ops! – Mônica exclamou assim que entrou na sala e encontrou os amigos abraçados, a princípio não queria interromper, mas seu olhar acabou encontrando o de Magali e ela não teve como sair de mansinho. – Eu atrapalho alguma coisa? – Perguntou com um sorriso irônico quando os dois soltaram-se.
— Não, Mô... A gente só tava conversando. – Magali respondeu com o rosto quase entrando em combustão de tão vermelho.
— Eu diria que sim, atrapalhou, mas estamos na sua casa, né... AI! – Cascão reclamou ao receber um beliscão de Maga.
Mônica riu da cena e imaginou que aqueles dois poderiam ficar muito bem juntos, na verdade, não fazia ideia se Magali tinha namorado ou algo do tipo, mas pelo jeito que Cascão investia, era bem provável que não. Agora o caso do menino era bem mais complicado, Cascuda era o tipo de ex que gruda, cola mesmo e não deixa brechas para o acaso, então, esse, talvez, fosse o único momento que ele teria para conversar direito com a ex comilona, foi por isso que Mônica decidiu ajudar naquele setor também.
— O DC tá vindo aí, a gente vai assistir algum filme legal que ele vai trazer, vocês não querem ficar com a gente? – Convidou-os.
— Ele vai trazer o filme? Ih gente, foi mau... Acho que preciso ir pra casa... – Cascão respondeu rapidamente e levantou-se com um pulo.
— Mô, eu também tenho que ir, sabe? Bateu uma super vontade de comer uns pãezinhos da padaria do pai do Quim...
— Opa, no Quim? Acho que vou te fazer companhia então. – Cas avisou visivelmente preocupado. Mesmo não tendo nada com Magali, ficava ressabiado quando a menina estava em companhia do ex namorado.
— Ué! Mas a gente acabou de comer... – Mônica tentou falar, mas os amigos já haviam saído e correram mais do que o Cascão fugindo de chuva. – Hum... Será que eu falei algo errado?
A morena deu de ombros e começou a organizar a sala para receber a visita, eles iriam se encontrar apenas no domingo, porém, o campinho estaria cheio de gente, e DC não teria como dar tanta atenção à garota como gostaria por estar no meio de uma partida de futebol, por isso, acabaram percebendo que aquela tarde livre poderia ser uma boa para um pré-encontro.
Mônica avisou sua mãe que receberia visita e questionou se haveria problemas, como Dona Luiza iria sair, ficou um pouco receosa, não gostava que a filha ficasse sozinha na companhia de garotos enquanto não estivesse em casa, mas confiava nela e em seu senso de responsabilidade.
Cerca de trinta minutos depois a campainha tocou, era ele, trazia uma bolsa a tiracolo, provavelmente contendo o filme. Mônica o recebeu com um grande sorriso no rosto e levou-o até a sala onde poderiam ficar a vontade para assistir.
Dona Luiza apareceu para conhecer o amigo da filha e avisar que estava de saída, teve boas impressões do garoto, e pelo pouco tempo de conversa, achou-o interessante e engraçado. Despediu-se e recomendou que os jovens tivessem juízo, disse que voltaria apenas a noite, pois iria ao cinema com seu Souza.
— Acho que mamãe gostou de você. – Mônica disse a Do Contra assim que sua mãe saiu.
— Pelo visto as mulheres da família têm bom gosto! – Ele riu de lado.
O menino contou que o filme não apaixonava as pessoas a quem tinha apresentado, mas, na verdade, aquilo acontecia porque nenhuma delas estava preparada para o choque de realidade que ele proporcionava, talvez se a dentucinha prestasse bem atenção nas cinco horas que seguiriam, quem sabe ela não seria a primeira a perceber toda a emoção que havia por trás de um simples palhaço triste que servia-se das mais diversas panquecas todos os dias.
Mônica piscou diversas vezes enquanto ele explicava do que o filme se tratava, estava um pouco assustada por alguém achar que aquele resumo, mesmo dado com toda a emoção, pudesse empolgar alguém a assisti-lo. Intimamente a menina torcia para que conseguisse pescar algo legal durante o decorrer da película, embora achasse difícil.
Ela colocou o DVD para rodar e com quinze minutos já estava completamente arrependida, além do enredo chato, sem graça e sem ação, o filme ser mudo não estava ajudando. O pior era que ao olhar para DC percebia um menino empolgado e que não notava o quanto estava entediada.
Aos quarenta minutos ela decidiu mudar de estratégia, começou a tentar chamar a atenção dele, mas o garoto parecia totalmente alheio ao que acontecia no mundo real, havia até mesmo uma lágrima que ameaçava escorrer de seu olho esquerdo!
Mônica tentou vários golpes, desde o espreguiçar e passar o braço por trás, até o se assustar e abraçar o menino, colocou a mão bem próxima a dele tentando, quem sabe, que ele segurasse, mas não deu em nada. Acabou entendendo o porquê de Cascão e Magali terem saído tão rápido da sua casa, pelo visto, aquele filme já havia rodado pela turma e deu para comprovar sua fama ruim.
— Ei, ainda tá aí? – Ele perguntou quando notou a moça quase dormindo ao seu lado.
— Hãm? Que? Já acabou? – Respondeu surpresa e morrendo de vergonha por ter sido pega em flagrante.
— Deixa eu adivinhar... Também não gostou do filme, não é?
— Se eu dissesse que gostei estaria mentindo... Então, não. – Corou sorrindo.
— Tudo bem, então não vou te obrigar a assistir. Mas tenho que avisar que as próximas duas horas seriam cheias de emoção e com a melhor parte do filme, porque o palhaço finalmente consegue fazer a panqueca perfeita, e ela trás a felicidade que faltava em sua vida!
— Uma panqueca? Ah, deixa pra lá, não quero saber não. – Ela riu. – Quem sabe quando eu não estiver com tanto sono...
— Eu vou cobrar... Agora vou fazer algo que eu detesto, te deixar escolher o filme. – DC avisou com receio de que fosse arrepender-se.
— Oba! Sério? Cara, vou colocar um filme incrível: Anoitecer parte 2, a batalha final, você vai amar. – Empolgou-se e ele sorriu, não por assistir aquele filme de vampiros, mas sim porque a viu feliz, ela ficava linda. – Ué, o que foi? – A menina perguntou sentando-se ao seu lado, estranhara vê-lo com aquela expressão olhando-a.
— Você fica ainda mais bonita quando sorri...
Mônica corou instantaneamente, suas bochechas queimaram e sentiu um frio estranho na barriga conforme ele aproximava-se do seu rosto. Ela fechou os olhos e esperou o contato, e foi ainda com um sorriso que recebeu aquele toque macio pressionando gentilmente seus lábios.
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