Confissões Adolescentes

13 Negócio Fechado!


Notas iniciais
Olá, olá, olá! Como vocês estão? *-* Espero que gostem do capítulo, seus lindos ♥

Aquele fim de semana foi um dos mais corridos para a Mônica, nada saiu conforme o planejado. Por exemplo, no sábado nem imaginava que ficaria com o DC, e no domingo, que planejara conhecer a turma, teve que voltar às pressas para casa. Pelo menos o motivo que a fez retornar era excelente: sua vozinha estava a sua espera.

— Vovó! – Gritou e correu em direção à vovó Souza que se levantara para abraçá-la. – Nossa, que saudades!

— Querida! Como você tá grande e linda! – Sorriu afastando um pouco a neta para vê-la melhor. – Pena que eu não vá poder passar tanto tempo com você...

— Poxa, eu chegaria antes se soubesse que viria... Por falar nisso, por que tá aqui? – Mônica perguntou curiosa.

Os pais e a avó entreolharam-se nervosos, a baixinha percebeu que qualquer que fosse a resposta estaria combinada e ensaiada por eles, antes mesmo de escutar já sentia uma mentira.

— Vovó, por que você veio pra São Paulo? – Retornou à pergunta, mas dessa vez com um tom mais grave, temia o que fosse ouvir.

— Não foi nada, querida, vim apenas fazer alguns exames que não disponibilizam lá em Itu. O meu médico queria algo mais detalhado, então vim de última hora.

— O que você tem? É algo grave? – Mônica alarmou-se, sabia que podia ser uma coisa séria.

— Nada com o que precise se preocupar! Só é que estou ficando velha e velho tem dessas coisas. – A avó passou a mão nos cabelos da neta sorrindo, tentou fazer uma brincadeira, mas a menina percebeu que o sorriso não chegou aos seus olhos.

Quando ia abrir a boca para fazer mais perguntas, todos ouviram a buzina de um carro do lado de fora, era o táxi que a levaria até a rodoviária. Eles se despediram, combinando de encontrarem-se nas férias, seu Souza insistiu em levar a mãe, mas a senhora negou-se dizendo incansavelmente que não queria atrapalhar o fim de semana deles.

Depois que ela se foi, o silêncio que instaurou-se na sala era mórbido, a moça teve a certeza de que sim, estavam escondendo alguma coisa, e que não, ninguém iria falar nada. Foi só então que percebeu a figura de Carmen sentada no sofá folheando uma revista qualquer.

— Er... Amiga, vâmo pro meu quarto? – Mônica perguntou.

— Ah sim, vamos. Com licença. – Sorriu aos pais da dentucinha enquanto a seguia para o andar superior.

Assim que fecharam a porta as duas começaram a tagarelar sobre assuntos diferentes, cada uma falando por cima da outra, sem ninguém prestar atenção.

— Pera aí! Do que está falando? – Carminha perguntou.

— Da minha avó, claro! Você não achou esquisita toda essa situação?

— Ah Mô, desencana! Ela disse que não precisava se preocupar, não disse?

— E eu não acreditei! – Falou mais para si mesma do que para a amiga.

— Certo, certo. Agora vamos ao que interessa... Vai contar sobre o Do Contra ou vai me enrolar? – Carminha questionou sem conseguir esconder a curiosidade.

— Veja bem, minha vó e a saúde dela interessam sim. Mas tudo bem, a gente pode mudar de assunto já que eu preciso distrair até pensar em alguma coisa pra descobrir o que anda acontecendo.

— Então, agora conta. – A outra pediu.

Mônica contou tudo, desde o filme chato até a hora do primeiro beijo, disse como se sentira e sobre o que conversaram, não poupou nenhum detalhe, pelo contrário, as palavras escapavam-lhe ilustrando cena por cena da tarde passada.

Carminha ouvia tudo em silêncio, desejava em seu íntimo ser uma ótima amiga, por isso havia decidido desistir de chamar a atenção de Do Contra, afinal, Mônica acabara de contar que ficou com ele. Então era isso, fim de papo, ela perdera, a amiga ganhara e ela estava feliz por isso. Não estava?

O resto do domingo passou voando, depois que Carminha foi para casa, Mônica percebeu que seu celular estava cheio de mensagens, a maioria de DC perguntando se ocorrera alguma coisa grave no campinho para ela ter saído sem se despedir. Após explicar que estava tudo bem, e que saíra daquela maneira por que precisava ver sua avó, Do Contra ficou bem mais tranquilo e passou a falar sobre os lances do jogo que ela perdera.

— Ah, e você nem esperou meu amigo que pode te ajudar com os lances de informática. – Ele mandou antes de despedirem-se.

— Será que tem problema você passar o contato dele?

— Problema nenhum, vou te mandar e vocês acertam um preço. – E enviou o contato do Cebola.

— Vou chamar ele aqui no whats e saber dos preços. Os pais da Carmen já se adiantaram e conseguiram alguém, por mais que eu pague bem, não sei se meus pais terão dinheiro suficiente para pagar o mesmo que ela.

— Relaxa, fala com ele e diz que é minha amiga, tenho certeza que ele vai te dar um desconto. Agora tô indo nessa que tô caidaço. Beijos, gata.

A palavra amiga ficou martelando na cabeça de Mônica sem parar, parece que ela insistia em saltar da tela do celular direto para sua visão se destacando de todo o resto do texto. Sem perceber, ela havia de fato se incomodado com algo que não deveria, afinal, eles tinham acabado de ficar uma única vez e ela não queria ser mais do que... Do que o quê? Pegou-se pensando no que de fato eles seriam.

Para espantar essas coisas da mente, salvou o número do contato do garoto Cebola – estranho, ela pensou, o nome de fato era engraçado – e mandou uma mensagem. Preocupava-se bastante com sua segurança nas redes sociais e meios eletrônicos, por isso não usava sua foto no perfil do aplicativo de mensagem, mas sim de uma personagem do seu gibi preferido de infância.

Ei, meu nome é Mônica! Sou amiga do DC e ele disse que poderia falar com você a respeito de aulas particulares. — Enviou e não aguardou resposta, foi direto para o banho.

Quando voltou o tal Cebola havia respondido a mensagem e ela animou-se com a resposta.

Olá, Mônica, meu nome é Cebola, prazer. Pois é, ele me falou a seu respeito, quais são suas dificuldades com relação às matérias?

Bem, eu estudo no colégio do Limoeiro, e lá a professora anda passando algumas coisas meio complexas sobre segurança de rede que no momento não entram na minha cabeça.

Ah, eu conheço toda a matéria dessa escola, estudei por lá meu fundamental e médio inteiros! Vai ficar bem fácil de dar aulas a você e sua amiga.— Ele respondeu já se sentindo mais alegre pelo dinheiro que entraria. A mensagem da menina havia chegado na hora certa, em meio ao torpor depois do choro, aquilo distraiu-lhe dos motivos que o tinham levado até lá.

Quanto a minha amiga, os pais dela conseguiram outro professor particular, eu não o peguei justamente por causa da grana...

Que pena que ela não ficará! Mas eu cubro qualquer preço que ele tenha feito, afinal, vocês são amigas de um parça meu.— Respondeu tentando fechar aquele negócio sem parecer desesperado.

Então, quanto ficaria sua hora aula?

Preciso confessar que no geral eu dou aulas de matemática ou física pra galera do ensino médio, nunca de informática. Então, como é uma coisa que gosto mais vou te dar um desconto legal, faço cinquentinha a hora.

Tá falando sério? Caramba! O cara cobrou mais de cem pra Carminha. O negócio tá fechado. Preciso de três horas no mínimo por semana, de preferência à tarde, qualquer dia, pode ser?

Pode ser sim. Às sextas-feiras, o que acha? — Perguntou meio chateado por não ter cobrado mais. Se soubesse que o outro cara havia cobrado mais de cem, teria cobrado no mínimo oitenta! Não estava desdenhando do serviço do profissional, mas não achava aquele assunto tão complicado e, sinceramente, daria conta de explicar tudo da melhor forma possível mesmo por aquele valor.

Por mim tudo bem. Tem como ser na minha casa? Ah, e também vou precisar que seja só no mês que vem, por que já acabei minha mesada.— Falou envergonhada, o que ele pensaria de alguém que termina a mesada antes do final do mês?

Tudo sussa. Depois do carnaval?— Cebola perguntou não querendo demonstrar frustração, na verdade, precisava daquele dinheiro justo para a viagem que a turma fazia durante o feriado.

Sim, logo na volta. Vai ter bastante matéria, mas prometo estudar direitinho para não ser uma aluna ruim. — Disse-lhe.

Você não vai viajar com a galera? Geralmente o povo vai pra casa de praia do Xaveco.

Ah, eu não posso ir... Um dia te explico direito. – Respondeu não querendo entrar em detalhes sobre a linha dura dos pais com um quase desconhecido.

Tudo certo. Um pouco antes das aulas eu pego teu endereço. Não vai se arrepender de me ter como professor.— Enviou sorrindo com a própria prepotência.

Okay, professor, e eu serei sua melhor aluna. Beijinhos.

Mônica largou o celular de lado e acomodou-se para dormir, no outro dia teria que acordar cedo e não estava com vontade de atrasar-se. Pelo menos aquela conversa com seu futuro professor tinha a distraído de outros assuntos. Dormiu tranquila.

Notas finais
Chegamos ao fim do capítulo XIII. Espero que tenham gostado desse primeiro contato (?) entre meus dois lindos, ainda não foi pessoalmente, mas logo logo vai acontecer! Super beijinhos :*