Confissão
1 Único
Notas iniciais
Boa leitura ♥
CAPÍTULO ÚNICO
Confissão: s.f. Declaração verbal ou escrita pela qual se reconhece ter feito ou dito alguma coisa: fazer a confissão de suas culpas.
(...)
Finalmente havia chegado o tão esperado dia. Neville estava contando no calendário que havia em seu criado no dormitório os dias para que chegasse o Baile de Formatura. Após a Guerra, seus planos de confessar seu amor para Luna foram adiados, porque o ano dos N.I.E.M’s estava apenas começando, já que a escola fora reconstruída. E, tamanho o desespero para as provas que definiriam seus futuros, os alunos só saíam de seus dormitórios para irem até a biblioteca ou para freqüentar as aulas.
E ele havia visto ela algumas vezes, na biblioteca, na mesa da Corvinal. Porém sempre rodeada por amigas, o que o desencorajava. Mas era só olhar para seus grandes olhos sonhadores, uma imensidão azul, ou para seus cabelos loiros que emolduravam suas feições angelicais que a coragem voltava para seu corpo e ele ficava ainda mais ansioso para o Baile.
Não que ele estivesse ansioso para aquela festa. Não. Neville não dançava, era desajeitado demais para isso. Ele também não gostava de ficar em meio a multidões. Mas ele estava ansioso pela oportunidade imperdível que aquele baile oferecia a ele.
Tentou manter-se calmo enquanto domava seus cabelos rebeldes com um pouco de gel. Enquanto tentava dar o nó da gravata seus dedos pareciam se enroscar propositalmente, apenas para fazer com que ele demorasse ainda mais. A ansiedade havia tomado-o por completo. Porém não iria estragar O Grande Dia, como o próprio Neville chamava em seus pensamentos.
Contemplou seu reflexo no espelho com um sorriso de admiração. Pela primeira vez em sua vida ele não estava se sentindo um peixe fora d’água, tampouco se sentia desajeitado.
— Terno legal. — elogiou Rony enquanto observava com um olhar penoso o próprio terno, de um tom marrom avermelhado.
— O seu também. — Neville sorriu, lembrando-se do quarto ano, quando Rony usara algo que parecia pertencer à sua tataravó, pelo menos dessa vez ele estava usando algo mais moderno — Combina com seus cabelos.
Rony não riu da brincadeira do amigo. Segurava uma carta em sua mão esquerda.
— Foi o mesmo que a minha mãe disse. — resmungou — Espero que a Hermione não me ache tão ridículo.
— Você está bem, Rony. — Harry elogiou o amigo após terminar de arrumar sua gravata borboleta verde esmeralda, da cor de seus olhos.
Neville voltou-se para o reflexo no espelho, ainda com seu ar de aprovação. Estava tudo indo bem, por enquanto. Porém faltava o mais importante.
Após respirar fundo algumas vezes, ele finalmente desceu pelas escadas e então se dirigiu para fora do Salão Comunal, recebendo olhares de aprovação de Dino e Simas. Seu coração palpitava com tal intensidade que o som das batidas era audível.
— Controle-se Neville. — ordenou para si mesmo enquanto imaginava como ela estaria.
Talvez com um vestido excêntrico e bem chamativo? Com seus típicos brincos de rolhas de cerveja amanteigada. Talvez ela usasse seus óculos detectores de zonzóbulos. Mas ele não ligava para sua aparência diferente das demais garotas, era isso que a tornava ainda mais fascinante. Ela não ligava para os olhares reprovadores dos outros quando a viam entregando exemplares do Pasquim, a revista se seu, também excêntrico, pai. Também agia racionalmente enquanto procurava pelos seus objetos que eram escondidos dela por pura maldade das pessoas. Ela ignorava com sucesso as palavras maldosas que eram proferidas contra ela. Luna era tão julgada quanto ele, porém ela sempre soube lidar melhor com as coisas.
Ele sempre admirou aquela garota rotulada como maluca, sempre se inspirou nela para dar a volta por cima das ofensas que também eram direcionadas a ele. E conforme o tempo passou, a admiração foi aumentando cada vez mais. A amizade tornou-se um sentimento maior – e melhor – e ele viu-se, então, apaixonado por ela. Enquanto ambos lutavam na guerra contra Voldemort, pensamentos pessimistas rondavam sua cabeça. E se algo acontecesse a algum dos dois? Ele nunca havia tido coragem para se declarar antes... Prometeu então para si mesmo, que após a guerra ele teria a mesma coragem que teve para matar Nagini, a cobra de Voldemort.
Porém parecia que revelar seus sentimentos para Luna era uma tarefa ainda mais difícil do que participar de uma guerra. Talvez, para ele, matar um basilisco seria mais fácil do que deixar transparecer tudo aquilo que ele sentia.
Quando entrou no Salão Principal logo viu quem ele estava procurando. Ela usava um vestido dourado que ia até seus joelhos. Seus sapatos eram da mesma cor do vestido e seu cabelo estava preso elegantemente em um coque, com alguns fios soltos. Seu rosto angelical estava limpo, afinal, ela não precisava de maquiagem nenhuma para ser tão fantástica.
Não pode ser tão difícil, pensou enquanto analisava a garota a sua frente, que neste exato momento dançava sozinha no meio da pista de dança vazia. Neville respirou fundo
— Oi Luna. — sua voz saiu nervosa, como ele previra que seria — Você está deslumbrante.
Ela abriu um sorriso de agradecimento e depositou um beijo em sua bochecha. Quando ela sorria ficava ainda mais linda. Neville deixou que um sorriso tomasse conta de seu rosto pelo simples fato de estar ali com ela.
— Eu gostaria de conversar com você. Podemos? — pediu tentando controlar a ansiedade que o consumia neste momento.
Luna apenas assentiu, ainda sorrindo, e então o puxou pela mão até levá-lo para um corredor deserto, não tão distante do Salão Principal. A música ainda podia ser ouvida de lá. Lá havia um grande vitral que tinha como vista o lago e a lua, refletida nas águas escuras.
— Eu planejei cada palavra do que eu tenho a te dizer. — ela agora não estava sorrindo, mas sua expressão irradiava calma — Quando nós dois estávamos lutando naquela Guerra, Luna, cada corpo que eu via sendo levado para longe fazia meu coração parar de bater. Eu sentia o medo me dominando: medo de te perder. Quando nós finalmente conseguimos vencer e batalha eu prometi a mim mesmo que depois de quase ter perdido a chance de te dizer tudo que eu sinto, eu iria fazê-lo da melhor forma possível.
Ele fez uma pausa e lançou um olhar alegre para ela. Luna estava com uma mão em seu cabelo louro, brincando com as mechas soltas de seu coque. Seus olhos azuis e sonhadores fitavam Neville, pedindo que ele continuasse. E foi isso que ele fez.
— Eu estive esse tempo todo me preparando para poder finalmente dizer isso. Eu te amo Luna. Desde quando eu a vi pela primeira vez com seus óculos detectores de zonzóbulos lá no trem. Eu sentia um animal raivoso crescendo no meu peito quando as pessoas zombavam de você. Eu sentia uma vontade imensa de impedir que eles escondessem seus pertences. Eu queria que eles, pelo menos alguma vez na vida, a vissem como você realmente é: uma garota incrível, sonhadora, bondosa...
As palavras se perderam quando ela enlaçou seu pescoço com as duas pequenas mãos, enquanto olhava-o com seus grandes olhos. Ela sempre havia esperado por este momento...
Deitou sua cabeça no ombro de Neville e começou a mover seus corpos no ritmo da música lenta que tocava. Apesar de a música estar baixa, eles continuaram dançando por muitos minutos, até que Luna ergueu seu rosto para poder olhar melhor para Neville.
Era sua vez de falar.
— Eu queria dizer que sempre gostei de você Neville, pensei que fosse apenas uma amizade, mas eu nunca te vi do mesmo modo que via Harry ou Ronald. Você sempre foi diferente para mim.
Neville ficou em silêncio, admirando-a. Ela era tão linda. Sua face ficava ainda mais bela quando iluminada pela pálida luz do luar. Seus olhos incrivelmente azuis se desviaram do garoto por um instante, olhando para o teto.
Ele acompanhou seu olhar. Ali havia um ramo de visco.
— Acho que você já sabe o que significa. — Luna olhou para o visco então voltou seu olhar para ele.
Após um momento de relutância, Neville acariciou o rosto dela com a palma de sua mão. Em seguida aproximou-se e selou seus lábios ao dela.
Sim, ele sabia exatamente o que significava. Que eles, a partir de agora, seriam felizes para sempre.
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