Confiance
5 Look upon your greatness and she'll send
Davi acordou mal humorado. Estava todo torto, sentado com o notebook no colo, com fones nos ouvidos e a mão no mouse. Havia ficado a noite toda esperando por Manuela, que não deu as caras no jogo ou no chat.
Por fim, acabou pegando no sono ali mesmo e agora sentia as dores disso. Estralou o pescoço, esticando o braço e ouvindo os ossos da mão se estralando. Passaria o dia todo travado, tinha certeza disso.
Levantou e rumou para o banheiro, ligando a água quente para ajudar a relaxar os músculos doloridos. Caçou um Dorflex, mas não achou nenhum. Colocou uma roupa qualquer e foi para a cozinha da tia, encontrando a família sentada à mesa.
“Bom dia.” Saudou, enquanto sentava à mesa. “Tia, tem algum Dorflex por aqui? Eu to dolorido pra caramba.”
“Na gaveta, como sempre. Preciso deixar uma caixinha no seu quarto.” Suspirou a pedagoga, servindo a comida para ele. “Dormiu em frente ao computador, de novo?”
“Fiquei esperando a Manu entrar no jogo, mas acho que aconteceu algum imprevisto.” Ele explicou, antes de encher a boca de comida.
“Está tudo bem entre vocês?” Questionou Dante, analisando o sobrinho. “Faz uns dias já que a mocinha não vem passar a noite aqui, ou que você não vai passar a noite lá. E desde a época da pirada da Luene, você passar a noite desacompanhado é raro.”
“Muitas coisas para resolvermos na Marra, entende? Nosso cargo exige muito da gente.” Mentiu o programador, engolindo o remédio que a tia lhe entregava. “E por falar nisso, deixa eu ir que já estou atrasado. Até a noite gente.”
“Até, filho.” Rita lhe deu um beijo no rosto.
“Até.” Dante e Matias acenaram, enquanto ele saia para a garagem.
Saiu e viu que o carro de Manu ainda estava em frente ao prédio dela, mas não estava com a menor vontade de conversar com a nordestina. Então pegou sua bicicleta e foi pedalando para a Marra, como sempre havia feito.
Quando chegou na empresa, topou com uma pessoa que o fez sorrir.
“Hello Davi, como vai?” Megan se aproximou sorridente.
“Me diga você, parece animada.” Ele comentou, enquanto ela o abraçava e beijava seu rosto, em uma atitude típica de Megan.
“A Tatyana respondeu, e eu tive anothers ideas. Vamos conversar?” Os olhos castanhos brilhavam intensamente, e isso fez Davi sorrir.
“Claro, eu vou adorar.” Ele abriu a porta da empresa para ela, que passou agradecendo com um sorriso.
~M&D~
Manuela acordou realmente estressada, depois de uma noite irritante e horrivelmente longa. Havia sido recebida na noite anterior por uma notícia, no mínimo, péssima: Igor havia voltado com Janaína e a garota estava esperando um filho dele.
Claro que Manuela não aceitou nada bem a novidade e o pequeno apartamento da pernambucana se transformou em um campo de guerra, com Thales tentando acalmar os ânimos do pessoal.
Quando afinal as coisas se acalmaram, já era mais de meia noite, e tudo que a jovem queria era cair na cama. Desligou o celular, o notebook e qualquer forma de contato e se deixou envolver pelo sono.
E com isso perdeu a hora.
“Droga, Thales, por que você não me acordou?” Resmungou a engenheira, pegando uma barrinha de cereal e sua bolsa.
“Você precisava descansar, tava pilhada demais.” Explicou o amigo, mas ela não queria saber.
“Eu tinha uma reunião com o Jonas, logo cedo.” Ela pegou a chave do carro. “E porque o Davi não me acordou?”
“Davi nem deu as fuças por aqui.”
“Como não? Ele não foi trabalhar?” A moça se surpreendeu, saindo depressa e deixando o amigo para trás.
Ela correu até a casa do namorado, batendo na porta da garagem várias vezes, sem resposta. Quando estava prestes a desistir, Dante abriu a porta do cozinha, a assustado.
“Manu? O Davi já pegou o caminho da Marra faz horas.” Garantiu o sambista. “Foi com a bicicleta, logo cedo. Não encontrou com ele lá?”
“Na verdade eu perdi a hora, Dante. Acordei só agora, e estranhei ele não ter ido me chamar para irmos de carro.”
“Ah, é porque ele foi com a bicicleta. Cê conhece o garoto, gosta de pedalar.” O homem tentou conciliar, vendo a cara de desgosto da namorada do sobrinho. “Melhor você conversar com ele lá na Marra.”
“É, melhor mesmo.” Concordou a pernambucana, enquanto saia em direção ao carro.
~M&D~
“Bom, a Tatyana nos deu a permissão para usar as coisas do “Stop Telling Womens to Smile”, além de ela mesma fazer os desenhos das mulheres.” Contou Megan, mostrando a resposta do e-mail. “Teremos uma video-conference amanhã à tarde, para definir os últimos detalhes. Mas acho que, assim que conseguirmos as mulheres brasileiras que queiram fazer parte da campanha...”
“Teremos meio caminho andando.” Davi sorriu para ela. “Megan, isso é ótimo.”
“I know. E eu estive pesquisando essas ideias diferentes, e achei uma really cool, que podemos adaptar.” A loira abriu outro site. “Se chama “100 Happy Days”, já ouviu falar?”
“Não, nunca.”
“O projeto diz que, a cada dia, você deve postar one picture de algo que te faça feliz. Podemos fazer algo sobre 100 dias de atitudes positivas.”
“Mas aí seria sobre o assédio.”
“Sim, mas porque temos que conscientizar as pessoas just sobre o assédio contra as mulheres? Porque exaltar apenas the negative?” Davi assumiu um tom pensativo. “Podemos criar um aplicativo para isso, not like the Filma-E, mas nos moldes.”
“E por 100 dias, as pessoas enviaram atitudes que acham positivas?”
“Yeah. E quem completasse os 100 dias, ganharia algum prêmio. A ideia do “100 Happy Days” é as pessoas se desafiarem a achar algo feliz em seus dias, por 100 dias. No nosso caso, pode ser achar alguma atitude positiva.”
“Suas ideias tão ficando bem abrangentes.” Ele comentou, a voz com um tom orgulhoso. “Estou gostando de ver.”
“Eu comecei a procurar ontem, e é fascinante.” Megan sorriu, abrindo outras abas. “Tem um site, chama Hypeness e ele reúne a billion de ideias diferentes, que nem essas. Não sei se consigo criar algo...”
“Mas você está achando algumas muito legais, e temos influência para ajudar a divulgá-las.” Davi segurou a mão dela, um sorriso enorme no rosto. “Que tal irmos contar nossos planos para o seu pai? Acho que ele vai ficar feliz com nosso avanço.”
“Dad tinha uma reunião com sua sweet Manuela, hoje pela manhã. Provavelmente só estará livre depois do almoço.”
“Tudo bem, podemos esperar.” Ele garantiu, massageando o pescoço. “Um item para melhoria futura: a Marra deveria ter um massagista.”
“Você está okay?” A americana se levantou, indo até o rapaz e pondo a mão em seu pescoço. “Davi, seu pescoço está duro que nem uma pedra.”
“Eu sei, dormi sentado e com o computador no colo.” Megan sorriu compreensiva. “Tomei um remédio, mas o corpo está doendo.”
“E o seu pescoço está parecendo do Pinóquio, de tão duro.” Davi riu da comparação, enquanto Megan começava a massagear o local. “Better?”
“Muito.” O rapaz suspirou, sentindo ela mexer sua cabeça. “Não achei que você sabia fazer massagem?’
“E não sei. But, quando eu era pequena, ia com mom e Dorothy aos SPAs na Califórnia, e adorava observar enquanto as massageavam e faziam minhas unhas. Decorei one thing ou outra.”
“Você é realmente esperta.” Ele riu, deixando que ela massageasse seu pescoço. “Cara, isso é ótimo, de verdade.”
“O que está acontecendo aqui?” Os dois viraram depressa, encontrando Manuela com uma cara assassina. “To vendo como a gringuinha tá se comportando.”
“Hey, calm down sister, estava apenas ajudando seu namorado.” Pediu Megan, se afastando do rapaz.
“Estou vendo a ‘ajuda’.” Ironizou Manuela, no que Davi se levantou.
“Eu estou com o pescoço ruim e ela estava fazendo uma massagem que sabe, só isso.” Garantiu o rapaz, irritado. “E isso não é motivo para você tratá-la mal.”
“Se queria massagem, deveria ter pedido para mim, que sou sua namorada.” Rosnou a morena. “E por que não veio comigo hoje? Thales não me acordou e eu perdi hora.”
“Ah, Thales não te acordou? Dorme com ele agora?” Rebateu o programador, nervoso. “Olha Manu, eu to no meio de uma reunião agora. Se você já acabou sua conversa com o Jonas, eu e a Megan temos que falar com ele.”
“Ela não terminou, porque sequer começou.” O patrão entrou na sala, a expressão dura. “Algo errado para o seu atraso de duas horas, sem aviso, srta. Yanes?”
“Problemas de família.” Desculpou-se a engenheira, enquanto Megan e Davi se encolhiam no canto da sala. “Prometo que não irá se repetir.”
“É bom que não. Você e o Davi assumirão o controle dessa empresa, e para isso é vital responsabilidade e comprometimento, colocar a Marra à família, e se não for possível, ter pelo menos a decência de um telefonema.”
“Eu entendo, peço novamente que me desculpe.” Manuela parecia prestes a chorar.
“Dad, relaxa. Todos tem problemas pessoais, você included. Se ela se atrasou e não ligou, algo muito sério aconteceu.” A jovem Marra caminhou até o pai, colocando a mão em seu braço. “Anyway, eu e Davi temos algumas ideias para nossos projetos.”
“Projetos? Ora, agora é mais que um?” Eles assentiram. “Então estou ansioso para ouvir. Vamos para a minha sala. E você, Manuela, vá conversar com o Bóris sobre o software dele. quero sua opinião no assunto. A sua também Davi, mas eu e você vemos isso depois do almoço.”
“Mas já é hora do almoço.” Lembrou o rapaz.
“Oh, yeah, não vi.” O empresário checou o relógio. “Então, que tal termos nossa conversa durante a refeição? Aceita almoçar aqui, peanut?”
“Of course dad, vou adorar almoçar com você.” Megan abraçou o homem, os dois saindo da sala assim. Davi sorriu para a cena, logo sentindo o olhar de Manuela nele.
“Depois nós vamos conversar sobre essa massagem.” Garantiu a nordestina.
“Vamos? Ou vai prometer e me deixar esperando, como fez com o jogo ontem à noite?” Só então a ficha dela caiu, vendo a expressão nervosa dele. “Com licença.”
“Davi...” Mas ele não deu bola, seguindo Megan e Jonas, e deixando Manuela com mais vontade de chorar.
~M&D~
“Eu amei as duas ideias, de verdade. O prêmio que vocês propõe, para quem conseguir completar os 100 dias, é algo a se pensar e analisar, mas a ideia é muito boa mesmo. Assim como a dos cartazes na rua. Nós achamos que as pessoas não veem mais isso, mas elas veem, e é importante lembramos disso.” Jonas parecia animado após ouvir as ideias da filha e do sucessor.
“Ficamos meio inseguros, por sermos uma empresa de tecnologia.” Confessou Davi.
“Sim, é uma jogada um pouco arriscada, mas não menos eficaz. Temos que lembrar que, apesar de nosso mundo estar cada vez mais dominado pela tecnologia, ainda existem pessoas que estão no “mundo real”. E a maioria dos que praticam esse tipo de assédio, como a provocação das mulheres nas ruas, não estão antenadas na tecnologia.”
“Nós pensamos em algo para a Parker TV, que seria esses pôsteres, mas animados.” Contou Megan. “Like, as garotas desenhadas animadas, falando as frases que estariam nos cartazes.”
“Bom, bom... Muito bom.” Jonas sorriu orgulhoso para a filha. “Estou gostando de ver peanut, gostando muito.”
“Nós precisamos entrar em contato com o pessoal do “100 Happy Days”, mas acho que eles vão topar.”
“Tenho para mim que sim. E assim que eles derem uma resposta, quero ser informado.” Garantiu o magnata. “Bom, acho que nosso almoço já se acabou. Que tal irmos ver o Bóris?”
“Se Megan não tiver mais nada a discutir.”
“Oh no, já disse tudo que precisava. Mandarei o e-mail para eles, e recebendo uma resposta, envio para vocês dois.” A loirinha se levantou, apanhando a bolsa. “Trabalhem bastante, ok? Afinal, quero meu patrimônio bem cuidado.”
“Engraçadinha.” Jonas sorriu para a filha, enquanto ela beijava seu rosto. “Sua mãe está na Parker, peanut, passe lá para vê-la.”
“Good idea dad, farei isso.” Ela se aproximou de Davi, beijando seu rosto. “Se o pescoço não melhorar, eu conheço uma ótima massagista. Só me pedir que te envio o telefone.”
“Obrigado.” Ele sorriu para a americana, que logo sumiu pelos corredores, ainda sendo observada pelo nerd. Jonas sorriu para cena.
“Bom, vamos?” O mais velho atraiu a atenção do rapaz, que piscou algumas vezes.
“Claro, claro... Vamos.” Os dois saíram conversando tranquilamente, discutindo animados as ideias de Megan.
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