Confeções de um egoísta
1 Prólogo
Notas iniciais
“Numa noite tudo mudou, absolutamente tudo...
Não importava o quanto eu tentava fugir, tudo aquilo sempre vinha me assombrar. Nunca tive escapatória. Esse sempre foi o meu destino... Mas será que foi isso mesmo?
Perder tudo, todos, aquilo que eu realmente lutei de toda a forma para manter durante anos, foi tirado de mim em um dia.
Engraçado isso... Sempre diziam que nesse mundo ninguém nunca está sozinho, sempre há alguém ali com você. Bom... Se você acredita nisso, infelizmente terei que abrir os seus olhos, por que isso não passa de uma grande ilusão criada por pessoas egoístas que não querem viver pelo resto da vida só.
É... Mas eu não posso omitir o fato de que eu também já fui esse tipo de pessoa egoísta, pelo menos até agora.
Por que se isso que dizem não é mentira, então acho que não faço mais parte deste mundo...”
Universidade de Illinois EUA.
- Aqui diante de nós está um trecho do livro Confeções de um egoísta. Um livro que será muito utilizado nesse semestre; E para a sorte de vocês, não vou pedir um resumo desta vez. Bom, este livro de autor desconhecido será um excelente conteúdo de estudo, ainda mais para psicologia, como no caso é o curso de vocês.
Disse o professor apontando para o slide na parede da frente da sala e olhando para os alunos.
Ele abaixou a mão pegou seu papeis e se acomodou sentando em sua mesa.
- Então alguém pode me dizer o que o escritor, ou seja lá quem tenha dito isso, queria dizer?
Pelo menos oito alunos levantaram a mão, o professor apontou para um aluno sentado no fundo. A sala era em forma de funil, alta e larga no fundo e vai abaixando e afunilando na frente com a mesa do professor no meio e a saída a direita do professor. O garoto abaixou a mão visivelmente nervoso, e disse:
- Eu acho que ele quis dizer algo como, por ele se sentir sozinho todos são egoístas, por ele não ter alguém com quem perder a solidão e por isso ele diz não ter ninguém, por ter sido egoísta antes e agora que ele deixou de ser assim, ele deixou de existir num mundo egoísta. E agora ele está só. – O professor o olhou e fez uma cara de duvida depois voltou a ficar sério e fechou os olhos. – Eu disse algo errado professor?
- Não exatamente... Quer dizer... – Ele abriu os olhos e colocou a mão na boca. – Você falou, falou e não disse nada; Mas, até que não foi tão mau para a primeira vez com um assunto tão complexo. Realmente, ele quis dizer que vivia num mundo egoísta, fato, e sim, que ele realmente era egoísta, mas que acima de tudo, depois que ele deixou de ser egoísta ele fica só... Pois não existe um só ser na face da terra que não seja egoísta, e depois que deixa ser aquilo, a solidão passa a consumi-lo, até que não suporte mais.
Uma mulher se levantou séria e começou a dizer:
- Bom professor Jonathan, essa sua interpretação depende muito do ponto de vista!
O professor se levantou e ficou sério olhando para ela e disse:
- Sim. Você tem toda a razão, senhorita... — Ele piscou lentamente e logo em seguida apontou para ela – Me desculpe, mas não lembro o seu nome!
Ela saiu de onde estava e começou a descer as escadas e caminhou até onde o professor estava:
- Catharina, Catarina Batista – Ela se aproximou dele sussurrou no ouvido dele – Como você se lembraria do meu nome ou do meu rosto se nunca nos vimos?
Ela se afastou e olhou nos olhos dele.
-De onde você é senhorita Catharina? Realmente.
- sou da secretária de ensino. Disseram-me que suas aulas eram interessantes, então eu vim ver se era verdade! – Ela olhou no relógio de pulso e voltou a olhar para ele – E de acordo com meu relógio, a sua aula acabou tem cinco minutos!
Ela sorriu para ele.
- Isso faz parte do seu trabalho? – Ele sorriu de volta.
- Fazer parte, faz sim. Mas hoje não faz diferença, afinal... Estou de folga! – Ela colocou a mão no ombro direito dele olhando nos seus olhos e saiu junto com os alunos.
Ele ficou de boca aberta, depois disse:
-Que mulher é essa?
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