Conexão

2 Dia 2 - O convite de Maria Vitória


Sua casa estava da mesma forma desde a última vez que voltara naquele lugar tão acolhedor para Tamara, o abraço e aconchego de sua mãe e irmã, o cheiro das plantas, arvores e da natureza, ela precisava de sua família estar com eles renovou suas energias. Estava na cadeira de balanço perto do jardim que dava uma vista direto do lago e do jardim que sua mãe cuidava carinhosamente desde sua infância. Ao seu lado estava a irmã tomando um café, enquanto sua mãe regava as flores e roseiras distraidamente.


— Senti tanto sua falta – Disse Maria Vitória – Eu preciso te contar algo – sorriu esperançosa.


— Eu senti falta de você, dessa casa, da mamãe de tudo – falou sorridente enquanto encarou a irmã de forma curiosa e observadora – Me diga logo o que é – falou compreensiva.


— Eu vou me casar! – falou risonha e um pouco tímida, mostrando o anel que Pedro havia lhe dado três dias antes da chegada da irmã – Eu sei foi bem rápido... e foi de surpresa mais... Marcamos o casamento para o mês que veem, quero que você seja a minha madrinha


— Por que não me avisou antes – respondeu surpreendida pela resposta da irmã – É claro que eu aceito – pulou nos braços da irmã dando um abraço.
***
Passou uma semana e o noivo de Maria havia avisado estar indo vê-la na chácara de sua mãe, acompanhado de seu melhor amigo que muito se simpatizava com Maria e queria rever- lá, avisando que demoraria um pouco, pois era muito distante da cidade, para a alegria de sua sogra animada em recebê-los, já planejava e anotava o que achava interessante para o casamento sugerindo para sua filha Maria.

Naquela tarde Maria Vitória resolveu ficar com a mãe para receber seu noivo enquanto uma pensativa Tamara resolveu andar a cavalo nas terras, a mãe apenas aceitou e pediu para tomar cuidado alguns locais, haviam mudado desde a última vez que ela visitou a região, Maria Vitória queria acompanhar a irmã, mas foi dissuadida a ficar em casa por Regina, ela sentia que a filha ainda estava distante presa a um passado que ela não conseguiu remover de seu coração, ela somente rezava para que sua filha querida pudesse viver sua vida normalmente.


— Tati, anda muito distante, você sabe que ela não esqueceu do André – repetiu dona Regina para a filha Maria Vitória. Ambas estavam na sala de estar tomando café e comendo alguns lanches.

— Ela anda distante.. Um pouco fria, creio que seja, devido ao tempo em que ela ficou fora — desabafou colocando o copo de café em cima da mesa. – Não tive coragem de perguntar sobre o André, mas ela nunca o esqueceu....– murmurou a irmã gêmea de Tamara, com os olhos cheios de lagrimas. Ainda doía, lembrar o sofrimento de sua gêmea com a perda precoce do ex namorado.


— Nós temos que ajuda-la tentar fazer ela se adaptar novamente – falou com um sorriso compreensivo para sua filha.
***
Tati era seu apelido de infância enquanto Maria Vitória era chamada Mavi a semelhança entre as duas irmãs ia muito além da aparência, os cabelos pretos e encaracolados e os olho cor avela, a personalidade de ambas era um pouco diferente, enquanto Tati viveu parte de sua vida de forma um pouco distante de sua família, viveu o luto da perda de André da sua própria maneira e preferiu se afastar de todos e ir embora para o Uruguai onde iria estudar por alguns anos.


Suas lembranças daquele lugar ainda era vivas em sua memória , e seus olhos encheram de lagrimas, aquela área vasta era composta por várias arvores de Ipê cor de rosa, as cores favoritas de Tamara. Ela tocou em um dos troncos da árvore como forma de nostalgia quando passou várias horas com André naquele local que ambos adoravam.

***

Já havia passado quase 3 horas desde que Tamara havia saído sozinha perambulando pelas terras de sua mãe. Regina já preocupada e com medo de anoitecer e Tati se perder no caminho de volta. Em meio a esse tempo Pedro e Felipe haviam chegado para alegria de Maria Vitória por rever seu noivo.


— Dona Regina, cada dia você esta mais bonita – sorriu Felipe indo abraçar a anfitriã, Regina gostava do rapaz por sua alegria e espontaneidade, mas havia nele algo malicioso isso ela havia percebido.


— Como sempre um doce de rapaz – respondeu com um abraço apertado e alegre e logo após foi a vez de Pedro.


— Regina, estava com saudades da senhora e dessa chácara – abraçou a sogra com muita alegria. Até o momento em que uma empolgada Maria Vitória repetia os detalhes das ideias para o casamento.


— Eu já tenho os nomes dos nossos padrinhos – empolgou – se alegre ficando em pé no meio da sala – Felipe vai ser o padrinho e Tamara a madrinha –. E naquele momento todos ficaram em silêncio.