Conexão

1 Prólogo


Notas iniciais
É apenas uma prévia do que será a história.

18 de abril de 2012; 17h55min; Califórnia


Com os pés enfiados na areia, os cabelos ao vento e o olhar no horizonte, eu a avisto.

Sinto meu coração pular dentro da caixa torácica. Eu esperei pelo momento certo e então aqui estava ele.

Caminhei e logo me aproximei dela.

— Posso me sentar? – perguntei fazendo sua atenção se desviar do por do sol.

Ela fez aquela típica cara de confusa, mas logo abriu um tímido sorriso e afirmou com a cabeça.

Sorri. Mais uma vez eu comecei certo.

— O por do sol é sempre mais bonito que o nascer. As cores são mais intensas e conseguimos apreciar tudo sem correr o risco de ficar cego. – falei apreciando a vista.

Senti seus olhos sobre mim e lhe encarei.

Ela era ainda mais bonita de perto. Seus olhos cor de mel com pequenos pontinhos pretos, suas bochechas coradas sem motivo algum, seus cabelos negros brilhantes, seu cheiro natural. Tudo nela era perfeito.

Então ela sorriu. Esqueci de dizer o quanto aquele sorriso valia à pena. Tudo valia à pena só por causa daquele sorriso.

— Sabia que você tem razão? Nunca reparei nisso. – ela disse voltando a fitar os últimos resquícios de sol no horizonte. O espetáculo estava chegando ao fim.

— Mora aqui? – eu já sabia a resposta. Mas estava começando do início. De novo.

— Não. Estou de férias. E você? – percebi que ela estava sentindo frio. Suas mãos tentavam aquecer seus braços, fazendo uma fricção contínua sem sucesso algum.

— Também não. É sempre bom passar as férias na Califórnia. – respondi tirando minha jaqueta e lhe passando.

— Não precisa. Você vai ficar com frio. – sua preocupação comigo era sempre tão igual. Meu coração se sentiu aquecido. Pelo menos nisso ela sempre seria igual.

— Eu aguento. Você está apenas com uma regata, deve estar com mais frio que eu. – apontei minhas duas blusas de manga compridas escondidas pela jaqueta.

— Nossa pra que tudo isso? Mesmo sendo frio à noite. De dia faz um baita calor. – ela pegou minha jaqueta enquanto ria da minha esquisitice. Apenas balancei a cabeça, ela nunca ia mudar em relação a isso.

Que culpa eu tenho se sinto frio dia e noite? Durante toda minha vida?

— Estou muito acostumado com o frio da minha cidade. Lá é inverno todos os meses do ano. – disse rindo. Esperei ela notar a coincidência. Ela ia notar. Ela sempre notava.

— Sério? Na cidade onde moro também. Onde você mora? – perguntou curiosa. Notei isso pelo fato de suas pupilas terem aumentado um pouco de tamanho e um sorriso de descrença começar a surgir no canto esquerdo da sua boca. Quando ela fazia essa expressão, era porque estava curiosa. Muito curiosa.

— Moro em uma cidade no sul da Itália. Uma cidade não, uma mini-cidade. Bolzano. – falei notando o quanto minha resposta lhe deixou desconcertada. Eu adorava deixá-la assim. Ela ficava tão bonita com uma expressão surpresa.

— Mentira! Eu também moro nesse ovo chamado Bolzano. – ela começou a rir e eu tive que fingir uma falsa surpresa. Nunca sou bom com isso.

— Sério? Que coisa doida. Bolzano é tão pequena e nós nunca nos encontramos e agora na Califórnia é que nos cruzamos? – eu ficava muito imbecil fazendo essas caras de indignação.

— Não faça mais essa cara. Você fica muito estranho. – ela disse e começou a rir. Mas dessa vez ela estava gargalhando. Pelo menos eu a fiz rir.

— Melhorou? – perguntei mudando minha expressão. Ela parou de rir e me fitou. O reconhecimento. Eu sempre adorava essa parte.

Era nessa parte que eu me sentia completo.

— Muito. Acho que já nos vimos, tenho a impressão que já te vi. – seus olhos em minuto algum se desviaram dos meus. Eu sei que é perigoso fazer isso, mas é que é tão bom ter a atenção dela.

— Nós nunca nos vimos, disso eu tenho certeza. – consegui dizer enquanto notava-a ficando cada vez mais próxima. Já podia sentir sua respiração no meu rosto. Tinha cheiro de menta com canela. Ela sempre tinha essas pastilhas na bolsa.

— Então porque eu sinto como se já te conhecesse há anos? É como se eu estivesse vivendo um dejá-vù. – sua voz foi se abaixando, até se tornar um sussurro inaudível. Mas eu estava centímetros dela, eu a podia ouvir muito bem. Mas mesmo que estivéssemos há anos luz de distância eu poderia ouvi-la.

— Deve ser seu consciente lhe pregando peças. Só isso. – como doía mentir para ela. Mas é que eu queria fazer certo dessa vez. Queria poder ficar mais tempo com ela. E para isso eu teria que ir com calma.

— É você tem razão. – e então o encanto foi quebrado como um cristal caindo no chão. O barulho das ondas voltou, assim como o zunido do vento. Tudo ao meu redor ganhou cor. Ela tinha se afastado.

— Posso saber seu nome? – perguntou voltando a se encolher e fitando o horizonte negro.

— Harold, ou simplesmente Harry. E o seu? – eu já sabia. Era sempre o mesmo.

— Melissa, ou simplesmente Lissa.

E assim nasceu mais uma amizade. Que mais tarde evoluiria para amor. Nunca mudava. Porque eu viveria para sempre e ela sempre voltaria para mim.

Notas finais
E aí ficou bom? Esse prólogo tem várias dicas do que se tratará a história.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.