Conectar, amar
1 Capítulo Único
Notas iniciais
“Amar, amar é um verbo
Amar é uma palavra em movimento
Destemido em minha respiração
Impulsão gentil
Mexe comigo e me deixa mais leve
Destemido em minha respiração (...)”
Com a peculiar música de trilha sonora, o professor de literatura Tetsuya Kuroko observava e admirava cada detalhe do quarto simples, porém bem aconchegante, localizado em uma pousada beira-mar. Desde as pétalas de rosas azuis e vermelhas espalhadas pelo chão, dando um aroma único ao local, até as declarações de amor coladas na parede.
Ao ver o homem de cabelos bicolores, ruivo com preto, nu e sorrindo para ele, Kuroko levantou a mão no ar, admirando a aliança dourada no dedo da mão direita.
“Não é um sonho” — pensou o professor de particulares cabelos da cor azul-turquesa bem suave. Após tanta luta, finalmente conseguiu realizar o sonho de casar com o homem que escolheu amar eternamente enquanto durar, o ex companheiro de time de basquete colegial e atualmente um bombeiro, Taiga Kagami. O matrimônio ocorreu em Los Angeles, terra natal do nipo americano ruivo, por motivos óbvios — o casamento civil entre pessoas da mesma identidade de gênero ser juridicamente legal por lá — e por ser ali, na “Cidade dos Anjos”, que a história de amor entre Tetsuya e Taiga começou. Exatamente há 12 anos, quando Kuroko, no auge dos seus 18 anos, largou tudo no Japão para fazer intercâmbio de Pegadogia na mesma universidade que Kagami foi aprovado para fazer Educação Física; onde infelizmente esse ato custou a Tetsuya o rompimento total com a própria família, pois os pais e avó do rapaz nunca aceitaram o relacionamento dele com Taiga, muito menos sua homossexualidade. Por um outro lado, o apoio da família de Taiga ao relacionamento deles foi tanto que Kuroko praticamente passou a considera-los como sua família.
Tetusya ficou mais um tempo admirando a aliança, enquanto Kagami admirava o raro, porém genuíno sorriso de felicidade do outro, o mesmo sorriso que Kuroko mostrou antes de dizer “sim”. Taiga enxugou uma lágrima solta ao admirar uma cena tão singela, mas vívida de sentimentos tão reais. Após terminar de admirar o adorno, o professor baixou a mão, retirou a única peça de roupa que usava, um roupão de banho, e jogou-se nos braços do outro, com os cabelos ainda úmidos do banho-recém tomado, assim como os do bombeiro.
Nos braços de Taiga, Tetsuya expressava o amor junto a Kagami das mais variadas formas: os beijos com sabor de cereja, culpa da bala que o rapaz de cabelo bicolor acabara de chupar, as mãos que exploravam com propriedade cada zona erógena um do outro e eram retribuídas com a mesma intensidade, beijos que desciam, contornavam e brincavam sobre aqueles corpos. Bocas que sugavam, lambiam, provavam com gosto de cada parte excitante do corpo alheio até o conectar.
Para Kagami, a cena de Kuroko desfrutando todos os prazeres do sexo era como se fosse o paraíso, da mesma forma que para Tetsuya, Taiga retribuindo esse deleitar era algo mágico. Magia, esta analogia para tentar exemplificar o turbilhão de sentires naquele momento, porém o casal sabia que era mais do que isso.
Era o tremer de corpos, o inundar-se do prazer sublime, uma sensação única de fusão de sentimentos, corpos e almas, cuja cama era o templo mais iluminado para eles conjugarem o verbo mais poderoso e genuíno disso que é chamado de humanidade: amar.
“(...) A água é meu olho
Espelho mais fiel
Destemido em minha respiração
Lágrima no fogo da confissão
Destemida em minha respiração (...)”
(Teardrop – Massive Attack)
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