Conectados por laços
13 Sussurros
Notas iniciais
Rafael P.O.V
— Dá logo esse recreio. – Pensei comigo mesmo agoniado.
Não conseguia parar de mexer com a caneta de um lado para o outro. Aula de matemática. Tédio. Luan quer falar comigo no recreio. Essa aula bem que podia acabar logo de uma vez.
— Aí cara cê ta bem? Já tá dando aflição cê mexer com essa caneta aí. – Disse Pedro
— Quero que essa aula acabe logo. Saco – Falei
— Estudar para que né. Nem vai ser alguém na vida. – Disse Pedro debochando
— Que engraçado você, haha. – Falei fingindo rir.
O sinal finalmente tocou.
— Glória. – Falei enfiando o livro dentro da mochila.
— Vou comprar um rango na cantina, cê vai junto? – Perguntou Pedro
— Não valeu. – Falei – Comi antes de vim.
Pedro saiu da sala e eu continuei sentado na minha cadeira, dei umas olhadas discretas para trás para ver se o Luan estava ali e ele estava conversando com alguns amigos dele.
— Porra. – Pensei. – Guardei tudo de cima da mesa não da nem para disfarçar.
Decidi sair dali e ir enrolar no corredor até conseguir falar com ele. Me bateu uma fome repentina.
— Merda, não trouxe dinheiro para comprar nada. – Pensei comigo mesmo.
— Ei Rafael! – Disse Luan me cutucando por trás.
— Oi Luan. Você disse que queria marcar agora no recreio né. – Eu disse tentando esconder meu entusiasmo.
— É. Que dia está bom para você? – Luan perguntou
— Por mim pode ser qualquer dia.
— E se for hoje depois da escola? – Disse Luan
— Esse cara quer a minha morte, não é possível. – Pensei
— Por mim tudo bem. – Falei sorrindo envergonhado.
Eu espero que não esteja vermelho agora, que merda.
— Então na hora de ir embora podemos ir juntos para minha casa. – Disse Luan
— Certo. – Falei
Ele se despediu e voltou para a sala. Eu estava tão feliz a ponto de querer dar um gritão ali no meio do corredor, mas é melhor manter o controle.
— Aí Rafa. – Disse Pedro aparecendo atrás de mim comendo um salgado.
— Tava tendo o maior rolo em um dos banheiros das meninas. – Disse Pedro
— Que maneiro, na minha escola antiga não aconteciam muitas brigas. – Falei
— Aqui tem de tudo. Vai se acostumando. – Disse Pedro rindo
— Estou me acostumando aos poucos. – Falei rindo também.
***
Fiquei mexendo no celular o resto da aula. Já que o professor que estava dando aula naquele tempo nem ligava.
Quando bateu o sinal para ir embora, me senti nervoso. Ir na casa do Luan assim do nada, conhecer onde ele mora, como é o quarto dele.
Dei dois tapinhas na minha cara.
— Tá maluco? – Perguntou Pedro quando me viu.
— Não. – Falei me levantando, pois já tinha guardado o material há muito tempo.
Olhei para trás e Luan gesticulou para eu ir lá fora.
— Ué. Você e aquele cara lá viraram amiguinhos? – Disse Pedro
— Quase isso. Ele disse que pode me ajudar a fazer umas para entregar para os professores. – Falei
— Que coisas? – Perguntou Pedro
— Nem eu sei. Enfim vou indo, até mais. – Falei saindo da sala
Fui direto para a entrada da escola e fiquei esperando ele lá. Fiquei um tempo esperando ali.
— Mals a demora. – Disse Luan se aproximando apressadamente. – Estava resolvendo uns assuntos na sala dos professores.
— No problem. Foram só alguns minutos...Vamos? – Falei
— Ahãn. – Ele respondeu
Começamos a caminhar, e a cada passo eu me sentia cada vez mais nervoso.
— Você mora muito longe? – Perguntei
— Está com preguiça de andar? – Perguntou ele rindo
— Não. – Respondi rindo também. – Eu também volto para a minha casa caminhando.
— É perto. Mas e aí, você é do tipo que estuda o dia todo ou só dorme?
— Sou do tipo que fica conectado no Wi Fi 24 horas. – Falei rindo, fazendo ele rir junto
— Você parece ser do tipo bem inteligente. – Falei
— As pessoas acham que eu sou mesmo eu não concordando totalmente.
— Bem ser representante não é para qualquer um né.
— Haha. E você? É bom nas matérias? – Ele perguntou
— Bosta. – Pensei. – Vou tirar coragem da onde para falar que sou péssimo?
— Prefiro nem comentar. – Eu disse
Ele riu novamente, e que risada doce.
— Chegamos. – Ele disse abrindo o portão com um controle remoto.
— Nossa foi rápido.
Era uma casa verde, o jardim era decorado por lindas flores. Olhando de fora não parecia ser uma casa muito grande.
— Também, viemos conversando o caminho inteiro. Pode entrar.
Eu entrei e achei a casa bem aconchegante.
— Vamos ficar aqui na sala, pode ser? – Disse Luan
— Claro. – Falei. – E seus pais?
— Estão no trabalho, acho que minha mãe vai chegar depois.
— Ah!
A sala era pequena, mas tinha um tapete de pelos muito fofinho, e uma mesinha que era perfeita para sentar no tapete e estudar ali.
Já fui me sentando ali mesmo.
— Você quer água? – Disse ele.
— Pode ser.
Ele fui buscar enquanto eu fui abrindo minha mochila, mas não fazia ideia do que pegar então só peguei duas canetas.
— Prontinho. – Ele disse trazendo dois copos de água.
— Obrigado. Vamos começar então. – Eu disse
Começamos a fazer as coisas, ele realmente é bom no que faz e é visivelmente inteligente.
— Foi mal por ser lerdo demais. – Falei rindo constrangido.
— Não tem problema nenhum nisso. – Ele disse dando um sorriso confortador para mim.
Senti meu coração acelerar naquela hora, fui pegar o copo e acabei derramando a água na mesinha e caiu um pouco no tapete fofinho.
— Puta que pariu como que eu consigo fazer uma coisa dessas. Aposto que depois disso ele nunca mais vai querer me convidar para vir aqui de novo. – Pensei
— F-foi mal... – Falei enquanto tentava arrumar a bagunça que havia feito.
Ele simplesmente riu.
— Você é desastrado também? Eu vivo fazendo coisas assim. – Ele disse enquanto ria, com os olhos fechados.
Eu apenas fiquei ali com cara de idiota enquanto ele ria. Eu estava realmente apaixonado por esse cara.
— Que merda né. – Falei fingindo rir.
Ouvimos a porta se abrir.
— Filhote da mamãe, eu estou em casa, vem aqui me dar um abração. – Disse uma mulher entrando na casa.
— Pô Mãe! Estou com visita aqui em casa meu. – Disse Luan do meu lado.
Eu comecei a rir.
— Aproveita que a sua está viva... – Falei me desanimando um pouco.
— Quem é esse seu amigo? Nunca o vi por aqui. Aliás, você mal traz seus amigos aqui Luan Marques. – Disse ela. – Seja muito bem vindo aqui viu?
— Obrigado. – Sorri gentilmente.
Ela parecia realmente ser bem legal.
— Vou preparar um lanchinho para vocês, esperem só um tiquinho. – Disse ela indo correndo para a cozinha.
Luan se aproximou do meu ouvido e sussurrou:
— Não liga não, ela é meio maluca.
Se abriu um sorrio em meu rosto enquanto ele sussurrava. O tempo poderia congelar enquanto ele sussurrava em meu ouvido.
Quando ele terminou de sussurrar olhou para mim rindo.
Eu ri também e não consegui mais desgrudar meus olhos dos dele. Ele continuou me olhando também.
— MAS QUE SACO, QUEM COMEU MEU PEDAÇO DE PUDIM QUE EU DEIXEI NA GELADEIRA. – Ouvimos a mãe do Luan gritar lá da cozinha.
Caímos na risada, foi realmente divertido.
***
— Valeu pelo convite brother. – Falei para o Luan quando finalmente tínhamos acabado.
— Que nada. Foi bem maneiro. – Disse Luan. – Gosto de ajudar as pessoas, é um dos meus hobbys.
— Você é uma das pessoas mais bacanas que eu já conheci. – Falei, só depois caiu a ficha do que eu tinha acabado de falar. – A-Ah acho que já é hora de ir.
— Te levo até o portão. – Ele disse
Caminhamos juntos até o portão e ele abriu com o controle remoto novamente.
— Então... – Falei sendo interrompido
Ele foi até meu ouvido novamente e sussurrou.
— Te achei bacana, podemos ser amigos a partir de agora.
Esse foi o momento da minha morte.
— C-claro... – Eu disse surpreendido. – Então vou nessa.
Ele sorriu para mim e eu fui embora.
Eu estava tão feliz que dei pulos ali no meio da rua. Não vejo a hora de me tornar ainda mais amigo desse cara.
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