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4 Capítulo 4 — O Silêncio Depois da Tempestade


A chuva caía pesada sobre Beacon Hills, como se a cidade inteira estivesse de luto.

Stiles ficou dentro do carro, mãos tremendo no volante, encarando o nada. Derek estava do lado de fora, encharcado, parado no mesmo lugar onde havia sido deixado — não por falta de força, mas porque não sabia para onde ir. Não depois daquilo.

O motor ligou.

E Stiles foi embora.

No caminho de volta, o rádio tocava alguma música qualquer, mas Stiles não ouvia nada. A imagem de Liam se repetia em sua mente como um filme quebrado: o olhar perdido, a faca, o sangue, o desespero que chegou tarde demais.

Quando chegou em casa, tudo parecia errado. A casa cheirava a café velho, a cobertores que ainda guardavam o cheiro de Derek. Stiles arrancou o casaco, jogou no chão e subiu direto para o quarto.

Ele não chorou.

Sentou na cama e ficou ali, imóvel, encarando a parede por horas. O mundo tinha ficado silencioso demais — e isso doía mais do que qualquer grito.

Enquanto isso, Derek dirigia sem rumo. Parou o carro na beira da estrada, socou o volante até a mão doer e gritou, um grito rouco, quebrado, que ninguém ouviu. Ele já tinha perdido muita coisa na vida… mas perder Stiles daquele jeito foi diferente.

Porque dessa vez, não foi o destino.

Foi a dor.


Dias passaram. Depois semanas.

Stiles voltou à rotina como quem anda no automático. Escola, casa, silêncio. Scott tentou aparecer. Lydia mandou mensagens. Ele ignorou tudo. Não queria conselhos, não queria conforto — queria que a dor parasse de gritar dentro dele.

À noite, o sono nunca vinha fácil.

Quando vinha, trazia pesadelos.

Liam chamando seu nome.

O pai, sangrando.

Derek indo embora na chuva.

Stiles acordava suado, com o coração acelerado, e ficava encarando o teto, tentando entender quando exatamente tudo tinha dado errado.

Do outro lado da cidade, Derek também não dormia. Passava noites na antiga casa da família Hale, sentado no chão da sala, cercado por memórias demais. Ele se culpava por não ter percebido o estado de Liam. Por ter levado Stiles até aquele ponto. Por ter amado alguém num momento em que tudo era frágil demais.

Mas, acima de tudo, sentia falta.

Sentia falta da voz acelerada de Stiles.

Do jeito que ele ocupava todos os espaços.

Da forma como fazia Derek se sentir… humano.

Uma noite, Derek quase foi até a casa dele. Parou o carro a duas ruas de distância. Ficou ali por longos minutos. Mas não foi.

Algumas coisas, ele sabia, precisavam de tempo.

Mesmo quando o tempo dói.