Conectados
5 Capítulo 5 — Onde a Dor Aprende a Descansar
O reencontro aconteceu por acaso.
Ou talvez não.
Stiles estava no hospital de Beacon Hills, sentado na sala de espera, esperando notícias de um paciente qualquer — ele nem lembrava por que tinha ido. Só sabia que aquele lugar carregava memórias que ele ainda não tinha coragem de enfrentar.
Quando levantou o olhar, Derek estava ali.
Por um segundo, nenhum dos dois se moveu.
O ar ficou pesado, como se o mundo tivesse prendido a respiração. Derek parecia mais cansado, mais magro. Stiles parecia mais fechado, mais quieto do que nunca.
— Oi… — Derek disse, baixo.
Stiles engoliu seco.
— Oi.
Silêncio.
— Eu não vim falar de… — Derek começou, mas parou. — Só queria saber se você tá bem.
Stiles riu sem humor.
— Não tô. Mas acho que já passei do ponto de fingir.
Eles se sentaram. Não perto demais. Nem longe demais.
Stiles respirou fundo.
— Eu sei que não foi culpa sua. Eu disse aquilo porque precisava culpar alguém… ou eu não ia sobreviver àquilo.
Derek assentiu, olhos marejados.
— Eu entendi. Mesmo doendo.
O silêncio voltou, mas dessa vez era diferente. Não era vazio. Era cuidadoso.
— Eu ainda penso em você — Stiles confessou, quase num sussurro. — Todos os dias.
Derek sorriu de leve, triste.
— Eu também.
Eles não se tocaram. Não se beijaram. Não prometeram nada.
Mas quando se despediram, houve algo ali — não uma volta, não ainda — mas um fio invisível que nunca tinha sido cortado de verdade.
Às vezes, duas pessoas não precisam estar juntas para ainda se reconhecerem.
Depois do hospital, nada voltou ao normal — mas também não continuou quebrado.
Stiles começou a responder mensagens. Primeiro de Scott, depois de Lydia. Voltou a rir em momentos pequenos, inesperados. Não era felicidade escancarada, mas era real. Ele aprendeu a conviver com a ausência de Liam sem deixar que ela o engolisse inteiro.
Derek, por sua vez, passou a aparecer mais em Beacon Hills. Não fugia mais da cidade, nem das pessoas. Ele entendeu que ficar também era uma forma de coragem.
Eles passaram a se encontrar sem combinar.
Na biblioteca.
No mercado.
Às vezes só trocavam um olhar demorado, outras vezes ficavam horas conversando no carro, sem música, sem pressa.
Numa dessas noites, Stiles quebrou o silêncio:
— Eu tinha medo de te deixar entrar de novo… porque se desse errado, eu não sabia se aguentaria.
Derek respirou fundo.
— Eu não quero promessas grandes. Só… estar aqui. Um dia de cada vez.
Stiles sorriu, daquele jeito torto que sempre desmontou Derek.
— Engraçado… é exatamente isso que eu preciso.
Eles se abraçaram. Sem urgência. Sem medo.
E pela primeira vez em muito tempo, Stiles sentiu algo leve.
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