Condottieri
2 Capítulo II
“Por que eu tenho o sentimento de que você está prestes a mudar a minha vida?” Se eu ficar
Antônio deixou o cavalo nos portões do pequeno vilarejo, caminhando lentamente pelas ruas de pedra parcialmente cobertas pela neve, observando com curiosidade aquele estranho local. Ele usava roupas grossas, capa e cobria o rosto com o capuz, para que ninguém o reconhecesse, apesar de ele perceber que aquele fúnebre vilarejo não tinha muitos moradores comuns. Ele via mais guardas. Muitos guardas. Depois de uma longa e cansativa viagem, o mercenário finalmente havia chegado ao vilarejo no topo da montanha, onde o irmão de Feliciano seria executado. Mas não se Antônio evitasse que aquilo acontecesse é claro.
O homem seguiu alguns guardas vilarejo acima, de longe para não o notarem, tremendo com o frio da montanha, logo avistando a praça onde o irmão de Feliciano seria executado. Era uma praça redonda, com uma enorme forca no centro. Logo a frente havia uma pequena igreja de aparência simples, com algumas freiras do lado de fora observando aquela enorme quantidade de guardas se amontoarem ao redor da forca. Antônio as viu de cabeça abaixada, provavelmente murmurando rezas pela alma do jovem que seria executado. E em meio à imensidão de guardas, um homem se destacava. Ele tinha cabelos brancos como a neve, mas usava roupas escuras e um estranho cachecol. Ao lado dele havia uma garota, mais nova que ele pelo que Antônio notava, de expressão perigosa, cabelos brancos, vestido e com uma espada bem grande presa na cintura.
Logo um homem enorme e musculoso veio trazendo outro homem, bem menor, que estava preso por algemas e estava com um saco na cabeça cobrindo-lhe o rosto. Antônio supôs que aquele deveria ser o garoto que ele precisava salvar. O jovem prisioneiro foi guiado até a forca pelo enorme homem, provavelmente o carrasco. Ao parar em frente a todos, o carrasco tirou o saco da cabeça do rapaz, e nesse momento o mundo congelou. Nada mais estava acontecendo, a única coisa que Antônio conseguia ver era aquele belo rapaz.
Ele era visivelmente parecido com Feliciano, mas, ao mesmo tempo era completamente diferente. Esse rapaz tinha os cabelos castanhos mais escuros, e o fiozinho rebelde se erguia para cima, e não para o lado como o de Feliciano. Apesar de ter os traços um tanto infantis também vistos no irmão, dava para se notar que ele era mais velho, mais bonito e mais determinado. E aquele rapaz tinha um estilo mais rebelde, com aquela expressão raivosa que não demonstrava medo ou hesitação. Só o que Antônio sabia era que independente do quanto estava ganhando, ele precisava salvar aquele rapaz. Um rosto belo como aquele não devia se perder daquele jeito.
O mercenário se misturou à multidão enquanto o carrasco dizia os crimes que o rapaz havia sido acusado de cometer. Traição, roubo... E alguns outros que Antônio não se dera o trabalho de ouvir. Um jovem tão belo como aquele não teria feito crimes que o levariam a forca, e se tivesse cometido tais crimes ele teria um bom motivo para tê-lo feito, o mercenário estava certo daquilo. Ao terminar de falar, o carrasco colocou a corda ao redor do pescoço do rapaz e então Antônio sorriu e foi fazer o seu trabalho.
Tudo aconteceu muito rápido. Antônio tirou uma adaga do bolso e cortou a corda bem em tempo, não esperando o rapaz se recuperar do susto para fugir. Antônio apenas o pegou nos braços e correu com toda velocidade que suas pernas lhe permitiam. O homem de cachecol gritou para que os guardas fossem atrás deles, inclusive aquela garota ao lado dele correu para pegá-los também. Antônio apenas abriu caminho jogando adagas, matando todos os guardas que se colocavam em seu caminho.
Logicamente os camponeses ficaram estéricos e correram em todas as direções, o que distraiu os guardas um pouco mais e ajudou a deixá-los confusos. Correndo por entre as ruas com o garoto sobre o ombro como um saco de batatas, Antônio rezava para chegar ao seu cavalo sem precisar soltar o rapaz para lutar com guardas. Haviam muitos deles, Antônio não sairia vivo dali se parasse para lutar, além de o garoto ser o primeiro a morrer pois estava algemado e incapacitado de lutar. Então ao perceber que a garota vinha logo atrás deles com sua enorme espada em mãos, Antônio teve de usar um de seus truques. Ele tirou do bolso uma bomba de fumaça, e percebendo que o seu cavalo estava logo a frente, ele sorriu. Ao atacar a bomba no chão, os guardas e a garota foram detidos pela fumaça que os fazia tossir e atrapalhava a visão. E quando a fumaça finalmente se dissipou, os dois fugitivos haviam desaparecido.
*
Depois de cavalgar na maior velocidade que seu cavalo pôde aguentar, ao perceber que não eram seguidos e que estavam escondidos por entre as árvores da densa floresta entre o vilarejo na montanha e o porto, Antônio resolveu dar um rápido descanso ao cavalo. Desceu o rapaz do animal com cuidado, pegou o rapaz e o sentou na grama, se sentando ao lado logo depois. O rapaz tinha a mesma expressão de antes, e Antônio imaginava que ele estava confuso e incomodado, afinal, ainda estava algemado.
–Quem é você? Por que você me salvou? — perguntou o rapaz, olhando para Antônio com desconfiança. Por um momento Antônio se perdeu na beleza do rapaz, que mesmo em suas lamentáveis condições se fazia muito presente. Ele piscou algumas vezes, voltando à realidade, notando a confusão do próprio garoto à sua frente.
–M-Meu nome é Antônio Fernández Carriedo. Eu sou de uma tripulação de mercenários que está no porto aqui perto. Seu irmão, Feliciano, me contratou para vir te salvar.
–O quê?! — disse o rapaz, incrédulo. — Ele deve ter usado todo o dinheiro que tínhamos! Ah, merda! O que vamos fazer agora? Vamos ter que nos colocar em risco para roubar mais só para podermos comer! Droga!
–Por que vocês não arrumam trabalho? — perguntou Antônio.
–Nós somos procurados por todos os guardas do reino. Mesmo se trabalhassemos, os guardas poderiam nos ver e se fugíssemos do serviço seríamos despedidos, além do risco do nosso próprio chefe nos entregar para os guardas em troca da recompensa que Ivan oferece pelas nossas cabeças. Não faz sentido nenhum tentar. — respondeu o rapaz, irritado. — Eu não sei o que fazer... Eu não posso continuar colocando o Feliciano em risco desse jeito... — Antônio olhou pro chão, desejando ajudar aquele belo jovem, mas não sabendo como. Até que uma ideia veio em sua cabeça.
–Eu posso falar com o Francis, o meu capitão. Quem sabe ele não possa lhes oferecer um emprego? E trabalhando lá vocês não precisariam se preocupar pois vão estar cercados de mercenários. Nós lutamos muito bem, mesmo contra guardas reais. — sugeriu o homem.
–Mesmo? Você pode arrumar trabalho para mim e meu irmão? — perguntou o rapaz, esperançoso. Antônio sorriu de canto e disse:
–Eu posso ao menos tentar. O que você acha? — o rapaz baixou a cabeça e deu um pequeno sorriso esperançoso, assentindo. Então o rapaz levantou o olhar, ainda com o leve sorriso no rosto, estendendo as mãos algemadas, dizendo:
–Meu nome é Lovino. — com o rapaz assim, mais perto, Antônio podia ver os seus olhos. Eram de um verde meio apagado, mas o mercenário podia ver um brilho no fundo deles. Um brilho de esperança. Aquele leve sorriso só enfatizou algo que Antônio podia notar cada vez que olhava para ele. Ele era lindo.
–Você já sabe meu nome. Prazer em conhecê-lo, Lovino! — Antônio apertou uma das mãos dele com alguma dificuldade, então disse: — Vamos a um ferreiro assim que chegarmos à cidade para livrar você disso.
–Certo. Grazie. — respondeu Lovino, a expressão séria voltando aos poucos.
–Nós devíamos ir. Seu irmão deve estar louco para te ver. — disse Antônio, levantando-se e pegando o rapaz nos braços para colocá-lo no cavalo.
–É. Ele deve estar desesperado. Mas eu não o culpo. Sou a única família que ele tem, eu entendo que ele tenha medo de me perder... — disse Lovino, num tom meio triste. Antônio montou o cavalo e então disse:
–Não se preocupe. Eu vou fazer tudo que eu puder para manter vocês dois seguros.
–Você promete? — perguntou Lovino, desconfiado.
–Prometo. — respondeu Antônio. E ele não poderia estar sendo mais sincero.
*
Feliciano estava sentado no chão do convés do navio dos mercenários, esperando Antônio voltar, com a esperança de que ele voltasse com seu irmão. O jovem não se continha de ansiedade, ainda um tanto assustado e preocupado com o que seria deles dois dali em diante. Enquanto esperava Antônio voltar, ele falara com alguns membros da tripulação, inclusive o capitão, Francis Bonnefoy, que estava com um outro homem loiro, Arthur Kirkland. Eles pareciam se dar bem apesar de estarem sempre discordando um do outro e brigando, e assim como todos os homens com quem Feliciano falara eles foram gentis com o preocupado rapaz que esperava notícias do irmão ansiosamente. Todos pareciam ao menos um pouco comovidos com a situação de Feliciano, e até os mercenários mais frios e de aparência mais assustadora demonstravam gentileza para com ele.
Ele foi tirado de seus pensamentos quando viu dois homens subirem no navio. Ao levantar o olhar, ele viu bem na sua frente o seu irmão mais velho, Lovino, acompanhado de Antônio, ambos sem muitos ferimentos evidentes e parecendo ter escapado sem muitos problemas. Apesar das marcas vermelhas nos pulsos por causa das algemas, Lovino estava vivo e bem. Feliciano sorriu, os olhos se enchendo de lágrimas, levantando-se e indo até o irmão, se jogando em seus braços em um abraço sem jeito, dizendo:
–Lovino! Grazie dio, você está vivo! — Lovino acariciou os cabelos do irmão carinhosamente, abraçando-o de volta.
–Sim, eu estou vivo. Não acredito que gastou todo o nosso dinheiro para me salvar! — disse Lovino, finalizando o abraço.
–Mas eu precisava te salvar! Você é meu irmão e é tudo que eu tenho, eu não posso perder você para o Ivan também! — dizia Feliciano, uma lágrima escapando de seu olho.
–Shh, tudo bem. Não precisa chorar, eu estou aqui. — disse Lovino, secando a lágrima do irmão com o dedo delicadamente.
–Mas e agora, o que vamos fazer? Não temos dinheiro nenhum e vai ser tão difícil roubar outra vez! — dizia Feliciano. Lovino e Antônio trocaram um olhar cúmplice e então o mercenário disse:
–Vamos falar com o meu capitão. Eu vou tentar arrumar um emprego para vocês aqui no navio. — Feliciano sorriu e disse:
–Sério? Ah, as pessoas daqui foram muito gentis comigo enquanto eu esperava. E arrumar um trabalho para não precisar roubar mais seria ótimo.
–Eu sei Feli, mas, precisamos perguntar antes. Não sabemos se eles podem nos dar trabalho ainda, não fique muito animado. — disse Lovino, sério.
–Exatamente. Precisamos perguntar. E vamos fazer isso agora mesmo. Só precisamos encontrar o Francis... — falou o mercenário, guiando os irmãos pelo navio até parar na porta da cabine do capitão. A embarcação era grande, com bastante espaço para os piratas mercenários e para armamentos e suprimentos. Antônio bateu na porta da cabine principal e assim que ouviu um "entre" do amigo francês, ele abriu a porta e entrou junto dos irmãos.
A cabine do capitão era o cômodo mais belo e luxuoso do navio. Não era muito grande, mas, era maior do que o espaço dos outros piratas. No quarto havia uma cama ligeiramente grande, onde Arthur estava sentado, uma mesa de madeira com mapas espalhados por cima desta, duas cadeiras de madeira, uma sendo ocupada por Francis, e um armário simples. Nas paredes haviam dois quadros, que no momento não interessaram em nada para nenhum dos homens presentes. O chão era parcialmente coberto por um tapete que parecia não ser lavado há algum tempo, e devido ao movimento do navio e a falta de tempo do capitão de organizar o cômodo algumas coisas estavam no chão.
–O que os traz aqui, meus caros amigos? — perguntou Francis.
–Francis, eu gostaria de saber se os irmãos não poderiam trabalhar conosco. Eles não tem para onde ir, roubam para viver e tem muito interesse em trabalhar. Tem algo que eles possam fazer aqui? — perguntou Antônio.
–Difícil. O navio é grande, é claro que eles poderiam viver aqui sem problemas, mas nós já temos uma equipe de mercenários bem grande. Eu não sei se eles seriam de muito uso fazendo missões e serviços... — respondeu Francis, pensativo. — O que vocês tem a me oferecer? Vocês tem algum diferencial? Alguma... Habilidade?
–C-Creio que não, senhor. Somos bons ladrões, mas é só isso que temos de útil para lhe oferecer, eu acho. — respondeu Feliciano.
–Sabem lutar? — perguntou o capitão com uma expressão crítica, recebendo negações com a cabeça de ambos os irmãos. — Então o que exatamente esperam fazer aqui?
–Eu e meu irmão poderíamos cozinhar e limpar o navio. — sugeriu Lovino. — Sem querer ofender mas esse navio precisa de uma boa limpeza. E eu acho que seus homens gastariam bem menos comendo fora se tivesse comida boa no próprio navio.
–Hm. É uma sugestão interessante. Eu costumava cozinhar, mas, eu acabei ficando muito ocupado como capitão e não pude mais cozinhar. Realmente seria bom ter esse tipo de serviço no meu navio. — disse Francis, pensativo. — Pois muito bem. Estão contratados. Ambos cuidarão de cozinhar e de limpar o navio. Bem vindos à tripulação! — Os irmãos se entreolharam e Feliciano sorriu. Os três agradeceram e Antônio saiu com os irmãos para mostrar-lhes o lugar, notando um leve sorriso de canto no rosto de Lovino, o que pessoalmente lhe fazia pensar que todo o seu esforço havia valido à pena.
*
Mais tarde naquele mesmo dia, no horário do jantar, a tripulação foi surpreendida com um jantar extremamente variado. Depois de ir às compras no mercado e encher a despensa, os irmãos italianos começaram a sua arte. Antônio acabou por ajudá-los, ficando cada vez mais próximo de ambos, mas principalmente de Lovino. Quando o cheiro da comida começou a se fazer presente, os mercenários ficaram ansiosos, e quando foram servidos com um jantar como aquele, ninguém ousou ir até algum bar para comer outra coisa. Os italianos foram recebidos de braços abertos pela tripulação, que foi gentil com ambos os irmãos e já considerava ambos parte da família.
Após o jantar, Antônio e Francis conversavam na cabide do capitão. Arthur estava no convés, parecendo se dar bem com Lovino, enquanto Feliciano falava com todos os outros numa enorme roda de conversa. O francês pediu que Antônio o acompanhasse até a sua cabine, onde eles e outro amigo, Gilbert, que estava concluindo um trabalho, costumavam conversar livremente. Antônio deitou na cama de Francis, exausto, enquanto o homem continuava de pé, de braços cruzados e expressão desconfiada.
–Toni, por que você queria tanto ajudar aqueles irmãos? — perguntou o capitão. — Você estava com pena deles?
–Estava um pouco, afinal eles são pobres, perseguidos pelo reino e não tem família. Por que não dar uma chance para que eles mudem de vida? — respondeu Antônio. Francis se aproximou, olhando bem pros olhos do homem, desconfiado.
–Não é só por isso. Eu consigo ver que tem um motivo mais... Pessoal para ajudá-los. Está estampado na sua cara. — disse o francês, caminhando pela cabide, pensativo. — Talvez... Você não estaria interessado em um deles... Estaria? — perguntou Francis com um sorriso malicioso.
–Imagina... — Antônio se limitou a dizer, sentindo seu coração acelerar e suas bochechas esquentarem de leve.
–Está, sim! Agora eu sei o porquê de todo esse esforço para conseguir ajudá-los e de ficar perto deles o tempo todo! Está na cara, Toni! — disse Francis, se empolgando com sua descoberta. Antônio se viu em uma situação constrangedora e no fundo verdadeira, logo negando para fugir do assunto.
–N-Não, eu não...
–Qual deles? Feliciano, aquele pequeno garotinho adorável? — interrompeu Francis, ignorando as negações de Antônio.
–O quê?! Não, eu não vejo Feli desse jeito, eu...
–Ah, você está de olho no mais velho! — disse Francis. Antônio se calou, sabendo que não poderia esconder o seu interesse no rapaz por muito tempo, o que o francês considerou como uma confirmação. — Então é por isso que ele só fala com você. Devem ter conversado bastante no caminho até aqui, não?
–Na verdade não muito. Mas... Realmente Francis, eu tenho me sentido atraído por ele. Ele é tão diferente do Feliciano... Lovino é mais fechado e mais difícil de conseguir descobrir, e desde que eu o vi naquela forca eu acho que nunca vi alguém tão bonito quanto ele. — disse Antônio, se sentando. — Ele é... Especial.
–Sem sombra de dúvida. — disse Francis. Antes que eles pudessem continuar a conversa, gritos e agitação podiam ser ouvidos no convés. Os dois homens se colocaram e alerta, Antônio se levantando olhando para cima desconfiado. Então os marujos começaram a gritar um nome, fazendo os dois homens sorrirem.
–Gilbert está de volta!
Francis e Antônio correram de volta para cima, encontrando os marujos abraçando e parabenizando o mercenário pela conclusão do complicado trabalho que recebera. Quando Gilbert os viu, correu na direção dos amigos, sendo envolvido em um abraço triplo enquanto os três riam. Gilbert era um dos três homens mais fortes daquele navio, junto de Antônio e Francis. Ele tinha caraterísticas físicas incomuns, que eram seus cabelos brancos e seus olhos vermelhos como sangue. Alguns inimigos ficavam intimidados com sua aparência rara, o que dava à Gilbert certa vantagem em luta de vez em quando.
–Ah, Gilbert. Temos novos membros na tripulação. — disse Antônio.
–Ah, é? Me apresente a eles então. — pediu Gilbert. Seus dois amigos o guiaram até os irmãos, Antônio os apresentando de forma simples.
–Garotos, esse é o Gilbert, um membro muito importante da tripulação. Gilbert, esses são nossos novos membros, Lovino e Feliciano. — Quando os irmãos colocaram os olhos em Gilbert e este os olhou de volta, os três paralisaram, tendo reações distintas ao reencontro. Lovino cruzou os braços, uma surpresa furiosa em sua expressão de ódio. Feliciano arregalou os olhos e paralisou, não acreditando no homem à sua frente. E Gilbert foi tomado por surpresa e alívio, não acreditando que depois de tantos anos aqueles irmãos voltariam a sua vida, sãos e salvos. Gilbert se aproximou de Feliciano e estendeu a mão, tocando sua bochecha, murmurando:
–Vocês estão vivos... Como isso é possível...
–Com certeza não é graças à você, seu traidor! — disse Lovino, irritando, batendo na mão de Gilbert, impedindo que este tocasse o seu irmão, assumindo uma postura protetora.
–Lovino... Eu peço perdão por tudo o que aconteceu naquele dia. E eu juro, minha lealdade ainda pertence à vocês. — disse Gilbert. A tripulação encarava a cena sem entender o que ocorria ali. Mas, a maior surpresa foi quando Gilbert se colocou de joelhos e se curvou, dizendo: — Vossa Alteza!
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