Condomínio.
1 Rachel
A primeira visão da manhã que tenho é de minha irmã dormindo na cama ao lado, e o primeiro som não é o que eu gostaria de ouvir. Meus pais estão brigando no corredor, sendo eles o motivo de eu despertar cedo num Sábado.
A briga começa a intensificar e o que eu consigo ouvir é dinheiro, dinheiro e dinheiro. Minha mãe se tornou uma consumista enquanto meu pai não parava de trabalhar, quando as contas apareciam no correio, minha mãe pegava e apenas repassava o valor para o meu pai, que estranhava poucas vezes o valor e perguntava da onde estava saindo tantos gastos, como sempre minha mãe dizia que era um reajuste do colégio da minha irmã.
Pelo o que eu entendi, meu pai acordou como sempre e deu de cara com a conta do cartão na bancada que já havia sido paga, e logo viu o nome de lojas de sapatos, roupas e Uber, minha mãe odiava andar de ônibus quando ficava sem o carro dela, chegou no quarto e tudo foi intensificando.
Fui escovar os dentes e coloco um sutiã e uma camiseta velha cinza que eu ganhei no natal anterior e quando abro a porta Denise está de pé esperando para usar o banheiro:
— Bom dia! — digo
— Bom dia!
Ela entra no banheiro e fecha a porta rapidamente, sendo assim nosso único diálogo daquele dia, quando termino de me arrumar, percebo que meu bolso da calça está meio rasgado fazendo que eu coloque minhas chaves na bolsa, desço as escadas e percebo que meus pais não estão mais em casa.
Ao sair, vejo que o Martin está na janela, finjo não notar por achar ele completamente esquisito, ele se encosta na janela e tenta dizer algo e eu não compreendo, sigo em frente diretamente do lado de fora do condomínio onde Candace se encontra parada com o namorado dela.
Ao abraça-lá sinto o cheiro de cinzeiro, pergunto a ela se ela está fumando porém ela diz que de tanto ficar perto de Wallace, ela acaba ficando com esse cheiro forte, acredito nela e partimos para outras conversas interessantes do nosso dia-dia enquanto caminhamos para comer:
— Você viu como aquele menino é gato? — diz ela.
— Ele não é tão assim, ele apenas tem um corpo bonito. — comento.
Estou com ela na frente da lanchonete quando dois caras de moto param na nossa frente e descem, tiram o capacete e acabo reconhecendo apenas um deles: Renan, ele faz Engenharia, qual eu não sei, porém na mesma faculdade que eu.
Ao descer da moto ele me encara e sussurra algo para o amigo dele, logo mais vem se aproximando de onde estávamos, acende um cigarro e encosta na guia perto do banco:
— O que as moças fazem perdidas na frente de um local péssimo como esse? — pergunta.
— Perdidas? Ninguém está perdida aqui. — Candace responde e eu apenas dou uma risada de nervoso.
Ele ri e continua fumando, fazendo com que eu fique mais nervosa pelo cheiro de cigarro ao meu redor, me levanto incomodada e parto para o estacionamento e fico parada ali olhando para a Candace, esperando com que ela se tocasse.
Renan termina o cigarro e senta onde eu estava, conversa com Candace que parece não estar incomodada com nada, e eu fico ali parada olhando no estacionamento e com olhos exclamando ajuda, o amigo de Renan se aproxima de mim aos poucos logo de cabeça baixa pergunta pelo meu nome:
— Rachel.
— Nome... legal. Me chamo Alfonso caso dúvidas.
— Alfonso, diferente. — disse
— Como se houvesse diversas Rachel. — respondeu.
Olhei para Alfonso e vi seu corpo reto com suas tranças presas, sua pele escura que o brilho do sol refletia, e o que eu mais amei: suas covinhas quando sorriu de lado e percebeu que eu estava encarando demais.
Decidi que eu precisava ir embora e fui interromper o papo entre a Candace e o Renan, porém quando eu cheguei ela confessou que iria ficar para andar de moto e implorou para que eu ficasse e tentasse andar junto com o Alfonso. Eu não faria de jeito algum:
— Por favor, vai ser legal.
— Eu não estou querendo andar de moto, eu queria apenas passar o dia juntas.
— Vou dar só uma volta, prometo.
E com essa frase, eu lembro apenas de ver Candace subir na moto e se segurar na cintura de Renan, dizer que voltava logo. Alfonso subiu na moto e apenas sorriu e perguntou se eu não queria ir, balancei a cabeça e fiquei sentada esperando eles voltarem.
Depois de meia hora, uma moto chega e não é minha melhor amiga, Alfonso voltou e disse que Candace pediu para avisar que não voltaria e que tinha saído com o Renan, nervosa e morrendo de frio, checo que são apenas 18:12 e eu precisava fazer alguma coisa até umas dez pras onze, onde voltava pra casa e não tinha ninguém acordado:
— Você quer sair ou...? — ele pergunta.
— Hum... Pode ser.
Subo na moto dele sem saber onde que ele vai me levar, confiando em um cara que acabei de conhecer e com medo do que tudo isso pode acontecer, o capacete pressiona minha cabeça e eu me sinto completamente sem ar:
— Levanta a viseira caso querer o vento na sua cara.
Ele pilota super bem, o que me deixa tranquila durante o caminho, ele acaba perguntando quais eram meus planos e eu acabo dizendo que eu iria ao cinema ou iria com Candace numa festa de despedida de solteiro de um amigo nosso que é gay. Depois de um trajeto percebo que estamos chegando próximo a uma casa com neons no quintal e um segurança na porta:
— O que é isto?
— Isto é uma possibilidade de você se divertir hoje a noite.
Fale com o autor