Condoms
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Arthur olhou para o lado e sentiu o rosto corar um pouco mais. Desviou os olhos e fechou-os, enquanto massageava uma de suas têmporas e desejava secretamente que um raio atingisse a cabeça de Francis. Nem viajar para outro continente impediu que aquela caixa idiota chegasse até ele. Releu o bilhete, não acreditando que o sapo francês poderia ser mais ridículo e inconveniente do que ele já era.
“Espero que saiba aproveitar o presente com Alfred este ano, Rosbif.
De seu amigo e confidente, Francis Bonnefoy.”
“Aquele sapo foi longe demais dessa vez”, pensou Arthur poucos segundos antes da campainha tocar. Jogou um jornal em cima da caixa e levantou-se do sofá.
Um dos motivos de odiar o Dia dos Namorados era a parte dos presentes que recebia do francês depravado. Tudo porque em 1964, fez a besteira de sair para beber com Francis. O que aconteceu? Ficou bêbado, falou coisas que não devia com o nome de outra pessoa e – como se não bastasse – dormiu com o maldito francês. Depois daquele dia, sempre recebia presentes indecentes no Dia dos Namorados, e todos os bilhetes tinham a mensagem idêntica – e que também incluíam o nome de seu amigo e ex-colônia, Alfred. E, por pura coincidência, era o mesmo quem estava na porta.
– Happy Valentine’s Day, Iggy! – Alfred sorriu ao cumprimentar o amigo inglês. Arthur ficou vermelho ao ouvir aquele apelido antigo, mas tentou manter a cara amigável – Eu, Mattie, Kiku, Ivan e Francis vamos sair para beber, quer ir?
Bebida. Francis. Alfred. Caixa. Dia dos Namorados. Não.
– Eu não posso, Alfred, eu... – “Bloody Hell, aquele sapo deve estar tentando me pregar uma peça”, pensou Arthur, enquanto procurava uma desculpa – Eu tenho que arrumar algumas coisas minhas e...
– Ora, vamos Iggy! – O inglês havia se esquecido como odiava aquele apelido antigo – Depois vamos passar na minha casa para vermos uns filmes antigos com o Matthew. Por favor... – Os olhos azuis do americano brilharam ao falar a última frase. Ele sabia como convencer Arthur, e se caso aquela tática não funcionasse, não ia desistir até ouvir o tão querido “sim”.
– Ok, você vai insistir mesmo se eu disser não... – O inglês bufou, passando as mãos pelo cabelo – Entre, só vou colocar outra blusa.
Arthur deu passagem para que Alfred entrasse e trancou a porta logo após. Um dos motivos de gostar do seu apartamento de verão na Califórnia era a segurança que lhe transmitia – na verdade, apenas uma desculpa para ficar no país mais tempo.
Abriu seu guarda-roupa e escolheu uma blusa vermelha formal. Colocou-a e quando começaria a abotoar, ouviu Alfred dizendo algo.
– Desde quando Francis costuma lhe enviar presente no Dia dos Namorados, Iggy?
O sinal de alerta de Arthur tocou. Correu até a porta e viu que Alfred estava lendo o bilhete que Francis havia colocado na caixa.
– Shit – Arthur amaldiçoou o francês em todas as línguas e dialetos que conhecia – Olhe, Alfred, ignore o que Francis escreveu nesse bilhete, nós sabemos que ele tem a mente mais deturpada de todo o mundo!
O americano segurou o riso. O rosto de Arthur naquele momento era cômico. Andou até o mais velho, abrindo a caixa, tirando um dos cem conteúdos dela e a deixou cair no chão. Parou a poucos centímetros de distância de Arthur e sorriu, levantando a mão que segurava o que havia tirado da caixa.
– Sabe, Arthur, seria uma grande falta de consideração com Francis se você não usasse o presente que ele te deu – Aproximou-se do rosto do inglês e o beijou, entrando no quarto, fechando a porta e deixando a caixa com o bilhete jogados no chão.
Extreme Pleasure Condoms – Conforto e segurança nos seus momentos mais íntimos.
Notas finais
Então, se você chegou até aqui... Que tal um review? -q
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