Condenados
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Annabeth tentou manter a calma, enquanto sua mente ameaçava explodir. A garota não suportava demonstrar emoções diante do olhar de um inimigo, mas naquele momento, achava que sua lei pessoal não estava tento efeito sobre ela. Tinha certeza de que demonstrava o seu pavor. O pavor do desconhecido. Annabeth detestava não conhecer qualquer coisa que fosse.
– Thalia. – Ela chamou, e ficou surpresa ao perceber que sua voz estava estável. – Grover. Peguem suas armas. Nessas condições não podemos escapar deles, será um ataque direto.
– Não podemos sair pelos fundos? – Grover murmurou ao mesmo tempo em que pegava sua flauta e algumas pequenas frutas. Annabeth esperava que fossem coisas destrutivas.
– Eu vou à frente. – Thalia declarou. Ela já estava armada, seu escudo, Aegis, já colocado em seu braço. Annabeth não suportava olhar para aquele escudo, era assustador. Mas talvez fosse uma vantagem contra os inimigos. Olhando pela vidraça da loja novamente, Annabeth reparou que os cinco adolescentes ainda estavam no mesmo local. Um deles tinha uma latina de coca-cola na mão. Nenhum estava armado. Annabeth franziu as sobrancelhas.
– Grover e eu, vamos protegê-la na retaguarda. – Annabeth falou, concordando com a ideia de Thalia de ir á frente. Dentre os três ela era a mais poderosa. Poderia usar seus poderes caso tudo desse errado.
– E quem vai proteger a minha retaguarda? – Grover gemeu, mas Annabeth sabia que ele estava apenas preocupado. Grover era um sátiro, seu dever era proteger os semideuses que iam ou saiam do acampamento. Ele daria a própria vida para salvar ela ou Thalia.
– Você se protege. – Thalia respondeu, batendo de leve no ombro dele. Annabeth passou boa parte de sua vida, aprendendo a ler a linguagem corporal das pessoas. Thalia era o livro mais fácil de Annabeth. Ela tinha certeza absoluta de que a melhor amiga também estava apavorada.
Depois de observar os dois amigos armando-se, Annabeth se lembrou de buscar sua arma também. Uma das adagas do acampamento meio sangue. Era necessária muita habilidade para aprender a usar uma adaga. Espadas eram mais praticas, por serem de um alcance maior. Um portador de adagas deveria ser bem rápido, para atingir o inimigo em seu ponto fraco e sair do caminho antes que ele revidasse. Annabeth se orgulhava de ser uma das melhores guerreiras do acampamento.
Olhando mais uma vez para fora, Annabeth tentou enxergar alguma arma nas mãos daquelas coisas esquisitas. Nada. Eles não portavam nada. Com uma sensação ruim queimando a boca do estomago, ela se afastou da janela e se adiantou para a porta da loja. Thalia e Grover a seguiram. Nada de distração. Seria como ela tinha dito um ataque completamente direto.
Ao sair para a rua, o cheiro de asfalto e óleo de carro invadiu os pulmões dela. Annabeth sentiu uma pontada de frustração. Estava esperando uma armadilha, talvez uma emboscada. Mas tudo o que recebeu foi o acesso de riso que os cinco deram, assim que os três saíram da loja. Por algum motivo, o som daquelas risadas, fez um ódio crescer dentro dela.
– Do que vocês estão rindo? – Thalia perguntou, adiantando-se em direção ao grupo, com um tom de voz assustador. O grupo parou de rir, e a encarou. Annabeth estremeceu diante da visão dos olhos vermelhos. Ela não se referia apenas à íris. Erguendo a cabeça, ela seguiu Thalia com Grover caminhando do seu lado. – Vamos, a gente gostaria de saber.
O grupo agora estava silencioso. Nenhum deles respondeu. Annabeth estava ficando presa entre alguma coisa, próxima de tensão e amiga do pavor. Alguma coisa estava muito errada. Mais errada do que jovens que morreram estarem por aí, andando pelas ruas da cidade. Mais errada do que o fato de que seus corpos não eram corpos de verdade, pelo menos não totalmente. Mais errada do que os olhos vermelhos. A sensação ruim que estava no estomago dela, passou para todo o corpo.
– Nada de mais. – Uma garota com uma blusa da Hello Kity, respondeu, sorrindo, e revelando as suas bocas de metal. Ela tinha voz de alguém com sono. – Apenas uma velha piada interna.
Thalia segurou Aegis mais próximo de si e Grover se mexeu de um jeito bastante inquieto ao lado de Annabeth. Ele tinha sentido alguma coisa. Annabeth olhou com expectativa para ele, mas não precisou perguntar nada, a própria garota respondeu.
– Seu amigo sátiro sabe de qual piada estamos falando. – Voz de deboche. Annabeth queria dar um tapa nela. — Mas infelizmente, não podemos contar a você agora. Não temos tempo. Então, que tal pularmos para a parte em que vocês morrem?
O garoto do lado dela sorriu. Annabeth se lembrava dele nas manchetes. Lembrava-se da família dele, chorando sobre o seu corpo dilacerado. Ele está aqui, ela pensou inteiro.
– O que isso significa? – Annabeth perguntou, não conseguindo se conter. – O que são vocês? Por que... – ela engoliu o próprio orgulho, para fazer a pergunta que tanto desejava fazer. – Por que vocês estão vivos?
– Você não escuta? – A garota questionou, falando como se Annabeth fosse à pessoa mais burra do universo. – Não temos tempo. Quem sabe um dia, debaixo da terra, vocês descubram as respostas? Agora... – ela abaixou o tom de voz, falando com uma gentileza assustadora. – Morram.
O ataque foi rápido demais. Nem mesmo Thalia viu. Grover só teve tempo de se jogar no chão e puxar Annabeth consigo, antes de Thalia passar voando por eles, para trás. O vento ficou fora de ordem, poeira, terra e asfalto girando no ar. Annabeth ouviu quando Thalia bateu as costas com tudo em um poste de luz. Mas a mente dela estava atormentada demais para conseguir pensar. Tudo o que ela ouvia com clareza, era o som da própria voz, ecoando em sua cabeça, e dizendo:
Espíritos do vento! Espíritos do vento! Espíritos do vento!
Mas a parte racional de sua cabeça discordava, alegando que aquilo era loucura. Como espíritos do vento estariam ali? O grupo era responsável? Mas se sim, como? A resposta veio de algum lugar acima da ventania.
– Os tempos mudam filha de Atena. Você, mais do que ninguém deveria saber, que nada é o mesmo para sempre. Não foi o que você falou para ele? Ou não se lembra disso?
***
Depois de uma longa caminha, repleta de subidas e descidas e pequenos desafios no trajeto, o velho ancião foi recebido por uma gloriosa visão da cidade de Delfos. Sem mesmo notar, ele deixou um sorriso tomar conta do seu rosto. Há muitos anos não visitava Delfos. A cidade do oráculo. Onde uma antiga historia, envolvendo principalmente, Apolo, Gaia e uma perigosa serpente aconteceu. Ele ainda guardava na memória aqueles dias. Foram fatos históricos.
Com uma expressão de nostalgia em seu rosto, o ancião começou a vagar pela cidade fantasma, apenas com o barulho de sua própria respiração guiando-o. Assim, como Delfos tinha uma grande historia de magia e dias de gloria, também tinha o contrario. Nos dias atuais, Delfos só surgia para aqueles que realmente queriam vê-la. Os mortais á esqueceram. Para eles, não era nada além de ruínas.
Ao longe, no centro da cidade, o ancião conseguiu ver o templo de Apolo, brilhando com todo o seu esplendor. Porém, vazio. Lindo e poderoso. Mas sem ninguém para aprecia-lo. Uma das coisas mais tristes do mundo, na humilde opinião dele, era como as coisas bonitas, porém antigas, se perdiam facilmente na atualidade.
Feliz por poder ver novamente a cidade á qual passara boa parte de sua adolescência, ele se direcionou para o templo, ansioso para ver uma velha amiga. Delfos não deixara sua beleza cair. Continuava gloriosa, como sempre havia sido. Se ao menos as pessoas se lembrassem...
No meio do caminho, ele parou, e olhou para o lado. Uma pequena biblioteca feita de pedra retribuiu seu olhar repentino. Com uma leve dor no coração, ele lembrou a última vez que esteve ali. Fazia pouco tempo em anos mortais, cerca de dois anos. Mas para ele, pareciam séculos. Sua ultima visita a Delfos não havia sido nada agradável. Ele ainda tinha guardado em si, a lembrança dos olhos daquele garoto. Ainda lembrava-se das palavras que ele havia dito. Nunca sentirá tanto ódio dos seres humanos como naquele momento. Uma criança, ele se lembrava de ter pensado, por Zeus, é apenas uma criança.
Com uma careta, ele empurrou a lembrança dolorosa para o fundo de seu cérebro. Detestava ter que evitar suas próprias memórias. Era um homem que não deixava as coisas de lado. Que enfrentava fosse o que fosse. Mas aquela tão simples lembrança era dolorosa demais para ser enfrentada naquele instante. Era uma batalha que ele perderia se não estivesse devidamente preparado. Então, por mais arriscado que fosse tal ato, ele resolveu adiar. Adiar a batalha, que seria inevitável. Adiar o inevitável. Que coisa mais idiota de se fazer.
Enfim, ele chegou às portas do templo. As portas eram feitas de bronze, e decoradas com imagens de guerra. Desenhos de uma serpente gigantescas repetindo-se milhares de vezes. No céu, uma enorme carruagem deslizava, levando o sol para os lugares que ele deveria estar. Apolo em suas roupas de batalha. Tudo girando em torno do deus.
O velho Apolo continua sendo muito apegado à própria imagem. O ancião pensou, sorrindo. Gostava do deus em questão. Era um dos poucos que conseguiam não levar suas vidas tão a serio. Apolo era um deus responsável, que cumpria suas obrigações. Mas não ao ponto de se preocupar mais com o trabalho do que consigo. Era divertido estar perto dele.
Fazendo uma leve reverencia, ele empurrou as portas de bronze, que se abriram silenciosamente, revelando um pátio encantador e repleto de poder. O piso era de mármore, e nele estavam desenhados outras milhares de cenas do deus. As paredes e as colunas, porém, tinham uma diferença. Imagens de Gaia e outros deuses decoravam o lugar, compartilhando e dividindo o espaço com deus do sol. No centro do pátio, um trono dourado estava estrategicamente colocado, e parcialmente destruído. Uma visão encantadora, mas de certo modo, feita para assombrar. Era incrível o poder que vinha daquele símbolo de realeza.
E sentada nele, estava à criatura mais frágil e poderosa, que já deveria ter existido. Usando um belo vestido branco e leve, o Oráculo, ou a representação dele, estava em uma de suas melhores formas, apegando-se ao passado. Ao que já tinha sido. O ancião sorriu com tristeza, ao lembrar-se da forma atual de sua amiga, presa em um porão, em certo lugar que ele não visitava há tempos.
– Olá, jovem Sibila. – O ancião falou, atraindo a atenção, do oráculo, que ergueu a cabeça para recebê-lo. – Não estamos mais nos nossos melhores dias, não é?
O oráculo sorriu timidamente. O ancião se aproximou do trono e curvou-se diante dela, porém, mantendo certa distancia. Não queria estar próximo demais, dos gases que vinham do chão. Mesmo estando dentro do templo, à magia de Gaia ainda era muito forte. Aquele de certa forma era o templo dela. Ela ainda comandava o oráculo, com ou sem Apolo.
– Há quanto tempo, meu doce amigo. – Sibila falou, recebendo-o da maneira mais graciosa que podia. – Há quantos milênios não o vejo? Da última vez as coisas não foram tão bem entre nós, a sua profecia...
– O passado é passado minha querida. – Ele a cortou, sorrindo. – Você não tem culpa. Profecias são profecias, fica apenas ao seu cargo anuncia-las.
Ela pareceu agradecida pelo perdão dele. Mas sua expressão se alterou um pouco, para a confusão. Ela estava desconfiando da presença dele ali.
– Mas o que deseja velho amigo? – Ela perguntou ansiosa. Sua voz nada se parecia com a última vez que ele á vira. A voz de dar medo, assustadora e que lhe causou arrepios.
– Apenas de um conselho, minha querida. – Ele respondeu, erguendo-se. Não ficou surpreso ao perceber que já não era mais um idoso. Dentro do templo, Sibila fazia o que desejava. Era jovem e forte que ela o via. Era a visão real que ela enxergava. Ao olhar para suas mãos, ele as viu macias e sem rugas. Não pode evitar dar um pequeno sorriso. – São tempos antigos, que estão de volta. Preciso que me aconselhe, em relação ao que fazer.
Sibila não precisou pedir que ele repetisse. Ela sabia do que se tratava. Erguendo-se de seu trono, ou melhor, do trono de Apolo, ela caminhou em direção ao seu amigo. A fumaça de Gaia a seguiu, enquanto ela caminhava. Ao aproximar-se de seu conhecido, ela não pode deixar de se sentir nostálgica. Lembranças dos velhos tempos inundaram sua mente. Memórias boas e felizes. Risadas e música. Alegria e esperança. E então, tudo deu errado.
Com um aperto no coração, ela segurou a mão de seu amigo, e disse a ele tudo que podia dizer. Observou com expectativa os olhos dele, esperando uma mudança neles. Mas não aconteceu. Ele ouviu e viu tudo com a mesma expressão de calma. Ao fim, ele apenas fechou os olhos e abriu novamente. Parecia cansado.
– Entendo. – foi tudo o que ele disse. Depois, deu um pequeno beijo na bochecha dela, e virou-se para sair do templo. Quando ele estava na porta, porém, ela o chamou. Ele virou-se para ela. Por já estar saindo do templo, e do alcance dela, sua pele já envelhecia de novo. Ele não perguntou o que ela queria, não precisou, ela foi mais rápida.
– Não podemos cometer o mesmo erro duas vezes, certo? – Ela questionou, sorrindo. Ele retribui o sorriso.
– Não. – ele respondeu, com a voz firme. O fantasma de seu antigo eu, fazendo força para estar presente. – Não podemos.
***
Uma tempestade horrível estava começando a tomar conta do monte olimpo. Raios cruzando o céu que na maior parte das vezes, era permanentemente limpo e claro. Náiades e sátiros corriam de um lado para o outro, buscando proteger-se da fúria repentina de Zeus. Ninguém estava conseguindo compreender o que estava acontecendo. Tudo o que as criaturas sabiam, era que um conselho de emergência entre os olimpianos havia sido organizado. Há mais ou menos uma hora, os doze deuses conversam – ou melhor, dizendo, dado às circunstancias, brigavam, e ao que tudo indicava, nenhuma coisa boa havia saído daquela reunião.
Dentro da sala dos tronos, a tensão era muito maior. Zeus e Poseidon se encaravam, ambos com um ódio mortal. Os irmãos discutiam com muita frequência, mas nunca Atena vira os dois tão furiosos. E o pior, era que mesmo já tendo se passado uma hora, ninguém havia compreendido o que estava acontecendo. Ninguém á não ser ela. Mas o motivo da discussão era tão cruel e macabro, de certa forma, que ela torcia, pela primeira vez, para estar errada.
– Hã, com licença – Apolo intrometeu-se, no meio da troca de olhares entre Zeus e Poseidon. — Mas, nós, realmente ainda não compreendemos o sentido dessa, hã...complicação entre vocês dois.
– Poderiam explicar melhor? – Demeter reclamou. – E sejam rápidos, sim? Eu tenho muitas coisas para fazer, e gostaria que vocês parassem de tentar se matar pelos olhos.
– O caso é sério, Demeter. – Atena se pronunciou. – Não podemos tratar isso como uma simples reunião de rotina.
– Então você sabe o que está acontecendo Atena? – Poseidon zombou, mas continuou olhando fixamente para Zeus, provavelmente sonhando com o poder da visão de calor do super homem. – Poderia dizer ao seu pai, que ele tem toda a culpa aqui? E que eu estou certo?
– Cale-se, seu cretino! – Zeus exclamou furioso. – Você cometeu o erro aqui. Descumpriu o juramento e...
– Eu? Eu descumpri? – Poseidon revidou, com um ódio extremamente incomum na voz. – Diga-me, Zeus, a sua querida filha, por acaso nasceu sozinha? Foi apenas uma infeliz armação para cima de você? A mãe dela forjou o seu sangue nas veias dela?
– Não meta a minha filha nisso, Poseidon! – Zeus gritou furioso. Do lado de fora, os raios fizeram o teto da sala tremer. – Ela não está incluída nessa situação!
Ao lado de Zeus, a esposa dele, Hera, mexeu-se desconfortável no trono. Era evidente que a deusa não gostava de ouvir falar sobre a mais recente prole de Zeus. Atena sentia um pouco de compaixão por ela, apesar de ela ser... Sua madrasta?
– Há, mas é claro que está! – Poseidon berrou, o chão tremeu debaixo dos pés dos deuses olimpianos. Apolo franziu a testa diante da cena. Aquela, definitivamente não era uma reunião comum. Algo de muito grave havia acontecido. – Você errou, e sua querida filha pagou o preço não foi? Ela foi punida, por uma coisa que você fez! A quebra do nosso juramento! Mas é claro que, o todo poderoso Zeus, deu um jeito de aliviar a barra da filha. Agora... O meu filho, tem que pagar por algo que nem sua filha pagou?
As palavras meu filho, fizeram os outros olimpianos, que desconheciam o fato, ofegarem surpresos. Apenas Zeus, Atena e Afrodite não demonstraram surpresa. Atena franziu o cenho para a deusa do amor. Por que ela não se surpreendeu?
– Você, quebrou o juramento Poseidon? Por quê? – Artemis questionou, compreendendo melhor o motivo da discussão. Ela não parecia irritada, apenas surpresa. – Já basta uma semideusa...
– Por que não vem ao caso. – Zeus a cortou. – O que importa, é que o filho dele pagou o que merecia. Fim da historia. Não vejo por que você está irritado Poseidon. Você errou, ele pagou pelo seu erro.
Poseidon encarou Zeus, com uma mistura de desgosto e ódio que fez Atena arrepiar-se. Ele não estava bem. Estava irritado. Muito irritado. Com uma ira quase assassina.
– Então, a sua filha pode escapar das parcas, mas o meu filho não, é isso? – Poseidon questionou, com uma voz controlada de uma maneira esquisita. Depois dos ataques de fúria que aconteceram segundos antes, aquela voz sem emoção, fez todos os deuses ficarem com medo. – Acha que irei aceitar essa injustiça Zeus? Acha que eu não desconfio de você?
– O que quer dizer? – Zeus questionou. – Desconfiar de mim? Por que desconfia de mim, Poseidon?
– Por que você é louco por poder. – Poseidon respondeu, e não se intimidou, quando viu Zeus fechar os punhos. – Não suportaria ver meu filho sendo melhor que ela não é? Salvou a vida dela, mas que se dane o seu sobrinho. Ele que morra. Não sei o que você fez Zeus, mas sei que fez algo, e eu vou descobrir o que é.
Surpreendendo a todos, Poseidon levantou-se de seu trono, e marchou para fora do olimpo. Os outros onze deuses acompanharam a ida dele até a porta de ouro. Cada um, com uma expressão diferente na face. Atena avaliou cada expressão, mas pegou-se observando mais a de Afrodite. Ela tinha um olhar esquisito. Misterioso demais. Muito longe da expressão fútil que na maior parte das vezes ela mantinha. Atena se concentrou tanto na deusa em questão, que não percebeu quando Poseidon parou as portas do olimpo e olhou novamente para Zeus.
– Vou dar mais dois dias para a missão que mandei. – O deus do mar anunciou, sem se importar que a maioria dos deuses presentes, simplesmente não conhecesse nada sobre essa missão que ele havia mencionado. – Se em dois dias, eu não tiver noticia nenhuma, eu juro que...
– O que? – Zeus o interrompeu. – O que você vai fazer?
Durante toda a reunião, Poseidon havia ficado com diversas expressões. Raiva, nojo, desgosto, ódio e impaciência. Mas nunca, durante toda a existência de dele, Atena havia visto uma expressão tão desoladora. A deusa da sabedoria ficou completamente sem fala, diante dos olhos tristes de Poseidon. Não, era mais que tristeza, era... Um olhar de uma pessoa que havia sido traída.
– Eu juro que nunca irei perdoar você, Zeus. Nunca.
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