Notas iniciais
Olá, semideuses! Vocês querem me jogar no tártaro não é? Eu realmente sinto muito, por ter demorado tanto! Eu juro que tentei postar antes, mas não consegui, sinto muito por ter demorado, e espero que não tenham desistido de acompanhar! Obrigada a todos os comentários, e eu realmente espero que gostem desse capítulo!

O cheiro de suor e sangue dominava o ar do pátio central da ala sul, onde um aglomerado de adolescentes, todos vestidos da mesma maneira, tendo apenas diferença de medidas para homens e mulheres, se acumulavam em um circulo, buscando enxergar um corpo de outro jovem, que estava estirado no centro da confusão.

– Você está vendo? – Alguma menina perguntou, para outra adolescente que estava do seu lado, no meio da confusão. – Eu não estou conseguindo ver, tem muitas pessoas! Quem você acha que foi?

– Eu também não estou vendo. — a outra menina respondeu. – Mas acho que foi um daqueles... Como chamam mesmo? Titãs? Acho que foi uma briga entre eles.

– Pela expressão das pessoas que estão lá na frente, à briga foi seria.

Bianca Di Ângelo, prestou atenção sem muita vontade, na conversa das duas. Lutando para ultrapassar as pessoas que não liberavam nenhuma brecha para a passagem de outras, ela finalmente chegou ao núcleo da confusão, e olhou com um nó no estômago para o corpo estirado e ensanguentado no chão.

Era um menino, com possivelmente, uns doze anos. A mesma idade que irmão de Bianca possuía. Ele estava deitado de barriga para cima, e seus olhos estavam fechados, como se ele estivesse dormindo. Porém, todos os quatro principais membros do seu corpo, haviam sido arrancados. Braços e pernas, tirados de uma forma horrenda do tronco do corpo. Havia um inicio de um corte no pescoço dele, mas estava incompleto como se o causador daquela brutalidade tivesse desistido depois de iniciar a operação.

Sangue se espalhava em todas as direções, e Bianca fez uma careta ao perceber que havia pisado em uma das poças, manchando seu único tênis. Dando meia volta, ela saiu do meio da multidão, e andou com passos rápidos até um dos corredores que acessava o pátio.

Naquele instante, o corredor estava deserto, e poucas portas o compunham. Mas mesmo que alguma pessoa estivesse andando nele, além de Bianca, ela jamais notaria ou prestaria atenção, na pequena saliência em certo canto da parede.

Bianca dirigiu-se diretamente para lá, e rapidamente, o dispositivo que se escondia atrás da parede, a reconheceu. Uma abertura do tamanho de uma porta pequena se abriu, e Bianca teve de se agachar para passar por ela, e assim que ela atravessou, o portal desapareceu. A menina suspirou, mesmo após dois anos, o uso de magia, ainda lhe parecia estranho.

A passagem secretava, dava para uma espécie de pátio secundário, uma imitação menor do pátio em que a garota estava anteriormente. Dois corredores se abriam nele. Um levava a uma grande arena equipada com os mais tecnológicos dispositivos eletrônicos e a mais avançada magia que o reformatório tinha contato. O outro, dava para as celas dos chamados “semi titãs”. Bianca dirigiu-se para lá.

Diferente das celas comuns, as da área secreta eram escondidas nas paredes e cada detento tinha de saber exatamente onde a sua ficava, pois se tentasse entrar em outra cela, seria eletrocutado e isso era uma dor desnecessária.

A menina enfim, chegou à frente de sua estadia, e colocou a palma da mão diante da parede lisa. Um segundo se passou, e um portal se abriu, dando para um quarto com três camas, sem portas ou janelas e nenhum banheiro. A única coisa que destacava aquele cômodo era a quantidade infinita de livros que estavam por todos os lados. Debaixo da cama, em cima da cama, no chão, nos cantos... Enfim, em todos os lados. E claro, os dois jovens que naquele instante, estavam sentados em duas das camas jogando o que Bianca desconfiava ser mito magia.

– Então, o que era a tal confusão? – Percy foi o primeiro a notar a chegada da menina, e sorriu quando ela sentou-se na outra cama, grunhindo. Nico, o irmão da garota olhou para a menina preocupado, mas logo voltou a prestar atenção no jogo, chamando a atenção de Percy, para a próxima jogada.

– Charlie morreu. – Bianca anunciou, e não se surpreendeu com a falta de reação dos dois meninos. O trio já estava acostumado com as mortes que ocorriam quase diariamente, e aquele alarde havia sido estranho para eles.

– E o que tem de estranho nisso? – Nico questionou, com a voz amarga. – Qual o motivo do alvoroço? Eu não quero saber se aquele mimado do Charlie, não se cuidou e perdeu a cabeça.

Bianca se encolheu diante do que o irmão falou. Ela se lembrava de como Nico era doce e amigável antes dos dois terem ido parar no Força Titã, dois anos antes. Porém, atualmente, o menino agia como se não amasse ninguém ou não desse valor a pessoa nenhuma. As únicas exceções era ela e Percy, e nem sequer com eles, Nico chegava a ser realmente agradável. Sempre com piadas maliciosas, sempre falando sobre morte e sangue e de como todos eles eram miseráveis. Por vezes, Bianca preferia sair e ficar sozinha á suportar ver a nova versão do irmão. Ela não entendia como Percy ainda era paciente e amigável com Nico. Já havia perdido a conta de quantas vezes Percy poderia ter respondido ao menino, mas não o fez. Ele é um anjo, só pode ser. Bianca pensou. Nunca perde a calma, desde o que aconteceu... Ele nunca mais perdeu a cabeça, está sempre calmo e é sempre paciente. Chega até a assustar.

– Eu acho. – Bianca respondeu ao irmão, levantando sua suposição sobre a morte de Charlie. – Que tamanha divulgação, é referente á forma como ele foi encontrado. Estão dizendo, que alguém o matou durante a madrugada e foi de uma forma extremamente violenta.

– Alguém? – Percy perguntou, erguendo as sobrancelhas. Bianca olhou para ele, e perdeu a respiração por alguns segundos, ao olhar nos olhos verdes como o mar –o único mar que Bianca ainda via. – Esse alguém seria um semi titã?

– É o que estão falando. – Bianca concordou, desviando do olhar do menino. Nico resmungou alguma coisa, e lançou mais uma carta de sua pilha. Percy não continuou a jogada, parecia distraído, como se estivesse em algum outro mundo. Aquilo também era frequente. Milhares de vezes, Bianca e Nico tinham de repetir algo, até que Percy compreende-se direito, pois sua mente estava viajando por outro lugar.

– Jogue. – Nico o chamou, e Percy olhou confuso para ele por uns segundos, antes de sorrir e lembrar que era sua vez. Nico virou-se para Bianca. – Bem, se foi um de nós, então isso ficou interessante. – O garoto sorriu de um jeito que arrepiou os pelos da nuca da menina. – Seja lá quem foi que acabou com a raça daquele retardado, tem o meu profundo respeito.

– Nico! – Bianca o repreendeu. O irmão riu, e voltou sua atenção para a as cartas. Alguns minutos se passaram, os três em silencio, com Bianca apenas observando o jogo deles. Nico havia acabado de lançar uma carta, com o deus Ares, quando um guarda surgiu de supetão na porta. Os guardas eram os únicos que podiam entrar nas celas especiais, sem que sofressem com isso.

– Todos vocês estão sendo chamados no pátio central. – Ele declarou. – Cheguem lá, em cinco minutos!

– Obrigado, pela sua gentileza. – Nico ironizou, quando o homem virou as costas. Bianca levantou-se e Percy ergue-se também. Bianca fez uma careta, ao ver os cortes no pulso do amigo, todos seguindo uma simetria perfeita e alguns até com o sangue ainda escorrendo. Se Percy notou aquela reação da parte dela, ele não demonstrou.

Os três seguiram para fora do corredor e se juntaram a outros jovens, a maioria com expressões arrogantes no rosto. Ao chegarem ao pátio, duas mulheres organizavam as filas, para homens e mulheres. Havia cerca de cinquenta ou sessenta adolescentes, chamados de “semi titãs”. Aquele era um termo para os jovens que haviam passado- e sobrevivido- por um treinamento militar que expandia suas capacidades, físicas, mentais e sobrenaturais. Bianca, Nico e Percy, haviam enfrentado aquele treinamento por um ano inteiro e conseguiram suportar cada carga de energia e cada tortura causada pelo fracasso deles. Após conseguirem provar que tinham capacidade, eles forem enviados para a sessão especial e se juntaram aos outros poucos jovens que haviam conseguido sobreviver. Cada um tinha sua habilidade e experiência em diversos ramos de luta e intelectual. Porém, em relação à parte “sobrenatural” cada semi titã era singular e nenhum sabia nada sobre o poder do outro.

Aquele sigilo era necessário, pois todos os meses, havia uma luta, chamada batalha de titãs. Dois semi titãs, duelavam usando seus poderes e as lutas só acabavam, quando um era gravemente afetado. Após a luta, a memória de cada um era apagada em relação ao seu oponente, para que nenhum registro do poder do outro fique na memória. Se algum semi titã soubesse do poder do outro, na hora do luta, ele poderia tirar vantagem. Bianca já havia duelado antes, mas graças ao “roubo” de sua memória sobre a batalha, ela não tinha noção de quem havia sido sua concorrente.

Uma das mulheres chamou Bianca para um canto e ela deixou Percy e Nico para trás, lançando um olhar de alerta para os dois que seguiam para as filas que tinham sido indicadas.

Ao chegar ao local designado, Bianca procurou pelos outros dois, encontrando Percy primeiro. Ele estava quase na frente, pois era um dos mais velhos lá dentro. Todos os semi titãs tinham no máximo dezesseis anos. Ao lado de Percy, havia uma das organizadoras e Bianca percebeu com desgosto, que a mulher estava sussurrando alguma coisa no ouvido do amigo. Percy estava rígido e sua expressão era de tristeza. Bianca tinha uma vaga ideia de que naquela noite, Percy não ia ficar com eles.

A menina desviou os olhos daquela cena horrível e tirou seus pensamentos do que Percy iria enfrentar aquela noite, e procurou o irmão. Nico estava mais atrás na fila dos homens, e tinha os olhos fixados no chão.

– Atenção! – Uma voz exclamou vinda de lugar nenhum. Todo o barulho no pátio cessou. Bianca franziu a testa, para a voz. Era a mesma que tinha recepcionado ela e os outros dois garotos, dois anos antes, para o treinamento militar. Porém, os três jamais tiveram algum contato com ela ou viram seu rosto. Bianca tinha a impressão de que conhecia o dono da voz, mas sua mente custava a lembrar de quem era. – Tenho plena certeza, de que todos vocês sabem o motivo de estarem reunidos aqui. – Bianca tinha a impressão de que o dono da voz estava irritado. – Pois bem, não farei rodeios, quero deixar claro que todos serão punidos, pela falta de equilíbrio de algum dos seus companheiros! Não aprenderam nada com o que ensinamos?

Todos os condenados presentes se encolheram. Bianca notou a expressão de ira nos olhos de alguns, mas do que raiva sobre aquelas palavras adiantaria? Sim, era extremamente injusto, que todos eles fossem punidos por culpa da falta de noção de outra pessoa, mas nada que eles fizessem, poderia mudar tal decisão. Tudo dentro do Força Titã, era injusto.

– Já deixamos claro, que a regra para que possam andar por todo o reformatório livremente, é jamais usar seus poderes! – a voz continuou, berrando de todas as direções. – Vocês sabem o que acontece com quem desobedece a essas ordens? Tem noção de qual será o castigo? Não? Então, deixe que eu demonstre para vocês!

Houve uma movimentação entre os guardas que estavam dispostos no pátio, e eles se moveram com rapidez até a fila feminina. Bianca prendeu a respiração quando eles passaram por ela, e agarraram com força Amanda Colin, uma garota de quinze anos que arregalou os olhos quando foi arrastada até o centro do pátio e gritou quando um dos guardas a socou, fazendo sua boca sangrar. Ninguém se moveu.

O momento a seguir, se deu repleto de berros e sangue. Os guardas arrancaram as roupas da menina, e a encheram de chibatadas. Bianca estava lívida e as meninas próximas a ela estavam com expressões de espanto e medo. O silencio era preenchido pelos os gritos agoniados de Amanda, que teve os cabelos arrancados à faca, por um dos guardas. Os minutos pareceram horas, e Bianca estava se perguntando o motivo de Amanda não reagir. Por que ela não usa os poderes? Por que ela não ataca? Por quê?

A resposta veio com o movimento final dos homens. Um dos guardas colocou as duas mãos no pescoço da garota, como se fosse enforca-la. E em um com uma força inacreditável um clique foi escutado por todo o salão. A cor dos olhos de Amanda foi desaparecendo, mas a garota uniu suas ultimas forças, para sorrir. Bianca compreendeu o motivo para ela não ter reagido. Ela queria morrer.

– Dispensados! – A voz berrou, e Bianca tinha certeza de que ele estava rindo internamente daquela cena. – E pensem no que acabaram de ver!

Pouco a pouco, os condenados se dispersaram. Bianca andou rapidamente até o irmão e os dois seguiram juntos, até o encontro de Percy que os esperava na entrada do corredor, com uma expressão amarga e ao mesmo tempo distraída. Nico precisou chama-lo três vezes, até que ele os acompanhasse.

Em silencio, eles entraram na cela, e sentaram-se nas camas, todos sem reação após a cena que haviam presenciado. Foi Nico quem quebrou o silencio.

– Pelo menos não foi nenhum de nós, não é? – Ele questionou, e Bianca lhe lançou um olhar repleto de raiva, como ele podia falar uma coisa daquelas? Sim, não havia sido nenhum deles, mas ainda assim não era motivo para se alegrar. – Ainda não morremos.

– Mas vamos morrer. – Percy murmurou, deitando-se em sua cama, sua voz soava calma e centrada, mas de algum jeito Bianca sabia que ele estava péssimo por dentro. – Todos morremos. No fim, cada um aqui, irá para os braços da morte. Ela será nossa ultima amiga e a única pessoa que realmente vai nos acompanhar até o fim.

***

A porta foi aberta com um clique, e o homem ergue seus olhos de uma forma entediada, para a mulher que acabava de entrar.

– Marie, minha querida. – ele a saudou. – O que te traz aqui?

– Gostaria de saber, por que matou Amanda Colin. – ela respondeu fria. – Pensei que tínhamos combinado de não matar nenhum semi titã, e também julgava que Amanda fosse extremamente poderosa para os seus planos. Filhos de Hefesto são raros de encontrar.

– Perdoe minha ação inesperada, Marie. – ele respondeu. – Mas o caso era necessário. Perdemos Amanda, para não perdemos nossa peça chave.

– Quantas pessoas já matou, apenas para manter ele vivo? – Marie questionou.

– Infinitas e matarei quantas for necessário. Jamais poderemos perdê-lo. Aquele menino, é importante demais e qualquer um que o ameaçar de alguma maneira, tem de morrer. Já é um pensamento planejado.

– Bem. – Marie franziu o cenho, e em sua testa, pequenas rugas foram se formando. – Espero que seja o certo, não acho divertido mandar meus homens matarem pessoas que simplesmente pensam demais.

Ele riu, com gosto. Marie era uma serviçal experiente, mas possuía a mente limitada e um pouco de sentimentalismo que poderia ser fatal para ela.

– A minha querida, eu mataria o mundo inteiro, apenas para que aquela criatura fique viva. Se for necessário, todos os seres humanos derramaram sangue, para que ele fique feliz.

***

Venha. O garoto mascarado a chamou. Venha até aqui, eu estou esperando por você Annabeth.

Eu não posso. Annabeth respondeu, com uma dor no coração, ela queria ir com o menino. Não posso ir, me perdoe!

Mesmo sem poder ver o rosto dele, ela teve certeza de que o havia magoado. Devagar, ele puxou o capuz para cima do rosto, e abaixou a cabeça.

Então eu estou mesmo sozinho? Eu pensei que você me salvaria. Mas se você não vai, eu não poderia escapar. Eu estou perdido Annabeth.

Não! Ela gritou desesperada para ele. Você não está! Salve a si mesmo!

Promete uma coisa? Ele perguntou, docemente. Inconscientemente Annabeth concordou desesperada para fazer ele se animar, para salvar ele.

Quando chegar a hora, você me mata?

A pergunta pairou no ar, e Annabeth não pode responder, pois alguém a acordou, berrando o seu nome.

– Annabeth! – Thalia, gritou empurrando a menina de uma forma um pouco dolorosa. A garota abriu os olhos alarmada, e foi com um alivio dominante que ela viu que estava em segurança. Sua cabeça latejava. O sonho havia sido esquecido, mas uma sensação estranha a estava dominando.

– O que diabos você estava sonhando? – Thalia perguntou, irritada. – Está dormindo há horas, e daqui a pouco teremos uma reunião na casa grande.

– Eu não sei. – Annabeth respondeu, cansada. – Lembro apenas, que alguém estava pedindo a minha ajuda, e que algo de muito ruim, ia acontecer com ele.

– Algo ruim? – Thalia perguntou, preocupada.

– Sangue. – Annabeth respondeu. – Eu sei que tinha haver com sangue.

Notas finais
Ficou bom?
Bem, antes de mais nada, em relação aos extras, eu irei posta-los outro dia. Já tenho um deles pronto, mas acho que um extra tão no inicio da historia, não seria muito legal. Talvez eu poste na próxima vez que atualizar.

Sinto muito pela falta de ação, mas ainda espero que vocês gostem do capítulo

Com relação a Thalia, e de como ela está viva, as informações serão dadas mais para frente.

Obrigada, por lerem, e qualquer dúvida falem comigo! Não vou poder me escrever ou esclarecer muitas coisas agora, meu tempo está extremamente corrido, então qualquer coisa falem comigo, já que estou sendo tão breve aqui.
Espero que gostem!