Quatro Meses Depois

Estranhamente, Ada se vê de volta no laboratório subterrâneo da Umbrella em Raccoon City. Ela está caminhando por uma ponte de metal, onde reencontra uma versão jovem de Leon vestido de policial da RPD.

“Então, todo esse tempo, eu só fui uma marionete na sua mão? Você me usou e depois me descartou como se eu fosse um lixo?”

“Leon, não! Isso não é verdade...” ela tenta se defender enquanto sente o chão sob seus pés tremer.

“A verdade é que você é oca por dentro e vai viver para sempre sozinha.” Os olhos azuis dele eram gélidos como as suas palavras. “Se eu pudesse fazer um desejo agora... eu desejaria nunca ter te conhecido, Ada Wong.”

E de repente a ponte onde os dois estão se rompe e ela tenta agarrar a mão de Leon, mas dessa vez, ele decide não salvá-la. Ela encara aqueles olhos azuis frios enquanto cai para dentro daquele abismo escuro e sem fim.

Abruptamente, Ada desperta sozinha em seu quarto, suando, tremendo e com o coração batendo, desenfreadamente.

Ada Wong aprendeu a não ter medo nada. Entretanto, depois de conhecer aquele policial novato em Raccoon City, algo mudou dentro de si. Um novo medo surgiu em seu coração.

“Se eu pudesse fazer um desejo, eu desejaria nunca ter te conhecido, Ada Wong.” A voz de Leon do seu pesadelo ainda permaneceu a atormentá-la.

A ironia de tudo era que conhecer Leon em Raccoon City havia se tornado a melhor coisa que aconteceu na sua vida. Era uma memória que Ada sempre guardou com carinho. Mas, então, ela foi e estragou tudo, brigou com ele, disse coisas que o magoaram e o fizeram ir embora no meio da chuva, após terem passado uma noite de amor juntos na sua cama, onde agora a mulher se encontrava sozinha e com saudades. Talvez, por isso seu subconsciente estava a punindo com esses pesadelos.

Ela se levanta e vai para o banheiro, depois de jogar a água em seu rosto, Ada encara o seu próprio reflexo no espelho.

— Para de ser fraca, Ada! Se recomponha! — A mulher sente que precisa retornar a ser a velha Ada Wong que não se deixa abater por nada. Ela era calculista, astuta e sempre tinha o controle sobre tudo.

Ada tentou jurar para si mesma que vai parar de se lamentar por causa de um par de belos olhos azuis e um corpo másculo, forte e quente.

Entretanto, a mercenária também precisa encarar a verdade dos fatos. Ela está presa naquela cabana, sob custódia do governo dos Estados Unidos e ainda tem mais 2 anos e 5 meses para cumprir a sua pena e, enfim, ser livre.

Ela tentou se distrair com a sua rotina na Sol Dourado, continuando como a assistente de Debra. Há quatro meses, sua relação com a jovem veterinária andou meio abalada, ironicamente, por causa de Leon.

A filha de Johnny acabou culpando Ada por ele ter ido embora. E a espiã resolveu revidar da mesma forma.

— E se a culpa for sua? Afinal, não foi você que beijou o Leon na frente de todo mundo? — Ada revidou, fazendo Debra também se sentir culpada. — E não foi por sua causa que ele e o Cody brigaram?

— Não haja como se não tivesse nada a ver com essa confusão também, Ada! — Debra rebateu. — Dizem que você e o... Leon são amantes? Isso é ou não é verdade?

— E se... eu fosse... o que você tem a ver com isso? — Ada esbravejou. O clima pesou entre as duas mulheres e Helena teve que intervir.

— Parem vocês duas! — Helena bem tentou apaziguar as brigas, fazendo Ada revirar os olhos. — Leon precisou sair para cumprir as suas funções como agente do governo. Mas, ele logo vai voltar e não vai gostar de ver vocês duas brigando.

O problema é que dias, semanas, meses se passaram e o Leon ainda não havia retornado. A cada quinzena, Helena precisava ligar para o homem e informar que tudo estava sob controle e que a prisioneira do governo estava se comportando bem.

Mesmo que não pudesse falar com Leon, ou ouvir ao menos a voz dele, o mais importante era saber que o homem estava bem e seguro. E houve algo de bom nessa história, a ausência do agente Kennedy fez com que Ada se aproximasse mais dos peões e de suas famílias.

Sansão que era o capataz, começou a convidá-la para almoçar com a sua família. E na sua primeira vez, Ada comeu em silêncio, somente apreciando as costelas bovinas suculentas, com arroz, batatas, algumas saladas frescas e outras delicias, que eram ótimas para engordar, tudo feito por Diana que ainda não gostava da espiã.


Naquele almoço, Ada acabou conhecendo também os 4 filhos de Sansão: dois meninos e duas meninas, o caçula ainda era um bebê de uns 2 anos, os outros três tinham entre 11, 13 e 16 anos e encaravam a espiã com olhares desconfiados e curiosos. Até que na sua segunda vez, algo diferente aconteceu:


— Então, o que você fez pra usar isso daí? — A pergunta veio da garota de 11 anos que não se aguentou de curiosidade ao vê-la com a tornozeleira eletrônica.


— Ei, a mamãe falou pra você não falar com ela! — resmungou o irmão mais velho.


— Eu desobedeci os meus pais — Ada resolveu responder e surpreendeu todo mundo com a sua resposta. — Portanto... sejam obedientes a seus pais. — Ela trocou um olhar breve com Diana que lhe deu um sorriso.

E, a partir daquele momento, a esposa de Sansão começou a simpatizar com Ada.

Outro que começou a fazer amizade com ela era Cody. Eles até passaram andar a cavalos juntos e Ada gostava de se exibir e mostrar como havia aprendido a domar a égua de cor preta chamada Tempestade.

Quem não estava gostando muito dessa aproximação que, às vezes, envolvia muitos sorrisos, flertes e piadas era a própria Debra que havia dado a Ada a tal égua. A veterinária não queria admitir, mas no fundo quando os via interagindo, ela sentia ciúmes. Isso causava desentendimentos entre o trio, sobretudo, com o Cody.

Um dia Ada e Helena ficaram em silêncio vendo Debra xingando o jovem peão que precisou engolir o seu orgulho e obedecer às ordens dela, porque embora aqueles dois tivessem tido um romance secreto, ela era a sua chefe.

Certo dia, Ada chegou a flagrar Debra e Cody quando ninguém estava por perto e, dessa vez o homem revidou, dizendo que a jovem morria de inveja da espiã.

— Ah, eu te odeio! — ela esbravejava e até lhe deu um tapa na cara. O homem respondeu lhe roubando um beijo furioso que só foi rompido, quando ouviram um barulho.

— Então, você está me dizendo que Cody e... Debra estavam se beijando? — Helena perguntou animada com a fofoca.

— Sim — Ada dizia ofegante, após ser forçada a fugir, sorrateiramente. — Então, é por isso que ele brigou com o Leon... Por ciúmes da Debra.

— E agora a Debra está com ciúmes dele com você.

— Ele é só um amigo.

— E Ada Wong tem amigos?

— Nossa, você me magoou agora! — Ada ficou realmente ofendida. — Pensei que... você fosse o mais perto de uma amiga.

— Ei, Ada... desculpa. — Helena tinha a mesma energia sarcástica que a espiã. — É difícil ser a sua amiga, depois que você magoou o Meu Amigo.

Ada ficou em silêncio, carrancuda e sentindo aquelas palavras pesarem na sua consciência. Ultimamente, ela vivia sentindo culpada por cada escolha que fazia. Então, a antiga Wong precisava tomar as rédeas e lembrá-la que escolhas difíceis não se resumiam ao certo e errado, mas sim sobre fazer o que fosse necessário para sobreviver.

— Bom, pelo menos seu amigo está seguro e longe de problemas. Agora eu preciso voltar para a minha cela. — Ada ironiza se preparando para retornar para a sua Cabana fria e solitária.

— Eu não tenho tanta certeza disso. — Helena a interrompe. — Leon me contou que vai para uma missão.

— Que missão?! — Ada imediatamente ficou angustiada.

— Ele não me disse, mas parecia muito animado.

Ada sentiu um aperto no coração e um mal pressentimento.



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Levou quatro meses, até que a BSAA conseguisse realmente encontrar o esconderijo do bioterrorista na África. Aquele megalomaníaco era difícil de pegar, sempre vivia fugindo.

E agora o capitão Redfield chegou perto. Sua equipe estava pronta e preparada para acabar com Albert Wesker. Entretanto, os inimigos que encontraram pelo caminho foram difíceis, perigosos e imprevisíveis. Muitos dos seus soldados acabaram mortos, ou gravemente feridos.

Mesmo assim, Chris e Jill continuaram a sua perseguição implacável em um navio cargueiro, até conseguirem ficar cara a cara com vilão. A batalha que se seguiu foi brutal, parecia que tudo estava perdido, que Wesker iria vencer e ele já cantava a vitória com aquela sua postura soberba e psicopata.

O bioterrorista estava tão cego pelo seu poder e por ver caídos e derrotados ali em sua frente, as duas pessoas que mais odiava em sua vida: Jill e Chris.

— Se você implorar, talvez, eu lhe conceda uma morte mais rápida. — Wesker sorri, agarrando Jill pelo pescoço, enquanto Chris se levanta com dificuldade, precisando se apoiar em seu fuzil.

— Deixa-a ir! — ele murmura entredentes, olhando nos olhos azuis-esverdeados da Valentine que estão exaustos e perdendo o brilho.

— Acabou e você perdeu, Redfield! — Eles lutaram bravamente contra ele, porém aos olhos do vilão não passavam de meros mortais, criaturas fracas que estavam prestes a encontrar uma morte humilhante e muito dolorosa.

— Quem perdeu foi você, Wesker! — Chris afirma cheio de determinação.

E prontamente cortando o céu no horizonte, surge um helicóptero. Na porta lateral, Leon posiciona-se como um atirador de elite, pronto para dar o tiro certeiro. Ele enquadra o alvo na mira da sua Sniper Rifle e aperta o gatilho, com a bala de prata criada para, enfim, derrubar aquele que se autoproclamava um deus.

A bala especial atingiu o peito de Wesker, fazendo-o soltar um grito gutural. Seus olhos vermelhos, queimando de puro ódio, encaram o helicóptero que agora voava mais baixo.

Como um último ato insano de vingança, o bioterrorista consegue correr e saltar em direção ao helicóptero.

— Nãoooo! — Chris grita desesperado, segurando o corpo agora inconsciente de Jill, ao mesmo tempo em que vislumbra o helicóptero em que Leon estava, de repente explodir em chamas e despencar nas profundezas do Oceano Índico.



Notas finais
Minha ideia com esse final, não era se aprofundar muito nessa batalha. Ela existe só pra causar um drama e suspense para essa reta final da fanfic. O Leon surge ali como o um suporte para Chris porque Wesker é um vilão muito poderoso e fiquei pensando em um modo interessante para vencê-lo, mas não queria nada mirabolante. Agora será que Wesker morreu? O que será que aconteceu com o Leon? Será que Aeon terá um final feliz? Tudo isso será respondido no próximo capítulo