Notas iniciais
Dedicado à Pequeno Gafanhoto e à Pandacórnio Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=e8QTDnqWAEk

Nichole Williams

Uma noite fria de inverno. Enrolada em um cobertor e bebendo uma xícara de chocolate quente, um livro pousando sobre meu colo. Ligo o rádio após prender meus cabelos loiros em um coque mal feito. Reconheço Demons, do Imagine Dragons. Sinto uma súbita vontade de sair da sala. Levanto-me do chão, quase que num transe, desfazendo-se do cobertor. Meus pés descalços alcançam o frio chão de madeira de carvalho.

Lembro-me de uma antiga história sobre a casa que comprei à algumas semanas. O antigo proprietário da casa era um homem muito rico, vivia com suas filhas e sua mulher em paz, sossegado. Mas em uma noite, o homem e sua família simplesmente desapareceram. A polícia calculou que foi um assassinato, pois embora a casa estivesse em perfeito estado, o banheiro estava completamente coberto de sangue. E o mais macabro: A banheira estava intacta, com a exceção de um tufo de cabelos ruivos. Tiro a história da cabeça, pois logo ficarei com medo, o que é desnecessário. Caminho até a cozinha, pousando as mãos sobre a pia. A iluminação começa a piscar, e logo estou no escuro. Estou suando frio. No escuro, sozinha em casa.

Não, penso, sozinha não.

Não pego numa lanterna. Iria denunciar minha posição. Permaneço imóvel, sem ousar mexer um músculo qualquer. Meus olhos estão arregalados, tentando capitar alguns detalhes do escuro, que ia clareando-se aos meus olhos. Uma figura. Vindo em minha direção. Com algo brilhante em suas mãos. Não penso duas vezes. Eu grito. A figura se aproxima mais depressa, e trato de aumentar a distância. Pego objetos aleatórios e jogo em sua direção. Reconheço um telefone e ligo para a polícia rapidamente, enquanto me escondo. Eles estarão aqui logo. O telefone é arrancado bruscamente de minhas mãos. Deixo escapar um grito, e ponho-me a correr. Alcanço a sacada. È o fim. Viro-me para a figura à minha frente, apontando uma faca em minha direção.

Alguém segura meu braço.

Berro e tento me soltar com um tapa. Logo a reconheço. Uma senhora idosa que é minha vizinha.

– Senhorita, o que está fazendo? – perguntou-me, com sua voz doce e calma.

– Estou fugindo! – exclamo – Querem me matar! Fuja, busque ajude! O que está fazendo aqui? – estou histérica e eufórica.

– Quem quer te matar?

– Ele! Ele quer! – olho para a frente. O homem desapareceu.

– Acho melhor descansar. – ela sugere com firmeza.

Suspiro e concordo.

– Vou tomar um banho.

***

Ligo a torneira e choro, extravasando meus sentimentos. A casa estava em perfeito estado. Tudo como antes. Nenhum sinal do assassino misterioso.

Estou ficando doida. – concluo.

Vejo cabelos ruivos no chão da banheira, e logo os ignoro.

Espere... eu... eu não tenho cabelos ruivos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!