Concrete Heart
1 Prologue
Notas iniciais
Era óbvio que nós dois corríamos um risco mortal. Ainda assim, naquele instante, eu me sentia bem. Quase humana. Respirei o doce aroma da pele dele. Eu podia ouvir seu sangue pulsando quente e rápido por suas veias, bombeando para o seu coração... Ah, seu coração! Eu podia escutá-lo batendo de novo. Era como se eu estivesse o escutado durante toda a minha vida. Era tao familiar quanto minha própria voz. Estar perto dele era algo que eu queria a muito tempo. E, no fundo, eu não me importava qual era o cenário. E então eu entendi. Se era ele quem eu queria, eu podia passar pelo resto... de certo modo. E até admito que isso era muito egoísta.
Fechei os olhos por um segundo tentando tirar da cabeça o som que se seguia enquanto andávamos pelo longo corredor — o som baixo de dentes rasgando a pele humana, o sangue fluindo livremente... e um coração sendo forçado a bater em seu último esforço.
— Não se incomode, querida. É apenas Lucien se divertindo um pouco — Alec disse, antes de abrir a enorme porta dourada.
Era quase impossível não acreditar, assim como era possível que aquilo fosse real. Os três me encaravam com certa curiosidade, sentada em seus tronos vermelhos.
Marcus tinha um semblante mais tedioso, ele existia em modo operacional — qualquer coisa estava bom contanto que sigam suas regras. Aro estava mais do que feliz em me ver, isso era claro até para quem não lia mentes. Já Caius era o mais discreto, seu olhar era arrogante até certo ponto não deixando transpassar nada. Tudo aquilo não passava de uma cerimônia, apenas um lembrete do ar de realeza.
— Ora, ora, ora — Aro se levantou e a guarda deu um passo a frente. — Se não é a minha Cullen preferida, e seu adorável Victor — ele suspirou contentamento e sorriu.
Ele juntou as mãos uma na outra e a encostou nos lábios, tentando evitar todo o exagero de entusiasmo. Mas não conseguiu. Seus olhos brilhavam com suas ideias. Ideias as quais eu estava como o papel principal, o manto preto, os olhos vermelhos, de mãos dadas com ele.
Aro se perdeu por um segundo, tomado pelo poder do seu desejo mais íntimo e ao mesmo tempo tão óbvio.
A Torre me chamou atenção mais uma vez. As badaladas do relógio eram ensurdecedoras lá embaixo e eu sabia que o som iria parar... em poucos segundos o ponteiro pararia entre o 6 e o 12, no momento em que o crepúsculo finalmente começasse.
O cenário a minha volta tremeu, e minha visão se desfez.
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