Concrete Heart
20 Capítulo 19 - The Volturi
Notas iniciais
Já passou por um estado de inércia ativa? Para os humanos deve ser o conceito de dormir. Para os vampiros é o conceito de purgatório. Um estado à deriva em que você permanece enquanto tudo o que quer é dar um tempo da realidade.
— Angel — Carlisle me chamou, se ajoelhando ao meu lado. — Você precisa vir. Os Volturi...
— Estão chegando — sussurrei, ainda sem me mexer.
— Precisam ir — Carlisle disse, se virando para os lobos — Podemos contornar a situação aqui, mas uma aliança com lobos é uma coisa que eles não vão tolerar.
Eu me levantei. Sam e os outros voltaram a sua forma humana e tiraram o corpo do lobo do chão.
Enquanto nós esperávamos os Volturi, tentando manter a calma, eu particularmente tentava não pensar nas coisas que aconteceram nos últimos minutos. Um minuto que mudou tudo. Mesmo que eu não possa sentir o impacto agora, tenho certeza de que quando a adrenalina passar, eu vou poder sentir o baque. E vai ser difícil consertar.
Tranquei a mandíbula e encarei a floresta. Os mantos pretos logo chegariam... E Aro iria saber de tudo. Não adiantava eu querer simplesmente sair, fugir dali e não deixar Aro chegar perto de mim com sua mente mágica. Todo o meu corpo me dizia para ficar, a vampira em mim queria ver... Sangue, não. É meio mórbido. Mas talvez ela queira destroçar algumas cabeças. Especialmente cabeças de Volturi.
Fiquei ao lado de Victor, e Rose entrou quase na minha frente. Resisti a vontade de revirar os olhos. Eu não era tão indefesa assim. Senti a rajada do vento e todos se viraram para a floresta.
Havia três vampiros à frente. O garoto pálido — não parece ter mais que dezoito anos — com um terno cinza era gêmeo de Jane, a pior de todos. A mesma seguia ao lado dele, no meio entre Félix. E então os três se separam, dando espaço para Aro, Caius e Marcus. Os patronos da noite... Eles pararam a uns vinte metros de nós.
— Ah, minha querida Angel – disse Aro, amigável. — Quanto tempo... — ele dizia distraidamente enquanto desviava os olhos para minha mão no braço de Victor.
— Ele é meu — Jane disse.
Rose segurou meu braço quando eu apenas coloquei o cabelo para trás. Eu não era suicida. Não ia tentar nada contra Jane a não ser que ela começasse.
— Perdoe a indelicadeza de Jane — ele disse encarando Jane como uma reprimenda e se virou novamente para mim. — Não quer me contar o que houve aqui? — ele perguntou, olhando de relance para a pilha de corpos queimando.
— Recém-criados — eu disse.
— E a família Cullen os destruiu?
— Sim.
— Que astutos... — ele suspirou, casualmente sorrindo.
— Quantos eram? Apenas por curiosidade...
— 22.
Todos arregalaram os olhos. Não acreditavam que tínhamos destruído todos.
— Não é sempre que nossos serviços são dispensados.
— Talvez se tivesse chegado antes, teria cumprido seus... Serviços.
Rose me apertou ligeiramente.
— Sim, com certeza — Aro disse, não perdendo o toque de Rosalie.
Ele suspirou de novo, olhando para Victor e para mim.
— Eu imagino que você tenha visto isso... — ele deixou a frase em suspenso, os olhos brilhando de luxúria.
— Sim, eu vi.
— Pode me mostrar? — ele perguntou, a voz quase se elevando com a possibilidade.
Era tudo o que ele queria: uma desculpa para ler meus pensamentos.
Jasper e Alice, os mais novos na família Cullen, não sabia o que ele quis dizer com "me mostrar". Eles não conheciam os Volturi ainda.
— Aro é quase como eu — eu disse, explicando e Aro sorriu para minha iniciativa. — Ele ler pensamentos...
— Porém, tenho limitações que você não tem. Eu posso ler mentes, mas preciso tocar em você antes.
— Mas diferente de mim, ele ler cada pensamento que sua mente já teve — concluí.
Ele se sentia vitorioso com a minha aproximação.
Rose me segurou.
— Não se preocupe, nunca iria machucá-la. — Aro disse, fingindo ofensa.
— Está tudo bem, Rose — tranquilizei-a.
Andei em direção à Aro e os outros. Ouvi Emmett se movendo para o lado de Victor e Rose chegando mais perto dele.
— Minha querida... — Aro sussurrou enquanto estendi a mão para ele.
Eu tinha certeza que não deveria fazer aquilo. Ele saberia de tudo e mais um pouco. Os lobos... Victor... Denali.
— Interessante — ele disse, quando soltou minha mão.
Dei alguns passos para trás e ele continuava me encarando, mas não pensava em mim. Pensava em Victor. E isso me assustava. Me virei e voltei para o lugar.
— Foi uma luta e tanto — ele disse. — E ele é a causa de tudo isso? — ele perguntou, olhando para Victor.
Aro pendeu a cabeça de lado e Victor respirou fundo. Parei na frente dele já que Rose e Emmett estava ao seu lado. Ele colocou uma mão em minha cintura e me puxou para trás. Não era preciso dizer, todo mundo sentia o ar de perigo e medo que os Volturi deixaram.
— Marcus — Aro chamou, ainda fascinado com a minha aproximação com Victor. — Me conte a história.
Alice franziu a sobrancelha.
— Incrível — ele disse, surpreso depois de Marcus voltar para o lugar ao lado.
— Marcus vê relacionamentos. Ele está surpreso com o meu e do Victor — eu disse.
— Tão conveniente — ele repetiu para si mesmo. — Acredite, depois de três mil anos, não é muita coisa que surpreende Marcus.
Marcus pareceu entendido. Caius não havia se pronunciado ainda, apenas observava tudo.
— É tão... Difícil de entender — voltei minha atenção para Aro enquanto ele falava. — Mesmo agora, vendo através de seus pensamentos... Como é que você consegue ficar assim, tão perto dele?
— Com muito esforço.
— Eu não duvido... Mesmo assim, la tua cantante! Que desperdício.
— Eu considero com um preço.
— Um preço bastante alto — ele encarava a mão de Victor em minha cintura.
— Que eu estou disposta a pagar.
— Se eu não tivesse sentido sua vontade através das memórias, nunca a teria acreditado que o chamado do sangue de alguém poderia ser tão forte. Qualquer vampiro sonha em ter um chamado assim, e no entanto, você...
— Desperdiça — completei, minha voz saindo claramente sarcástica e ele sorriu.
— Mas a sua resistência! — Aro suspirou. — Eu não sabia que era possível. Ignorar a si mesmo num chamado tão urgente... Só de me lembrar do quanto ele é apelativo para você, me deixa com sede...
Emmett se mexeu, desconfortável. Jasper e Carlisle se entreolharam.
— Não fiquem perturbados. Não farei mal ao menino...
— Aro! — Caius se pronunciou pela primeira vez. — A lei a proclama.
— Espere, irmão — ele o interrompeu. — Tem algo em particular, no humano, que me deixou curioso.
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